Tipo isto

Acabo de ver que dentro de aproximadamente DOIS dias vai abrir uma Massimo Dutti EM FRENTE À MINHA CASA em Braga.
Tipo, são 50 passos.
E fica mesmo no caminho da minha Mãe.
Tipo, nem tenho que ter trabalho a ir lá.
Vou ser tão feliz este Natal e no resto dos dias do ano também.
Tipo, estão a imaginar a época de saldos? Vai ser a loucura, Oh God.
O tipo em todas as frases também vos faz sentir que estão a ficar lerdos da mona, ou é só a parte de ser sexta-feira à noite, estar um frio do car@lho e sentir que se precisa dum gajo pra arroxar ao pé da  lareira? Deve ser a segunda.
Tipo…

Muito Importante

A *Ajuda de Berço* que recolhe e cuida de bebés em risco, está também em
risco de fechar portas por falta de verba.

Para ajudar, a Presidente, ontem em directo na SIC Notícias, sugere uma
simples chamada telefónica para o número *760300410.* São 60 cêntimos que a
nós não fazem diferença e que podem fazer a diferença para eles.
Contribuam para esta boa causa.
Se quiserem, divulguem pelos vossos contactos, coloquem nos vossos blogs, vá lá, a ajuda de berço precisa e não pode fechar as portas.
Basta um milhão de chamadas para garantir o funcionamento durante um ano.

 (eu liguei, e realmente o número está certo, e dei 60 cêntimos. Bora lá todos, buga!!!)

O Medo

O medo é algo que foi incutido na casa do meu Tio Avô. Tudo é perigoso, tudo é potencialmente letal, tudo é passível de correr mal porque sim, porque há que reduzir as expectativas a zero. É que há medo de falhar, e assim é como se “almofadassem” a dor.
Medo.Sempre medo. E foi assim que a minha Mãe e as minhas Primas foram educadas.
Acho que aprenderam a dizer “Cuidado!” antes de Pai e Mãe.
Um bom exemplo é a minha primeira viagem de avião. Os meus Pais levaram-me ao Canadá quando eu tinha 12 quase 13 anos. Quando entrei no avião ia felicíssima. A minha Mãe estava literalmente em pânico. Sentei-me no assento do meio, e a minha Mãe no corredor. À janela ia uma senhora de idade. Peguei num livro, abri e comecei a ler. A minha Mãe cravou-me as unhas no braço e “fecha essa merda! que vamos descolar! E??? Fecha! Não fecho, que queres tu que eu faça enquanto o avião despega? Mas tu não tens medo??? Eu não. Medo de quê?”
E ainda hoje não tenho. O vôo foi um inferno, com a minha Mãe a não me querer deixar ir à casa de banho num vôo de 8 horas porque podia ser que o avião caísse. Adiantava-me muito se o avião caísse eu estar sentada ou de pé! Não que é perigoso! Oh Senhora, são 8 horas de vôo! Eu preciso de ir à casa de banho! A Senhora que ia à janela não ajudou porque foi 8 horas a rezar o terço ao meu lado. Fomos e viemos sãos e salvos e tanto eu como o meu irmão continuamos a fazê-lo. A minha Mãe não, porque tem Medo.
Medo. Sempre Medo. Medo de tudo.
Eu cresci com aversão ao Medo. E a medrosos. Frases como: cuidado que é perigoso! são frases que me levam à loucura e me fazem perder qualquer sentido da razão num fósforo. É claro que por a mão em cima do fogo é perigoso porque queima. Há senso comum, e depois há outra coisa que é: medo de ficar com marcas, ou assim dizem. Medo. Sempre Medo.
Nunca fiz bungee jumping porque a dita adrenalina que existe ao atirarmo-nos de algo muito alto não existiu quando me atirei dum penhasco com 10 metros de altura na Grécia. Quando entrei no mar não senti um “frisson”. Nadei até terra e pensei: isto é estúpido.
No entanto já fiz parapente e adorava fazer ultra-leve. Voar é bonito.
Não tenham medo de ter medo, mas não tenham medo de tudo. Não leva a nada, desaproveitamos meia vida a ter medo da reacção das outras pessoas, do que os outros vão dizer ou pensar, medo de entrar num avião, medo de mudar, medo de sair de casa. Não tenham medo. A probabilidade de cairem dum avião é igual à probabilidade de terem uma doença estranha sem sair de casa. É menor até. E entretanto a vida já passou.
Gosto de pessoas valentes, que enfrentam de caras os desafios e acreditam. Confiam. O mal de muita gente é querer Controlar. Tentam controlar porque não confiam, e não confiam porque têm medo. Eu confio em que 50% dos nossos problemas se esvaiam em segundos se deitarmos fora 50% dos medos que temos. E isso não é assim tão difícil. É só pararem de imaginar filmes futuros. O futuro ainda não chegou. O passado já está lá trás. Eu sou um ser único e individual e tudo o que me acontecer vai ser diferente do que aconteceu às outras pessoas. Até porque a reacção que eu vou ter vai ser diferente, se não numas coisas, em outras. E não é suposto nós sermos eternos. Mas eu quero morrer velhinha, e que os meus morram velhinhos também. Mas pra quê chegar a velha se não viver?
Também tenho medos como toda a gente, e também fico paralisada perante o medo como todas as pessoas.
Mas recuso-me a gerir e pautar a minha vida por ele.
Eu tenho medo de ter medo, por isso enfrento-o e não deixo que ele me ganhe.
Esta escolha é a minha e faz de mim uma pessoa mais feliz. Façam a vossa.