Empregadas domésticas na Holanda


Desde que cá cheguei que precisava duma empregada. A questão é que no início embirrei que queria uma empregada que falasse português. Em Amesterdão vivia longe do pessoal que eu conhecia, como tal nunca deu pra fazer o dito intercâmbio da dita cuja porque as zonas eram diferentes. Também só lá estive 6 meses. Mas quase no fim dos 6 meses o meu colega americano recomendou.-me a dele que era Filipina pra me fazer a última limpeza antes de mudar. Combinei então uma limpeza geral. Apareceu-me lá em casa com o amigo e colega de casa dela. Quando vi duas pessoas a entrar pela porta dentro não achei muita piada. Mas combinei com eles, já que eram 2, que pagava 10 euros à hora, mas em vez das 8 horas precisas p’ra limpar a casa a fundo (prepara-la pra deixar pro inquilino seguinte como estava no contrato), que faziam 4 horas os dois. Assim foi, deixaram a casa impec. Mas quando quis chamar por eles outra vez, os tipos à sua maneira disseram que não podiam (a casa era longe e grande) e pronto, lá fui eu limpar a casa outra vez porque entretanto com a mudança tinha ficado tudo sujo. Em 3 horas limpei aquilo e mudei-me pra Breukelen.
Em Breukelen city não conhecia ninguém, e não consegui encontrar uma pessoa que pelo menos falasse inglês p’ra perceber as minhas instruções. Dei eu ao cabedal o ano todo. Ano e meio depois vim p’ra Den Haag. A minha querida vizinha recomendou-me a moça dela, uma miúda que quando apareceu cá em casa o meu único pensamento foi: ainda bem que não tenho namorado!
A gaja de cara não é nada de especial, mas tem um corpo de parar o trânsito. Não me recordo se é do Suriname ou doutro País semelhante, só sei que é preta, fala inglês (não é muito fluente, mas safa-se), e que chegou de calça de ganga justa, casaco de cabedal, botas de cano por cima das calças, enfim, bem vestida e com aspecto de quem vinha dar um passeio.
Pensei que ia trocar de roupa, mas não.
Eu tava em casa, segui mais ou menos o que ela tava a fazer. Ela pediu uma série de coisas que precisava pra limpar, eu fui ao Blokker, comprei a cangalhada toda, o resto no AH, e esperei pra ver o resultado.
Quando se foi embora, tava tudo…mais ou menos. Ou seja, mais limpo que antes, mas …
Achei que se calhar era porque na altura não tinha o material todo, e esperei pela segunda visita.
Lá veio a rapariga e eu que não sou nada destas coisas, reparei que o detergente p’ra limpar o chão tava na mesma, nem mais pra baixo um único milímetro. Perguntei-lhe se tinha usado o produto pra limpar, disse que sim, que usava duas gotas. Comecei-me a rir, lá lhe expliquei quera duas tampas de produto, e ela, por iniciativa própria, voltou a limpar o chão todo. Achei fixe.
Combinamos então que na próxima visita eu ia, pela primeira vez na vida (nunca deixei instruções a empregada alguma em 8 anos em Lisboa), deixar-lhe uma lista de com queria as coisas.
Esta sexta apareceu outra vez. Fiz a lista e quando lha expliquei a moça quase ficou branca. Não era nada de extraordinário, só pedia pra levantar as carpetes e sacudi-las uma vez de 15 em 15 dias, que limpasse o pó e usasse um líquido pra lá do swiffer, também de 15 em 15 dias, e que aspirasse, pronto, coisas normais, achei eu!
Sai-se ela com um: mas quer que tire os livros p’ra limpar as prateleiras? E que limpe debaixo da carpete?
Ah! Mas isso não me leva 3 horas.
Ri-me. Nunca disse que não tava disposta a que fizesses 4 horas. Eu só quero é tudo a brilhar, e … limpar “onde passava a procissão” também eu consigo limpar em 2 horas ao Domingo de manhã. Eu tou-lhe a pagar porque a mim não me apetece fazer, não é que eu não o saiba fazer. Eu pago p’ra me fazerem cenas que gosto menos, por isso, se era preciso 4 horas, fazia 4 horas, mas que eu costumava levar umas 3 e meia, por isso acho que podíamos experimentar, não?
A casa ficou a brilhar, e pela primeira vez ela saiu de cá de casa a SUAR.
A rapariga é estudante e faz isto nas horas vagas pra pagar os estudos dela, ou seja, não é uma profissional de limpeza, mas ora porra, se pago 10 euros à hora pra limpar, é pra ser a sério!! Agora só limpar as frentes e sair daqui tão direitinha como entrou, sem esforço, então fonix, limpo eu e pago a mim mesma.
O certo é que ficou tudo como eu queria, e até o Carlos quando chegou a casa soltou um: agora sim!
Será que esta também me vai desaparecer?! :))))
Caso o faça, mando-vos um SOS e peço contactos, mas por favor, expliquem às moças que aqui: bule-se!

Cenas inusitadas na Holanda

Antes de me mudar pra cá e da azáfama da mudança, aconteceu-me uma cena surreal que já me tinha quase esquecido de partilhar!
À saída da minha casa antiga em Breukelen havia um parque de estacionamento privado do prédio, cheio de gravilha.
Um dia saio de casa de manhã e vejo isto:

Pra quem precisar de legenda…sim, são efectivamente cagalhotos de cão com um palito espetado e uma mensagem p’ro dono.

loooooooool

Eu nem queria acreditar! Felizmente a minha piolha pequena não tem preferência pela gravilha, por isso não era dela, mas eu TIVE que tirar uma foto!

Esta cena é INACREDITÁVEL!

Um dos vizinhos, que deve ter pisado merda antes de entrar pro carro de certeza, deu-se ao trabalho de deixar uma mensagem ao porco que não apanhou os dejectos do cão.

Eu diria que esta imagem é PRICELESS!!!!!

Provincianos ou Farmers?


Em Lisboa eu bufava, eu ficava azul às bolas se me diziam: vens da Província não é?
Era a mesma coisa que me porem um selo na testa de labrega. O sorriso desaparecia e dava sempre lugar a um: perdão? A CIDADE de Braga é Província? Eu trago algum cesto de roupa à cabeça ou trabalho lá na sua casa a esfregar tachos?
Se era um Cliente ou um Superior substituía por: eu pensava que esse termo tinha desaparecido…até porque nunca entendi bem a definição LISBOETA de Província….
No meu entendimento, com tanto filme dos anos 40, a pessoa da Província era aquela que vinha p’ra Lisboa servir os Senhores. Muito boa pessoa, mas vinda lá das berças. Ora usar esta expressão nos dias de hoje só pode ser um insulto, não tanto à minha pessoa, mas à minha cidade e a todos os que lá habitam. Eu amo Lisboa, mas viro uma verdadeira onça quando me vêem com a conversa de que Lisboa é Lisboa, o resto é paisagem.
É verem-me por as mãos nas anquinhas, rodar a baiana e sair da frente. Com muita, muita rapidez. Pra mim provinciano é aquele com uma mentalidade tacanha, de aldeia.
Quando fui viver pra Breukelen disse que tinha ido parar à Holanda rural, mas também que o sítio onde eu morava era uma espécie de Estoril cá do sítio, o que não deixa de ser verdade. As casas lindíssimas e senhoriais, 95% da população era holandesa e tinha bom aspecto. Havia efectivamente muitos pastos, muitas vacas, muitas ovelhas, muitos produtores de queijos mas todas pertencentes às grandes e bem bonitas quintas que ficavam ao lado da minha casa.
Aqui há uns tempos uma amiga minha brasileira disse a seguinte frase que para mim é um must: “A Holanda é uma Fazenda Hi-Tec.”

Ou seja, basicamente, podes tirar o holandês da Holanda Rural, mas não podes tirar o rural do Holandês. Tou a falar do meu antigo Senhorio. O Mocinho deve ter praí a minha idade, mais ano menos ano. Vive na Tailândia. Foi sempre muito simpático, até ao dia em que chego de férias em Junho e tenho um email seu de 3 linhas, curto e grosso, a comunicar-me que a varanda tinha inundado duas vezes porque EU NÃO A TINHA LIMPO, que a entrada da casa esta IMUNDA, que a minha cadela cagava na varanda DURANTE DIAS E EU NÃO LIMPAVA, que EU FAZIA BARULHO DE NOITE COM OS TACÕES e o detalhe: QUE OS VIZINHOS SE TINHAM QUEIXADO DE TUDO ISTO.
Ora eu fui à lua e vim em 3 tempos! Chamei pela puta da vizinha cínica do lado, ela sorriu muito, perguntou-me que tal as férias, eu fiz o sorriso mais amarelo que consegui, e ela lá me explicou que o tubo das águas que passa na minha varanda tinha inundado a dita, que tinha havido umas chuvas torrenciais durante duas semanas, que como eu não estava em casa e eles não tinham chave (era o que mais faltava!!!), que tinham tido de saltar pela varanda porque, coitadinhos dos vizinhos de baixo, tinham levado com a água toda. Continuando com o sorriso amarelo perguntei se já lhe tinha acontecido a mesma coisa, e ela responde que sim, que por isso é que tinham posto uma colherzinha ali mesmo ao pé do tubo porque impedia o filtro de acumular folhas e assim já não entupia.
Não sei se tão a ver que a merda do filtro tava obviamente limpo, assim como a varanda, tal como EU A TINHA DEIXADO. Foi tudo questão de por lá a puta da colher e que não chovesse torrencialmente, óbvio.
O resto é LÓGICO que não se aplicava, pelo que mandei um email ao meu senhorio a desancá-lo por ter acreditado nos vizinhos. Expliquei tintin por tintin, ele não pediu desculpas (os holandeses lá pedem desculpas?!), mas disse que ficava contente que estivesse tudo regularizado.
Um rapaz inteligente e novo, acreditar em tricas dos vizinhos, é algo que me transcende. Não consegui entender.
Até que fui devolver a casa e os Pais deles estavam lá pra verificar na entrega. Percebi finalmente donde vinham todas aquelas cortinas pirosas, os suportes de plástico azuis da casa de banho, aqueles móveis dos anos 80, aqueles sofás horrorosos azul eléctrico, percebi tudo tudo tudo quando vi os Pais do Mr. Wilco. Pareciam tirados daqueles filmes dos anos 80 americanos, do tipo que vão viver pra Flórida para aquelas casas que eles compram na velhice, onde depois usam camisas às flores o tempo todo e vestem como se tivessem parado no tempo. Cocoon!!
Eu entreguei a casa, fiz mais sorrisos amarelos quando a Senhora me perguntou com um sorriso ainda mais amarelo (ao ver que tava tudo guardado dentro dos móveis pra ela colocar de novo nos sítios. Sim, porque eu e a Ni escondemos todo e qualquer tareco que tava naquela casa, inclusivamente pratos e copos) se eu não gostava da decoração! (Are you f* kidding me?)
Há uma semana atrás recebi uma conta da companhia da electricidade completamente absurda referente aquela casa. Mandei-lhe um email a pedir pra rever o que se passava com a instalação eléctrica já que eu tinha uma factura equivalente a 5 famílias holandesas todas juntas. Ele respondeu que ia ver com o Pai, e que , ó, by the way, os Pais lhe tinham dito que eu não tinha entregue cartas muito importantes do Governo e que se não fosse a Mãe dele ter telefonado lá pro sítio e ter explicado tudo, teriam de ter pago as penalidades.
Como já lá não tou, e como sou escorpião e pra tal já tinha engolido “provincianismo” a mais (quem caralho é que aos 30 e muitos acredita e REPETE o que os Pais dizem de forma tão escarrapachada?!), escrevi, com cc da Senhora Mãe dele: não fazia ideia de que tinha cartas do Governo, até porque nenhuma delas era azul (é a cor das cartas dos impostos), e as da Câmara Municipal (CM é GOVERNO?! Deves achar que eu sou burra!) pensei que eram meramente informativas uma vez que EU já tinha pago os impostos.
Além disso, uma vez que a casa era OFICIALMENTE ALUGADA, não devia o Senhor pedir nos correios para dirigirem esse tipo de correio para casa dos seu Paizinhos?! Assim podia evitar situações destas, certo?
Mais um brilhante sorriso amarelo e um mental grande: Fuck you ó meu ganda postal, que continuas a ouvir vizinhos e tricas e ainda tens a veleidade de acreditar nos exageros da tua Mãezinha que só se quer mostrar como capaz de tomar conta da tua casa. É que estes Pais holandeses contrariamente aos normais, nota-se mesmo que querem o filho debaixo das saias. E tu, ó meu ganda burro, não és capaz de ver isso?! PROVINCIANO!!!!

Está um dia fantástico!!

E Breukelen ainda respira Verão! E o sol brilha! E tenho cá malta a visitar-me! E já empacotei meia casa pras mudanças! E o trabalho corre lindamente! E a minha Petzi continua o máximo! E hoje a M. e o B. têm o seu jantar de aniversário e vou-lhes dar 3 beijocas repenicadas e o dia vai acabar em grande!
E eu SOU UMA PESSOA CHEIA DE SORTE!!!!!! Como me disse o Marquinho: sou uma pessoa feliz!





Mi Laurita


Conheci a Laura numa das minhas viagens anuais de veleiro. Em 2003 na Grécia. Só falamos os últimos dois dias e trocamos umas músicas e gargalhadas. Convidei-a para vir até Lisboa quando quisesse e em Novembro a Laura achou que precisava dumas férias e eu também e percorremos o País de Lisboa até Viana do Castelo no meu carro. Mal nos conhecíamos, metermo-nos numa viagem as duas sozinhas foi uma missão kamikaze: ou nos davamos realmente bem ou acabavamos sem nos poder ver nem com molho de tomate.
Até hoje não sabemos como, mas demo-nos tremendamente bem, mais propriamente como irmãs e os meus Pais deram a sua contribuiçãozinha ao entupir a Laura de comida e mimos. Juntas percorremos o Porto a pé e cheiramos avidamente os livros na belíssima Bertrand, comemos o melhor arroz de pato de sempre em Coimbra, aproveitamos o frio de inverno das praias de Afife e Moledo. E juntas começamos uma amizade que dura há 6 anos, com muitas idas e voltas a Barcelona e a Lisboa, muitos emails e telefonemas de horas e uma resistência abismal à distância que se nos impõe.
Quando fiz 30 anos estava depridíssima. Falamos ao telefone comigo a chorar baba e ranho, que era um horror fazer 30 e a moça com toda a paciência lá me explicou que é o melhor que pode acontecer a uma mulher, que é uma marca histórica e que ela ia tratar de tudo p’ra que eu tivesse o aniversário mais inesquecível de sempre.
No dia 15 de Novembro acordei ao som da campainha e quando abro a porta esperava-me um monumental e fabuloso ramo de flores encomendado por ela, pelo Iñaki e pelo Xavi. Felicidades desde Barcelona! Nos vemos el viernes!
Ah pois é, eles não só me mandaram um ramo como se meteram num avião e vieram passar o fim de semana comigo! No Domingo vieram os meus Pais e as minhas “manas” lá a casa e tive direito a almoço opíparo feito pela minha Mãezinha, a um bolo delicioso, 30 velas e os Parabéns em duas línguas. Os doidos ainda me ofereceram como presente de anos um bilhete de avião p’ra Barcelona com a única condição de ter que ser usado nos 6 meses seguintes. E foi assim que fui navegar pela Costa Brava com mais 7 catalães em Março e conheci Cap de Creu que ainda hoje me aparece em sonhos.
Como prenda de anos dela, o seu Xavi ofereceu-lhe um fim de semana em Amsterdão para visitar “la Sofi” e matar saudades. Já não nos viamos desde Fevereiro de 2007, mas como sempre, foi como se tivesse sido ontem, com a tosca a arreliar-me constantemente porque é irritantemente orientada e em 2 horas conhecia melhor as ruas de Amsterdão que eu! (o que também não é difícil diga-se de passagem, que o Andorinha vem de eu ser uma desnorteada de todo)
Reparem bem que o presente dela não foi propriamente a vinda a Amsterdão, mas sim uma visita à Sofia! Eu já sabia há mais de um mês porque ajudei o Xavi a escolher um hotel e combinei tudo à socapa com ele (que é o melhor namorado do mundo! Um amor!) e desde o primeiro momento que nem queria acreditar que esta alminha bendita tivesse como presente voltar a ver-me. Quem fez anos, ela ou eu?! Pra cúmulo trouxeram o sol com eles e teve um tempo bestial!
No mesmo fim de semana chegou a Inma e o Franciú, e os 5 passeamos por uma Amsterdão ensolarada só pra nós, e confesso que não podia caber mais em mim de contente por ter cá as duas e o Xavi, de tal forma que não houve um minuto em que o sorriso estive-se a meio gás na minha cara, de lateral a lateral esteve sempre rasgado, com aquela felicidade cá dentro que só dá vontade de manter em alta, sempre lá em cima … senti-me em casa.
Enfim, com amigos assim, que mais posso eu pedir a Deus?
Sou uma sortuda, tenho mais sorte que juízo!
Y a mi Laurita le quiero mucho mucho mucho!! Y a ti también Xavi, qué eres un sol!!!
Qué lástima que Barcelona no esté un pelin más cerca…

Arrumadores de Lisboa versus Ladrões de Bicletas em Amsterdão

Tenho cá a minha querida Inma (espanhola) e seu maridinho Franciú, que é teimooooso como um jumento e marrou que tinha de percorrer a Breukelen campestre com a sua gaja, montados em bicleta qual casal de apaixonados que vão fazer piqueniques na Holanda rural.
Até aqui tudo normal. Quando lhe expliquei que em Breukelen city não dá pra alugar biclas, e que tinha de as alugar em Amsterdão e trazê-las pra cá, alugando-as dois dias, fez contas à vida e achou que o melhor seria…comprar uma das roubadas pelos drogados em Amsterdão.
Ora que belíssima ideia! Pensei eu enquanto cerrava os dentes e fazia um esforço por ser simpática e pouco moralista e pensar no bem-estar da minha amiga do coração, que por cierto, está grávida de 3 meses, e sujeita a perder a criança caso malhe da puta da bicleta que trava com os pedais.
Como o franciú nunca mais se calava, e porra que o gajo é insistente, lá consegui saber onde era o sítio e como se procedia. Ali p’ro pé da UVA disseram-me uns. Esperas a olhar pro ar, e chega um tipo ao pé de ti e diz: bike? tu dizes que sim, e nada de dar mais de 15 euros que isso já é um roubo! (Sim, porque mangar bicletas do alheio, não o é.)
Enfim, eu, que comprei a minha no Marketplatz por motivos de consciência, lá rumei até ao dito sítio, embuída da maior das boas vontades e a rezar pra que os drogados das binas gozassem o santo domingo.
Lá andamos a cirandar, entretanto liga-me um amigo holandês, estou eu ao telemóvel em amena palheta e aparece-me o Cherri com uma bicleta pela mão.
Ia-me dando um treco, confesso. Sou uma menina, pois sou. E não curto nada estas cenas. Chamo a Inma que vem de lá a tremer que nem varas verdes e a amaldiçoar a idiotice do marido, vamos as duas em direcção ao meu carro que nem flechas, metemos o chaço dentro da mala do meu carro, cagamo-nos de cima a baixo com a merda da bicleta e aparece ele com outra todo contente.
O carro foi mesmo à tanja e o moço estava feliz como um cuco. Eu tremia, a Inma também, eu só pensava: ai Jesus se a Polícia me manda parar que tou tão lixada!
Passado o susto chego a casa e passo-lhe um raspanete soft (não fosse a minha Inma ficar triste comigo porque a minha vontadinha era mandar-lhe dois berros) porque nenhuma das duas bicletas tem travões de mão e ele estava preocupado era que ela comesse atum porque podia ser que fizesse mal ao feto!
Sentiu-se culpado todos os dias, mas ainda assim quer fazer o passeio pelo campo. Teimoso ou burro?! Pra mais a Inma detesta campo, detesta bichos, não acha a situação nada romântica e conseguiu que eu mandasse uma gargalhada enquanto lhe dizia ao marido: cada vez que hacemos “tu dia” como tu quieres me lo paso fatal porque ya sabes que mi lo de la vida salutar no me va!
O que mais me chateou nesta situação é o facto de fazer algo que é punido como qualquer delito, embora eu não a tivesse roubado propriamente. Mas induzi a que outros o fizessem. Dizem as estimativas que em Amsterdão é roubada uma bicleta por minuto (se não estou em erro), e são todas uns chaços monumentais exactamente por esse motivo, mas mesmo assim, ora bolas, é chato!Pra mais porque o que o tipo quer é dinheiro pro vício, e eu tou-lhe a dar guito pra ele se matar.
Mas pensando bem…qual é mesmo a diferença entre dar 15 euros a este ou 1 euro de cada vez a um arrumador de carros em Lisboa? Os primeiros não me dão porrada e os segundos riscam-me o carro. Ambos chutam pra veia. Tanto dou um “empurrãozinho” a uns, como dou a outros.
Não gostei da experiência, e o que é pior: as bicletas são muito altas pra mim e nenhuma me serve pra andar por aí sem bater com a fronha no chão! É que nem pra benefício me serviu!
Rais parta o franciú!

As criancinhas são os melhores treinadores de cães

E eis que chega a famelga p’ra uma visita de 15 dias. Sim, os meus primos precisam de descansar e acharam que um tempo de merda (tá um vendaval e uma chuva que não se pode há dois dias com previsões de continuidade) se coadunava com umas boas férias, e como tal vieram ter com a priminha aqui aos Países Baixos.
Trouxeram com eles os filhotes que são como meus sobrinhos uma vez que o meu primo é como se fosse meu irmão mais velho (não fosse isso e não teríamos 15 dias que é tempo pra caraças pra 4 pessoas mais eu e um cão num simples T2), a Mariana com 11 e o Manel com 8.
A Petzi anda numa fona tadita, mas a culpa é minha.
Os meus primitos portam-se muuuito bem, a minha prima parece uma adulta a falar e tem conversas muito inteligentes, é mesmo fixe, não são nada mimados. Por isso decidi dar-lhes uma responsabilidadezita adicional: treinar a Petzi enquanto estamos em casa.
Hoje de manhã ensinei-lhes como é que se tem que fazer para a ensinar a vir até nós, sentar e deitar.
E perguntam “bosmecêses”: porquê o massacre? Porquê o massacre meu Deus? Não amais vós a vossa cadela? Porque sois tão cruel ó Dona desnaturada?!

Porque é do melhor que há!

Eu não tenho paciência pra lhe dizer 50 vezes numa hora:

senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, deita, muito bem, toma o biscoito.
senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, deita, muito bem, toma o biscoito.senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, deita, muito bem, toma o biscoito.senta, muito bem, toma o biscoito.

Aqui, senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, deita, muito bem, toma o biscoito.senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, deita, muito bem, toma o biscoito.senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, deita, muito bem, toma o biscoito.senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, muito bem, toma o biscoito. Aqui, senta, deita, muito bem, toma o biscoito.

E ELES SIM! E são DOIS!! Logo: 100 vezes numa hora!
Daqui a duas semanas a Petzi vai estar um mimo de educação, olaré!!
Agora vou ali treinar os meus primos pra a levarem à rua e tenho duas semanas de descanso assegurado, de criancinhas e cães! Não haja dúvida que sou uma gaja de sorte! E ESPERTA!! :)))
Bom fim de semana!

Vida, vida, que és fixe!

Ora o meu fim de semana desta vez começou um bocadinho mais cedo. Na quinta-feira trabalhei 12 horas consecutivas, non-stop, nem pausa p’ra almoço tive.
Na sexta fui desafiada para tirar a tarde livre … como o céu estava azulinho, azulinho, 27 graus cheios de força pensei: ora bolas, vou nessa que eu mereço!

Às 3 e meia fui buscar o desafiador amigo (que precisa duma boleia p’ro aeroporto, muito esperto o “meçoilo”, vê-se mesmo que é Tuga :D) que foi um querido e me levou àquela que é considerada a melhor casa de PANQUECAS da Holanda em Leideiorp (será que se escreve assim?). No caminho passei numa quinta de estufas onde comprei morangos, framboesas, amoras e meio quilo de cerejas (que mandei abaixo com uma pinta incrível! Excepcionais!) Como ainda não tenho máquina, o telemóvel não funceminou para tirar uma foto à inexcedível panqueca que degustei…com maça, uvas passas,açúcar e canela, acompanhada de gelado de canela e chantili. Só de pensar já fico com fome!
A lista tem 3 páginas (sim, sim, páginas) de tipos diferentes de panquecas, desde doces a salgadas, a panquecas-pizzas. A casa mãe desta Quinta das Panquecas é em Leiden. Quem souber o nome que acuse por favor que é para o resto da malta poder aproveitar.
Grande tarde de palheta! Lá levei o T. ao aeroporto às 8, e vim pra casa curtir o resto da tarde até às 22 na varanda ao sabor dum livro. Tava tão cheia de comida que nem me mexia.

Sábado foi dia de ajudar a Luna nas mudanças de casa. Três SENHORAS Gaijas deram conta do recado e em 4 horas desmontamos dum lado e montamos noutro, sem ajuda de gajos (porque se piraram de fininho ao esforço). Ele a gente acarretou móveis escada abaixo e casa adentro. Ele nós enchemos e esvaziamos inúmeras vezes o meu cochemobile. Ele nós enchemos uma sala com móveis e cenas! Nós fomos grandes! E acabamos a jantar num italiano com uma massa com marisco deliciosa, todas partidinhas, mas muito contentinhas. E eu, não sei porquê, com uma sensação de que tinha feito realmente alguma coisa de útil com o meu fim de semana: abater a panqueca do dia anterior.
A Petzi foi comigo e portou-se extraordinariamente bem. Tão, mas tão bem, que fiquei literalmente a babar quando cheguei ao fim do dia e vi que ela não tinha feito uma única asneira! Não roeu nada, só fez necessidades no sítio dela, deu uma fugida e visita a casa dos antigos vizinhos da Luna, mas nada de grave, só se enganou na porta. São estas benditas aulinhas que ME ensinam a ensina-la a ELA que estão a valer cada tostão! Nada como ensinar a dona 😀

Domingo, toda escavacadinha do esforço do dia anterior, arrastei-me p’ra fora da cama e fui com a princesa às aulinhas até ao meio dia e meia. Deixei-a em casa e fui a Schiphol buscar a Maria. Íamos andar de veleiro!
A Maria é daquelas pessoas que conhecemos e parece que já as conhecemos há muitos anos! Mesmo muitos! Mas não, só a conheci hoje. É de Braga, e é uma fixe declarada. Como não podia deixar de ser, é escorpião, logo, é trigo limpo farinha amparo que seremos amigas durante muito tempo. Podem ter a certezinha, escrevam aí.
Depois de um ano a tentar combinar um café, no dia em que finalmente atinamos horas e dia, chamo-a p’ra um passeio de barco. E ela lá veio, sem conhecer ninguém, cheia de boa-disposição e pronta p’ra aprender uns truques de vela.
O Pedro e o Luís estavam à nossa espera. É que o amigo Pedro há um ano que tentava marcar uma saída de barco, mas ficava sempre adiada, ora porque chovia (o mais normal), ora porque afinal acontecia algum imprevisto. Enfim, hoje finalmente deixamo-nos de coisas e conseguimos juntar 4 pessoas cuja simpatia se fazia sentir de bombordo a estibordo. Falamos de tudo, até de sardinhas de costoleta panada com arroz de feijão branco! Suspiramos pela comidinha e a Maria ofereceu-se p’ra cozinhar p’ra malta, agora tenho de arranjar as sardinhas frescas…(se alguém souber onde as posso comprar, agradeço eternamente!)

No início fez solinho bom e até deu pra foto:

E aqui fica a prova de que os holandeses tomam banho nestes lagos nojentos. Conseguem ver o tipo agarrado ao barco e dentro de água? Bleargh!!

E vai o tempo e muda e começa a chover passado uma hora, e nós fomos até um café (que havia lá no lago onde estavamos) comer umas biterballens e beber um capuccino.

o tempo muda outra vez, deixa de chover e lá voltamos nós p’ro barquito todos contentes.
A gaita é que passamos debaixo da nuvem na volta, e… chuva, mas desta vez muito forte, e passaram-me as manias de que sou holandesa e aguento à chuva fora da cabine.
E lá fomos nós pra cabine e deixamos os mestres nos seus afazeres.

Passada a nuvem (isto na Holanda é sempre uma questão de ver debaixo de que nuvem nos encontramos), voltamos cá fora, e a aqui a Sofes, de leme em punho, conseguiu toda contente conduzir um barco (um barco, mesmo barco!) a bom porto pela primeira vez! Claro que foram os meninos que amarraram, mas eu ganhei o dia!
E desta vez, com sensação de sabor de mar retido na pele, voltei p’ra casa com a ideia que o dia de hoje dava uma publicidade a um penso higiénico.

Sensation relax

Grande fim de semana!
Sinto-me nova, estou contente e pronta p’ra outra.
Com solinho esta terra até apetece. Ou melhor, até se disfruta com outro gosto, com outra clareza mental, é mesmo o termo.
Sábado a Sô Dona Petzi e eu fomos ter com um grupo amigos muito porreiro a Amsterdão p’ra almoçar no Joordan. Seguiu-se uma bica bem portuguesa e um pastel de nata com canela (que estava dos Deuses) na Casa Bocage.
O dia solarengo estava carregado de humidade e o sol escondeu-se mas o calor estava instalado. Como não se estava bem em lado nenhum, viemos para casa onde dei azo à minha sessão de limpeza caseira.
Às dez da noite estava vestida de branco, maquilhagem a condizer (soft, perfeita) e fui até Schevegningen à festa de Expats “Sunsation beach party” no Oxbow Beach que estava decorado a rigor.

Fiquei muito espantada, confesso. Com um poster piroso destes…
Estes tipos devem ter andado a ver ainda mais revistas de decoração porque o espaço tava impec, as pessoas eram bonitas, enfim, a festa foi das mais giras a que fui nesta terra de non-cristianos. Tinha fogueiras na praia, uma lona de protecção que extendia o bar a uma pista de dança bastante grande e razoável, sofás branquinhos cá fora prontos pra malta deitar o lombo, tochas acesas por todos os lados, mesmo em cima da praia.
Tivemos uma sorte bestial porque o tempo aguentou-se e…não choveu! Nem uma gota! Aliás, estava-se lindamente cá fora!
As músicas mais tocadas e dançadas eram de quem? Ora pois tá claro! Sô Michael Jackson (rest in peace, if you can)!
É curioso como tudo celebrava a música deste mito que juntamente com a Madonna marcou uma década. Foi uma explosão de dançarinos brutal, adorei! Principalmente o tipo das “matracas” que tocou “bateria” o tempo todo… (private joke)
Dei de frosques relativamente cedo (3 da manhã, fui uma fraquinha) porque tava com umas dores nos pés que nem via (tacões…estúpida!), e ainda tinha uma hora de condução pela frente até Breukelen. Sim, porque só aqui é que eu faço 70 km (ida, mais 70 volta!) p’ra ir a uma festa na praia…! Mas valeu bem a pena. Agradeço a quem me avisou do dito cujo evento 😉
O Domingo foi pacífico mas muito bem aproveitado. Ao meio-dia lá estava eu com a “boneca” pro treino e aprender a como fazê-la sentar, deitar, voltar, andar ao meu lado. Tem sido fácil posso dizer, ela é bastante mais obediente do que o que eu pensava. Acho que afinal é tudo questão de treinar o dono!
Chegamos as duas rebentadinhas do treino e bateu uma soneira…
Há tanto tempo que eu não fazia uma sesta de Domingo à tarde!
No sofá do escritório foi um regalo, principalmente porque começou a chover a rodos lá fora e o barulho da chuva nas janelas foi o embalo perfeito. Que maravilha!
Acordei às sete da tarde, relaxadissima depois de 3 horas de soneca, despachei umas cenas na net, jantei, dei de jantar, fomos passear as duas e agora tenho ali à minha espera o fecho em beleza dum fim de semana muito bem passado…

Tot ziens!