Diário da viagem ao Vietname & Camboja – DAY 10 – Hanoi, a cidade da loucura

17 de Novembro de 2014, Vietnam

Hanoi está sempre em movimento, só pára lá pras onze da noite. Motas constantemente a passar, pessoas constantemente a cozinhar e a comer, lojas constantemente a vender, tudo é…constantemente.
O nosso hotel ofereceu-nos um upgrade e estamos agora no La Siesta Hotel, mesmo no Old quarter. É um oásis de paz, o serviço é pra lá de extraordinário, e têm o melhor chá que bebi desde que cheguei: gengibre, lemon grass e canela. O único stress é que a partir de agora, todos os outros hoteis nos parecerão miseráveis, mesmo que excelentes. Realmente, se me perguntarem o melhor de Hanoi, eu vou responder: o Hotel La Siesta. Os empregados são todos tão simpáticos que dá vontade de estar no hotel pra ser atendida por eles! E o Spa ainda não abriu, porque se houvesse spa, eu duvido que tivesse mexido uma palheira pra fora do La Siesta o dia todo.

Bom, já perceberam, escuso de estar a bater na tecla, realmente foi top.

De manhã saí pra passear e fazer um shoppingzinho…acho que andei 50 metros até à primeira paragem…uma loja de quadros onde estavam 3 rapazes sentados a pintar os quadros à mão pra atestar que aquilo não eram prints manhosos. Comprei um quadro enorme, e lindo de morrer, e outro mais comercial que diz Hanoi, também muito giro. Ambos custaram-me 26 euros.
Sim, ambos! Só não trouxe a loja atrás porque me controlei (não muito), mas havia lá quadros espectaculares. Mais abaixo encontrei outra artista que pintava qualquer foto que lhe entregassemos. A senhora era mesmo muito boa, foi pena eu não ter uma foto de família porreira, senão encomendava-lhe um quadro. Ela estava a reproduzir uma foto a preto e branco dos anos 20/30, tirada em Paris, fabulosa.

A seguir afundei-me em sapatos…é que eu calço o 34 e estes tipos fazem os sapatos pra Zara no mundo inteiro, e pra mais 300 mil marcas! Estiquei-me um bocado (muito), mas cada par custava 15 euros! Três sabrinas e umas sandálias depois, dei o tasco do shopping por encerrado. Faltava uma coisa, uma Chanel falsificada pra minha amiga Cristina. Não que ela me tivesse pedido, mas eu sei que ela gosta muito e como faz anos em Janeiro, era giro arranjar-lhe uma, disseram-me que as havia por 17 dólares… Entro na Swarosky e pergunto a uma das moças que lá trabalha, onde é que posso arranjar uma “fake chanel”. E ela pergunta: fake one, fake two, or super fake? Wtf! Eles têm classificações pros tipos de falsificações! Muito à frente!
E foi amorosa e deu-me uma morada, e lá fui eu, com o Mister Ming no tuk tuk (cabrão do velho limpou-me quase 7 euros por hora e meia de tuk tuk), à procura da morada.

Quando lá chego, o número 27C era um cabeleireiro…há um senhor mesmo à frente da loja que me vê, pede-me o papel com a morada tipo porteiro, e manda-me entrar no cabeleireiro e subir umas escadas… quando chego cá a cima vejo uma salinhapequena, praí com 9 m2 no máximo, cheia de malas e sapatos, tudo falsificado, alguns com etiquetas e tudo (os super fake). Ele era Vuitton, Chanel, Manolo Blanik, Ferragamo, you name it.

As tipas olharam pra mim com cara de: como é que esta ave rara veio cá parar?! E claro, como sou estrangeira e tenho cara de multibanco com pernas, pediram-me 250 dólares por uma mala, e eu recusei. Eu sabia que elas custavam 20 dólares pras pessoas locais, as gajas estavam mesmo a ver se me arrancavam o pelejo. Quando lhes disse que nem pensar, disseram-me: tens ali o mercado, boa sorte! Bitches!

Lá fui eu ao mercado, no meio de freaken no where, e novamente vejo uma porradona de gente a olhar pra mim com cara de “esta anda aqui perdida, donde terá caído o pardal?!”, e percebo que estou no meio da real thing, este mercado não era pra turista ver, era mesmo deles, e vejo de tudo à venda, inclusivamente cágados pra comer, e graças a Deus não vi cães nem gatos, senão acho que me dava uma coisa má… E vejo daquelas bancas à Bourdain, e penso 3 vezes se me sento ou não a comer com eles e depois penso: é melhor não, não consigo identificar a comida, e 90% disto parece entranhas, esquece. I’d better not.

Volto ao Mister Ming (vi-me lixada pro encontrar!), e fui de volta pro Old quarter, e decido voltar pro hotel, tinha a cabeça cheia, já não quis fazer mais visitas turísticas, o meu cérebro explodia de informação.

Sentei-me a almoçar num restaurante ao lado do hotel, trip advisor winner 2014, ah? 😉 e mandei vir umas ameijoas com molho picante que eram a p…. Da loucura. À minha frente sentou-se um casal Brasileiro muito novinho e simpático, que me fizeram companhia ao almoço.

Atravessei a rua e fui fazer uma massagem nos pés (ou God, a senhora foi 5 estrelas, e cheia de vergonha – os Vietnamitas são super tímidos, é tão giro 🙂 – disse-me que tenho problemas de pulmões, fígado e de coração, tudo porque o meu pé esquerda doía em tudo o que era ponto…tou quilhada meu, mais me vale encomendar o caixão! :))))

Voltei pro hotel eram 5 da tarde, falei com o meu Pai via facetime (o meu irmão foi pra Angola na semana passada e não os avisou, e eu no Vietname sem avisar a minha Mãe, coitada, quase a empacotamos, ahahahaha), tomei uma banhoca maravilha e fui jantar outra vez ao mesmo sítio. Comi novamente como uma porca (já engordei dois kilos, tenho que começar a fechar a boca urgentemente), e sentei-me no rés-do-chão a beber um vinho. À minha frente sentou-se o Martin, um Canadiano muito simpático, com quem dei umas gargalhadas porreiras. Infelizmente, ele não vinha ainda pra Hoi An, pelo que nos despedimos passado umas horas de conversa com um: have a nice life. Acontece imenso nestas viagens, já nem vale a pena trocar emails a não ser que o trajecto seja o mesmo. Como dizia a música: la vida es una tômbola, twist twist tômbola.

Highlights

Sapatos do meu número!
O quadro branco, cinzento e vermelho
A massagem aos pés
O restaurante mesmo ao lado do hotel
O La Siesta luxury boutique hotel
A loja de malas falsas refundida no meio do nada
O fixe do Martin

Esta profusão de fios nos postes é retratada imensas vezes em quadros. Não sei como não ficam todos eletrocutados quando chove…

Esta Senhora era extraordinariamente bonita, tinha uma classe inacreditável, parecia que a nobreza andava de bicicleta. Linda.

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