A raça Lusitana

Não costumo falar de política, nem da Economia, não por desconhecimento ou falta de atenção ou gosto. Sinceramente é raro discutir este tema a não ser numa tertúlia com amigos onde existe um debate e troca de ideias e não um monólogo, mas hoje vou abrir uma excepção.
Tal como os Pais, achamo-nos no direito de falar mal do nosso País, mas não permitimos que estrangeiros o façam. Quando falamos de Portugal com externos, gabamos sempre a beleza do nosso cantinho à beira mar plantado, a excelsa comida ou a amabilidade dos nossos conterrâneos.
Entre nós, é cortar na casaca até mais não.
Desculpem lá qualquer coisinha, mas vamos deixar de ser arrogantes.
Portugal é um País, como muitos outros, carregadinho de defeitos, de políticos de merda, de políticas orçamentais e monetárias (que desde a UE que não tem muita margem de manobra) defeituosas, de má gestão, de corruptos, de jornalismo sensionalista, de políticas educativas muito sui generis e pouco inteligentes, com uma falta de atenção e aplicação de medidas na Saúde que deixam escandalizados os mais pobres de espírito, mas ORA PORRA! Foi neste País que nasci, foi neste País que cresci, foi este País e as suas opções que fizeram de mim a pessoa que sou hoje, tanto ao nível profissional como pessoal.
Eu emigrei, contrariamente a muita gente, porque quis ver como funcionava o sistema cá fora, e não porque tivesse falta de oportunidades de crescimento de carreira em Portugal.
Estudei um ano em Espanha e posso-vos dizer que vi o ensino universitário mais miserável e mais irrealista em termos de preparação para o mercado de trabalho possível.
Sei que há países e universidades onde o ensino é melhor que o que recebi na Universidade de Coimbra, mas na comparação de performance entre mim e os meus amigos oriundos de tantos outros países, a minha estava bem acima da média. Há boas e más universidades e bons e maus professores em todos os lados e nem sempre ser-se inglês quer dizer que se tenha estudado em Oxford. Nem sempre ser-se americano quer dizer que se tenha estudado em Harvard. Nem sempre ser-se espanhol quer dizer que se tenha estudado nos melhores Colégios Mayores. Nem sempre ser-se italiano quer dizer que se tenha tirado o curso na Católica de Milão. Nem sempre ser-se português quer dizer que se tenha tirado o curso no Técnico.
Mesmo assim, todos trabalhamos em conjunto e achamos que o outro tem valor. Só não nos valorizamos é a nós.
Os melhores técnicos informáticos que conheço, para vossa informação, tiraram o curso na Universidade do Minho, na Universidade de Aveiro, no Instituto Superior Técnico de Lisboa ou na Faculdade de Ciências de Lisboa (entre outras). Tenho umas saudades dos Técnicos que deixei em Portugal que vocês nem sonham! Tomara eu ter UM deles aqui a ajudar-me a levar pra frente os meus projectos. Bastava UM para eu me sentir mais confiante quando apresento um deadline. Os holandeses não são despreparados, mas não têm a capacidade de “tocar várias teclas dum piano”, são especializados num ponto único e não é essa especialização que os faz mais produtivos ou eficientes.
Quando vou a um médico na Holanda sei que não tenho listas de espera de 3 anos e que sou atendida às horas em ponto, mas ir lá ou ficar em casa, a diferença é muito pequena pra não dizer nula. São uma autêntica nódoa em conhecimentos, e caso não saibam, a Holanda é dos países com maior taxa de mortalidade de cancro.
Os comboios funcionam que nem relógios e a horas, é certo. Há uma quantidade e qualidade de transportes extraordinária, mas sabiam que as linhas de comboio alemãs mesmo aqui ao lado são miseráveis e que ainda usam comboio de 1800 e troca o passo? Também sabiam certamente que Londres foi das primeiras cidades a ter metro e que nós estivemos 30 anos debaixo duma ditadura e que temos muito que andar. É certo que em cada obra que é feita há sempre um filho da puta que limpa uns milhões e os mete ao bolso. Sabiam que os dividem com os empresários estrangeiros que vão “investir” em Portugal? Ai, se calhar não…é que as Ilhas Caimão e os cofres na Suiça estão cheios é de capital português!!
E a taxa de desemprego em Portugal? Impressionante!
E a quantidade de gente que eu conheço que diz a plenos pulmões: eu em Portugal ganhava 500 euros por mês pra fazer o que faço aqui por 2000. Sim, mas quando pra cá vieste não te importaste de trabalhar como secretária, limpar casas e/ou escritórios, ser barman ou trabalhar num restaurante, mas em Portugal: NEM PENSAR! Isso lá está ao nível da minha educação?! Porque o fizeste aqui então?
Porque aqui é o País das oportunidades!!!E porque ainda não encontrei emprego na minha área, mas vai surgir!
Pró raio que vos parta!
Se dão ao litro CÁ, porque é que não deram ao litro LÁ?
Sabem por acaso quantas pessoas há na Holanda, portuguesinhos da silva, que já emigraram há um ano e que não saíram da cepa torta e estão cá a ganhar trocos mas por cá ficam, porque afinal de contas, eles vivem no estrangeiro e os colegas/amigos ficaram em Portugal a ganhar 500 euros e a ser secretárias?! Mais que as Mães!
Nós somos aquilo que fazemos de nós. Nada cai do céu, o litro dá-se cá dentro e lá fora, não é só lá fora caramba!
Se querem um País melhor, façam por ele!!
Tornem-se empresários individuais, abram as vossas empresas para exportar as vossas ideias e fazer o que mais gostam. É duro? Dá trabalho? Há pois é? Quem foi que disse que trabalhar não dava calos?
Mexam-se! Cá ou lá, não me interessa! Não falem por falar, façam o favor de ter cérebro activo e corpo militante e não apenas língua viperina. Ninguém é mais nosso amigo que nós mesmos.
E quando falarem mal do País onde nasceram, lembrem-se: treinadores de bancadas há muitos, Mourinho há um.

25 comments:

  1. Si, es verdad, hablar es super facil…
    Prejuzgar, mas facil aun.
    Ya que estamos en facilismos…

    Para ser consistentes hay que ser coherentes, y tu no puedes hablar asi de todos y de nadie si tu tambien te has ido de tu pais “porque querias ver como era afuera”…
    Yo no tengo ni por qué defender a los portugueses, el único Portugues al que me debo es a mi Luigi, pero me sentí tocada como emigrante. A mi me dan igual los males que tiene Inglaterra o Alemania, a mi me importan los de mi pais, porque amo mi pais a pesar de toda la mierda que pasa en él, y hablar de toda la mierda que pasa en él no me hace menos patriota. Y eso que yo nunca tuve problemas porque naci en cuna de cristal, pero decir que porque yo nunca tuve problemas, que éstos no existen, pues eso es llanamente de ignorantes…
    Yo también emigré sólo porque queria ver como era afuera… yo no me fui de mi pais porque “alli no se podia”, pero la perspectiva, cual Hamlet, me hizo ver la verdad, y es que no volveria a mi pais en el futuro proximo, y no por traidora, ni por debil, si no por realista.
    Es normal sentir tristeza cuando hay empatia. Yo veo las cosas que pasan en Argentina y lloro de rabia. Si, de rabia. Eso me hace una traidora?? Eso significa que ODIO Argentina?? Eso quiere decir que deberian ejecutarme por desertora??

    Un consejo que aprendi de pequeña: NUNCA SEAS FUNDAMENTALISTA. NUNCA GENERALICES PORQUE ESO LLEVA A PREJUZGAR Y PREJUZGAR ES DE IGNORANTES E INTOLERANTES.

    Un besito, colega emigrante. Y no te estreses, que hay cosas peores que la gente inconformada.
    En lugar de despotricar con la gente inconformada, despotrica contra la clase política, es mas productivo.

  2. Desculpa Sofia, mas vou levar a peito e pessoalmente esta critica.
    1) N entendeste (ou n quiseste entender)patavina do que escrevo. Se pensas q virei as costas a Portugal, ou se te parece que n tenho juizo no que digo, ou mesmo que n tenho orgulho de se português, é porque demosntra o pouco que me conhces e quao redondamente enganada estas em relaçao ao Luigi ( a final sempre me viste para cima de meio e sempre na onda de borga, por isso n te censuro).
    2)Nenhum emigra gosta realmente de ser emigra a longo prazo. Eu pessoalmente quero correr o mundo. Felizmente tirei o curso no tecnico, felizmente tenho dois dedos de testa e nunca precisei lamber as botas a ninguem nem andar a fazer bro$%·$% a ninguem para subir na carreira. Sou emigra porque tenho no meu sangue português o gosto de aventura.
    3) Quem venera espanha e os espanhois aqui és tu e nao eu. nunca me escutaste dizer que espanha é melhor que portugal. porque nao o penso, e eu n sou o tipo de pessoa de baixar as calças a portugal em prol de ninguem. Primeiro porque n vives aqui comigo e nao sabes o frustante que é tudo no ponto de vista dos espanhois e as minhas opinioes pessoais em relaçao a isso. segundo porque mais uma vez, n me parece que me conheças bem, porque senao nao sabias o ofendido que estou neste momento com os teus comentarios. De verdade n daria importancia a isso se n me tocasse os huevos con pressao.
    4)Tudo o que escreveste tem a sua razao. MAs estas confundindo dois conceitos que n devias confunsir. Emigraçao pre globalizaçao (essa de ir trabalhar de secretaria e lavar escadas) porque basicamente de deve ao exodo rural (e em andorra, luxemburgo, belgica e até holanda so conheci gente do campo) com emigraçao pos globalizaçao (que é a minha e com a qual eu me identifico).
    5) Cada um faz o que quer com o seu dinheiro. Eu opto por me formar profissionalmente noutro país. Pq aprendo mais, pq ganho mais, pq estou zangado com portugal e porque quero voltar a portugal um dia, como verdadeiramente devo ser (espirita e intelectualmente). Como nem aqui nem em portugal tenho intrençao de limpar escadas, faço o que faria em portugal. Esse conceito de que falas já morreu, isso nao existe, é pura demagogia da tua parte.
    6)O que cada vez mais tenho a certeza é que portugal oferece ma qualidade de vida. Espanha é uma vergonha na europa, mas comparado com portugal (politicamente e socialmente falando) cada um saca as suas conclusoes.
    7)Nunca virarei as costas nem a um familiar, nem a um amigo, nem a alguem que me pida ajuda e eu possa ajudar. Muito menos ao meu país. Quem diz o contrario n tem ideia de quem sou e n merece o meu respeito, porque me desrespeita com essas insinuaçoes, e n se da ao respeito das suas conclusoes.

    Tenho dito, bem hajas e que o juizo te acompanhe sempre que necessites, porque o juizo é algo pouco comum nos dias que correm… Os conceitos cada um relaciona-os da forma que quer e entende!!! Aristoteles ja o sabia à 2400 anos

  3. Embora tenho sido o teu post a gota final que fez transbordar o copo, este post nao era dirigido a nenhum dos dois nem a Espanha.Bem mais dirigido a Holanda e a alguns portugueses que conheci, e acredita que todos eles eram formados, e o conceito de limpar escadas e casas ainda existe.
    Continuo por email para vocês os dois.
    beijos
    Fifinha

  4. É, de facto, do mais pacóvio (e desde que emigramos isso acontece) mudar de país e apregoar alto e bom som no de acolhimento, e pior ainda no de origem, que lá na France (ou noutro qualquer) é que é bom. Também a mim me repugna e irrita essa postura, mas infelizmente é o que se vê mais. Suponho que talvez não seja por isso de estranhar que estas pessoas, quando regressam às origens, ainda que seja para passar as belas férias do mês de Agosto se queixem do quão mal tratadas são, mas só estão a colher o que semeiam.

  5. Ora aí está um óptimo tema para discutir num jantar do Star Tracker. Há dois dias pus-me a pensar de onde surgiram tantos “managers”, estudantes de PhD, investigadores portugueses na Alemanha, assim, de repente. Somos de momento no mínimo 99. Que terá acontecido de tao errado em Portugal? Será mesmo a mania de que falas, Andorinha, do “lá fora é que se vive e ganha”, ou uma falta de valorizacao de profissionais competentes por parte de outros profissionais, que é um facto em Portugal? Uma nossa amiga, a da Figueira que conheces bem, já está há dez anos em situacao de trabalho precário. Talvez por comodismo ou falta de tomates, mas recuso-me a pensar que a única solucao para um caso desses será emigrar… O aprender lá fora para empregar depois é um mito.
    Dou-te razao, sinto a arrogancia do novo emigrante portugues na pele, o que faz questao de iniciar uma conversa com o que faz ou ganha, que se torna muitas vezes notável em encontros com esse tipo de público como o do Star Tracker.
    Portugal? Eu nao sei se sinto algo por Portugal assim tao profundo. O facto de ter nascido nesse país foi um mero acaso. Aquilo que acontece lá é o mesmo que sucede noutras partes, em maior ou menor escala, com desfasamento temporal em alguns aspectos. Por isso tento nao generalizar, nao vá correr o risco de jazer como um jacaré cacado (atencao à cedilha), de bocarra aberta, mas sem pulso.

  6. Mas essa dos comboios alemaes confirma-se. Além de nao serem assim taaaaaao pontuais como se esperaria de um povo tao… certinho?
    Eu já estou farta deles, apetece-me mudar, mas provavelmente o paraíso nao existe.
    Olha, vou fazer esporte, até logo!

  7. Undutchable…felizmente quem eu conheci na Holanda e de quem me fiz amigo, não pensa assim. Mas infelizmente, como te contei no outro dia sobre aquela miuda naquela empresa, há mta gente assim e é isso que me deixa com pena. Critiquemos e não nos acomodemos. Quem critica construtivamente e com razão por mim pode criticar à vontade, pq uma crítica não ter que ser necessariamente mal dizer. Mas dizer mal só por dizer é o que me transcende, e foi isso que ouvi de algumas bocas, que como repito, felizmente não voltei a cruzar-me com.

    Ariadne, o caso da nossa amiga é um caso comum em PT. Chama-se falta de tomates mesmo. Pra mudar de cidade, de emprego, de vida. Mas ela está lá porque assim quer e se encontra feliz (quem não muda é pq está bem, certo?). Escrevi um mail ao Luigi e à Nice em que lhe disse (entre outras coisas) algo que pra mim é importante deixar claro: com quanto que as pessoas sejam felizes onde estão e estejam de bem com a vida, que se deixem estar. Nem todos temos espirito de emigrante ou de expatriado, como desejem, nem tem porquê acharmos que a felicidade só existe quando saímos ou “fugimos” de uma situação ou País. Quem dá ao pedal em PT, será certamente um vencedor em qq País. Sempre fomos um povo de conquistadores, está na nossa guelra, no nosso sangue. Mas é preciso querer mudar.É preciso ter-mos em conta que ninguém é mais nosso amigo que nós mesmos. Esperarmos que o Estado ou os políticos trabalhem por nós é e sempre foi, uma ilusão.
    Quisás seja essa a dificuldade de nós que emigramos de modo distinto dos nossos Pais, Tios ou Avós: nós não o fizemos ao tio ao tio, com uma mão na frente e outra atrás, sem rede, sem eira nem beira.
    Viemos formados, armados de sapiência, em busca de mais, com a humildade de quem quer aprender mais, saber mais e SER mais.
    Infelizmente, continua a imperar em PT a ideia de quem se fez lá fora é que é! Por isso é que tantos vimos pra fora de modo a voltarmos um dia, mas por cima, em cima do cavalo, como managers, chefes, senhores doutores, enfim.
    Por outro lado, a qtdd de gente que saiu deve-se essencialmente e a meu ver ao reflexo das políticas da UE que previu a movimentação de pessoas, bens e capitais. Nós somos as pessoas.
    Façamos por ser felizes, onde quer que estejamos.

  8. 🙂 Não preciso de ter razão em tudo, só não suporto é parasitas. NOTA: não é o caso de NENHUM dos meus amigos que emigrou. Felizmente como já disse, referia-me a gente que cá vive e que conheci pessoalmente mas de quem não fiquei sequer com o mail e nunca mais os voltei a ver e assim permanecerá se Deus quiser!

  9. É verdade, há muita gente que mal ouve que se está lá fora pensa logo ‘ah então, tm-se uma vida incrível, com bastante dinheiro’, etc. O que não se percebe é que os emigrantes ou fazem uma vida em que vivem practicamente para trabalhar (nomeadamente quem tem trabalhos mais precários) – para poderem juntar uns tostões. Ou então tentam viver usando o que esta sociedade tem para oferecer – saindo, visitando sítios, etc. Aí, se calhar há menos tostões no bolso ao final do mês, mas vive-se. Conhece-se, aprende-se. Porque sobreviver aqui, juntar dinheiro para um dia voltar é outra forma de viver.
    Acho que se idealiza muito esta questão do trabalhar lá fora, como se fosse a solução para tudo, como se, estando noutro país, fosse tudo mais fácil, grandes salários. A Holanda, por exemplo, tem um custo de vida bastante alto, as pessoas pagam bastantes impostos, os custos de serviços são mais altos – porque os salários também o são (basta ir jantar a um restaurante). E de facto para fazer mudanças é preciso é coragem e não apenas uma deslocação geográfica de um país para o outro.

    JP

  10. Não tenho a experiência de viver fora de Portugal, mas o tema desta nova vaga de emigração suscita-me interesse.
    Como em tudo, generalizar é errado. Julgo que cada pessoa terá motivos diferentes para ter optado por deixar a sua terra-natal. E quase todos serão válidos.
    Em tempos também eu coloquei a hipótese de emigrar. Por uma questão profissional, mas não só. Não me considero um patriota, mas também não gosto de ouvir dizer mal só porque sim. Lugares comuns como “este país é sempre o mesmo”, “só mesmo em Portugal” e outras que tais, põe-me os nervos em franja, até porque se perguntarem às pessoas que recorrem as estas frase se costumam exercer o seu direito de voto, a maioria não o faz há muito e defende-se atrás de outra costumeira “para quê? os que para lá vão são todos iguais…”!
    Na verdade, se há alguma coisa sobre a qual sou realmente crítico é em relação a este comportamento do “deixa andar”, que sei não ser exclusivamente português… mas concordo com outro interveniente nesta discussão: apesar da aldeia global em que vivemos, se o espanhóis ou os franceses também são assim, não me interessa, eles não estão a falar mal de Portugal…

    No que respeita às razões que levam muita gente a sair actualmente de Portugal, os que dizem que querem ganhar experiência lá fora e que depois querem voltar, parece-me que estão, em parte, a enganarem-se a eles próprios. Julgo que quem seja levado a pensar assim, é, provavelmente, um dos muitos que não vê o seu valor reconhecido em terras lusas, e por valor não quero necessariamente referir-me a dinheiro. É um facto que a maioria das empresas portuguesas ainda é gerida por patrões ao invés de empresários que não sabem reconhecer o valor acrescido que um técnico/especialista/investigador poderá trazer à sua empresa. Mas se quem sai está à espera de ir ganhar esse reconhecimento, por ter uma experiência no estrangeiro e com isso ser mais valorizado em Portugal, desiluda-se. A breve/médio prazo isso não vai acontecer. E caso a experiência além fronteiras tenha sido bem sucedida, mais frustrante parecerá a ideia de voltar…

  11. Portugal, tás carregado de razão. Mas sinceramente o que mais custa no caso dos informáticos, por exemplo, são duas coisas: 1) Rendimento que decresce; 2) O facto de termos de voltar a trabalhar 10 a 12 horas por dia para sermos reconhecidos.
    Ontem falei com um colega da IBM em PT, e confesso-te que fiquei sem vontade nenhuma de lá por os pés tão cedo. Tenho pena, tenho mesmo muita pena de me ter sentido sufocada em apenas 10 minutos de conversa. Com 10 minutos senti que ia voltar em 1 mês ao que era, e a ter de arrancar a minha pele pra ter o reconhecimento que me dão aqui. E que, talvez por o chefe ainda ser o mesmo de há um ano atrás, ia ter que implorar para ir de férias e discutir por achar que trabalhar depois das 20 é uma aberração. Até tou a ficar mal disposta, vou deixar o comment por aqui. Um abraço!

  12. Boa tarde, pegarei em partes do seu post e do seu último comentário para lhe colocar uma questão, suscitada pela leitura do referido post e comentários ao mesmo:

    “Ontem falei com um colega da IBM em PT, e confesso-te que fiquei sem vontade nenhuma de lá por os pés tão cedo. Tenho pena, tenho mesmo muita pena de me ter sentido sufocada em apenas 10 minutos de conversa. Com 10 minutos senti que ia voltar em 1 mês ao que era, e a ter de arrancar a minha pele pra ter o reconhecimento que me dão aqui. E que, talvez por o chefe ainda ser o mesmo de há um ano atrás, ia ter que implorar para ir de férias e discutir por achar que trabalhar depois das 20 é uma aberração.”

    “Nós somos aquilo que fazemos de nós. Nada cai do céu, o litro dá-se cá dentro e lá fora, não é só lá fora caramba!
    Se querem um País melhor, façam por ele!!
    Tornem-se empresários individuais, abram as vossas empresas para exportar as vossas ideias e fazer o que mais gostam. É duro? Dá trabalho? Há pois é? Quem foi que disse que trabalhar não dava calos?
    Mexam-se! Cá ou lá, não me interessa! Não falem por falar, façam o favor de ter cérebro activo e corpo militante e não apenas língua viperina. Ninguém é mais nosso amigo que nós mesmos.
    E quando falarem mal do País onde nasceram, lembrem-se: treinadores de bancadas há muitos, Mourinho há um.”

    I – Como é que fica sem vontade de “lá” pôr os pés tão cedo perante um cenário tão desagradável se referiu, no post, “Se querem um País melhor, façam por ele!!
    Tornem-se empresários individuais, abram as vossas empresas para exportar as vossas ideias e fazer o que mais gostam. É duro? Dá trabalho? Há pois é? Quem foi que disse que trabalhar não dava calos?”; não seria expectável que quisesse dar o seu corpo ao manifesto (operacionalizar aquilo que defende) e contribuísse activamente para alterar o contexto laboral (seu) em Portugal?

    II – Não o faz porque implicaria “(…) ter de arrancar a minha pele pra ter o reconhecimento que me dão aqui.”; o seu desejo de reconhecimento com menor esforço (entendido aqui como o menor número de horas de trabalho) é menos válido do que aqueles que preferem receber 4 vezes mais pelo mesmo trabalho precário, em contexto internacional, do que em Portugal? (usei como exemplo os valores que enunciou)

    III – O que é que poderá haver de errado em desejar ganhar 4 vezes mais por exactamente o mesmo tipo de funções?

    For the record: Nunca trabalhei fora de Portugal, nem sei se virei algum dia a trabalhar. Os emigrantes que conheço, são os da primeira vaga.

    Agradeço a atenção.

  13. Cara Curiosa,

    Eis o motivo porque não sou dada a monólogos desta espécie. Cortando e colando frases soltas pode-se chegar a conclusões equivocadas.

    Eu já tive a minha própria empresa e poderei voltar a fazê-lo caso isso me faça feliz como foi o caso na altura. Neste momento gosto de ser trabalhador por contra de outrém dadas as oportunidades de fazer diversas coisas que me dão gosto. Relativamente ao meu posto de trabalho possível em Portugal, a vontade de contribuir activamente continua a existir e procuro a melhor forma de o poder fazer, tenho a certeza de que lá chegarei um dia. Descobri no entanto que não o poderei fazer enquanto as chefias (de quem, note-se, gosto muito, por quem tenho o maior respeito e consideração mas que não partilham do mesmo ponto de vista que eu) forem as actuais, ou continuarem a pensar do mesmo modo. Passo a explicar, para que fique claro tb o que quis dizer com reconhecimento e trabalho depois das 20: o trabalho deve fazer parte da nossa vida e ajudar-nos a sentirmo-nos realizados, mas não partilho da opinião que deva estar à frente de tudo, nomeadamente do nosso bem estar e da nossa família. Tudo nesta vida deve ser realizado com peso, conta e medida, para que a nossa mente continue a ser mente sã em corpo são.
    O reconhecimento profissional deve, na minha perspectiva, estar associado a um trabalho bem feito. Não é porque nos mantemos no local de trabalho entre as 9 ou 10 da manhã e as 11 ou 12 da noite que devemos ser mais valorizados. Eu trabalho menos horas na Holanda que em Portugal, mas trabalho 8 horas a 9 horas efectivas, e começo às 9 e às 18 posso dedicar-me aos meus projectos pessoais que envolvem: curso de holandês e certificação na minha área. O trabalho que realizo cá é idêntico ao de Portugal e a chefia actual está muito satisfeita porque o trabalho é realizado dentro do estipulado. Na Holanda quem fica continuamente no escritório até altas horas só tem uma de duas hipóteses: ou precisa de alguém para o ajudar pq o trabalho é mto, ou é considerado incompetente. O esforço a que me referi como menor, interprete-o como o esforço de abdicar da minha vida pessoal.
    Como nunca viveu fora, mto menos na Holanda, aqueles que trabalham num restaurante e recebem 4 vezes mais, têm um montante de impostos e despesas 4 vezes superiores dado o nível de vida. Ou seja, o valor que recebem é igualmente precário, não haja ilusões.
    Por último, não censuro quem emigra em busca duma vida melhor, mto pelo contrário, admiro-os, e muito, é preciso imensa coragem e uma força de vontade de ferro. Quem eu censuro são os emigrantes “da segunda vaga”, aqueles que, depois de uma vida em que tudo lhes foi facilitado (casa, comida, universidade às vezes privada, a oportunidade de estudarem, às vezes carro), emigraram em busca de realizar os seus sonhos, e acabam por ficar à sombra da bananeira a ver os navios passar, e sabe porquê? Muito sinceramente, sabe qual é a minha honesta opinião? Porque não querem voltar pra casa dos Pais, aqui podem ter mais liberdade de movimentos, além do que consideram muito melhor dizer em roda de amigos, que trabalham num bar em Rembrandtplein em Amsterdão que são secretárias numa qualquer empresa em Vila Franca de Xira. E o esforço dos Pais (pq acredite que de quem falei são pessoas a quem tudo lhes foi entregue de bandeja) por ver um filho formado e lançado na vida…vai pro lixo. E sabe o que é mais triste? É que esses Pais só querem que eles sejam felizes, mas nem isso estas almas são capazes.

    Espero ter sido mais elucidativa, tive muito gosto neste “pequeno debate”. Volte sempre, e seja sempre…Curiosa.

  14. Depois de ler a montanha de disparates dos vossos textos, há várias provocações a que acho que não vos devo poupar:

    – provocação 1: como é que há emigras que escrevem com tantos erros de português (esta é para ti ó Luigi, se é que algum português alguma vez se poderia chamar Luigi) ?

    – provocação 2: como é que opiniões tão antagónicas, parecem ter da moderadora a mesma opinião tipo “é isso mesmo pá; concordo plenamente contigo!” ? Se fosse para concordar com tudo, escolhia-se um político encartado para moderador, não é Sofia? Por algum motivo queremos voltar aqui e ler o que escreves… Tens raça ou não tens raça?

    – provocação 3: não li nos vossos posts opiniões sobre a nacionalidade que tivessem o mínimo de profundidade intelectual ou que demonstrassem qualquer dos valores de ética que eu vejo todos os dias nos verdadeiros portugueses, quase sempre só reflectem o mesquinho e o ressabiado que está latente em vós, por isso podem informar-nos antecipadamente quando pretendem voltar para Portugal, para que os ainda residentes que gostam realmente deste rectângulo à beira mar possam tirar umas feriazitas enquanto andam por cá a magicar o regresso aos excelentissimos paises de acolhimento?

    – provocação 4: Sofia pá, volto
    a forçar a mesma tecla, a função de moderadora e sobretudo a de escritora bloguista exige coragem, será que a tens? Um exemplo: essa chefia em PT tem nome que consigas escrever aqui? E não venhas com tangas que se chamava Manuel ou António ou Maria … 🙂

    Anónimo 2

  15. Pra quem não assina o próprio nome, tens uma garganta do caraças. Não respondo a provocações e agradeço respeito por todos os que cá passam Chefia. Obrigada.

  16. Desde quando é que falar do acto de emigrar é falar do mesmo que questões de nacionalidade?. A meu ver esta ‘discussão’ foi iniciada sem confundir estes dois aspectos. Por conseguinte, não percebo que se leia na mesma o que não lá está.
    Pode-se ser ‘emigrante’, questionar o estado actual do país donde se partiu (se se partiu é porque havia algo que se procurava fora de portas, independemente da natureza dessa ‘falta’), seja este Portugal ou outro, nomeadamente a situação económica, laboral e até social. Com isto não significa que se está a rescindir com este mesmo país. Falando no caso da Holanda, o que aqui se encontra em termos de organização laboraral, falta, a meu ver, em termos de componente humana. Quantas vezes digo e ouço pessoas, de nacionalidade diferentes, questionar a ‘frontalidade holandesa, que, muitas vezes, nada mais é do que falta de educação (pelo menos certas atitudes em Portugal, seriam consideradas desta forma).

    Não se trata de defender um ou outro (nem tem de se fazer) país como o país onde tudo é pefeito. Há componentes que encontramos num e não no outro e vice-versa. Depois, seguramente, haverá pessoas que encontram todas estas componentes no mesmo local e aí vivem. É que cada um sabe aquilo que procura. Se o que procura não está em Portugal, muda-se para outro sítio. Se não está em Lisboa, vai-se para outra cidade, vila ou aldeia. Etc. Só não se pode é mudar de cabeça a não ser em filmes de ficção científica.

    j.p.

  17. Surpreende-me que o conhecimento dos holandeses seja nulo em termos médicos, visto que somos vizinhos e aqui na Bélgica sem duvida que o sistema de saude é uma maravilha se comparado ao de Portugal.
    Porque dar o litro ca compensa, mas la?? ganhas la uma quarta parte do que ganhas ca… tao simples qt isso. Por isso até limpava retretes se assim fosse preciso, desde que fosse bem paga, coisa que nao acontece LA!

    “Nós somos aquilo que fazemos de nós. Nada cai do céu, o litro dá-se cá dentro e lá fora, não é só lá fora caramba!
    Se querem um País melhor, façam por ele!!” – percebi mal ou tu também te piraste? ah bom… 😉

  18. Olá Jo 🙂 Bem-vinda. Os conhecimentos dos holandeses não são nulos (é o que dá ser-se assim uma gaja exagerada nas palavras), mas devido a uma política que estabeleceram para a área da saúde que promoveu o corte de custos em medicamentos e exames hospitalares, digamos que se tornaram…bastante … naturalistas. Ir a um médico na Holanda e ele encolher os ombros enquanto tu explicas que estás cheia de febre e tens (visivelmente) a boca do dobro do tamanho, ele dizer-te (enqt encolhe os ombros ainda) que tomes um paracetamol e vás dormir, sem sequer te analisar ou mandar a um dentista(isto só pra te dar um ex banal), é absolutamente normal. Há no entanto quem tenha boas experiências…mas conta-se pelos dedos de uma mão. Eu fui 4 vezes ao mesmo médico por causa dum problema hormonal e depois de 4 sessões ele deu-me a receita pra pedir a pílula na farmácia…4 sessões pra me dar uma caixa de pílula….:)))
    Sobre o valor que ganhas a limpar possíveis retretes (:D gostei mto do exemplo!), como já disse antes, é ilusório pq o custo de vida é mto mais alto, mas mesmo mto mais em termos de casa, por ex. Não sei como é na Bélgica, mas sei q por ex o valor de aluguer duma casa na Alemanha aqui ao lado é ridiculamente mais baixo qdo comparado ao de NL.
    Pra acabar: como tb disse antes, eu dou ao litro lá e cá, pretendo voltar dentro de uns 2 anos, não sei o que vou fazer então, como vou fazer, mas sempre, desde o dia em que me “pirei” tive em mente aprender e melhorar como profissional e poder levar esse conhecimento comigo para aplicar em PT. Espero fazer a diferença, serei uma sonhadora? 😉 Volta.

  19. Ola 🙂
    Em relaçao aos preços das casas estou totalmente de acordo… sao mais caras sim. Mas no que diz respeito a alimentaçao a diferença nao justifica as diferenças de ordenado… Roupa, comida, coisas para a casa, moveis, electronica… nada disso é mais caro, ou pelo menos, nao é extremamente caro!

    Quanto aos portugueses se sujeitarem ca ao que nao se sujeitariam em Portugal, muitas vezes acontece apenas pelo facto de aqui teres mesmo que te sujeitar ao que te dao.. és estrangeiro… em Portugal nao tens que te sujeitar porque a partida arranjas sempre trabalho melhor do que limpar as ditas retretes :p quanto mais nao seja em supermercados… aqui nao é assim… aqui sujeitas-te e até nem custa sujeitar porque ves frutos… apesar de agora ter uma vida estavel a nivel profissional e ter um bom emprego, que no futuro, se for para Portugal tb sera bem remunerado, ja tive que me sujeitar… mas nao me importei… porque enqt eu ganhava mais de 1200 eur a limpar, as minhas colegas que acabaram o nosso curso estiveram meses sem trabalho e agora trabalham em zaras e jumbos… entendes?
    Mas claro que um portugues quer sempre voltar a Portugal… nao me acredito quando dizem que nao…

    beijinhos! sorry pelo testamento :p

  20. Joana, só uma coisa que ficou pra trás e que é mto importante: eu admiro IMENSO quem o faz (limpar casas, hotéis, trabalhar em restaurantes, bares, etc!!), tenho amigos que o fizeram como tu, acho incrível a força de vontade e acho que não é redutor de ninguém como pessoa, muitissimo pelo contrário! O que eu “condenei” foi aqueles que, tendo oportunidade de ser mais e querer mais, ficam com esses empregos ad eternum não por falta de oportunidades noutras coisas (ou qualificações), mas por comodismo e falta de ambição ou gosto neles próprios, sei lá.
    Enfim, esta conversa deve ser tida à volta duma mesa e dum bom….bacalhau! 😀
    E outro dia eu explico mais :))
    Agora acho que esta conversa já deu pano pra mangas de 20 camisas! lol
    Beijinhos!! E parabéns 😉

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