Trajecto do primeiro dia por Paris

Ou melhor dito, da primeira tarde!
A Maf chegou no avião da manhã, e entre largar malas e apanhar o comboio até chegar a Paris, lentinha como somos nestas coisas, acabamos por comer uma maravilhosa baguette francesa, preparada numa boutique por um Senhor que até nas sandes se esmerou. O pão, ai o pão! Soberbo!

Saímos no Teatro da Ópera, subimos até ao Sacré-Coeur, passeamos por Montmartre, bebemos um vinho branco de fim de tarde, preguiçamos e descemos até ao Moulin Rouge. Passamos pelo Quartier Pigalle (fraquinho, fraquinho, os Franceses ao pé dos Holandeses e do Red Light são uns meninos!) e jantamos nos Champs-Élysées na companhia do nosso anfitrião. Melhor, impossível, ou so I thought!

Commencer

Hoje começa a saga de Paris.
Foram só dois dias e meio, andei kilómetros a pé, inspirei-me na Amélie Poulain e tirei fotos à Petzi numa imitação pobrezinha do gnomo viajante, bebi bons vinhos, comi realmente bem (virei alta fã de Coquilles Saint Jacques!), mas o melhor foi poder partilhar o meu fim de semana com dois grandes amigos, daqueles do peito, que não há tempo nem distância que diminuam o carinho e as gargalhadas. Até inventamos palavras, como a do Deiting! E a Márcia, chegadinha de fresco, acompanhou-nos como uma Senhora e foi uma EXCELENTE guia de Paris! Mil obrigadas! Se não fosse ela os dias não tinham rendido o que renderam.
Não sei se já perceberam, mas a minha cena é mais nariz levantado, admirada com tudo, atenta aos detalhes, a observar as pessoas que passam no seu dia-a-dia, museus só em dose q.b., perder-me pelas cidades, perguntar as direcções a toda a gente e sou óptima, mesmo grande, a deixar-me levar pela mão e entra no metro, sai do metro, entra no comboio, sai do comboio, norte é mesmo pra onde? Ahhh! e o sul, o que há pra sul? Eh pah, outra vez??? Mas eu já te expliquei!
E é assim, com um sorriso nos lábios e com por vezes a ira dos meus/minhas companheiros (as) de viagem que prossigo pelas cidades, sempre através das coordenadas que eles me dão.
Eu trato do hotel, do avião e dos eventos sociais. Eles(as) tratam do mapa, de onde vamos primeiro, de organizar tudo e mais um par de botas e eu: das fotos!
É uma boa divisão. Eles não se queixam (muito) e eu também não!
I Love Paris!

Isso é bué da longe!


De Amsterdão a Paris são 5 horas de carro.
Os meus Colegas Holandeses andam muito espantados com as minhas viagens, acham que eu sou uma ganda maluca e que conduzo muito ao fim de semana.
É nessa altura que eu explico pacientemente: se eu sair de Lisboa de carro 5 horas depois, quando muito, estou em Madrid. E com 10 horas não passo pra lá de Espanha!
Em 5 atravessei a Holanda, a Bélgica e cheguei a Paris.
Só então é que eles, metendo a mão na consciência, dizem o sabido, ah e tal, pois, a Holanda é pequena, mas nós nem temos noção, pois, realmente tens razão. E nós não fazemos o mesmo porque achamos longe, é uma pena.
Depois há outros que me dizem que quando tinham 23 anos se metiam num carro, e faziam 14 horas só pra ir passar o fim de semana a Barcelona.
E eu penso com os meus botões: C’a GANDAS MALUCOS!!!

Paris: no me gusta qué me guste, pero me gusta!

Há muitos anos tive um amigo todo intelectualóide, que tocava violino, só oferecia livros de poesia dos bons, e afins, que, quando questionado sobre a série Friends, se saiu com um: No me gusta qué me guste, pero me gusta.
Paris nunca foi uma cidade que quisesse desmesuradamente conhecer, principalmente porque não gosto de Franceses. E este não gostar não é grátis, sim? Aqui há muuuuitos anos, na Faculdade, partilhei o meu quarto com uma “elementa” vinda de França. Foi o meu pior ano em Coimbra. Chorei semana sim semana não, detestei aquela cabra com todas as minhas forças e nunca mais gramei Franceses.
Por isso ir a Paris não estava nas minhas prioridades. Mas gostei. Gostei muito. Realmente Paris é uma cidade que se tem de conhecer, e onde se deve voltar repetidamente, uma e outra vez, e mais outra, e mais outra. Os bonitos dias de sol também ajudaram a que tudo ficasse mais acolhedor, cheio de luz, a que as esplanadas ficassem cheias de gente a bebericar o seu vinho como se vê nos filmes, a que as pessoas sorrissem e a Amélie Poulin de tantos saltasse cá pra fora qual coelhinho de Páscoa.
Também ajudou termos tido o melhor Anfitrião do Mundo, que além de nos oferecer a sua casa porreiríssima, nos levou a jantar fora todos os dias a restaurantes magníficos, nos escolheu os vinhos, nos ajudou a escolher os melhores pratos do menú, e que quando viemos embora, qual meu rico Tio Aprígio, encheu-nos de comida pra viagem, uma garrafa do melhor vinho francês e chocolate! Melhor: impossível!