Ser ou não ser, eis a questão – Day 12 and 13

Há uns bons 8 ou 9 anos atrás comprei um Grand Danois. O cãozinho só estava pronto a vir pra casa dali a 2 meses, por isso durante esse tempo publicitei a minha escolha aos meus amigos e fui gozada até à morte. Mandaram-me tiras de comics do cão a passear-me, falaram-me dos horários mortíferos de passeio matinal e nocturno, das destruições perpetradas pelo meu futuro bichinho (ão) de estimação, do tamanho dos dejectos do bicho que eu ia ter que apanhar do chão, enfim.
Eu não liguei a ninguém, teimosa como sou, trouxe o animal comigo pra casa. Ao fim de exactamente 5 dias tinha 6 vizinhos queixosos dos décibeis usados pelo cão pra uivar, ladrar, chorar, de tal forma que a minha Senhoria na altura me telefonou a pedir pra tirar o cão lá de casa. Sinceramente, ao fim de tantos anos, admito: foi um alívio. Ela estava mais triste que eu. Admiti que não estava preparada, por isso um dia voltaria a ter outro.
Por isso continuei afincada na ideia de ter um quatro patas pra me animar e pra eu mimar. Dali a uns anos entrou-me um cão pro carro enquanto eu falava ao telemóvel de porta aberta, instalou-se no banco traseiro e só saiu quando eu consegui levá-lo ao veterinário e descobri que: estava doente (exigia 200 euros mensais em medicamentos), que eu era alérgica a cães de pêlo curto, e que tinha donos, graças a Deus.
Como aprendi há muito a não ignorar os sinais que o Universo nos manda, quando voltei à ideia de comprar um cão optei por um Maltese porque é hipo-alergénico (tem pêlo comprido) e porque não ladra.
O certo é que me valeu a minha boa estrela e sorte e acabei por adoptar um bichinho que me assenta que nem uma luva.
As peripécias com o Mozart nestas duas semanas vieram confirmar que os meus amigos tinham todos razão. Por alguma coisa são meus amigos: eles conhecem-me.
Sabem que não sou pessoa de rotinas, que não sou dada a deixar de fazer o que mais adoro que é viajar, que não gosto de me levantar cedo, e que sou pequena e maníaca das limpezas (mas com preguiça a mais pra me levar ao zelo de limpar a casa todos os dias como a minha Mãe tão orgulhosamente gostaria). Que um cão com menos 10 kilos apenas que eu, mesmo muito bem educado como é o caso do Mozart, acaba sempre por me passear a mim em vez de eu a ele. Que sou despistadíssima e que acabaria sempre por deixar coisas ao seu alcance como foi o caso das luvas. Sabem que me chateia ter que planear o meu dia inteiro ao ponto de não poder fazer nada espontâneo porque tenho o cão à espera pra comer em casa.
A Petzi acorda às 11 da manhã, tem a capacidade de fazer as necessidades no sítio indicado como se fosse um gato, pode entrar em todos os restaurantes (fora em Portugal e no Mac Donalds), tem de ser lavada e penteada mas é como se fosse uma boneca, viaja comigo no avião e aguenta-se a mais de 5 kilómetros a pé de cada vez que vamos viajar as duas.
Os meus amigos, que sabem que adoro animais e descobriram que sou capaz de abdicar de muito por amor à minha cadelinha e que morro de saudades dela de cada vez que nos separamos.

E eu, depois de quase duas semanas com um cão a sério, acedo que eles tinham todos razão, e que por muito que eu adore o Mozart, nunca serei capaz de ter um Grand Danois. Sim, porque eu entendo os sinais do Universo.

E agora vou “coleccionar” Malteses. Esses são a minha luva.

PS: Amigos Ceres e Homer, este post não é sinónimo que eu não esteja disposta a voltar a tomar conta do Mozart SEMPRE que vocês precisarem! Eu não consigo é ter um Mozart só pra mim! 😉

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