Estava completamente esgotado há semanas no Melkweg e por isso pensei que não ia e já me tinha dado por vencida.
Quando a minha amiga (e bailarina) Catarina Félix me consegue arranjar um lugar duas horas antes do espectáculo.
A Catarina, o Miguel Pereira, o Romeu Runa e mais duas pessoas fazem parte duma equipa chamada Útero que cria peças bailadas.
O Miguel é o Director criativo, a Catarina a assistente de direcção (e por vezes intérprete) e o Romeu Runa é o intérprete principal das criações loucas do Miguel.
Eu não percebo nada de arte, de dança, de pintura, mas sofro de ataques de emoções que tais eventos me podem provocar.
Estive angustiada o espectáculo inteiro, o homem nunca mais se “erguia”, saía da depressão do estado em que está e de repente pensava eu que ele estava a lutar contra as adversidades e a conseguir………e não. Não consegue.
E saí da peça completamente deprimida e angustiada, como se tivesse levado três patadas certeiras no estômago. Mas adorei.
Adorei porque o Romeu é de borracha, contorce-se como se o corpo dele fosse feito de esponja ou plastica e faz algo que eu nunca tinha visto antes: dança com os músculos! E transmite a emoção, faz-nos sentir. Sentir. Havia uma senhora que ria o tempo todo, e eu quase que chorava.
No fim tive a MEGA sorte de poder ir jantar com eles e conhecer pessoalmente o Miguel e o Romeu. E foi incrível ouvi-los discutir a peça e o que querem mudar e o que vão inovar e ainda por cima, o mais impressionante, terem tido em conta aquilo que eu disse, na minha mais santa inocência e ingenuidade sobre a peça e o que tinha sentido e visto.
Eles têm estado a trabalhar em conjunto e têm criado várias peças que são quase sempre “compradas” pelo Les Ballets C de la B, que é uma empresa Belga que tem espectáculos de qualidade incrível.
Aconselho-vos vivamente a segui-los.
A próxima chama-se Princesas.
O que é Português É BOM!
