Há muitos anos atrás….

…. O Frágil  fazia 25 anos, e a festa era no Lux, e por algum motivo de que não me recordo, eu e a Mafaldinha fomos lá parar, e a música estava tão, mas tão magnífica, que ligamos à Marta e ao David à uma da manhã (lembro-me da hora como se fosse hoje) que, já de pijama, mudaram de roupa e vieram ter connosco ao Lux para dançarmos até ao amanhecer.

Foi a melhor noite de Lux ever. Não costumo lá ir muitas vezes, mas nunca mais apanhei uma noite daquelas.

E se houve coisa que ouvimos foi David Bowie, de quem as minhas pseudo-irmãs emprestadas são grandes fãs, assim como o David. Tão fãs que não consigo ouvir esta ou outras músicas sem me lembras delas, minhas grandes e enormes companheiras de casa. Dávamo-nos tão, tão bem a viver juntas!

Ainda hoje resmungamos como irmãs, e eu fiz questão de vir viver pra perto duma delas 🙂

Mas dizia eu, sobre o Bowie, apesar de lhe apreciar imenso a genialidade (ele era efectivamente um génio e arte em estado humano), salvo duas ou três músicas, não consigo ouvi-lo sem ficar deprimida até à quinta casa dos infernos.

Mas tive imensa pena que tenha morrido tão cedo, e tenho a agradecer-lhe o nos ter unido naquela noite mítica até aos dias de hoje.

Obrigada David Bowie, wherever you are, may you rest in peace Sir.

 

Say no to guns. Diz não às armas.

Conheço Americanos que têm armas em casa. Eles dizem que é pra poder atirar em ursos ou intrusos mal intencionados. Pra meu espanto, há regras definidas para poder parar o carro em frente a uma casa fora da cidade: deixar as luzes do carro acesas, e sair do carro, deixando a porta do mesmo aberta, e com as mãos ao alto. O melhor é mesmo ligar antes.
(pânico)

Conheço quem ache que tem todo o direito a possuir uma arma, embora as leis Europeias não lho permitam, e que ache que todos deveríamos ter o direito de escolher este meio como forma de protecção pessoal.
(medo)

Sou da opinião mais veemente que uma arma não deve estar senão nas mãos mais restritas e oficialmente responsáveis e responsabilizáveis pela sua utilização. Sou contra o uso de armas, a posse de armas, e não advenho nada de positivo da posse de uma. Não consigo compreender a lógica de quem acha que sim. E nunca consegui fazer ninguém mudar de ideias.

Finalmente, nos EUA, fizeram uma publicidade brilhante, que aqui partilho, e que considero que deve ser de visualização obrigatória. Abriram uma loja em Nova York, e filmaram a reacção das pessoas quando lhes era contada a história de cada pistola, cada caçadeira, cada arma.

“Every gun has a story” é o lema. E seria de agradecer que conseguissem mudar as ideias de muito mais gente. Por isso partilho convosco, para que partilhem com quem desejam que mude de ideias também.

Pode parecer ridículo

mas eu estou mesmo triste com a morte do Robbin Williams.
Sempre foi um dos meus actores favoritos, e sempre tive a impressão que era um tipo impecável, boa pessoa mesmo. Não que alguma vez tivesse tido o privilégio de o conhecer pessoalmente, mas sempre que vi entrevistas dele, fiquei com a sensação que era aquilo que denominamos por “um gajo porreiro”.
Além do Clube dos Poetas Mortos, lembro-me sempre do Good morning Vietname, do Peter Pan, e do Jumanji, Mrs Doubtfire, e um sem número de filmes de domingo à tarde que me ajudaram a ultrapassar horas difíceis com entretenimento puro.
O Senhor escolheu o suicídio, algo que me custa imenso entender.
O imenso desespero em que não devia estar para se asfixiar a si mesmo. Para deixar a mulher e os filhos, e querer desaparecer literalmente da face da terra.
Imagino a solidão imensa que se deva sentir e tenho uma pena infinita destas pessoas que chegam a este nível de sofrimento.
E tenho mesmo muitíssima pena que o Robbin Williams tenha ficado tão desesperado que tenha desistido do mundo dos vivos. Sinto acima de tudo pela família, que deve estar desolada, muito mais que qualquer fã dum remoto país distante como eu.
Que pena tão imensa que tenho dentro de mim.

Olha a lágrima de fininho

Vou começar por dizer que me emocionei.
Porque ver uma freira aos saltos e a curtir à brava uma música da Alicia Keys é pura e simplesmente anestesiante.
Porque ela tem 25 anos e uma alegria contagiante e que irradia hábito abaixo e hábito acima.
Porque vivi num lar de freiras e ver uma série de freiras mais velhas a apoiarem a miúda e a vibrarem com a actuação dela, e aos saltos a dançar, tudo muito transparente e honesto, é algo que eu nunca esperei ver na vida!!
Porque quando lhe perguntam: mas como é que te lembraste de vir a este concurso?? Ela responde: eu tenho um dom e por isso doo-to a ti.
Porque vi um rapper com um morcego tatuado no pescoço a chorar de emoção, de lágrima no olho. (já agora, o homem é lindo de morrer, eu ainda arranjo um italiano pra mim!)
Mas acima de tudo, porque tenho perfeita noção que esta irmã só pôde ir pra cima daquele palco com apoio da sua congregação porque o Papa é O Papa Francisco.
E esta é uma mostra muito pequena mas muito significativa, de que a Igreja está a mudar no sentido do amor e da partilha, da alegria, da cor e da luz e acima de tudo, da liberdade.
E quase que aposto que o Papa Francisco vai abraçar esta irmã e dar-lhe os Parabéns e apoiá-la nesta viagem que a faz feliz, contra ventos e marés de gente retrógada e pouco sábia.
Vejam o vídeo, la sorella é bravissima!!

O Século Primeiro depois de Beatriz de Amin Maalouf, afinal é realista

Tenho lido bastante ultimamente, nem sempre livros de qualidade porque fiz umas opções um pouco sui generis. Do Amin Maalouf (de quem gosto imenso) comprei o “O Século Primeiro depois de Beatriz” e o Samarcanda.

Acabei de ler o primeiro há duas semanas atrás e confesso que não gostei lá muito. Pela primeira vez em quase 10 anos acabei um livro dele a pensar: ouve lá, e se te continuasses a dedicar à História passada em vez de tentares o futuro? É que isto não tem jeitinho nenhum!
É todo escrito com base na hipótese de os seres humanos estarem a manipular a fertilidade para que as mulheres tivessem só filhos do sexo masculino. Com base nas tradições orientais e chinesas, e inclusivamente as retrógadas ocidentais, em que o primeiro filho deveria ser um Homem. A partir daí começa uma espiral de “e se?” que achei um pouco descabida. Falou de adopções feitas pelos “Países do Norte” aos “Países do Sul”, e do facto de um Padre Protestante tentar vender as crianças do Sul ao Norte, o que promove um conflito sem precedentes por toda a Europa e EUA.
Que grande disparate, pensei. Como se fosse possível que o Estado de Direito actual permitisse uma venda de uma criança! E hoje, leio isto, onde muito possívelmente Maalouf se inspirou:


Sem esquecer o turvo assunto da compra e venda de crianças para adopção, que ficou em evidência com o escândalo da ONG francesa L’Arche de Zoe, no Chade. No Haiti, segundo o chefe da sua polícia judicial, existem desde há tempo muitos orfanatos que são agências de organizações criminosas dedicadas ao tráfico de crianças, das quais, segundo a Unicef, se vendem por ano 2.000 apenas na República Dominicana. A rentabilidade do negócio é demonstrada pelo facto de uma organização caritativa que actua na Etiópia ter ganho, em 2008, seis milhões de dólares vendendo supostos órfãos a 15 mil dólares por unidade.

(in Jugular by Rui Herbon)

Ainda assim, sou muito inocente Senhores! Afinal Amin Maalouf não é futurista. É realista.