A Single Man

Pra início de conversa, os primeiros 10 minutos do filme valem mais que 6 horas de outro filme qualquer que tenha visto nos últimos tempos, inclusivamente o The King’s Speech.
A Single Man é dos melhores filmes que vi nos últimos anos. O argumento é brilhante. Eu QUERO comprar o livro só pra poder ler, rever, re-pensar, re-mastigar, regurgitar as palavras que ouvi.
Foi a primeira vez que vi um filme sobre amor real entre homossexuais que está tão bem feito, tão bem construído, que eu senti amor, entendi a dor, entendi a ausência, o sofrimento, a angústia, compreendi a beleza de recuperar dum buraco do qual pensamos jamais poder sair, eu identifiquei-me com as emoções dos actores, não com um personagem em si, mas com os sentimentos de cada um.
Dizer que adorei é pouco.
Como é que eu ainda não tinha visto este filme?! Recomendo claramente que o absorvam num Domingo à noite e que se preparem para muita “food for thoughts”.

Não me sai da mona…

Somewhere over the rainbow
Way up high,
And the dreams that you’ve only of
Once in a lullaby.

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly,
And the dreams that you’ve dare too dream really do come true.

Someday i’ll wish upon a star
And wake up where the clouds are far
Behind me.
Where troubles melts like lemon drops
Away above the chimney tops
That’s where you’ll find me.

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly.
way up high
Oh why, oh why can’t i?

Well, i see
Trees of green and red roses too,
I’ll watch them bloom for me and you
And i think to myself,
What a wonderful world.

Well i see,
Skies of blues and, clouds of white,

[ From: http://www.metrolyrics.com/somewhere-over-the-rainbow-lyrics-norah-jones.html ]

And the brightness of day, i like the dark
And i think to myself,
What a wonderful world.

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands saying how do you do
They’re really saying i… I love you.

I hear babies cry, i watch them grow
They’ll learn much more than really know
And i think to myself
What a wonderful world.

Someday i’ll wish upon a star
And wake up where the clouds are far
Behind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That’s where you’ll find me.

Somewhere over the rainbow
Way up high,
And the dreams that you dare to
Oh why, oh why can’t i?

E dura e dura

Hoje consegui estar na converseta contínua com um amigo durante cinco horas consecutivas. Juro. E ele falou (quase) tanto como eu. 
E diz que vai à ginástica – em vez de “ao ginásio”. O que eu me ri!
Foi um bom dia, gostei.

O regresso

(É favor colocar a música a tocar enquanto lêem o post, sim? Agradecida)
A um dado momento tudo se normaliza e aos poucos a vida entra numa rotina. 
Nunca fui boa em rotinas.
A minha volta a Amesterdão foi decidida num dia de Fevereiro deprimente e foi uma decisão rápida e urgente. Urgente porque estava em causa a minha sanidade mental. Precisava de deixar de me isolar. O período de retiro e introspecção durou de Novembro de 2008 a Fevereiro de 2011. Durante dois anos e meio aprendi a viver sozinha, a ter uma Petzi e assumir a responsabilidade dum compromisso com “algo”, acima de tudo aprendi a estar bem comigo mesma. Hoje em dia sou mais segura de mim, de quem sou. Aprendi a gostar da minha própria companhia.
Não estou de todo segura para onde quero ir e o que quero fazer.
Não sei se esta vai ser a minha última casa durante esta estadia (sempre temporária) nos Países Baixos.
Mas sei que tomei a decisão correcta quando durante uma semana o meu telefone voltou a tocar todos os dias, com convites contínuos para jantar, ir ao cinema, dar uma volta, sair à noite, fazer brunch e jantar em casa de amigos, e a minha reacção foi de alegria e vontade de sair e fazer mais.
Voltei a receber sms’s a horas indecentes a perguntar se não queria dar um saltinho à “xicoteca”, a jantar em casa de amigos ao Domingo, a andar de bicicleta pelo parque.
Finalmente não chego a casa ao fim do dia para continuar ligada à net. Voltei a ler livros, a apanhar sol na minha (magnífica e magnânima)  varanda, a comentar o meu dia com a Nice (que também tem sido importante nesta reviravolta do regresso), a passear a Petzi com sol, a andar de tram e aproveitar cada momento.

Hoje tinha combinado ir “brunchear” com uns colegas do trabalho que vivem aqui ao lado, uma francesa e um australiano. Pedalei até ao ponto de encontro e esperei meia hora até que decidi desistir. Tinham adormecido. Voltei para casa e no regresso decidi não voltar logo a casa, aproveitar o dia de sol e ir explorar a zona ao pé de casa que dá acesso ao Vondelpark. Da minha casa até lá são exactamente 7 minutos a pedal lento. É incrivelmente perto. Nas orelhas levava os phones do iPod carregadinho com a minha música, e deixei em modo aleatório. Entro a pedalar no Vondel ao som da banda sonora de “You’ve got mail”. De repente salta para o “Somewhere over the rainbow” cantado pelo Harry Conick Jr. Melhor só se fosse um reclame dos pensos Evax. Foi mesmo um momento mágico em que tudo fez sentido. Em que senti um SIM enorme dentro de mim e uma certeza absoluta de que realmente este recomeço tão improvisado e urgente faz todo o sentido e que estou pronta para aproveitar esta cidade ao tutano. Absorvi o parque, as pessoas que corriam, os que passeavam, os que apanhavam sol e abri os olhos com vontade de mais.
Tudo se vai compor. Cada peça.
O regresso foi feito ao som de “I’ve got you under my skin” com um Sinatra que cantou a plenos pulmões enquanto eu me emocionava com a minha boa estrela.




Aprendi que para ser importante na vida de alguem nao temos que permanecer na vida delas a qualquer custo. Basta ter passado pela vida delas, mesmo que seja so de raspao.
Nao e’ por seres meu amigo que vou conseguir justificar o facto de, algures no tempo, ter acreditado que poderias ser algo mais. Os meus erros nao podem ser emendados, so aceites. Depois em frente e’ que e’ o caminho. E tu nao fazes parte dele, apenas porque nao faz sentido.
Ate’ perto do nunca-jamais, se Deus quiser.

Do não gosto

Esta moça tem um blog muito muito giro, bem escrito e do qual gosto particularmente. Sucinta, escreve melhor em quatro linhas que eu em três páginas.
Não só gosto como partilho de 90% (pelo menos) das suas opiniões, como sobre a mentira:

“Não gosto de mentiras. Nem gosto que me mintam. Eu sei que às vezes há mentirinhas piedosas, que não fazem mal a ninguém, tipo quando não queremos ir a um jantar e dizemos que já temos planos para esse dia. Mas as poucas vezes que faço isso morro de medo de ser descoberta e por isso evito ao máximo esta atitude. Como diz o ditado ‘apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo’ e é bem verdade. Já me mentiram algumas vezes e eu acabei por descobrir. Se calhar mentiram-me muitas mais e dessas não sei nem nunca vou saber. Mas as que descobri, não gostei. Não é bom saber que nos mentem ou que nos ocultam coisas, que estamos a ser enganados. Para mim, o não dizer ou ocultar está ao mesmo nível que mentir, porque no fundo a intenção é a mesma. Não é honesto. Por isso, mentir não faz parte de mim e não gosto de pessoas que o fazem, são pessoas sem carácter.”

Tá-se muito bem ao sol, na minha varanda, de manga curta, t-shirt subida até ao peito, a aproveitar os 17 graus com que o dia nos brindou. Portátil no colo e se tudo correr bem, um bronzezinho na tromba é o que se deseja. Há dias felizes.

Para os muitos curiosos, eis a minha nova casa em Amesterdão

Estas fotos foram tiradas no sábado de manhã logo a seguir à mudança. Vêm como a casa está impec? (este meu ego mata-me!)
Ainda não tenho quadros na parede, faltam as cortinas, falta foto do quarto mais pequeno porque ainda tenho tralha lá dentro, mas basicamente a casa é tal e qual como a Petzi a mostra.
Estou muito contente com a mudança. Mesmo. É bom voltar a Amesterdão.