O optimismo andou escondido, mas hoje, no primeiro dia do ano, apareceu

No último ano, talvez porque 2011 foi um ano horribilis, parece que me esqueci do meu positivismo aprendido e treinado. 

Talvez também porque 2012 foi um bom ano, com saúde para todos os meus apesar de um ou outro revés (na minha casa nunca ninguém tinha ido à faca e no espaço de um ano foram três, só me safei eu. E como dizia o meu irmão no Natal, não te ponhas fina Sofia que só faltas tu experimentar os deleites dum hospital), tive escondido numa gaveta o meu alto espírito e a sensação de que está tudo bem e vai correr tudo ainda melhor. 
Quisás porque tenho seguido muito de perto a situação em Portugal e fui contagiada pelo espírito negro de Passos Coelho, dos jornais, e da verdadeira realidade de tanta gente que ainda ontem vivia à grande e hoje emigra para escapar à falta de emprego… o certo é que regredi por um ano e passei a estar ansiosa pelo futuro.
A previdência é uma coisa boa e algo a que não estava habituada. Sempre vivi bastante bem e torrei tudo o que podia em viagens, jantares e sapatos. Gastei de mais.
Este ano aprendi a ser mais comedida e a precaver situações inesperadas e comecei um caminho diferente que me vai permitir sentir-me mais confiante no futuro, menos ansiosa se algo corre mal.
Talvez tudo isso se tenha espelhado na sensação que tive ao acordar hoje, dia 1 de Janeiro de 2013. Um feeling enorme de que vai correr tudo bem, que está tudo óptimo e que o futuro não é negro, é estrelado, cheio de estrelas e vias lácteas.
Acordei com um feeling enorme de que vou voltar para Portugal. Não este ano. Mas antes de 2016. E reparem, não disse voltar A Portugal, mas voltar PARA Portugal.
Eu não saí de Portugal desesperada por não poder comportar as contas ou desempregada. Saí pra me especializar e ampliar o meu curriculum. Há dois anos atrás vi as portas a fecharem-se à minha frente com a entrada da Troika e das mil medidas de austeridade. E senti-me encurralada. Isto não estava nos planos.
Faz hoje 4 anos e 8 meses que saí por um máximo de 2 ou 3 anos. De repente vi-me a fazer planos para saltar da Holanda para outro País que não Portugal. Só quem cá vive sabe o que custa este clima e o mal que nos faz ao espírito e o difícil que é aguentar dia após dia a falta da luz de Lisboa, a falta da família, dos amigos, dos petiscos e da vida que tínhamos e que já não existe, e saber que mesmo voltando, nada será igual. E as dúvidas existenciais que se apresentam quando ouço alguém dizer: não posso ter três semanas de férias seguidas, o meu chefe nunca o permitirá. O escândalo na voz das pessoas quando digo que entro às 9 e saio às 17, que trabalho 50% do meu tempo a partir de casa e que jamais terei essa sorte em Portugal.
Hoje, de repente, num sonho, num feeling interior senti que tudo isto vai ser possível, que vou poder voltar, ter as regalias a que tão bem me habituei e que 2013 vai ser o ano em que vou construir esse caminho.
E quis deixar este sentimento por escrito, para mim. Para um dia vir cá e saber o dia em que senti que se virava uma página. Não porque seja o primeiro dia do ano, mas porque depois de dois anos de ansiedade, senti finalmente (e novamente), que tudo tem um propósito. Que construo o meu caminho e que cada passo que dou tem uma direcção, e que tudo se conjuga para que a direcção seja a melhor possível para mim e para os meus três encantos e para a minha família.
Que assim seja.
PS: e para quem precisar de mais um empurrão, fica aqui um blog cheio de energia positiva: http://positiveenergy2.blogspot.nl/

16 comments:

  1. Que bela mensagem para o novo ano que vem aí.

    Sigo o blog que encontrei um dia ao acaso e que tenho acompanhado, pelo interesse pelos teus posts e por uma pequena semelhança, a de termos estado na mesma faculdade:) Numa fase mais introspectiva e a procurar respostas para questões interiores, foi uma lufada de ar fresco antes de ir dormir…a partir deste Portugal onde o pessimismo é mais que muito. Não se vai mudar o mundo, mas cabe-nos acreditar que algo de bom podemos construir num ano em que muitos andarão a lamentar.

  2. Que bom!
    Essas certezas interiores são as mais fortes. Um ano antes de sair de Haparanda também tive um certeza que me apareceu do nada "daqui a um ano não quero estar aqui", não pensei nisso todos os dias mas a vida foi-se resolvendo e um ano depois não estava mesmo.
    Ainda bem que encontraste um rumo, às vezes faltam objetivos pelos quais lutar.
    Beijinhos

  3. Olá! Obrigada! Fac, fac, fac, Faculdade de Economia! 🙂
    Sabes, o mundo até pode continuar a cair aos pedaços, até à minha volta, acredita. Mas eu consigo, sempre consegui porque é que não hei-de conseguir agora?, eu consigo fazer com que o meu ano seja um bom ano. Eu só não posso dar saúde a mim e aos outros, de resto, tudo tem uma solução e Roma e Pavia não se constróiem num dia. No último dia quis as coisas JÁ. Como, desculpa o exemplo, treinar os cães num mês. Que disparate! Há coisas que não se fazem num dia, num mês, nem sequer num ano. Temos mesmo que saber continuar a trabalhar um dia de cada vez, construindo coisas boas pra nós. Estou aqui a dizer-te isto porque é um meio de me relembrar continuamente. Beijinhos

  4. margarida, nem sequer tenho um rumo 😀 Só me aconteceu o mesmo que a ti, um feeling muito forte de que vou voltar. E voltarei bem. Há várias formas de o fazer e vou conseguir. Não é este ano (acho eu), mas será nos próximos. E mesmo que não fosse voltar, que fosse eu sentir-me noutro lado e estar bem, estaria igualmente bem disposta. Até porque praticamente nenhum dos meus amigos está hoje em Lisboa.

  5. Obrigada miúda, foi mesmo muito sentido. E que os teus objectivos se concretizem, principalmente o 6. 🙂 Anda, vá, viva o optimismo! 😉 Um beijinho de bom ano pra Angola.

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