A Nice

A Nice veio cá passar uns tempos. De repente, e tan sencillamente, faz parte da mobília. Com ela sinto-me em casa. Não me invade. Pertence ao espaço. É fácil falar com ela, é fácil entendê-la seja em que idioma for, é fácil compreendê-la. Posso falar dos amigos que estão próximos do meu coração mas longe fisicamente e ela entende. Ela conhece-os. Não julga, não faz juízos de valor, não se intromete, pura e simplesmente compreende-me e aceita-me. Exactamente como sou. Como os Amigos devem fazer. Como os Amigos sabem ser. É um prazer tê-la cá, é inexcedível em optimismo, em alegria e em tranquilidade. Conhecê-la é simples, basta querer, sem esforço. Somos ambas escorpiões. Há algo maior que o Mário que nos une. Ainda não sei bem o quê. Talvez feitio, talvez a diferença (mais diferentes seria difícil), talvez pura e simplesmente a alegria e a vontade de mudarmos de vida e de fazermos cada dia um dia feliz e sorridente. Gosto mesmo muito de a ter cá.

O meu fim de semana

Sábado de manhã fui com a Nice e dois amigos meus ao Albert Cuyp. Resultado: um polvo, um linguado, salmão fresco, uma pescada fresca cortada às postas e o maior saco de patas de sapateira que possam imaginar.
Os moços carregaram com as compras e eu preparei a comezaina.

O almoço começou às três da tarde e às cinco da tarde abarrotávamos com tanta sapateira e vinho branco. Às sete fui ajudar a “novata” a ir buscar uma bina e às oito já marchava em direcção a Leidsplein onde fui ter com a minha Nini, sobrinhos e irmã. Jantamos no mexicano, pusemos os putos na cama e fomos pros copos no barzinho por baixo da casa da casa delas. Choramos a rir, ao ponto de me doerem os maxilares e o estômago. Cheguei a casa era uma e meia da manhã a pensar: amanhã vai ser dureza…
Hoje às dez e meia da manhã estava no local combinado. Cinco minutos de relógio depois de termos arrancado em cima das bicicletas, prendi o meu pé no alforge da Drei e espalhei-me ao comprido. Rasguei as calças no joelho. Um belíssimo corte que dizem que é moda. Logo na altura em que estou prestes a levantar-me do chão roxa de vergonha pela minha aselhice, chega o amigo Sérgio. Não foram só duas as pessoas me viram espalhada no chão, eu tinha que ter audiência: foram cinco. Chegados à estação, apanhamos o comboio e fomos para Leiden. Partimos em busca da tulipa perdida pelos campos e pedalamos (acho eu) uns bons 20 quilómetros. O dia estava lindo, com muito sol mas sem calor, e foi absolutamente idílico. Eram cinco estávamos em minha casa onde depenamos o resto das patas de sapateira acompanhados por um rosé fresquinho e outros petiscos. Um gelado de café arrematou o repasto.

Foto da Joana

   
Foto da Joana

É muito fácil ser-se feliz em Abril em Amesterdão. Se algum dia imaginei um domingo perfeito, foi este. Novamente, correndo o risco de me repetir add eternnum: I love my life!

I gotta love my life

Ora entonces esta semana foi a modos que assim:

– Segunda-feira veio cá jantar o amigo Serginho, que vinha só devolver um livro mas ficou a fazer companhia aqui à Sofes.
– Terça-feira foi dia de tranquilidade e trabalhar até tarde.
– Quarta-feira fui beber um copo ao fim do dia com uns colegas e conheci um barzinho delicioso “a la vuelta de la esquina”
– Quinta-feira comecei o meu “filing system” pra papelada que estava mal organizada, coisa caseira também.
– Hoje sexta-feira tenho festa em casa da Maria, com direito a caipirinhas e muitos mimos pra Petzi.
– Sábado de manhã vou ao mercado comprar peixinho e almocar cá na varanda com 2 amigos (e a Nice, é claro). Tenho ideia de ter mais coisas marcadas, mas tou um cadito aflita porque disse que sim a toda a gente e agora já não me lembro muito bem dos planos…ah, já sei! Combinei palheta com uma amiga Colombiana, é vero (mental note: pelas almas não te esqueças das tuas promessas ó Sofia Maria!)
– Domingo de manhã é pra dormir, passear no parque com a Petzi (treina-la a ir no cestinho e habituar-me a carregar mais cinco kilos) e à tarde é tempo de piquenique no parque com mais amigos. E há a minha varanda num é?

Pra semana dia 20 há o concerto do Rodrigo Leão. Pendentes de comprar estão os Arcade Fire lá bué longe e os Portishead em Junho.
Eu sei que já disse que é bom estar de volta, mas é melhor que bom, é como voltar a casa depois de ter estado muito tempo fora.
Tenho é de arranjar urgentemente uma agenda só pras coisas sociais senão crucificam-me não tarde como há uns anos atrás… o clássico: não há quem te ponha a vista em cima!
Tenho pendentes uns jantarinhos cá em casa com a Drei e a Joana, outro com outros dois amigos que me “deram” um congelador, e mais uma catefrada de gente a quem prometi jantares quando viesses pra cá. E há os amigos de sempre, que tal como eu também andam sempre numa lufa-lufa e arranjam sempre um tempinho pra mim, logo eu tenho de começar a ser mais estruturada e arranjar um tempo pra eles. Uns cineminhas, uns passeios softs.
Pra coisa se acertar finalmente falta-me voltar ao Zumba e quero ver se arranjo umas aulas de Yoga aqui ao lado de casa. Mesmo perfeito era encontrar uma escola de Tai chi aqui ao lado, essa é que era essa!
Como já deu pra ver, isto foi mesmo um registo de “diário de viagem”, não há aqui grande coisa pra absorver, mas eu precisava de escrever pra me lembrar desta sensação de pertença.