Gosto de ti por amizade!

Aos miúdos pequeninos dizemos, quando os queremos ver mesmo arreliados: a fulaninha gosta de ti por amor!!!
Então e tu? perguntam eles.
Eu? Eu gosto de ti por amizade!!
Tá quase…tanta expectativa pra apenas 6 dias. Quem me dera que fossem 10! São tão vividos, tão intensos que é impossível não contar os minutos. E há os convívios pré-Campo e os pós-Campo. E eu estou tão longe …e só posso mandar umas postas por mail, ao estilo “ya tenho muita piada, vá lá, digam lá que sim, e falem comigo, respondam-me, alinhem na insanidade, só pra eu me sentir mais perto…”, e eles respondem: gosto de ti por amizade!!
Nestas alturas os ataques de parvalheira são constantes. E eu gosto. Rio muito! Nada do que digo serve pro que quer que seja. Mas é tão fixe!
Ontem dizia-me um amigo “Ouve lá! A erva que tu fumas é muito melhor que a minha!!” depois de 3 ou 4 barbaridades seguidas, daquelas que fazem as pessoas levantar as sobrancelhas e olhar pra mim com cara de woooow, esta gaja não as bate todas! E eu rio, rio, rio. E quando rio muito faço aquele som estilo porco, que detesto, mas que sai sem eu contar, e de repente já lá estou, e estão os próprios miúdos a olhar pra mim, de sobrancelhas levantadas e a dizer: Sofs, controla-te, ah!! Olha que tu já não tens idade, ainda te dá aí um treco de coração! Tu controla-te, ah!
E riem, riem, riem.
E eu digo-lhes: gosto de ti por amizade!!

Escreve o teu futuro – Edmero

Caros Bloggers, Amigos e Família,

Raramente vos peço alguma coisa, por isso acho que hoje posso pedir-vos com muita força que ajudem o Edmero a ir para a Nike Academy.

O Ed é um dos “meus putos”, conheci-o quando tinha 12 anos. A ele e ao Dani. Eram umas pestes, como é próprio da idade. Irrequietos, traquinas, sempre prontos pra próxima asneira. Os anos passaram e hoje o Ed tem 17 anos, quase 18. É um dos nossos Participantes favoritos, confesso. Acho que não há nenhum Animador da Candeia que não curta o Ed à brava. Porque se tornou num miúdo exemplar, é carinhoso, é atencioso, é castiço (eu cá acho que ele dava uma excelente réplica do Eddie Murphy, ainda faço aqui aquela coisa do separados à nascença!), acima de tudo, é uma excelente pessoa, e merece esta oportunidade. O Ed merece ir para a Nike Academy e pra isso precisa de fãs no Facebook na página dele que foi criada para o efeito.

TUDO A TORNAR-SE FÃ, Ó FAISFAVÔ!!!

Em vez de darem dinheiro pra Unicef e do género, toca a apoiar quem está perto e quer e precisa duma vida melhor, e este nem custa dinheiro.

CLICA AQUI.

Espalhem este post pelos vossos blogs por favor, assim consegue-se chegar a mais pessoas. Publiquem a página no vosso facebook, o que vos apetecer!

AJUDEM-NOS A MANDAR O EDMERO MANUEL PARA A NIKE ACADEMY! DECOREM ESTE NOME!

Surrealistas

Retirado daqui. By blu_bastian

É como posso descrever as formas que eu invento de me manter próxima das pessoas de quem mais gosto.
Também é certo que tenho os amigos mais marados do mundo (Candeia, como não!). E gosto deles porque são assim.

Hoje uma grande e querida amiga mandou um S.O.S. a um grupo de amigos porque estava muito em baixo depois duma relação séria que não deu certo.
Apesar de eu estar no cú do mundo, incluiu-me no email, como sempre, mesmo quando combina (muito esporadicamente) jantares em Lisboa. Fico super contente quando ela faz isto, e ela sabe.

Desta vez achei que era demasiado importante pra ficar de fora e dar a resposta do costume: tou na Holanda…

Desde as 21:00 horas portuguesas que o meu skype está ligado ao telefone dum dos meus grandes amigos e que estou a “jantar” ao telemóvel com 5 pessoas (mais duas que estão a caminho) que assistiram ao S.O.S..

O telemóvel está em alta-voz em cima da mesa, e eu estou a ouvir e a comentar e participar oportunamente na conversa.

Abençoadas tecnologias, já mandei umas gargalhadas valentes, já ouvi conselhos e histórias dos meus amigos que estão longe. E tenho TANTAS saudades deles.

E gosto tanto da naturalidade com que encararam esta minha chamada.

Já encomendei bruschetta pra entrada, pizza com salame picante pra jantar e a empregada acabou de me ouvir pedir pannacota.

E vão falando à vez pro telemóvel, e eu vou falando com todos, e com a minha Menina do S.O.S., e vou ouvindo, e vou comentando e vou-me sentindo: PERTO.

Sabe TÃO BEM!!! Hoje fui uma pessoa muito feliz. Até amanhã 🙂

Ser Candeia, por Ana Rita Poge


O testemunho que se segue foi escrito pela “Saramago” Ana Rita Poge.

Impõe-se uma (não breve) introdução. A Ana Rita, ou Pagé, como lhe chamamos, começou como Participante nos Campos da Candeia, e hoje em dia é Animadora tal como eu e outros privilegiados. Na Candeia há quatro faixas etárias: os Faíscas (6-10), os Fagulhas (11-14), os Fogueiras (15-17) e os Labaredas (17-19) (se me enganei, corrijam-me por favor).
A Pagé foi a minha primeira Fogueira 🙂
A primeira vez que fiz um Campo foi um Campo de Faíscas. Animar pequeninos é tão fácil, são tão giros, tão fofinhos, tão…easy!
No ano seguinte propuseram-me animar Fogueiras. Pra início de conversa teria de ir conhecê-los num dos CLCs (Clube da Lua Cheia que ocorre de 15 em 15 dias para os Fogueiras e Labaredas, durante todo o ano). Fui recebida pela Fogueira Pagé, que alegremente me pregou dois beijos seguido dum: dia 1 faço anos! Tens de me dar os Parabéns! Vais-me telefonar, não vais? Olha que eu fico chateada se não te lembrares!
Ela não sabia, mas eu estava morta de medo dos Fogueiras, é uma enorme aventura, peso e responsabilidade lidar com os “mais velhos” que fazem juízos de valor (pensava eu), e dizem tudo o que lhes passa pela bolha, e que quando fazes uma cena mais louca na qual eles não alinham, não têm papas na língua e soltam-te um: que seca!!
(Este ano a coisa evoluiu e dizem: boooooooooring!)
Além disso sente-se sempre a sensação que devemos ser role-models pra eles, e nós não somos propriamente os seres mais perfeitos à face da terra, não é? 🙂
Fiquei com o número de telefone dela, e no dia 1, obedientemente, lá telefonei pra Pagé, que ficou toda contente, até porque tinha recebido já 500 mil chamadas e mais não sei quantos mil sms pra sua contabilização (Oh, I’m so popular!!), mas (tive uma sorte louca) eu tinha sido a primeira animadora a ligar-lhe. Seguiram-se mais chamadas, mas dali a 15 dias, apareci no CLC e a Pagé tava toda contente e ajudou-me a conhecer os outros Fogueiras todos e dizia a toda a gente bem alto: ELAAAAA, sim, ELAAAAAAAAA ligou-me!!
E eu só pensava: ufa! Benditos alarmes no telemóvel!
Nesse ano fiz Campo com ela, eu como Animadora, ela como Participante.
A partir daí só fiz campos com Fogueiras. É um vício, uma paixão lidar com os “mais velhos”, que no fundo são “pequeninos” em ponto grande no coração, mas que nos desafiam a fazer mais a ir mais longe, a puxar pela destreza e imaginação, e acreditem, não é fácil surpreender miúdos que fazem 4 colónias por verão, alguns há mais de 10 anos… Vence a Amizade, vence o Carinho, vence o Amor.

O texto que escrevi no outro dia veio duma conversa que tivemos as duas pelo MSN. Apesar de estar na Holanda, eu faço questão de estar perto, o mais perto que conseguir dos “meus” Fogueiras. CLARO que não consigo telefonar a mais de 40 “putos”, mas consigo ir mantendo contacto estreito com uns 5 ou 6. É o possível.
A Pagé já é Animadora, mas vai ser sempre ser a “minha/nossa” Fogueira.

Escreve assim um bocadinho à Saramago (she is sooo gonna kill me for this!), mas como Animadora dela que fui, “lê-la” é conseguir explicar um pouco da magia que sinto cada vez que faço um Campo. Os “meus/nossos meninos” valem TODO, TODO o esforço e loucuras que possa fazer por eles. Quando se lê o impacto que tivemos neles e COMO entenderam a mensagem…you get speechless. E o coração transborda.
OBRIGADA PAGÉ!!!


“Desde muito pequenina sempre tive dois sonhos SER ESCUTEIRA E ANDAR EM COLÓNIAS DE FÉRIAS, estes sempre foram os meus sonhos principais e sempre que me diziam Rita pede um desejo eu pedia estes dois que para mim eram os que achava que eram impossíveis de realizar.

Entretanto aos meus 6 anos entrei para um colégio onde aprendi a crescer e a viver mais de perto a vida. Com o tempo fui fazendo coisas maravilhosas que nunca pensei fazer, comecei por experimentar ballet na verdade eu pensava… mas este não é o desejo que peço mas deve ser giro e durante 6 anos fiz e adorei. Entretanto a vidaproporcionou-me mais experiências e aventuras. Finalmente matei o bichinho da curiosidade e o meu sonho de fazer uma colónia de ferias. Para mim era tudo mágico saber que o meu verão iria ser diferente e super divertido, e fui e aquelas duas semanas para mim foram boas mas com o passar dos anos e do tempo queria mais então aos 12 anos entrei para os escuteiros e ainda mais feliz era porque os meus sonhos estavam-se a concretizar. Quando experimentei não quis outra coisa os anos foram passando e hoje ainda lá estou com a mesma garra e entusiasmo. Aos 15 anos entrei para a CANDEIA pensava eu vou para uma colónia mas diferente deve ser giro . Quando la cheguei era tudo diferente duma colónia de férias que já tinha experimentado era imensa gente com guitarras na mão a cantar musicas originais e por sinal divertidas, chamativas adorei o ESPÍRITO por acamparmos que para mim já não era novo mas numa “suposta “colónia de ferias, era. Nunca pensei era tudo tão magico quando chegamos depois de cantarmos aquelas musicas tão giras disseram-nos o tema de campo AGARRA A VIDA. Brutal a partir dai nunca mais parei a Candeia foi crescendo na minha vida e eu fui percebendo a lógica e a mensagem da Candeia, a Candeia não é uma daquelas colónias habituais de ferias mas sim uma Associação que acolhe crianças que vivem em Instituições e que durante o ano fazem várias actividades, e aí eu percebi o quanto a Candeia era importante na minha vida porque num abrir e fechar de olhos a Candeia passou a ser importante para mim e foi lá que cresci que aprendi a ser madura a dar valor às verdadeiras coisas importantes da vida e com o tempo vou percebendo que mesmo hoje em dia estes sonhos de ser Escuteira e andar numa colónia é banal mas para uma criança às vezes não é bem assim.

Hoje sou feliz com os meus grandes 2 sonhos são eles que me dão força para a minha vida principalmente a CANDEIA os momentos mais mágicos para mim são os momentos de partilha é onde tento ser um pouco transparente , a candeia para mim é o meu ponto seguro onde penso em tudo onde faço tudo que me apetece fazer no meu dia a dia mas não faço porque a palavra Marar para muitas pessoas é ridícula mas para mim não. Marar é o estado normal, é nele que me sinto bem, segura dos meus medos e das minhas inseguranças. É no meu porto seguro que vou buscar energias para enfrentar tempestades. Ao longo dos anos vou crescendo com a Candeia, foi aqui onde eu aprendi a ser mais segura, madura e foi isso que ao longo dos anos me fez ter força para lutar para uma outra fase muito importante para mim na Candeia: SER ANIMADORA. Para mim era uma barreira muito difícil de conquistar porque tinha de mostrar que era uma animadora madura o suficiente para enfrentar coisas adultas. Infelizmente não podemos agradar a gregos e troianos mas com algum esforço consegui chegar onde eu mais queria. E é isto que me faz estar na candeia, é acreditar que tudo na nossa vida é possível mesmo com barreiras acreditar e lutar pelo o que mais queremos por mais que nos deitem a baixo, é AGARRAR A VIDA ao máximo e sorrir sempre. E as minhas energias todas vou buscá-las ao meu ponto seguro onde sei que la ninguém me julga pelo o que sou ou penso se faço macacadas ou não, e é com estas energias que a Candeia faz parte da minha vida há 4 anos e tal como a Candeia a mim me deu segurança e alegria na minha vida quero fazer o mesmo às nossas crianças porque sem um sorriso a vida não brilha e eu graças a tudo o que aprendi e ao que vou aprender, o meu sorriso brilha e brilha e hoje ninguém mo tira… e é isto o que a Candeia é para mim, sinto-me uma verdadeira estrela a brilhar…“

Testemunho de alguém que escolheu a Alegria

P’ra quem me pediu, e pra quem por aqui passa e queira saber, a Marar e os seus contactos podem ser encontrados em: http://www.marar.eu/

Pra início de conversa têm logo o objectivo da Marar: Queremos transformar o mundo num local mais feliz!

E não é só garganta. Eles tentam e conseguem.

Aqui há uns tempos vi o filme “It’s a Wonderful Life” e como escrevi na altura, todos nós tocamos a vida de muita gente, e que todos, mas todos somos importantes para alguém.(aqui)

Abaixo segue o link para um testemunho que lhes chegou no dia em que fizeram o vídeo do post anterior: Como queres começar o teu dia?
É muito giro, e vale mesmo a pena ler e ver como coisas tão simples nos podem mudar o semblante carrancudo.

No dia em que colocámos o filme da nossa última missão online, recebi um email de um amigo que me surpreendeu e me deixou feliz.

Contava-me ele que há uns tempos tinha recebido um email de uma amiga a relatar uma experiência que tinha vivido à saída do metro. Essa experiência não era nem mais, nem menos que a missão Como Queres Começar o Teu Dia?

Ele partilhou comigo o email e eu pedi à autora (Mariana) que me deixasse publicá-lo no nosso blog.

Aqui está o email. É longo, mas vale muito a pena. Percebe-se bem o impacto que a missão teve numa pessoa que nos era totalmente desconhecida.

(In Marar.eu by Rodrigo Dias)

Como queres começar o teu dia?

A Marar é um projecto de Amigos meus. Muitos são os mesmos que me ensinaram a ser Candeia. E é por quem são e o que fazem que sinto imensas saudades deles. ADORAVA ter feito parte desta missão de loucura saudável da Marar.
É nestas alturas que digo: rais parta, gostava de viver em Portugal outra vez!
Depois penso: mas hoje quero começar o meu dia alegre e mostrar que se pode ser feliz sabendo que os tenho no meu coração e os levo pra todo o lado, até pra blogosfera.

Obrigada Marar!!! Obrigada Amigos. Gostei de vos ver!

Eu bem tento, mas nunca consigo explicar muito bem porque é que a Candeia é ….


…parte de mim, parte da minha vida, parte do meu ser.
Vou tentar outra vez.

Foi na Candeia onde recuperei o melhor de mim
Braga é uma cidade muito católica. Estudei em colégios de padres e freiras, mas em casa sempre me deixaram pensar livremente.
A religião em si nunca foi o fundamental pra mim, mas sim os valores que tinha em comum com os amigos que fiz nos colégios da cidade, amigos esses que de algum modo eram educados de uma forma semelhante à minha. Acima de tudo acho que eramos todos muito protegidos. Além disso tive muito tempo pra fazer amigos a sério, e os nossos Pais faziam questão de nos dizer a todos coisas como: partilha com o teu colega, não sejas competitivo, pede pros outros o que queres pra ti, ri muito, brinca muito, mas sê responsável, estuda e constrói o teu futuro.
Depois fui pra faculdade.
Na universidade tive muita sorte e tive (e ainda tenho) um grupo de amigos EXTRAORDINÁRIO. Os nossos Pais educaram-nos de maneiras semelhantes, tinhamos e temos valores em comum como a lealdade, a confiança, a coragem, a destreza e a valentia, o saber desenrascarmo-nos, trabalhar em grupo para obter melhores resultados, a dedicação, a verdadeira amizade.
Sempre fui muito “inocente”, muito crente nas pessoas, na bondade, na alegria, sempre ri muito, sempre fui animada.
Sempre, mas sempre falei pelos cotovelos.
Sempre fui muito bem tratada.
Muito mimada, eu diria.
Tive muita sorte.
Depois fui trabalhar.
Na empresa acharam que a minha constante boa-disposição e maneira de falar “nortenha” e de coração na boca, em que dizia tudo o que pensava, era errado.
Disseram-me que não podia ser assim. Não podia ser como era.
A dada altura deixei de poder ser eu.
ACHEI que devia ser mais como “eles” “queriam”.
Como se tivesse um garfo espetado no rabo, sempre séria com os clientes, com cara de que todos me devem e ninguém me paga.
Pensei tinha de saber mentir pra poder ser uma boa vendedora. Nunca fui boa vendedora.
Pensei que tinha de saber ser egoista, que tinha de guardar tudo pra mim porque senão iam roubar o “meu pedaço de terreno”.
Continuei a ser uma pessoa sorridente e bem disposta, até porque não sei ser de outra maneira, mas tornei-me muito mais fria, mais distante.
Os meus amigos diziam-me: tás uma chata, só falas de trabalho, resmungas o tempo todo e só pensas em ti, só falas de ti.
Quando entrei pra Candeia voltei a lembrar-me de como era bom dar-ME aos outros, como era fácil e sabia bem partilhar.
Voltei a encontrar pessoas com os mesmos valores e educação que eu.
Que sorriem sempre.
Acreditam que não há uma única foto deste último campo em que não esteja à gargalhada?
A Candeia faz-me bem à alma.
Permitiu-me voltar a ser quem era e entender melhor a mensagem que me tinham passado na empresa.
O que me tinham querido explicar e que eu tinha entendido de outra forma, é que ao ser uma pessoa tão aberta e tão generosa, no mundo dos negócios, ia acabar com os meus pontos fracos todos à vista.
Porque, por exemplo, toda a gente ia saber se eu tinha ou não namorado e alguém menos correcto poderia usar esse facto para justificar o meu rendimento ser mais alto ou mais baixo. Só pra dar um exemplo, atenção.
Aprendi que tenho EXCELENTES colegas, mas que as pessoas que trabalham comigo não têm que ser TODAS minhas amigas. Mas que há colegas que se tornam Amigos.
Acima de tudo, APRENDI que o que me queriam dizer é que eu tinha de separar a minha vida pessoal da minha vida profissional, e que não devia falar da minha vida pessoal no emprego. E estavam certíssimos.
E a Candeia deu-me espaço pra eu poder ter uma parte pessoal, uma parte e um mundo que é só meu.
Onde eu sou a verdadeira Sofia,
a que ri muito,
a que diz TUDO o que lhe passa pela cabeça,
a que PARTILHA,
a que mostra fraquezas sem achar que está a ficar exposta, porque na Candeia podemos todos ser fracos,
porque todos podemos e temos o direito a ser chamados de seres humanos.
E os seres humanos têm fraquezas e têm direito a tê-las.
É na altura em que somos mais débeis que encontramos mais forças porque temos uma mão amiga que nos ajuda a sair do charco.
Foi tudo isto que eu aprendi na Candeia.
Sou melhor pessoa.
Recuperei o melhor de mim mesma.

O complexo Peter Pan


Antes de mais uma definição da Wiki: Peter Pan syndrome is a pop-psychology term used to describe an adult who is socially immature. The term has been used informally by both laypeople and some psychology professionals in popular psychology since the 1983 publication of The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up, by Dr. Dan Kiley. (Kiley also wrote a companion book, The Wendy Dilemma, published in 1984.) It is not listed in the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, and is not recognized by the American Psychiatric Association as a specific mental disorder.

A partir daqui podemos entrar em várias discussões, sobre se é ou não uma doença ou sobre o que é que se considera socialmente imaturo.
Para mim o sindroma do Peter Pan é característico não de imaturos, mas de irresponsáveis.
Uma coisa é sabermo-nos divertir independente da idade que temos, sabermos como continuar a ter o espírito de descoberta e inocência próprio das crianças, saber como continuar a saber comunicar e entender uma criança, fazer coisas que são consideradas “impróprias para a nossa idade” sem qualquer sentimento de embaraço perante os olhares de todos os que nos rodeiam.
Para mim um “adulto” ou “aquele que cresceu” não é o que comprou um carro, comprou ou arrendou uma casa, casou, teve filhos e vive na base das hipotecas e do cartão de crédito, nem aquele que tem uma conta poupança “p’ro caso de acontecer alguma coisinha”.
P’ra mim um adulto é aquele que sabe assumir as consequências dos seus actos e que não conta constantemente com a sua boa estrela e simpatia/caridade/amizade/paciência de todos os que o rodeiam para estarem sempre prontos a ajudar ou dar apoio aos seus actos que insistem em justificar com a frase “mas eu não quero crescer!”
Eu sou aquela que todos os anos e em cada oportunidade vai fazer Candeia e com um grupo de Amigos criar situações em que as “nossos participantes” se “esquecem” do mundo em que vivem para terem a oportunidade de fugir do dia-a-dia e se recordarem de que podem ser crianças. Eu pinto a cara, fantasio-me com perucas e visto-me da forma mais inusitada possível só para poder parecer que naquele dia estamos na Pré-História. E grunho e grito, e salto, e pulo, e saco dum sorriso constante e duma des-conversa que faça com que o dia seja mais alegre e mais divertido.
Isso faz de mim melhor pessoa, capaz de dar e receber amor e amizade, capaz de voltar a ser criança e recordar.
O complexo de Peter Pan, para mim, é algo de que não sofro pese todas as personagens que visto.
Ser responsável é fazer uma viagem e saber a que horas chega o avião e como vou chegar do Porto a Lisboa sem ter de telefonar a seca e meca p’ra me irem buscar às cinco da manhã. Ser responsável é saber que a Amiga aqui vai fazer uma viagem de carro de 3 horas e que, muito embora estejam de férias, alguém deve permanecer quase tão sóbrio como ela para poder partilhar a condução do carro. Talvez porque fosse meia-noite e eu no dia seguinte fosse a única a ter de acordar para trabalhar, não sei, digo eu, a que não compreende a frase do Peter Pan: “eu não quero crescer”.
Ser responsável é fazer uma viagem e dar uma olhadela breve ao que posso fazer no País de visita e não contar que o anfitrião me leve qual criancinha pela mão a todos os sítios onde eu poderia ir. Entender que a pessoa que me recebe o faz de coração e com toda a boa vontade, mas que está no País onde trabalha e que TEM de trabalhar no dia seguinte.
Ser responsável é entender que são precisas horas de sono para no dia seguinte se poder fazer o seu próprio trabalho de forma competente, porque é para isso que nos pagam.
Ser adulto é assumir compromissos, é saber que há outros que contam connosco e que há mundo para lá do nosso umbigo.
Ser adulto é saber respeitar os outros, Pais, amigos, conhecidos. Respeitar a opinião dos outros e acima de tudo, ter consideração por quem está à nossa frente.
Ser adulto é saber que não é pelo número de saídas à noite que se avalia se alguém ainda é “jovem” ou se virou “cota”. Eu não deixo de sair à noite no dia X porque não me sinta bem ou deslocada na discoteca. É porque aprecio outro tipo de momentos, cuja “vetusta” idade e privilégios associados ao mesmo (como saber usar o meu dinheiro pra fazer as coisas de que mais gosto como viajar) saboreio com diferente gosto.
É saber estar bem consigo próprio em cada idade e saber que é bom envelhecer, que é um privilégio.
Aprender com mais novos e mais velhos, aproveitar esta viagem que é a vida e que é uma dádiva que não se repete. É apaixonar-se pela VIDA, não apenas por um companheiro, mas por tudo o que nos rodeia, inclusive o dito companheiro.
A desculpa do “mas eu não quero crescer” p’ra mim não serve. O problema é daqueles que NÃO SABEM CRESCER. Eu sei, e tu? Sabes?