O Pedro Lomba, que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente há uns três anos atrás, e que me recomendou “O com os Holandeses” do J. R. de Carvalho (e só por isso hei-de agradecer-lhe eternamente, mas talvez só por isso) disse o seguinte ontem:
O secretário de Estado Pedro Lomba disse hoje em Lisboa que Portugal deve promover políticas de captação de talentos e adaptar-se ao “brain circulation”, uma migração de “valor qualificado”.
“A migração não deve ser regulada apenas pelo mercado de trabalho, o foco é também o talento, que é uma ideia que os espanhóis já puseram na lei. É o ‘brain circulation’ – estudantes, investigadores, técnicos qualificados, pequenos empresários. Uma migração em expansão de valor qualificado”, disse Pedro Lomba, secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, durante a apresentação do Relatório sobre Migrações 2013 da OCDE, analisado hoje por académicos na Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, em Lisboa.
Ora Pedro, não sendo eu uma representante da investigação ou dos estudantes, mas tendo vários amigos nessa área, faço-te algumas perguntas:
– Os Espanhóis, ou os Portugueses, na dita captação de migração de valor qualificado, prevêem contratos de trabalho tal como existem na Holanda? Ou vão continuar a promover a migração baseada em magras bolsas atribuídas por alguns organismos Estatais que fazem de gente adulta e qualificada um eterno estudante, sem direito a serem reconhecidos pelas outras entidades como profissionais de direito? Simplificando: há contratos para que todos tenham direito a ter uma vida adulta com opção de pedir um empréstimo para compra de casa, carro e sairem de casa dos Pais? E fundo de desemprego para esta gente qualificada, há?
– O que é um técnico qualificado? Quais os critérios que vais definir para estabelecer que alguém é qualificado o suficiente para migrar para Portugal? Ou seja, serei eu qualificada o suficiente (tal como todos os outros que têm emigrado nos últimos anos, com CVs extraordinários) para “me captares de volta” para o meu País? Em caso afirmativo, explica-me então porque é que eu tenho que pedir encarecidamente que me aceitem de volta, em vez de me oferecerem trabalho em Portugal?
Ou só queres Chinocas?
– Por último, eu expliquei-te o que era a regra do 30% rulling Holandesa. Será que te lembras? E será que a vais aplicar? Isso sim seria interessante de ver. Isso sim seria ter absorvido alguma coisa do que eu e os meus amigos tão bem te explicamos e ensinamos. Isso sim teria feito a tua passagem pelo meu País de acolhimento válida e eu deixaria de pensar que desperdicei um fim de semana a soprar ao vento.
Assinado: Sofia

Até tenho vontade de te dar um beijo na boca!
Pronto, pronto, não é preciso exagerar! 🙂
Eu estive lá e o gajo só disse merdoca (desculpa o termo) e veio para lá com citações do huxley e de mais uns quantos, e acabou a dizer que vivemos tempos fascinantes. Eu metia-lhe o fascinante no cu (e ele, se calhar, gostava, isso é que me ia custar). A sério, Sofia, só disse porcaria e toda a gente revirava os olhos. Quem o convidou estava com vergonha alheia, nem olhava para a plateia…
(ele é que devia emigrar, sabes? Fazia um bem colectivo).
Ele falou do que não sabe. Então dizia que captando gente qualificada contribuia-se para reter os de cá. Eu gostava de saber como, nomeadamente na ciência, se o sistema é internacional e se, abrindo vagas para investigadores fct entram estrangeiros e nós temos de ir para o estrangeiro para conseguir o que cá é ocupada por estrangeiros (não critico, o sistema é assim, só não vejo é a lógica que ele vê).
(Filipa)
Por acaso até tem uma certa piada o senhor dizer que pretende captar aquilo a que costumamos chamar "cérebros" e "mão-de-obra qualificada" numa altura em que os níveis de emigração chegaram ao nível dos da década de 60, em que o número de pessoas a sair de Portugal superou o número de nascimentos (em 2012) e em que são, precisamente, os jovens qualificados que estão neste momento a bater com a porta. Quem é que ele pensa conseguir atrair para um sítio destes? Com estas condições?
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/numero-de-emigrantes-em-2012-foi-superior-ao-total-de-nascimentos-1610703
O que é isso do rulling?
Não tem jeitinho nenhum pra emigrar linda, o rapazinho nem sabia o que haveria de fazer às palavras caras e a toda a literatura que lambeu nos últimos anos.
Ele engoliu um dicionário, sabes? Coisa que me enerva solenemente pq os dicionários e o Huxleys desta vida não te resolvem os problemas. É honesto, faz o melhor que pode, aceitou o convite do Ministro pq é um gajo pedante, mas pq quer fazer a diferença.
É uma pena que continue a ser cagão e pedante no lugar onde está, requer-se humildade pra aprender, e ele esteve cá a ouvir-nos, a nós que cá vivemos. Foi jantar comigo e com os meus amigos, e explicamos-lhe como é viver fora e pq é que vivemos cá sendo todos altamente qualificados. Foi aos anos duma amiga minha, vê lá tu a sorte do gajo. Estavamos lá todos.
Qto à tua pergunta, as universidades só dão vagas nas universidades para que possam mandar alunos pra outras universidades, ou seja, ele quer que as pessoas possam Emigrar, o Tuga vai, vêm mais estrangeiros, e SUPOSTAMENTE depois o Tuga regressa pra educar mais e melhor outras pessoas que ainda estão na Tugolândia, essa cepa torta.
Passei um fds a dizer-lhe que os holandeses nao sao o supra sumo da barbatana e Portugal um desastre. Foi mto cansativo.
Eu nao conheço bem o Pedro, mas acredito que ele acredite no que estava a dizer como uma grande coisa. O que é mais triste é que há muita gente a pensar como ele…..
Eu vi essa notícia, estive mesmo pra publicar, mas entretanto deixaste o comentário e deixei passar.
A questão não é que haja gente a sair, é o motivo pelo que saem. E hoje em dia já não é a malta qualificada que está a sair, é quem não tem emprego, isso é mto mais assustador. Quem tinha que sair de modo qualificado, já está longe, ou inclusive, espanta-te, já voltou. Não pelas condições que o Governo criou, mas porque decidiu fazer outra coisa da vida.
O pior é que o Lomba não falou em mudar condições nem quais as condições que oferece…. fica tudo na mesma, só falou, falou, falou, enterrou-se, enterrou-se, enterrou-se….
É a regra que me isenta, como emigrante qualificada na Holanda, de pagar impostos sobre 30% do meu ordenado. Isto: http://www.expatica.com/nl/finance_business/tax/The-Dutch-30-percent-ruling_explained_11398.html
É o motivo porque cá estou e porque vim 🙂