O pneu furado

Ontem fui até ao Vondelpark pra um piquenique atendendo a que fazia solinho, muito embora tivesse um frio de rachar. Mas a companhia era bestial e como tinha combinado com a A. tomar café em Amsterdão pra nos conhecermos, ora venha daí ó moça e junte-se a nós. O certo é que a conversa estava tão fixe e o dia tão bonito que só houve razões pra continuar a beber umas bejecas em Leidsplein. Como a fome apertava e eu tinha deixado um dos cães sozinhos em casa (e precisava de deixar a Petzi em casa pra continuarmos a borga elsewhere), convidei-a pra pesticar cá em casa o queijinho da Serra que subsistia e eis se não quando, quase a chegar a minha casa…fura-se o pneu!
Saímos do carro qual mulheres desembaraçadas pra mudar o dito, e em vez do pneu suplente encontramos uma bodega dum líquido que só deve servir pra reparar pneus de bicicletas. Pneu suplente: escafedeu-se! Tá fora de moda, já não se usa. Fenix.
Lá usamos o dito segundo as instruções e … NADA. Conduzi a 20 km/h até casa os 3 kms que faltavam e convidei a A. pra cá ficar, uma vez que leva-la à estação à meia noite não garantia que ela conseguisse apanhar um comboio pra Leiden. Foi uma porreira e olha, perdido por 1, perdido por mil, bora jantar, despeja-se a garrafinha de vinho e tentamos a sorte num bar aqui ao lado onde achamos que tinham entrado uns gajos engraçados. Encontramos uma festa privada duma holandesa que fazia 40 anos, que lá nos deixou beber uma bejeca, mas ficou naturalmente pouco à vontade por ter duas estranhas por lá. A paisagem do bar era de ir às lágrimas, completamente 80’s (não fosse o nome do bar: Dancing Bar) e recheadinha de personagens retiradas do Darty Dancing. Gajos=ZERO.
Bom, tentamos o centro? Sem carro levamos uma boa meia hora e quando lá chegarmos além de geladas ainda batemos com o nariz na porta. Por isso giramos nos calcanhares e voltamos pra minha casa onde a varanda e duas excelentes mantinhas nos receberam.
Hoje de manhã ligo pra assistência pra me trocarem o pneu e eis se não quando o meu espanto… uma hora depois do telefonema aparece-me um holandês que olha pro pneu e me diz: – Ó menina, olhe que eu hoje não posso fazer nada porque não tenho cá um pneu pra substituir esse e pronto, aguente-se e amanhã ligue pro meu colega.
– Mas o seu colega amanhã já trás o pneu com ele porque o Senhor vai colocar os dados no relatório, certo?
– Não, não, ele vem cá amanhã, vai ver como eu, e vai ter de ir à procura dum pneu pra lhe vir aqui substituir.
– Mas, mas… então se o Senhor der os dados hoje, ele amanhã já sabe o que fazer, não é?
– Não, não, ele mesmo com os dados vai cá vir ver e só depois é que vai buscar outro pneu.
Eu nem queria acreditar!!! Isto é muito holandês e absolutamente desesperante!!! Assim não posso levar a A. a casa e agora?
Sensação de isolamento completo. Vivo MESMO no cú do mundo.
Não há autocarros nem trams à minha porta. Pra chegar à cidadezita de Breukelen levo meia hora a pé e mais meia hora pra estação, ou seja, uma hora pra apanhar um comboio. Não tenho bicla (mental note: comprar urgentemente a dita!).
O Taxi levou hora e meia a cá chegar porque só há dois taxistas e um estava de folga porque era Domingo!
A A. foi uma verdadeira bacana, lá teve de ir de taxi até à cidade, arrotar 15 euros (um verdadeiro ROUBO porque fica a 4km de minha casa), mas com certeza ficou com pouca vontade de voltar à bucólica terra do nada onde vivo. &#$%”#$”#$#”$
Amanhã lá vou eu ligar outra vez à assistência e rezar pra que cheguem cá depressa.
Nestas alturas sinto que vivo mesmo, mas mesmo…no Alaska!
Valeu o facto de eu e a A. nos termos dado lindamente, de ter encontrado mais alguém com o mesmo ritmo e pedal que eu (e que bem que soube!), de intuir que facilmente fará parte da lista de Amigos nota 200 que tenho conhecido e que Leiden será uma cidade que visitarei com muito mais frequência.

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