Arranged marriage

Ontem fui ao encontro mensal de estrangeiros patrocinado pela minha empresa.
Já não aparecia num há talvez mais de um ano.
Não éramos muitos. Começamos 2 Tugas, uma miúda da Nova Zelândia, duas Francesas, depois apareceram 2 Indianos, mais tarde um inglês e rematamos com um Australiano e uma Polaca, todos extremamente simpáticos.
Os Indianos chegaram juntos, um rapaz e uma rapariga, e pelos vistos já conheciam os outros. Talvez por isso quando eu perguntei: mas vocês conheceram-se cá, ou já vieram pra cá como casal? obtive uma resposta tão sincera e inesperada que não caí pra trás por um triz:

“Ele veio primeiro, e eu vim depois quando nos casamos. Foi um casamento arranjado. Não o conhecia.”

PÁRÔ, PÁRÔ, PÁRÔ!!! PAROU TUDO!!!

Como é que é?!?!
Ambos os membros do casal deviam ter no máximo 30 anos, possivelmente menos.
Tanto ela como ele eram giros, notava-se que deviam ser de boas famílias, de castas mais altas.
Não aguentei e pedi-lhe pra explicar como é que eram feitos casamentos assim.
“Isso pra nós é muito natural. A minha Mãe escolhe.”

PAROU TUDO OUTRA VEZ!

Tava bem lixada se fosse a minha Mãe a escolher! É que ela diz preto e eu digo branco. Temos gostos opostos, e nunca acerta em nada do que me fica bem.

“Ah, sim, mas eu tinha direito a recusar!”
“Aliás, eu fui o 11°!”  – diz ele todo contente

“Sim, eu queria um homem de acordo com uma lista de requisitos. Tinha de ser charmoso, deixar-me trabalhar e ser moderno, e simpático, e agradável e bla bla bla”

E os meu olhos cresciam. Isto é como ir buscar um gajo à prateleira da loja! Como quem compra um sobretudo, estás a imaginar? Exacto: pelo joelho, justo na cinta, cor creme, …
Mesmo assim, wtf, alguém escolher um marido pra mim?!?!
Não me consigo imaginar nessa opção. O certo é que talvez fosse mais fácil…ou não.

Realmente isto é mesmo algo cultural com uma força que chega aos dias de hoje. Eles acham que o nosso sistema de relações é muito complicado e stressante. E é. Mas deixar a minha Mãezinha escolher-me o gajo com quem eu vou dormir à noite? NO WAY!

7 comments:

  1. ehehehhe…
    Recentemente lía um artigo exactamente sobre isso, e qual foi o meu espanto qd descobri que o casamento "arranjado", na Europa, só deixou de existir há 80 anos atrás!!! imagina a vida das nossas bisavós…
    Um dia, qd estiver inspirada, conto-te a história de amor da minha avó alemã com o meu pobre avô português, em 1945 em Portugal!

  2. Parace impossível, mas ainda acontece tanto nessas sociedades 🙂
    Enfim, um casamento arranjado é como em tudo na vida: tem as suas vantagens e as suas desvantagens… É fundamentalmente uma (assustadora) questão de sorte. Quantas vezes a pessoas não escolhe à lupa um parceiro e depois não dá certo? E quantas histórias que deram certo com pessoas que pareciam improváveis…?
    É a tal questão da sorte, do acaso, da aleatoriedade… 🙂

  3. sabes, sao coisas muito naturais encaradas com muitissima naturalidade. 3 dos meus melhores amigos sao indianos, 2 deles casaram-se assim. Mas pelo menos agora elas tem o direito de escolher. Alsumas ate podem namorar com os pretendentes antes de aceitar o casamento (desde que se casem virgens).

    As maes e' que escolhem os partidos por esta ordem:
    – familia e casta
    – local de proveniencia
    – religiao (ha variantes dentro do hinduismo)
    – emprego e $ da familia
    – o resto (aspecto, bom caracter, etc)
    Tem muitas outras coisas engracadas. Tem que casar num dia "auspicio" e 'a hora "auspicia", determinadas pelo sacerdote, segundo mapa astral deles e numeros de familia deles

    Ja nao me choca e vejo-os serem muito felizes.

    Vou ter outro casamento muito em breve que vai ter que ser numa segunda feiras as x da tarde em cascos de rolha por causa destas coisas todas. Mas como e' um casamento por amor, como se chama, e a noiva eh de uma casta mais baixa, a mae do noivo ja o expulsou de casa, nao fala com ele, nao vai ao casamento, deserdou-o do testamento e ja desmaiou uma 500 vezes, 'a filme de bollywood!

  4. Ai haja paciência, a sério. Eu não sei se isso faz as pessoas mais felizes ou não, mas esta carga cultural tão forte faz-me mesmo muitissima confusão, confesso-te.
    Se calhar é por ter que lidar com os meus colegas Indianos só por chat e por ver que os empregos de muitos amigos meus de cá (Europa) desapareceram em prol dos Indianos, mas eu acho sinceramente que é mesmo por uma questão de culturas que embirro com os desgraçados. O que é um perfeito disparate, eu sei. Mas Indianos e Chineses, mexem mesmo com o meu sistema nervoso. Ontem qdo a moça disse o "ele tinha que ser moderno e achar bem que eu trabalhasse" deu-me assim uma revoltosa no estômago…
    Mas olha, em contrapartida gosto imenso de Croatas e Australianos! 😀

    Espero que os teus amigos sejam mto felizes, a sério 🙂

  5. Este post fez-me lembrar uma história:
    Há mais de 60 anos (lá na “santa terrinha”) a madrinha da minha mãe, minutos antes de conhecer o seu noivo arranjado, vestiu a roupa mais velha que tinha e foi ao quintal sujar-se com terra, para ele não gostar dela e desistir do casamento. Quando entrou na cozinha, descalça e toda suja, a mãe dela ia morrendo de vergonha!
    Anyway… o noivo quando a viu, assim toda suja e rota, pensou que era uma mulher simples e de trabalho, mesmo como ele queria! O plano saiu-lhe furado mas ainda bem (dizia ela) porque foram muito felizes, durante muiiiiito tempo!
    😉

  6. É realmente impressionante pensar que ainda há casamentos arranjados. eu sei bem que não tinha feitio para isso. Mas também sei que em Portugal as coisas eram mais ou menos assim.
    A minha Avó bem que teve um grande amor, mas os pais dela não deixaram e ela teve que casar com outro.
    Eu tenho a "prova" desse amor, por ele escreveu num caderno todas as cartas que ela lhe escreveu ao longo de 3 anos entre 1917 2 1920. Chamou-lhe "Cartas de uma apaixonada gentil" e ela guardou-o toda a vida. Não conheci a minha avó mas aquele caderno é a minha "herança"…
    beijinhos

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