Coisas soltas, pensamentos e ilações quotidianas das últimas semanas

Ultimamente tenho andado num processo de interiorização. Ando a interiorizar que já não sou expatriada, que sou efectivamente emigrante.

A diferença é que neste momento quando volto a Portugal sinto-me como o meu Tio Adolfo que voltava de 8 em 8 anos para ver os amigos e saía de Portugal feliz que nem um cuco pelos que conseguiu ver, mas desgostoso porque uns tinham falecido e muitos tinham partido e tinha-lhes perdido o rastro.

Hoje em dia há internet (abençoadinha seja!!) há skype, há facetime nos iphones e ipads, há chamadas telefónicas a preços mais contidos, há distribuidores de comida Portuguesa por todos os Países e encontrar um vinho Português ou um bom chouriço ou bacalhau já não é um bicho de sete cabeças.

A minha interiorização divide-se em duas partes: trabalho e amigos.

Começando pelo trabalho. Na semana passada soube de alguns colegas da empresa a que pertencia em Portugal que faleceram e outros que estão doentes e fiquei desolada. São pessoas de quem gosto e custa-me não estar lá pra elas, por isso gasto rios de dinheiro em telefone para garantir que mesmo longe estou perto e que as animo. Perco horas no chat para arrancar um sorriso a quem vejo tão entristecido.
Eu sempre fui uma moça bem disposta, sou nortenha, sou disparada, digo tudo o que penso e nunca penso no que digo e no meio dos meus disparates e sorrisos animo o dia a muita gente. E eu sei que não sou salvadora da Pátria nem me pagam pra ser palhacita (que nem é o caso), mas adoro arrancar sorrisos, é como o meu ego se alimenta. Vá lá, podia ser em trapos e maquilhagem, pelo menos dá-me pra isto. Sempre é mais económico, digo eu!
E à distância, com muito mimo, lá vou conseguindo, mas com noção perfeita de que tudo se deve a várias circunstâncias cuja resolução está completamente fora do meu alcance e que como tal, assim como na Candeia, é um sorriso de vez em quando, um dia de vez em quando, mas pelo menos naquele dia vê-se-lhes a cremalheira e sentem-se com mais força. Ou pelo menos é o que me dizem, e eu quero acreditar que sim.

E vai daí e escrevi um post de alma e coração em que expliquei coisas que aqui não posso êxpor mas que se resumem a: o tempo não volta atrás. Foi uma sorte e uma benção ter estado presente nos dias mais felizes de uma casa à qual pertenci com muito orgulho. Estou longe, vou manter-me longe, mas estou eternamente grata a todos quanto me ajudaram a ser feliz durante aqueles 8 anos. E como tal, cá estou eu, longe mas perto, pro que for preciso.
E entre o que chorei a escrever a minha despedida final (levei mais de quatro anos a despedir-me, sou um bocadinho lenta…) e o que chorei ao ler os comentários e a compreensão profunda de tanta outra gente que se reviu nas minhas palavras, lavei a alma e fechei mais um capítulo.

Passando aos Amigos e família.
O certo é que me custou muito voltar de Portugal desta vez porque vi os meus Pais ainda mais envelhecidos (abençoada a hora em que eu e o meu irmão lhes demos o cão que é a alegria daquela casa), os meus amigos cansados de lutar para chegar ao fim do mês, muitos desempregados porque as empresas reduziram imenso pessoal, depois foi a revolta da TSU e a manif na qual não pude estar e agora o aumento de impostos, e uma debandada generalizada dos meus amigos quase todos para imensos Países e cidade, desde Angola, a Moçambique, Alemanha, a Paris de França, Inglaterra, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Bélgica é: you name it!!
E se por um lado o pensamento imediato é: porreiro pa! Mais sítios pra visitar! Por outro reunirmo-nos novamente é cada vez mais complicado e como diz o poeta, a vida pula e avança e dou por ela que não posso nem consigo estar lá nos momentos mais importantes como o dia em que nasceu o filho de qualquer um dos meus melhores amigos, o primeiro aniversário da minha afilhada, ou o dia em que o meu melhor amigo pediu a namorada em casamento, ou que uma grande amiga vai ser operada, ou descobriu que não pode ter filhos, ou que está doente, ou que foi despedida, ou que soube que vai ser Mãe/Pai, ou que compraram um cão ou que pura e simplesmente se apaixonaram e eu não as posso ouvir e conhecer o encantado que as deixou com as borboletas na barriga. Eu quero estar perto.
E não vai poder ser, porque já nenhum de nós está perto uns dos outros.

E tenho sonhado muito, sonho com todas as pessoas que me ligam ou me mandam mensagens e me dizem: estou a morrer de saudades tuas. Tenho saudades de falar contigo, da tua alegria. Anima-me, estou tão triste. E eu arranco bocados da alma, e penso em todas as coisas maravilhosas que tenho e na sorte e saúde e amor, e amizade e telefono-lhes e arrebento-me todinha a tentar tirá-los da tristeza com a minha psicologia de bolso.
Resultado: sonho com eles e …. choro. Tenho chorado baba e ranho de alegria e tristeza, num misto que só se explica com coisas lindíssimas que me fazem por entenderem que me custa muitoooooooooo, mesmo muito estar tão longe dos momentos deles.
Vai daí um dos meus dois melhores amigos pediu a namorada em casamento, à tuno, no meio dum espectáculo. Isso já eu vi fazer dezenas de vezes, não foi isso que me fez chorar que nem uma desalmada. Foi o facto deste meu amigo, que vai partir pra Moçambique no fim do mês e que eu não sei quando volto a ver tão cedo, ter feito o pedido e uma hora depois me ter enviado uma mensagem com um filme do momento, pra que eu pudesse estar lá com eles na altura. Ou fazer de conta que estive! Foi como se tivesse estado, e ouvi-o cantar-lhe uma das minhas músicas favoritas que deixo aqui e só ouve quem quer, mas que eu prometi a mim mesma que, se ALGUM DIA eu me casar, quero entrar na Igreja ou no registo civil ao som desta música, com as vozes todas dos meus amigos a cantar em uníssono e a arrepiar-me tentando manter o passo certo em direcção ao altar onde me espera com certeza a pessoa sem a qual não vou saber viver.

All and all, e pra resumir, ando a interiorizar, e porra que custa, que afinal não vim por 3 ou 4 anos, nem mesmo 5, esta minha condição de residente no estrangeiro é permanente no mínimo nos próximos 20 anos.
E isso é ser emigrante como os meus tios foram. E não se resolve com mais viagens a Portugal.
Tenho é de fazer um planeamento como deve ser e ter uma agenda cheia de alarmes que é pra ver se consigo organizar-me a mim e aos cães pra poder viajar e estar mais presente. (suspiro)

E se gostaram de ouvir os Porto-Riquenhos lá de cima, ficam aqui mais uns links (estes senhores são Tunos PROFISSIONAIS, pagos pelo País deles para vir representar Puerto Rico cá fora e cantam e tocam de carago!)

Enfim, numa nota mais alegre tenho a anunciar que:

– os cães deixaram de roer coisas cá em casa
– que já fiz mais uns extreme make overs que publicarei em breve (quando estiverem terminados)
– que tenho uns amigos fabulosos seja cá seja lá
– que consegui a proeza de ir mudar de casa novamente em Março por um preço que pura e simplesmente não existe em Amesterdão
– que fiz amigos novos muito fixes
– que apesar da lamechice toda lá de cima sou uma gaja muito feliz, só ando com complexo de larva em crescimento, e apesar de achar que não nasci pra ser emigrante, se calhar até tenho jeitinho, é só uma questão de jogo de cintura, e eu chego lá!

21 comments:

  1. Uma pessoa tem de tentar estar perto sempre que pode e, como se vê que sabes, há pessoas que estão tão "perto" de nós que nos moram no coração. E, como dizias há dias num outro post, em Portugal não há tempo para nada, o pessoal trabalha horas impensáveis, cada vez se vai espalhando mais pelo país e pelo mundo, cada vez tem menos dinheiro para gastar em jantaradas fim-de-semana sim, fim-de-semana sim, e o resultado é que há pessoas que vejo (quase) tantas vezes agora como quando morava em Amesterdão. Mesmo daquelas que moram cá dentro no coração. E como já disse várias vezes aos mais próximos: se tiver de voltar a sair do país não é a pensar em voltar. É a pensar em criar raízes e estrutura. Boa sorte!

  2. E é por tudo isso que vou adiando a minha saída de Portugal, que cada vez mais considero inevitável. É por ter plena consciência de que se sair, dificilmente volto nos próximos anos. E isso implica não estar aqui, em Portugal, ao pé das minhas pessoas quando as coisas acontecerem. E elas não estarem comigo, quando as coisas me acontecerem. Sou professora e dificilmente consigo um lugar na Europa. As minhas chances de emprego passam maioritariamente pelos países de língua portuguesa. E convenhamos, ficam todos demasiado longe. Quando for, sei que só voltarei a Portugal 1-2 vezes por ano, no máximo, e isso despedaça-me mesmo ainda antes de ter saído. À minha volta, as pessoas criticam-me por ainda estar cá, mas são elas que vão ficar em Portugal, perto de tudo e de todos aqueles que sempre conheceram. Sou eu que vou embora e deixar tudo para trás, para onde nada conheço. Só eu sei a dor que vejo nos olhos da minha família mais próxima cada vez que o tema da minha possível emigração surge. Se ficar, dificilmente trabalho na minha área, mas fico no meu país e perto das minhas pessoas e estou cá para elas, sempre. Se for, posso dar aulas, mas vou estar sozinha, longe de tudo e todos. Afinal, qual é o preço de um emprego?

    Joana

  3. Pergunta antes: é assim tão importante seres professora? Será que não consegues/podes/és capaz de te entregar a fazer outra coisa qualquer? Trabalhar numa editora? Ser tradutora? Há imensas empresas no estrangeiro a contratarem pessoas de outros países pra trabalhares remotamente. Pq não? http://www.myngle.com
    Dão aulas por skype 🙂
    Joana, não deixes que te critiquem a não ser que andes sempre a lamentar a tua sorte e não faças nada pra mudar…
    Repito, como disse à Goldfish e aqui muitas vezes: nem toda a gente tem espírito de emigrante.
    Mas ficar em casa a olhar pro tecto à espera que este desabe tb não é solução.
    Boa sorte 🙂

  4. Eu devo andar em fase super lamechas da minha crise existencial (tenho que ver se me passa que eu não tenho tempo para estas coisas) mas arrancaste-me uma lagrimita.

  5. Eu sempre achei que não tinha espírito de emigrante e ainda acho que não tenho. Decidi sair de Portugal porque queria fazer algo diferente e com prazo de validade, 2 anos. O que eu não esperava era que a crise se tivesse instalado em Portugal passados uns meses. A verdade é que já recusei um emprego em Portugal para este Setembro que passou, já me chamaram louca porque se não quero ser emigrante porque é que não fui? Eu sinto falta da minha família e amigos de uma maneira cada vez mais angustiante mas ser emigrante ensinou-me a ser tantas coisas que nunca me atrevi a ser, a tomar decisões de pessoa adulta. E claro, agora não sou só eu, encontrei o amor e isso tem que ser decidido a dois. É um dilema tão grande. Já passaram quase 2 anos e eu tenho a certeza que vou continuar emigrante por mais anos e deixa-me angustiada.

  6. Fogo mulher, o que eu já chorei aqui à conta disto e tudo o resto desta vida que às vezes pesa para caraças.
    Vais mudar de casa? E vai ser mais linda e melhor que a de agora? Tu encontras cada maravilha 🙂
    Muitos beijinhos e um abraço apertado **
    (hoje não dá para mais)

  7. Ninguém tem espírito de emigrante! De expatriado, sim, mas é diferente, pressupõe um regresso mais ou menos longínquo. Não gosto da perspectiva de ser emigrante mas fá-lo-ia outra vez e, como disse, desta seria para sempre. Nós voltámos essencialmente por vontade do marido, não minha…

  8. Não, ficar em casa à espera é coisa que não faço, ou tolero! Ou nem estaria a considerar sair do país, sozinha, para o outro lado do mundo, por um emprego. Porque tenho tentado tudo mas trabalho, nada. Porque sinto que em Portugal já não tenho muitas mais alternativas, e não só na educação, uma vez que a minha procura de trabalho inclui tudo o que possa/consiga fazer. Já tive dois empregos em simultâneo, já trabalhei na educação, já trabalhei no atendimento ao público, mas de momento faço parte das estatísticas do desemprego.
    Não conhecia o site que me indicou. Um muito obrigada! Por isso e pelas suas palavras, deu-me algumas ideias 🙂

    Joana

  9. 6 anos! vai fazer 6 anos em Janeiro que estou ca…precisei de muito tempo para lidar com este numero mas recuso-me a pensar em "double digits", mantenho-me numa certa fase de negacao.
    Sabes, ja tive espirito de emigrante: houve uma altura em que seria capaz de ir para qualquer lado do mundo e andava particularmente fascinada com a Asia e a Autralia (terras quentinhas :P) queria era ir ver o mundo. Mas depois comecei a aperceber-me do passar do tempo, dos cabelos brancos do pai e do cansaco da minha mae… Nao se pode ter tudo e eu prefiro a minha familia. A verdade 'e que aqui, por enquanto 'e possivel um certo equilibrio e mesmo que nao possa estar la posso estar perto. Falo com eles quase todos os dias e vou a Portugal muitas vezes (cada ano aumenta e este ano ja sera para as 8 viagens 😀 ), muitas vezes so por um fim de semana que 'e um esticao para aguentar as viagens e as poucas horas de sono que 3 dias super preenchidos me deixam. Mas enche-me a alma: as minhas pessoas, as minhas pequenas coisas, o meu ceu, os meus cheiros (os meus caes) a minha base, a minha casa. Nao sei por qt tempo vou ca ficar e nao quero sequer pensar nisso mas sera sempre 'a base de jogo de cintura, como tu dizes, para ter um equilibrio muito especial. Beijinhos

  10. Há quem tenha. Eu tenho de expatriada, agora de emigrante, a cena do viver cá fora pq PT é xunga…nahhh.
    Tem mtos defeitos, há merdas q me deixam louca, mas eu quero viver em Lx. Só não sei é qdo 🙂 beijos! PS: eu sei q foi o maridão q quis voltar 😉

  11. Desculpa margarida, não queria fazer chorar ninguém 🙁 Mas o certo é que os que estamos cá fora e sentimos e vemos Portugal agora ficamos com a alma tão pesada. E vemos os nossos amigos todos a sair e tá tudo a correr bem! No fundo está tudo bem! Temos que pensar assim. Mas a distância custa de carago!
    A casa vai ser igual à de agora, mas é um roof top e 600 euros MAIS BARATA!

  12. Como eu te compreendo e tu me compreendes a mim 🙂
    Eu preciso de ir mais vezes a PT, mas neste momento tenho um dilema que coloquei a mim mesma: tenho 3 almas que precisam de ficar com alguém durante os dias em que não estou e um dia de hotel pra cães sai-me a 33 euros. Ou seja, cada fds em PT custa-me mais 100 euros q o valor do bilhete de aviao…. aí é que está o busilis.
    Enqto eu não desencantar uma ideia mais barata que me permita fazer viagens E ter família canina….
    Além disso, eu gosto imenso de viajar, tb quero ter dias pra ir 3 semanas de férias por exemplo, ao Canadá, a minha nova pancada, onde tb tenho família. Ou à Califórnia, onde tenho amigos. Agora, 3 semanas de hotel pra cães… faz as contas…
    Tenho que arranjar uma solução!
    E pronto, continuar a interiorizar que se calhar até chego aos double digits neste País, até pq, depois de mta prospecção pela Europa, continuo a achar que é o que oferece melhores condições de vida e maior qualidade. Nem a Suiça nem a Alemanha me convenceram… A Suiça Italiana é linda, e é mais quentinha e há verão, mas a mentalidade Suiça dá cabo de mim, nem com o mix Italiano se safa.E depois há o começar tuuuuuuuuuudo outra vez de novo, e já não me apetece. Ainda pensei em ir pros States, mas enqto nao tiver alguma solidez financeira, da maneira que os gajos te espetam as pink letters em cima da mesa, esquece lá isso…
    Enfim, vejamos o que o futuro reserva.
    Toca a erguer, né? Nós até temos uma vida bem gira por cá 😉
    Mega beijoca!

  13. Rapariga, tu nao me conheces muito bem mas eu adoro caes. A unica razao pela qual nao tenho um agora 'e pq vivemos num apartamento e trabalhamos os dois fora da cidade e diariamente viajamos bastante ("commuting", como se diz isto em portugues???). Mas se quiseres utrecht 'e pertinho de amsterdao, eles ja estao bem treinadinhos e arranja-se sempre uma solucao para "dogsitting" e na volta podes sempre oferecer umas caixinhas de pasteis de nata (ou bolas de berlim ou caramujos) 😉
    Quanto ‘as viagens tenho me contentado com uns passeios pela Europa, a ultima grande foi ha 2 anos para as caraibas apanhar solzinho bom e aguinha a 26 graus 😀 queria ir a Africa pro ano, mas nao sei se se sera…
    De resto tens razao, a vida por aqui 'e bem gira e tem muitas coisas boas 😉
    (nota-se que esta sol hoje: estou muito optimista 😛 hehehe) beijnhos

  14. Sim! 😀 está sol! :))
    O prob dos canitos é que eles não podem estar soltos em casa, ou seja, têm q ter um quarto fechado pra eles não fazerem asneiras, e preciso de alguém que passe mto tempo em casa, como eu. Eles aguentam 8 horas sozinhos, mas mais que isso nao dá. Eu se saio de casa às 9, às 17 tenho que estar de volta e ficar com eles o resto do tempo, senao fritam da lula. Eu preciso duma pessoa que esteja disposta a vir pra minha casa, com experiência em cães, e que trabalhe bastante a partir de casa, ou que tenha um horário que permita que eles fiquem pouco tempo sozinhos. Tinha a Vera, mas ela agora é sô Dótora e acabado o doutoramento, pirou-se e eu fiquei sem a minha dog sitter.
    A Ana Lu tb teve mto boa vontade, mas ela tem uma vida mto agitada, nao pode ficar a fazer de bábá de cães 🙂
    Enfim, estou um bocado entalada… mas isto resolve-se, na altura tudo se resolve! Beijos e obrigada pela oferta, és uma querida!

  15. Fogo, Andorinha, acho que anda tudo a passar por uma crise existência. Eu não sou excepção. Aliás, ouço o tic-tac para o fim do doutoramento. Menos de 12 meses. Faltam menos de 11 meses e quando me falam no próximo Setembro, eu arrepio-me, as minhas entranhas mudam de lugar mas respiro porque é isso o que me vai valer. Porque quando chegar a próximo Setembro, vou estar sem emprego, ou com um emprego algures no Mundo. Ter a noção que é o último ano na minha zona de conforto deixa-me muito ansiosa mas não baixo os braço. O mundo é grande e certamente vai haver um cantinho para mim. Mas tenho consciência de tudo aquilo que vou perder, tudo aquilo que tu escreveste. Deixar os meus amigos, a minha mãe, os últimos anos de vida do meu avô, o meu cão, o meu rio Douro, o meu Porto, atormenta-me. Portugal não nos dá condições, ponto. 21 anos a estudar, a formar, a dar o nosso melhor para irmos servir outro país. Vai-me custar imeenso sair e ir sozinha por este mundo fora a empurrar a minha casa em 20 kG de mala mas, sabes, eu vou sem pensar duas vezes. É preciso ir à luta e isso nunca me assustou. Sinto-me como um tolo no meio da ponte, desorientada quando à indefinição do meu futuro a médio prazo.

  16. Ai Zoot, que isto não anda fácil, mas sabes, custa mais a primeira vez que se sai e que se muda. Não sei onde vais parar depois do doutoramento, mas se calhar podes trazer o teu cão contigo, sempre te dá proximidade de casa. Depende do País para onde fores e da idade dele, claro. Eu não deixo os meus cães pra trás nem que me arranquem os meus dois braços. Beijos grandes, e muita força, que é óbvio que tu és capaz!!! Às vezes é bom deixar o futuro escolher por nós, ou seja, atira pra várias frentes e logo vês o que sai daí. Assim o peso duma escolha é menor.

Leave a Reply