hoje cantei o “Sonho de Menino” do Tony Carreira em karaoke e estou com umas saudades dos meus dias de campos da Candeia que não posso com a alma.
Há muito tempo que não maro, há muito tempo que não aparvalho ao máximo, há muito tempo que faço tudo (excepto as férias) com o sentido do “tem que ser”, “é da minha responsabilidade”, há muito tempo que não me dou, que não me entrego, que não recebo doses incomportáveis de amizade, de carinho, de tudo. Há muito tempo que não faço Candeia e ando a ressacar como um verdadeiro toxicodependente.
Há muito tempo que não conheço alguém mais parvo que eu. Hoje dancei ao som do Tony Carreira acompanhada por duas amigas espectaculares, mas uma está temporariamente manca e não pode dançar e por muito muito fixes que elas sejam, um zacaza é algo que não lhes sai da alma. Quis cantar músicas da Candeia à bébé e reparei que só me lembrava de 3.
Candeias, preciso de vocês, venham iluminar os meus dias, venham. Preciso, preciso, preciso, preciso…
Coisas que se aprendem na Candeia, ou como ser uma Mãe e um Pai especiais
A Rita é uma das fundadoras da Candeia. Infelizmente não tive oportunidade de fazer Campos com ela e com o marido (na altura namorado), mas quando os conheci foi simpatia à primeira vista.
Eu conheço pouco a Rita, com pena minha, mas ultimamente tenho seguido o blog dela onde ela conta as suas aventuras como Mãe.
É giro ver como é que eles se deslindam para fazer com que o seu filhote Rambinho cresça com a melhor pedagogia do mundo. Eu diria que foram anos e anos de treino intenso! 😉
O certo é que a história que arranjaram para tirar a chucha ao rebento é das coisas mais deliciosas que li nos últimos tempos.
Se UM DIA for Mãe, quero decididamente lembrar-me destas técnicas e amor e por isso publico aqui os dois posts da Ritxinha Big Mama:
http://omeufilhoeorambo.blogspot.com.es/2012/03/estrelinha-que-nao-conseguia-brilhar.html
http://omeufilhoeorambo.blogspot.com/2012/03/adeus-nicotetina-o-dia-d.html
Obrigada Rita por me lembrares de tudo quanto aprendi com vocês. Obrigada por terem começado algo que foi uma das “coisas” mais especiais da minha vida e me lembrarem todos os dias de porque é que vale tanto a pena ter dedicado 6 anos à Candeia.
Para ti e pro teu “Gaijo” e pro teu Rambinho, um beijinho muito grande.
Sofia
Os abraços
Abraçar é algo tão pessoal.
Quando alguém nos abraça permitimos que invadam aqueles dois palmos de distância que mantemos à nossa volta e chamamos “espaço íntimo”. Dependendo de como fomos educados, se os nossos Pais nos davam abraços com frequência ou não, podemo-nos sentir mais ou menos à vontade com o gesto. Mas mesmo que tenhamos tido uns Pais amorosíssimos, passamos sempre por aquela fase denominada adolescência em que rejeitamos o nosso corpo, que achamos que um abraço é sinónimo de ser lamechas e fracos, e desabituamo-nos a abraçar.
Aqui há uns anos fiz uma terapia um bocado marada (de que não me lembro bem o nome) com uma Senhora extraordinária e que começava cada sessão com um abraço. Aquilo era estranhíssimo!
A terapia devia-se ao facto de eu não verter uma única lágrima há uns bons 10 anos e como tal, cada vez que me emocionava ficava com tudo contido dentro do peito e tinha falta de ar, dores físicas mesmo. Basicamente, não conseguia libertar os sentimentos.
A terapia foi impecável sendo o momento áureo da mesma o dia em que desatei a chorar a ver o Extreme Make Over. Juro. Depois de 10 anos sem uma única lagriminha no canto do olho, não é um bom filme que me liberta, não é uma música, é uma casa a ser demolida e reconstruída por gajos pagos a peso de ouro em reality TV. Seriously?
Adiante!
Passado aí um ano de ter terminado a dita terapia comecei a fazer Candeia. Ora a Candeia é um grupo em que abraçar é a modos que mandatório. No meu primeiro fim de semana de animadores pensei que aquela gente fazia toda parte duma seita e que estava tudo tolinho. Um dos primeiros exercícios era estarmos todos em roda e tínhamos que ir abraçar uma pessoa que achassemos que precisava dum abraço. Ora eu não conhecia nenhum daqueles cromos! Como é que eles sabiam se eu precisava ou não?!?! De repente dou comigo a receber uma porradona de abraços e eu sem me deslocar pra abraçar ninguém. O certo é que os abraços eram distribuídos com tanto carinho, com tanta disponibilidade por parte de cada pessoa que eu … gostei!
E durante 6 anos tive direito a todo o tipo de abraços: fortes, chorosos, daqueles que tiram as saudades, dos outros em que se sente o coração, abraços medrosos, abraços palhaços, abraços carregados em ombros, abraços, abraços, abraços.
Já não faço Candeia desde Setembro de 2010 e desde então abraço e sou abraçada, e alguns com saudades, principalmente quando me vêm visitar (ou o mega abraço que dei e recebi dos farrapos que andam a dar a volta ao mundo, e meu, aquilo foi um abraço à séria!!!), mas geralmente não é a mesma coisa. Porque a não ser que seja alguém que esteja habituado a fazê-lo, a mágica quebra-se no sentimento retraído involuntário do outro provocado pela minha invasão do espaço íntimo deles.
Enfim, não me posso queixar, até porque sempre que vou a Portugal my Candeia “mimes me!” mas digamos que passei duma eficácia de abraço de 100% para uns… 30%.
E ontem abraçaram-me como nesta foto (pirosa, peço muitas desculpas mas não encontrei melhor que isto) tendo-me apanhado desprevenida, e derreti-me inteira e percebi AS SAUDADES que eu tenho deste tipo de mimo. Tenho mesmo muitas muitas saudades. Quero mais.
E só porque tenho mesmo muitas saudades, ponho aqui alguns dos meus xi-corações favoritos. (se esperavam fotos dos meus exs estão munto enganados!)
Um dia a minha casa vai ser assim
Não há nada melhor que “os meus putos“.
Ninguém me deixa tão contente como eles.
Mais ninguém me ouve dizer tantas vezes: gosto mesmo muito de ti.
São aqueles que fazem o meu coração transbordar de amor, amor a sério, daquele amor de entrega total, aquele sem reservas que no dia a dia sou tão récia a usar. Com eles não há muro nem muralha, nem castelo que se consiga defender dum ataque de meladice ternurenta. (pirosa!)
Ontem uma delas fez anos e telefonei pra dar um beijinho. Ela que é a que diz sempre “detesto cenas lamechas”, “não sou nada de abraços e muito contacto”, é a que abraça mais forte na hora H. Ontem quando lhe disse: sabes que gosto muito de ti, não sabes? E ela riu-se e ficou toda encavacada, e deu mesmo pra perceber que no espaço dum segundo a felicidade lhe entrou pelo ouvido, passou direitinha ao coração e subiu em forma de gargalhada. E eu ganhei o dia. E a semana. E o mês!
Como sou uma sôfrega, tentei ainda falar com uma das minhas meninas favoritas, mas não consegui porque não se ouvia um caroço. E “ao acordar de manhã, vi um sol grande e bonito” e um sms que dizia: Sofia! Que alegria! Hoje vou dormir mais contente porque me ligaste!
E oh pá, o meu coração quase que arrebenta de saudades e em 3 segundos passam aqueles flashes do “mas porque é que tenho que estar tão longe?!?!” e depois lembro-me do meu lema de “longe mas perto” e aguardo pacientemente pela hora a que posso telefonar pra dar um alô e saber das novidades.
Se eu pudesse adoptava-os assim em barda, era logo um grupo de 12! Strau!!
Lembram-se duma telenovela que dava quando nós éramos miúdos com um tipo que era surfista e tinha uma casa cheia de filhos adoptados e todos adolescentes? Chamava-se Top Model e entrava a Malu Mader e a música principal do casalinho era o “Right here, waiting for you” do Richard Marx, e a Hey Jude, mas em brasuca, e eu achava aquilo o máximo e chorava e tudo e hoje quando a ouço só não vomito porque aos nossos tempos de adolescente perdoa-se tudo.
Um dia vou ter uma casa assim! Um dia vou poder trazer pra minha casa “os meus putos” e tê-los todos à mesa a falar ao mesmo tempo, uns por cima dos outros e poder abraçá-los quando eu quiser e beijá-los quando eu quiser e mandar vir com eles quando eu quiser, e apoioá-los tanto quanto puder e acordá-los logo de manhã com um: diz que me adoras!
Eu adoro-te!!!
(Piroooosa!)
Hoje acordei assim, irreversivelmente de bem com o mundo e de coração cheio.
Na Candeia dizemos coisas como:
O Amor é uma BOMBA!!!
E enchemos bem o O de BOOOOOOOOOOOOOOOOMBA!
É tão fixe.
Quando quero ficar bem disposta digo isto, fecho os olhos e salto pra uma lagoa imaginária.
É tão fixe.
Para os meus amigos que hoje vão cá vir espreitar:
Gosto mesmo muito de vocês, isto é bué da lamechas eu sei, e já tão todos a mandar os dedos à garganta, mas vocês são A EQUIPA!
Quero muito continuar a ver-vos unidos.
Uma altura a T.R disse: já tinha feito campos com amigos, mas nunca tinha feito Amigos num campo e naquele ano aconteceu.
| A culpa é da Flor do Amor |
E eu hoje tou muito contente porque tive o mesmo privilégio que ela, e fiz Amigos num Campo.
O Amigo Secreto
Indiscritível!
And guess who is back in town? Oh yeaaaah!
E o que é que fazes lá na Candeia afinal?
Pra início vou ter de desencantar no meu armário roupa que me permita vestir de:
– Pirata
– Branca de Neve e 7 anões
– Baywatch
– Power Rangers
– Tartarugas Ninja
– Navegantes da Lua
O lema é: Um por todos e todos por um.
O que raio diziam as navegantes afinal pá?!
Caros Palankas, só isto vos digo!
A Candeia é magia feita por poucos privilegiados. É a “seita” a que com orgulho pertenço e da qual quero fazer parte até ser velhinha (o que não será bem possível, já que a artrose não combina com acampamentos, mas sonhar é pra todos, certo?).
Embora cada um dos membros saiba que é absolutamente impossível conseguir explicar a outrém que nunca fez, o que é a Candeia, nós continuamos a tentar porque é mais forte que nós. A emoção e o brilho nos olhos é incandescente e … temos, temos que contar aquela história do puto que deu três traques p’ro ar quando lhe pregamos um susto, dando sentido à frase “borrar-se de medo”; temos que ensinar os amigos a fazer um aplauso, não conseguimos esconder a alegria quando falamos de outros animadores que passaram a ser nossos amigos num fósforo e pra vida, e … e somos uns chatos tão grandes, mas tão felizes, tão felizes, que os nossos amigos nos pedem p’ra virem connosco só pra poderem sentir o coração a bombar com um terço da força do nosso.
Daqui a exactamente 10 dias vou estar com eles. E vou dizer coisas assim e ter fotos assim:
Cheguei de onde o banho era gelado e só de sabão azul e branco, de onde as picadas de insectos e as comichões várias, de onde não havia televisão nem net e a rede de telemóvel era praticamente nula, de onde o pó era muito e às vezes se via no cimo do leite branco do pequeno almoço. Vim de onde nada de isto era importante e nem se lembrava que fazia falta. Vim de sítio onde o realmente importante eram as pessoas. Pessoas grandes e pessoas pequeninas. Pessoas grandes que o que mais queriam dar eram coisas boas às pequeninas. E valeu. Valeu mesmo.
E eu hoje grito alto,
que levo a mochila cheia,
de tanto pra amar e para ser,
de tanto pra dar aqui na Candeia.









