Pares – cenas que eu não entendo

Porque é que em Portugal só se fazem coisas aos pares? Só se janta ou almoça acompanhado, se temos par, vamos de férias com outro casal, assim somos 4, número par. Se há uma passagem d’ano: então, quem vais trazer?
Um casamento, a mesma merda.
Porque é que só em Portugal é que no dia de S. Valentim se fazem jantares de solteiros? Todos aqueles que levaram um chuto juntam-se no dia 14 de Fevereiro pra carpir mágoas e de preferência arranjar alguém com quem possam fazer … par.
Porque é que em Portugal é tão difícil ser-se solteiro e pessoa no singular, se no resto dos sítios todos é tão simples?
Será que é por isso que as minhas amigas emparelhadas Portuguesas, mesmo que estejam na merda e a relação delas sejam pra lá de péssima, insistem em querer arranjar-me um par? Mas afinal, gostam de mim ou não gostam?

Se gostam entendam: aqui não há par.

Bebés em casa


Eu adoro crianças. No entanto não sei se algum dia serei Mãe. Eu acho que tenho instinto maternal q.b., mas não sou nada de pegar nas crianças, querer trocar fraldas, dar biberão, sopas ou banho. Não digo cuchi cuchi e não aperto as bochechas.
Dito por outras palavras, não ligo puto a recém-nascidos, melhor dito, acho-os uma verdadeira seca. Tenho receio de lhes pegar, não porque lhes possa torcer o pescoço ou amassar a moleirinha, mas porque tenho medo de torcer o pescoço da Mãe ou do Pai que estão em cima de mim como se eu fosse a mais anormal das pessoas.
Deve ser trauma de quando a minha Madrinha deu à luz a Joana. Foi há uns 20 anos atrás, mais ou menos. Não deixava ninguém tocar na moça, ficava completamente histérica e lembro que na altura já tinha eu uns 14 anos e obrigou-me a sentar com 3 almofadas nas costas (eu) para poder segurar na piolha. E parecia um cão de guarda ao meu lado e não me deixava sequer mexer os braços não fosse eu partir a criança que devia ser de loiça.
O certo é que a partir daí, nunca mais gostei de recém-nascidos. Dos meus amigos todos, acho que só fui conhecer ainda recém-nascidos o Vicente e a Sofia (e acho que o Pedro também…), porque vivem em Lisboa e tão ali ao lado, e curto muito os papás. Mesmo assim quando nasceu o Vicente fiz merda: os Pais estiveram uma hora pra adormecer a criança e eu entro no quarto, tá escuro, eu mando uma cacetada na viola do meu amigo e catrapum! Puto acordado.
Sou mesmo boa nisto, não é?
O resto da criançada já os procurei conhecer (é, eu faço um esforço p’ra só aparecer depois) aí pela volta dos 8 mesinhos, em que já gatinham e riem, e começam a ter piada. Vejo as fotos e tal, há uns giros (os das cesarianas porque não fizeram esforço), mas a maioria são feios. Procuro não chocar os Papás e dizer isto assim de frosques, por isso comento a cor do cabelo, o tamanho dos pés ou da cabeça, enfim, não minto, mas também não digo a verdade.
Isto tudo porque um Colega que está na Dinamarca vem a Amsterdão com a mulher e o filho em Julho, e pediu guarida por 3 ou 4 dias.
Eu escrevi a frase, mas depois apaguei, não fui capaz de lha mandar, mas basicamente o que eu queria mesmo dizer-lhe era que não curto crianças tão pequenas, e que não sonho propriamente com acordar com o puto aos berros, pra mais em Dinamarquês, que não se deve perceber um caroço.
Por isso escrevi que só tinha chuveiro em casa e que não tinha banheira cá pro banho do ranhoso.
Agora tou com medo que ele me diga que só lhe dá banho uma vez por semana.

Já ninguém se conhece devagar

Já ninguém se conhece devagar (Na boa Margarida, a partir daqui, ninguém mais te está a ler, estamos sozinhas). Há muitos anos, num blog que eu tinha (um dos dezanove que tive por aí) escrevi que hoje é preciso mais intimidade para levar para o cinema do que para a cama. Não mudo de opinião, não gosto disto, não quero isto, detesto esta promiscuidade de quem já não se conhece devagar. A urgência do ter deveria ser depois da urgência em conhecer mas não. Há urgência em ter. Eu quero. Ponto. Conhecer é perder tempo e, já se sabe, já ninguém se conhece devagar.

Pela Margarida, no Sem filtro

PS: Vês Margarida, às vezes há quem leia tudo até ao fim 🙂

Eu gosto muito de ler a Rita da Rua da Abadia, mas hoje gostei especialmente porque a achei coberta de razão. Ide ler o post, ide.

“(…) Mas eles insistem em viver apenas de memórias – porque se enganam e insistem no erro de que a memória é algo que se tem.
O meu conselho a Rick e a Ingrid (não me lembro do nome dela no filme, não quero saber) – vejam Another Woman, do Woody Allen. Aí, vão perceber que uma memória é algo que se perde. Não é algo que se tem. E talvez aí decidam ter, e não perder.”