Pode parecer ridículo

mas eu estou mesmo triste com a morte do Robbin Williams.
Sempre foi um dos meus actores favoritos, e sempre tive a impressão que era um tipo impecável, boa pessoa mesmo. Não que alguma vez tivesse tido o privilégio de o conhecer pessoalmente, mas sempre que vi entrevistas dele, fiquei com a sensação que era aquilo que denominamos por “um gajo porreiro”.
Além do Clube dos Poetas Mortos, lembro-me sempre do Good morning Vietname, do Peter Pan, e do Jumanji, Mrs Doubtfire, e um sem número de filmes de domingo à tarde que me ajudaram a ultrapassar horas difíceis com entretenimento puro.
O Senhor escolheu o suicídio, algo que me custa imenso entender.
O imenso desespero em que não devia estar para se asfixiar a si mesmo. Para deixar a mulher e os filhos, e querer desaparecer literalmente da face da terra.
Imagino a solidão imensa que se deva sentir e tenho uma pena infinita destas pessoas que chegam a este nível de sofrimento.
E tenho mesmo muitíssima pena que o Robbin Williams tenha ficado tão desesperado que tenha desistido do mundo dos vivos. Sinto acima de tudo pela família, que deve estar desolada, muito mais que qualquer fã dum remoto país distante como eu.
Que pena tão imensa que tenho dentro de mim.

Graça do Vinho – os meus spots recomendados em Lisboa

Amo ser turista em Lisboa, descobrir novos sítios e apaixonar-me por eles.

Ontem, enquanto mostrava a Graça a duas amigas Italianas, encontrei um spot giro à brava, chama-se A Graça do Vinho e fica na Calçada da Graça. 
Vendem queijos e vinho, e ginginha, e azulejos pintados à mão com poemas do Fernando Pessoa.
Era uma loja normal de bairro que foi completamente restaurada para parecer um sítio antigo, destes que tínhamos a sorte de encontrar a cada esquina e que hoje escasseiam. Gostei muito e recomendo vivamente.
Ah Lisboa, como te quiero!

Depois descemos e passamos numa das minhas esplanadas favoritas, o Café Portas do Sol, em Cerca Moura (ou Largo Portas do Sol):

Só não se deslumbra com Lisboa quem não a conhece.

Depois de jantarmos no Teatro Taborda, fomos até à esplanada da Graça tomar café e deixei as Italianas KO.
Apercebo-me de tal quando a Barbara me pergunta: achas que posso trabalhar como advogada em Portugal?

A Angélica e a Barbara são duas amigas Italianas que me vieram visitar esta semana e que recebi com todo o carinho.
Há 15 anos que não via a Angélica, desde que fizemos Erasmus juntas.
A solidez de uma amizade de Erasmus…não há quem a bata! É como se tivesse sido ontem!

Obrigada pela visita miúdas, é um prazer ter-vos por cá!

Ensinaste-me a dançar

Faz dia 15 de Setembro um ano que fiz 6 horas de comboio depois do casamento do meu melhor amigo para poder passar umas horas com o meu primo Né e a minha família mais próxima.
Foi uma viagem longa, mas consciente de que o tempo se escorre por entre os dedos e poderia ser a última vez que o via.
O Néné estava doente, com essa puta dessa doença maldita que ceifa sem dó nem piedade, e estava cansado de tratamentos e viagens constantes, acima de tudo desolado por já não poder dançar. E eu fiz questão de dar o litro pra poder dar-lhe um abraço e um beijinho, mandar três larachas pro ar e fazê-lo rir só um bocadinho. E valeu a pena, foi um dia inesquecível, éramos 25 pessoas e 5 cães, pequenos e graúdos, apertados numa foto que trago no coração.
O meu primo por afinidade, mais Tio que outros Tios de sangue, que nunca quis mais que gozar a vida em pleno, que dançava passo doble como ninguém, que adormecia em qualquer lado, até na casa de banho, que tinha uma vinha e dezenas de cães de caça bem tratados, que gostava de verbenas, bailes e festa, anfitrião do cabrito da Senhora das Dores, Marido da Pija, Pai do meu primo Jorge e da minha prima Mané, Avô do Tójó, do Dinis e do Francisco, que nos ensinou a todos a dançar quando miúdos pra podermos sacar namorado e namorada como Dios manda. Que me ensinou a conduzir também e a respeitar sempre o meu Padrinho.
Na casa do Néné e da Pija não havia tristeza, havia alegria, música e patuscadas, uma merendinha sempre pronta e gente muito distraída e boa. Na casa do Né e da Pija nós podíamos chegar às 3 da manhã e encontrar a casa vazia porque eles estavam na rua a aproveitar o verão com os amigos, sentados no café entre gargalhadas e anedotas. Mas não fazia falta a casa estar cheia, porque nós estaríamos com eles cá fora, a aprender a viver e a aproveitar cada minuto.
Hoje o Né já não está entre nós, mas sabe e tem a certeza que nos marcou a cada um de nós, a cada sobrinho e filho e neto, inegavelmente, com a sua vida e alegria.
Vou ter muitas saudades tuas meu primo.
Obrigada pela tua presença na minha vida.
Obrigada por me ensinares a dançar o baile da vida.

PAPAI – I love Porta dos Fundos

“Criança é tudo de bom! Como não amar aquela cara de joelho amassado, o nariz escorrendo, fralda cagada, o choro mais alto que um Boeing decolando, a perda de sua liberdade pelos próximos dezoito anos, o estresse ceifando cinco anos da sua vida e a perda gradual da sua sanidade? Mal posso esperar a hora de ter o meu! “