Açores, Abril de 2013 – by Joana Fernandes

Tá aqui tudo: http://cafesnopateo.wordpress.com/2014/01/07/acores-2-o-pilar-da-bretanha/

Além de eu estar estupidamente feia nessa foto, acabei de ver pela primeira vez o trajecto que efectivamente fizemos e wow! São muitos anos a virar frangos! Até porque quem lê este texto ainda pode ficar com a impressão que nós entramos em pânico em qualquer uma das situações e nem por segundos nós stressamos, foi sempre tudo muito, mesmo muito fácil e a rir! Olhem que tá tão bem escrito que se a minha Mãezinha lê isto dá-lhe um colapso :)))

Finalmente vimos a Lagoa do Fogo!!

Fomos 3 vezes à Lagoa das Sete Cidades e não vimos um boi atrás duma caixa de fósforos! Anteontem tentamos a Lagoa do Fogo sem sucesso e ontem, finalmente, com os nossos guias pessoais e mimosos Maria e Emanuel conseguimos ir à Lagoa do Fogo e ver a maravilha natural desta ilha! Fomos ainda à Caloura ver as casas chique bem e uma vista assombrosa sobre praias de areia vulcânica preta e à Caldeira Velha cuja água já está fria por causa dum furo geotérmico que fizeram mais acima e que arrefeceu as águas ao ponto de não termos tido coragem de lá enfiar sequer o pezinho. Pra rematar tivemos uma visita guiada a uma plantação de ananases e um jantar opíparo em casa dos amigos.
Belíssima viagem, gente maravilhosa, comida estupenda e uma beleza natural que deixou a Suiça e até a Croácia (o meu País favorito depois de Portugal) a um canto. Ficam pendentes as ilhas e a esperança de que pra próxima não apanhemos uma greve da Sata.
Acabamos por só fazer S. Miguel, mas valeu bem a pena na mesma.
Açores: voltaremos!

Lagoa do Fogo, chuva a rodos, trovoadas e candy crush

A Fernandes viciou-me no Candy Crush app game pro iphone, são horas da minha vida que nunca mais recupero, mas é tão fixe! O tramado é quando nos obriga a esperar minutos, horas e até dias pra continuar a jogar!
Fora isso, está um tempo tão maravilhoso que nem sequer consegui estrear o pedometer que tinha instalado pra abater a quantidade de comida ingerida ontem e nos dias anteriores. Sinto-me uma vaca aka contentor de comida e pese todo o exercício descobri hoje que estou nos 58,5 (kilos) e estou ligeiramente em pânico. Queriamos muito fazer a caminhada da Lagoa do Fogo, mas esqueçam lá isso! Trovejou, choveu a rodos, a água da Lagoa das Furnas estava ainda mais elevada, apanhamos uma derrocada, (seriously, not nice!) quase ficamos sem gasolina (a Joana contará esse episódio no blog dela) e acabamos ao pé de vacas, como não, a tirar meia dúzia de fotos duma vista esplêndida que fica na subida pra Lagoa do Fogo. Comemos umas queijadas em Vila Franca do Campo, vimos ondas brutas (não é brutais, é mesmo brutas) na praia e voltamos pra Guest House onde conhecemos dois moços Checos que tinham um plano pra ver as 9 ilhas em 12 dias e que pretendem acampar. Meus amigos: boa sorte!!
Nós já limpamos a ilha toda, não ficou pedra sobre pedra, e agora íamos na boa até ao Pico e ao Faial, mas, eternamente agradecida ó Sata! (Not!), ainda não foi desta porque a greve não deixou.
Lá teremos que voltar, não é? 🙂
Açores é bué nice, mas a companhia da Joana Yoggi Fernandes é muito mais!

E o que chove nesta terra?

Hoje o tempo piorou à séria, mas ainda conseguimos aproveitar a manhã pra ir até Ginetes ver a piscina natural que se forma no mar. A cor da água cristalina é indiscritivelmente azul clara. De lá fomos tentar ver a Lagoa das 7 cidades pela terceira vez, já que na segunda e na terça não se via um palmo à frente do nariz. Tivemos um bocadinho mais de sorte, pelo menos sempre vimos mais qualquer coisinha, mas nada de especial. Lá vamos nós ter que lá voltar novamente!
De lá fomos até aos Mosteiros ver as pedras vulcânicas erigidas no mar há 500 anos pela natureza. E depois … Depois caiu um tromba de água e um temporal tão grande que tivemos que ir almoçar a um tasco e voltar pra casa!
Mas depois de jantar fomos ver a Adriana Calcanhoto e gozamos do privilégio que é ouvir aquela voz com novas músicas e novas letras. Dêem uma vista d’olhos ao último álbum dela que tem uns poemas fantásticos.
À vinda pra casa ainda vimos um niquinho do rally, estava tudo histérico. Como não sou fã de “ajuntamentos” bazamos. Mas amanhã se não chover (duvido muito!) vamos com uns amigos ver o rally de perto num local qualquer atrás do sol posto. A parte mais fixe é que depois vamos malhar uns pregos no pão que dizem ser os melhores da ilha e comer é cá comigo! Gostava de descer a Lagoa do Fogo, mas enquanto houver rally tou lixada. Não falemos da chuva, nãooooo é?

E bacas? Já vos disse que há bacas nos Açores?

Então é assim: os Açores tem o mesmo clima maravilha que Amesterdão. Nada que eu já não soubesse, mas a Joana fica pasma todos os dias com a descontracção com que olho pela janela e digo: ya, nublado. Bem, ‘bamo lá embora Fernandes?
É mais do mesmo, mas como eu no último ano aprendi a fazer tudo seja com que clima for, encaro o nublado como: enquanto não começar a chover “tasse bem” e quando chover, abrigamo-nos e esperamos que passe. E foi assim que no primeiro dia enfiamos 9,17 kms no lombo entre a Vista do Rei e o Pilar da Bretanha e no segundo dia mais 9,33 kms nas Furnas, à volta da Lagoa e na subida ao Pico do Ferro. Era preciso abater o cozido das Furnas que mandamos a baixo (bem bom!! Mais adocicado que o do Continente, mas muito bom mesmo!) E pra não variar, vimos vacas. Bué vacas. E uma paisagem lindíssima de cortar a respiração.
Portugal é mesmo um espanto de País e os Açores têm uma beleza natural que deixa a Suiça a um canto. A chatice é o nevoeiro e a chuva, mas por algum motivo é tudo tão verde, e óbvio, há pastos e vacas. É que é mesmo muita vaca!

Já agora e antes de por as fotos, nós ontem esquecemo-nos de contar que os Pais do bebé Jorge que nos deram boleia eram agricultores e pastores. Nós tocamos à campainha duma vivenda com bastante bom aspecto mas os senhores eram muito simples. O carro era aparentemente novo (ou bem cuidado) e era um carro normalíssimo, nada de bms ou audis. Vai daí numa de fazer conversa com os senhores perguntamos o que é que faziam e eles disseram-nos: temos vacas. E nós fomos falando sobre animais e tal, mantendo a conversa simples, pra nao ofender os senhores e comunicarmos decentemente com os nossos salvadores. Eu fiz montes de perguntas sobre vacas, a Joana sobre os tipos de comida que se dáo às bichas, e nisto diz-nos o Pai do bebé Jorge: (ler com carregada pronúncia Açoreana) mas como é que se perderam? As meninas não têm um smartphone? Tem os mapas da TMN e o googlemaps.

Juro-vos que nos enterramos no banco do carro com a vergonha. Fenix, o pastor sabia perfeitamente de tecnologia e nós a fazer conversa sobre vacas!
Será que os gajos que inventaram a publicidade do “touxim? É pra minhe!” também se perderam nos Açores?

Post a duas patas

Os Acores têm muitas vacas. Bué vacas. Paletes, resmas, contentores de vacas! Também tem lagoas, mas nós não as vimos porque pura e simplesmente o nevoeiro cerrado não deixou. Aliás, a expressão não se vê a ponta dum corno aqui não se aplica. Vimos montes de cornos, não vimos foi mais nada.
Tambem não se aplica a expressao ‘não se vê um boi’ porque esses veem-se e de que maneira… Felizmente hoje, o nevoeiro levantou e assim, alem de bois e vacas, tambem ja comecamos a ver nativos.
A caminhada era de 2 horas e sete kilómetros, coisa que se faz com uma perna às costas, mas 7 kms depois estavamos no meio de nenhures. Gracas ao iphone conseguimos ubicar-nos no meio dum monte e longe pra cacete do nosso carro. Eram 8 e meia da noite e comecava a nao ter grande graca ver bois e vacas. Ate porque, na verdade, comecamos a nao ver nada porque a noite eatava a chegar e percebemos que estavamos bastante longe da eatrada mais proxima… Como o que não tem remedio, remediado está, descemos durante uns infinitos 20 minutos, até chegarmos a uma coisa que se aproximava bastante de uma estrada regional… Mas, para espanto dos senhores ouvintes, nao tinha carros…e o que passou por nós ignorou brutalmente o nosso pedido de boleia.
Vai daí, não havendo outro remédio, tocamos à campainha mais próxima e tivemos sorte. Os senhores em cuja cabecinha há-de sempre brilhar uma estrelinha, perceberam que as meninas do “contenente” eram boas pessoas e levaram-nos até ao nosso dirigível. Migos, fizemos mais de 20 kms de carro pra chegar ao local. O bébé Jorge adormeceu ao kilómetro 5. Sabiamos que nao tinhamos muita gasolina no carro e por isso perguntamos aos nossos companheiros de viagem qual era o posto mais proximo. A resposta deixou-nos em panico: ‘Ponta Delgada!’ E portanto, ja nao bastava fazer uma estrada de serra no meio da noite escura e sem ver um palmo à frente do nariz com o nevoeiro e em ponto morto, porque o carro ficou na reserva ao fim dos primeiros 100 metros! O que vale é que a nossa convivencia de perto com vidas muito dificeis nos fez perceber que tudo tem solucao, mesmo no meio do maior desespero, e, por isso, la fomos nos, todas contentes, sem gasolina e sem saber onde estavamos, a cantar animadamente e a bater palmas!
Next stop: um bife à favorita na Cervejeira Melo Abreu!

Escrito por Andorinha e Joana Fernandes (www.cafesnopateo.wordpress.com)