Morremos de medo do aspirador

O Kruk não reagiu lá muito bem à paternidade, mas é compreensível já que os mais pequenos o perseguiam literalmente e tentavam morder-lhe as orelhas e o pêlo fofinho e ainda puxar-lhe o rabo. O desgraçado do bicho teve uns dias difíceis, tiraram-no da sua rotina, do seu dono sempre presente e deixaram-no ficar na companhia de 2 terroristas. Não foram tempos fáceis pra Kruk Manuel, mas ele superou a prova e ao fim de 15 dias já resmungava com os filhos e punha-os na linha.
Foi difícil no entanto tirar uma foto aos quatro, é que nenhum parava quieto. Até que a empregada ligou o aspirador e eles saltaram todos mortos de medo pra cima do sofá pra se encostar a mim. Chorei de tanto rir, e ainda consegui tirar umas fotos manhosas. A Petzi tem a franja muito grande e nunca se lhe vê os olhinhos, temos que mudar de cabeleireiro. É que ainda por cima a senhora que lhe cortou o pêlo entendeu mal as minhas instruções e deu a carecada da vida da cadela à Petzi. Ficou tão feiinha…tadita. Mas bom, os novos cortes de cabelo ficam pra próxima ronda, a três.
Aqui está então a Família Forsight completa. Lambidelas é o que vos mandam!

É agora Dona Teresa, tire a foto agora! Sim, sim, largue o aspirador, deixe-o a trabalhar!

A Juicy é igual à Mãe e o Bitoque igual ao Pai. Meninas do lado esquerdo, meninos do lado direito.

Bitoque: Oh Mãe, o Pai não brinca comigo! Petzi: Está mas é quietinho Bitoque Manuel! Kruk: aí menino, longe, eu tou aqui no meu canto e não quero chatices!

DESLARGA-ME!! Que puto chato!

Oh man, agora são dois!!

Nãaaaaaaaao! Isto é tortura!! DESLARGUEM-ME!

Que massacre que és Bitoque! Vais levar tantas quando cresceres. Oh Petzi, não lhe posso mesmo morder de volta?

Juicy cheia de sono
Bitoque, em pose de principe
Ena! Eles estão todos a dormir e eu posso ficar aqui na minha mantinha. Sorrio pra foto e tudo!
Estou-te a lamber, tu tens direito a muitos beijinhos, muitos miminhos, eu sou uma Mãe e pêras, passa a palavra!
Os meus rebentos são a coisa mai linda deste mundo! E finalmente vê-se a minha fronha linda (este penteado não me favorece particularmente)!

O verdadeiro terror de ser Pai …

… está espelhado no focinho do Kruk.  
Está aterrorizado desde o momento em que viu as crias.
Eles lançaram-se ao pescoço do Pai e eles fugiu deles como o diabo foge da cruz. 
Escondeu-se debaixo da cama, debaixo do estendal, bateu todos os refúgios habituais enquanto nós ríamos, até que se pôs atrás das pernas do meu Pai, a égide de Kruk Manuel.
Tivemos que os separar porque senão ninguém dormia, e hoje de manhã foi a mesma fita com o cão a ser perseguido literalmente por duas crias cheias de vontade de brincar.
Pra ver se lhe passava a mania pegamos no Kruk e na Juicy ao colo e aproximamos um do outro. Só queria que vissem o Kruk a esticar-se todo com cara de “não é meu!!”, afasta pra lá esse ser do Demo, varado de medo, pior que se estivesse a encarar a sarna em pessoa.
Farta de tretas agarrei eu no cão e esfreguei-lhe, à vez, o rabo das criaturas no focinho. Mesmo assim ainda não acredita. Está mais calmo, mas ainda não passou grande confiança aos filhos. Afinal de contas a Petzi foi-se embora há uns bons meses, o Pai pode ser outro!
As cenas dos próximos capítulos ficam para uma próxima oportunidade.

Está confirmado

Pós-vet, somos só dois, um macho e uma fêmea. Gostamos muito de Leia e Luke, mesmo muito, mas Bitoque lembra-me que a avó é emigrante e Juicy lembra-me que ela fazia Candeia.
Somos então o Bitoque e a Juicy, filhos da Petzi e do Kruk.
Muito Prazer!

(o nosso Pai chama-se Kruk, logo quando chamassem Kruk e Luke haviamos de ir os dois, por isso é que ná pode ser)

Se nos encontraram e soltaram uma delas, obrigada.

Passear os meus cães pela cidade de Braga é toda uma experiência.
Ouvem-se pérolas como:

São gémeos?

NÃO!! Dasse! Não há cães gémeos ó croma, são da mesma RAÇA!! Lá porque são os dois brancos, não quer dizer que sejam iguais. Há dúvidas?

Que riquinhos!

Versão Bracarense da frase: que giros, que bonitos, que fofos. Riquinhos. Aprendam que eu não duro sempre. São sim senhora, mas são meus.

O gordo é o cão não é? 

A Petzi, se compreendesse o conceito de gorda ou magra agradecer-lhe-ia tal dito junto do namorado. Certo é, porém, que ela não entende e que sua excelência tem que entender que aquilo é P-Ê-L-O, o cão não é gordo, no limite é pesado.

Ó Menina, tem dois! Dê-me um!

Um par de bolachas no focinho, não?! Assim daquelas que fazem ricochete e dão piparotes. É que esta gente fala a sério Senhores, eles acham mesmo que eu tendo dois, lhes deviam dar um! Estúpidos.

Ai, a Menina deve ter dinheiro, isso é cão de rico!

Ainda não decidi se esta é a minha frase favorita. Gosto de ter aspecto de rica. Falta-me o casaco de peles, talvez.

Tenha-se em conta de que, e desta vez não estou a exagerar, noventa e cinco  por cento das pessoas que passam por nós na rua, comentam os cães. NOVENTA E CINCO POR CENTO.
É o delírio. Quando estão lavadinhos e branquinhos então, é uma festa que chega aos CEM POR CENTO. Reparem, TODA A GENTE OPINA SOBRE OS CÃES. É assim uma espécie de fenómeno. É riquinho.

O amor

A minha Petzi e o Kruk dão beijinhos no focinho um do outro.
Há alturas em que dou com eles a darem lambidelas no narizinho e na orelha um do outro, ele todo apaixonado, ela naquela do “até te curto, chega aqui que eu já te conto”.
Depois envolvem-se nuns amassos, ele a mordiscar-lhe as patas e ela as orelhas e parece que estão a dar beijinhos profundos. É uma delícia. Duas bolas de pêlo branco, ela de patas pro ar, ele por cima dela de patas abertas. Ela rosna e ele também, e ai Jesus que aquilo parece um 69!
E continuam…
O povo é muito pouco observador. Sabem lá o que é o amor!

Há poucas cenas mais fixes

que ouvir a minha Mãe falar com o Kruk ou a Petzi como se eles fossem bébés, com o mesmo tipo de comentários tótós que nós fazemos às criancinhas:

– anda cá meu amor!

– ó coisa linda!

– ó meu amor pequenino

– és gira, não és? És sim senhora.

– Tás aqui uma senhorinha!

– Anda cá traquinas!

– Cuchicuchicuchi

– Dá beijinhos, dá!

Tudo acompanhado de sorriso e olhos derretidos. É tão fixe.
Sinceramente acho que lhes dão um motivo pra viver, dão amor e recebem em triplicado e até as doenças típicas da idade desaparecem.

Ser ou não ser, eis a questão – Day 12 and 13

Há uns bons 8 ou 9 anos atrás comprei um Grand Danois. O cãozinho só estava pronto a vir pra casa dali a 2 meses, por isso durante esse tempo publicitei a minha escolha aos meus amigos e fui gozada até à morte. Mandaram-me tiras de comics do cão a passear-me, falaram-me dos horários mortíferos de passeio matinal e nocturno, das destruições perpetradas pelo meu futuro bichinho (ão) de estimação, do tamanho dos dejectos do bicho que eu ia ter que apanhar do chão, enfim.
Eu não liguei a ninguém, teimosa como sou, trouxe o animal comigo pra casa. Ao fim de exactamente 5 dias tinha 6 vizinhos queixosos dos décibeis usados pelo cão pra uivar, ladrar, chorar, de tal forma que a minha Senhoria na altura me telefonou a pedir pra tirar o cão lá de casa. Sinceramente, ao fim de tantos anos, admito: foi um alívio. Ela estava mais triste que eu. Admiti que não estava preparada, por isso um dia voltaria a ter outro.
Por isso continuei afincada na ideia de ter um quatro patas pra me animar e pra eu mimar. Dali a uns anos entrou-me um cão pro carro enquanto eu falava ao telemóvel de porta aberta, instalou-se no banco traseiro e só saiu quando eu consegui levá-lo ao veterinário e descobri que: estava doente (exigia 200 euros mensais em medicamentos), que eu era alérgica a cães de pêlo curto, e que tinha donos, graças a Deus.
Como aprendi há muito a não ignorar os sinais que o Universo nos manda, quando voltei à ideia de comprar um cão optei por um Maltese porque é hipo-alergénico (tem pêlo comprido) e porque não ladra.
O certo é que me valeu a minha boa estrela e sorte e acabei por adoptar um bichinho que me assenta que nem uma luva.
As peripécias com o Mozart nestas duas semanas vieram confirmar que os meus amigos tinham todos razão. Por alguma coisa são meus amigos: eles conhecem-me.
Sabem que não sou pessoa de rotinas, que não sou dada a deixar de fazer o que mais adoro que é viajar, que não gosto de me levantar cedo, e que sou pequena e maníaca das limpezas (mas com preguiça a mais pra me levar ao zelo de limpar a casa todos os dias como a minha Mãe tão orgulhosamente gostaria). Que um cão com menos 10 kilos apenas que eu, mesmo muito bem educado como é o caso do Mozart, acaba sempre por me passear a mim em vez de eu a ele. Que sou despistadíssima e que acabaria sempre por deixar coisas ao seu alcance como foi o caso das luvas. Sabem que me chateia ter que planear o meu dia inteiro ao ponto de não poder fazer nada espontâneo porque tenho o cão à espera pra comer em casa.
A Petzi acorda às 11 da manhã, tem a capacidade de fazer as necessidades no sítio indicado como se fosse um gato, pode entrar em todos os restaurantes (fora em Portugal e no Mac Donalds), tem de ser lavada e penteada mas é como se fosse uma boneca, viaja comigo no avião e aguenta-se a mais de 5 kilómetros a pé de cada vez que vamos viajar as duas.
Os meus amigos, que sabem que adoro animais e descobriram que sou capaz de abdicar de muito por amor à minha cadelinha e que morro de saudades dela de cada vez que nos separamos.

E eu, depois de quase duas semanas com um cão a sério, acedo que eles tinham todos razão, e que por muito que eu adore o Mozart, nunca serei capaz de ter um Grand Danois. Sim, porque eu entendo os sinais do Universo.

E agora vou “coleccionar” Malteses. Esses são a minha luva.

PS: Amigos Ceres e Homer, este post não é sinónimo que eu não esteja disposta a voltar a tomar conta do Mozart SEMPRE que vocês precisarem! Eu não consigo é ter um Mozart só pra mim! 😉