Chuva? O mais que pode acontecer é ficar molhada.

A minha nova chefe decidiu vir de bicicleta pro trabalho 3 vezes por semana.
Isto é banal dizem vocês.
Pois….
Só que a moça faz 36 kms de bicicleta pra vir trabalhar, e não é ida e volta.
Três vezes por semana, ou vem, ou vai de bicicleta, tendo organizado um esquema de boleias e de dias em que vem de carro e volta de bicicleta ou vice-versa.
Diz que já que não tem tempo para ir ao ginásio, que decidiu começar a vir de bicicleta para fazer exercício.
Isto depois de eu dizer que não gosto particularmente de andar de bicicleta, mesmo nos Países Baixos.
Só não caí de cú porque estava sentada.
Mas conseguiu que eu ficasse sem fala, o que em mim é raríssimo!
Quando recuperei perguntei-lhe como é que fazia no inverno?
Vem na mesma.
E se estiver a chover?
“O máximo que me pode acontecer é ficar molhada, quando chego ao escritório tomo sempre banho e troco de roupa, não vejo o problema.”
Os meus olhos abriram até ao infinito, até porque por coincidência já fui de carro até Alphen aan den Rijn e posso-vos dizer: ah valente mulher!!
E para que possam ficar espantados como eu, fica aqui o trajecto da moça. Digam lá se não é de quem tem uma força de vontade monstra?
Eu acho que isto diz imenso sobre os Holandeses.
Não há condições climatéricas que os impeçam de colocar o projecto deles sobre rodas. Seja ele qual for. Pra isto só tenho uma palavra:
RESPECT!

16 comments:

  1. Eu consigo irritar toda a gente por gostar de chuva e de inverno . Acho que só não gosto de vento e é apenas quando tenho que sair (e sou algarvia Zozô 🙂 ) . Mas não era capaz de ir para o trabalho de bicicleta… Ter que me levantar horas mais cedo? Além de que condições para tomar banho no local de trabalho é coisa que por cá não há… Mas concordo contigo: respect. Beijos

  2. Caramba! Se o aeroporto já é um bocadinho longe, dá para perceber que essa distância é enorme!
    Eu adoro andar de bicicleta, adorava morar numa cidade ciclável (digam o que disserem, Lisboa não o é, não tanto pelas suas colinas mas muito mais pela cultura automobilista!) como Berlim ou Amesterdão! Seria tão feliz a utilizar a bicicleta para todo o lado!

  3. Eu também fico espantada com a genica da senhora. Mas não concordo quando dizes que isso se deve ao ADN Holandês. Talvez se deva simplesmente à vontade dela. Se o trajeto não fosse plano e tivesse que pagar portagens, se calhar o ADN mudava, ou era fraquinho. Fazer 36 km desde Barcelos, onde vivo, para outra cidade ou local nesse raio, de bicicleta, não se aguenta fazer todos os dias ida e volta devido ao trajeto nas estradas nacionais. É acidentado e perigoso. É possível, sim, mas não para chegar em condições ao trabalho (e trabalhar como deve ser, a seguir). E não é permitido fazê-lo de bicicleta nas ICs ou Autoestradas, onde o percurso seria mais "lisinho" e bem mais rápido.Tendo em conta que os horários de trabalho na Holanda costumem ter o fim aí pelas 16h (dependendo do tipo de emprego, claro), a senhora, depois de fazer a viagem em piso plano e na ciclovia, que custa metade do que em terreno acidentado, sai cedo para regressar a casa e pode recompôr-se como deve ser.
    Por falar em ADN forte: como sou de Barcelos, inevitavelmente conheço gente que fazia 20-30km a pé e descalça (sem exagero), um dia por semana, para ir à famosa feira de Barcelos realizada às quintas-feiras no centro da cidade. Era muito normal até aos anos 70. Coisa que para os Holandeses se calhar, a última vez que viram isso (e felizmente) foi no século XIX ou princípios de XX.
    Esquece o ADN: há zonas que não são cicláveis, passo a expressão à Cátia Afonso. Só se for por recreio ou desporto. (Aqui também há gente a ir pró trabalho de bicicleta, mas na maioria das vezes vive, no máximo, a 5 km do local de trabalho. Mais do que isso ia-se parar ao hospital ).

  4. Vais-me desculpar, mas you missed the point completely. Primeiro pq ela não vai e vem todos os dias, fa-lo 3 vezes por semana, só ida, ou só volta.
    Segundo porque sendo este o País das bicicletas e tendo eles nascido praticamente em cima duma, há muito Holandês a fazer muitos kms por dia pra ir e vir pro trabalho e por isso as empresas foram obrigadas a dar-lhes condições pra tomarem banho qdo chegam e o estado deu-lhes ciclovias (não sem luta, não penses, há muitos documentários sobre isso na net). Terceiro porque o que eu estava a louvar era o facto de ela fazer o trajecto quer faça chuva quer faça sol exactamente pq tem carro e possibilidades pra não o fazer. Se o faz é porque os Holandeses fazem qq coisa independentemente do clima, basta terem enfiado na cabeça e na agenda! que aquele é O dia de fazer a actividade que vão fazer. E fazer 36 kms debaixo de chuva, qdo não tem necessidade, só pq se comprometeu com ela mesma e porque não acha bem gastar o dinheiro no ginásio qdo pode fazê-lo gratuitamente, pra mim, é sinal de respect.
    Tenho ainda mais respeito pelas pessoas que vi em vários Países a subir às montanhas com jarras de água na cabeça, e pelas mulheres de Castro Laboreiro que ainda hoje se vestem de negro qdo os maridos emigram e fazem kms pra ir às feiras. Por isso é que acho que passaste completamente ao lado do que eu escrevi. Nao é o facto de ir de bicicleta ou as políticas do governo, é o facto de a senhora se submeter por vontade propria e consciente a qq condição climatérica.

  5. Em Lisboa as pessoas andam no paredão de bicicleta mas nao a usam pra vida do dia a dia, nao só pq nao é seguro, mas tb pq é impossivel fazer colinas com as compras penduradas na bicicleta. Eu pessoalmente só ando qdo é necessário, detesto chegar suada a todos os lados.

  6. Percebo-te perfeitamente, isso sp me irritou tb. Os Holandeses fazem tudo com chuva, neve, com sol, com vento, nao há nada que os impeça de fazerem qq actividade, até pq se assim fosse, não saiam de casa!!! Eu pessoalmente continuo a ter uma certa dificuldade em ter de pedalar nem que sejam 10 minutos e chegar a qq lado ensopada. E nao sou contra qdo chove, aliás, no natal estive em PT 3 semanas e houve praí 4 dias de sol. A única coisa q me chateou foi não haver tréguas qdo chove. Nao é para e arranca como na Holanda, é só arranca! mas voltando ao assunto, eu ainda não sou o tipo de pessoa q faz coisas com qq tipo de intempérie ou condição climatérica. Se estão 35 graus à sombra nao vou andar de bicicleta pro paredao 🙂 E se chove tb nao lhe pego pq nao gosto de andar ensopada. Quisás por isso admire esta gente e ache que além duma boa pancada, têm realmente uma força de vontade e uma determinação fabulosa. Eu cá é mais chá e mantas!

  7. Também é algo que me aborrece e apoquenta bastante, chover, chover durante uns dias, uma semana e meia, vá, isto em pleno Janeiro e Fevereiro e ninguém falar de outra coisa para além do "tempo horrível que está em Portugal". Isto porque chove e estão 16 graus… Sou uma grande apreciadora do Outono e do Inverno, adoro frio e nevoeiro, deixem-me disfrutar deste tempo que está quase a acabar! 🙂

  8. Aqui em Portugal a chuva é uma doença, põe as pessoas literalmente doentes e incapacitadas. Não podem fazer nada com a chuva.
    E os meus amigos do Algarve (onde cai 3 pingos e logo a seguir vem um sol monstruoso), o que eles se queixam? Só dá vontade de os esganar. Eu não me importo nada com a chuva, até gosto.

  9. Em Lisboa não a usam para o dia a dia? Como não.
    Comecei a ir trabalhar de bicla há 3 anos. Nessa altura eramos muito poucos. Hoje em dia, e mesmo em dias de chuva, é vê-los aos montes para lá e para cá.
    Eu faço 18 Kms, ida e volta e tenho de levar com a calçada de carriche nos queixos.
    Hoje em dia, Lisboa, Portimão, Porto, Aveiro…são tudo cidades onde encontras muita, mas muita gente a ir bulir de bicla. Já há garagens com estacionamento para biclas, cafés ali na zona das avenidas novas, etc, etc. Estamos a anos luz da Dinamarca, Holanda, Noruega, mas daqui a uns 4/5 anos, vamos estar como eles estão hoje. Quanto à tua chefe, claro que sim. Respect!

  10. Olha que fixe! Mas tb te gabo a coragem, ir de bicicleta pro emprego nas nossas estradas e colinas acidentadas, sem condições pra qdo chegas ao emprego a suar, não é nada pêra doce!
    Eu qdo falei em dia-a-dia, não é só o ir trabalhar, é o facto de ires comprar o pão, de ires ao mercado, ao super, aquela loja simpática na baixa, sem teres o risco de olhares pro lado e só haver sombra da bina que tens, pq não há mto onde as prender em segurança, e pq até as pasteleiras são um alvo pro gamanço. Pelo menos foi o que eu senti em Lisboa qdo lá estive da última vez. Imagina agora que eu vou viver pra Santa Apolónia e quero ir de bicicleta pro meu escritório no Oriente. Primeiro a distância é um pedação, não são bem os 4 kms daqui entre casa e escritório. Depois qdo lá chego, prendo a bina aonde? Mas confesso-te que me tem ribombado na cabeça. Mas não sei ainda se estou preparada pra esse desafio, até pq tenho mto medo dos carros pq eles não têm em conta os ciclistas como cá, e há mtooo animal na estrada.
    Eu gostava que vcs fossem de carro de Amesterdao até Alphen aan de Rijn. É que aquilo é mesmo bué da longe camandro! é

  11. Eu não chego a suar pá. Vou nas calmas é ires tirando roupa até puderes. Tb tenho a sorte de não ser um gajo que sua. Sim chego quente e se fosse a abrir estava loxado.
    Em lisboa já tens na ruas parques para binas, começam a nascer em todo o lado.
    Estás louca? Santa apolonia – oriente? Tens ciclovia até lá e depois na zona da expo aquilo é tranquilo. Claro que há truques para não levares baile dos carros. Não vás de carro nem de transportes. Claro que de metro é tb é simples, e podes ir sempre que te apetecer. Eu demoro 30 mins, o mesmo que o metro. Se queres dicas apita.

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