Não foi o Hitler que ganhou com 30% dos votos?

The Dutch all vote for Geert WildersWell, that’s easy: they don’t. However, the anti-Europe, anti-immigration party leader did manage to get 10.1 % of the national vote in the 2012 general election which means 933,000 people think the blond one is the bee’s knees.  And he’s currently riding even higher in the polls. The PVV would be the biggest party in there was a general election tomorrow – all of the polls seem to agree on that. But even so, eight out of 10 people would not given their vote to Wilders. A fact worth remembering.

Ena, ena, na Holanda falam todos Inglês e são extremamente tolerantes. Aqui qualquer pessoa trabalha sem sequer arranhar o Holandês.

YOU FOOLS!!!

Vão ler o Com os Holandeses do J. Rentes de Carvalho, vão. E aprendam alguma coisa que ele explica tudo lindamente. Tolerantes my ass.

Ah, e por falar em tolerantes:

The Dutch are tolerant
A sticky issue this one. The National History Museum says the Dutch reputation for tolerance harks back to the 16th century Dutch Republic different religions were allowed to exist peacefully side by side. Works by Descartes and Spinoza were printed without a murmur largely, the museum intimates, because money could be made from them. However, a year after Descartes died his books were banned, no matter how well they sold.

According to a poll conducted by independent public advertising body SIRE in 2012, 66% of Dutch people think tolerance is ‘a key value’ but that the country has become less tolerant in the last twenty years.
Take tolerance of homosexuality, for example.  A report by the government’s social policy unit SCP earlier this year found although just 4% of people don’t accept homosexuality, 20% don’t think gay and straight people should have equal rights to adopt children. And research by  middle class magazine parenting magazine J/M voor Ouders shows one third of parents would consider it unacceptable if their offspring were gay.
It is perhaps worth pointing out that tolerance does not mean the same as acceptance.

Aceitar uma convivência pacífica não faz dum povo um povo tolerante. Eles apenas ignoram, não toleram.

Agora vão lá ler os outros 10 mitos, eu fico-me por estes dois.

Faz-me muita confusão a malta que emigra no pseudo-desespero

Eu explico.
Quando eu vim para a Holanda conheci bem menos de uma mão cheia de pessoas que tinham vindo para cá sem dinheiro, com uma mão na frente e outra atrás, a arriscar tudo o que tinham.
Vinha para a Holanda quem tinha cá emprego no bolso antes de se meter no avião, e era um emprego confortável, pelo menos por 50 mil euros ao ano ou 50 euros à hora para os contratados. Além destes, vinha a malta de áreas mais complicadas como os da investigação que vinham fazer os Doutoramentos, mas já com contrato assinado.
Tal como disse, conheci 4 ou 5 pessoas no máximo, que arriscaram tudo e vieram para a Holanda às cegas, com dinheiro para dois meses, e começaram do zero e hoje estão bem.
Mas há duas coisas que mudaram: a oferta de emprego hoje em dia é bem menor que antes e é muitíssimo mais difícil arranjar emprego sem se dizer uma palavra em Holandês porque o Governo é agora de Direita.
Dois “pequenos” factores que fazem toda a diferença.
Há apenas cinco anos atrás, não se emigrava desesperado ou revoltado, emigrava-se porque se queria viver noutro País, experimentar vivências novas, éramos na sua grande maioria malta nova e solteira.
Hoje em dia a quantidade de homens que vêm com mulher e filhos, arrancados ao Portugal à beira mar plantado, não porque eles não tenham emprego, mas porque acham que o nosso País é uma decadência e que está tudo errado, é absolutamente assustadora.
Pelo amor de Deus, parem para pensar.
Deixem de me dar a retórica do “o Passos mandou-me emigrar”. Isso não justifica o idealismo de que cá fora vai ser tudo melhor.
NEM TODA A GENTE NASCEU PARA SER EMIGRANTE.
Será que não entendem que na grande maioria das vezes a única coisa que vão ganhar a mais com a partida é um divórcio e uns trocos que não chegam sequer pra juntar um pé de meia?
Ganhar 20 mil euros brutos ou nem isso em Portugal é uma porcaria, mas ganharem menos de 50 mil ao ano na Holanda é uma valentíssima merda. Ou para explicar como expliquei no outro dia a uma miúda (amorosa por sinal): vir pra Holanda com 40 mil euros pra uma família de 3 ou 4 pessoas é o mesmo que estar a ganhar em Portugal mil euros por mês pra 4. É muito pouco.
Façam as vossas contas aqui: http://www.numbeo.com/cost-of-living/comparison.jsp
Aqui paga-se do nosso próprio bolso: casa, escola, alimentação (não há subsídios de alimentação, no limite se a empresa for grande têm uma cantina onde podem comer mais barato, mas também pagam!), o seguro de saúde, o imposto automóvel, o imposto de estradas, o imposto de saneamento, até os animais pagam imposto carago.
Vocês digam-me honestamente se vale a pena viverem no quinto cú do mundo, a milhares de quilómetros dos vossos Pais e sobrinhos, pra juntarem dinheiro pro bilhete de avião do verão e do natal?
Palavra de honra, não se metam nestas andanças se não tiverem um pé de meia bem gordo ou alguém que vos deite a mão quando cá chegarem, e não venham convencidos que a Holanda é um estado onde o socialismo impera. Aqui paga-se até pra mijar, quanto mais pra porem os putos na escola e pra irem ao hospital. Não se metam nestas andanças se não houver emprego pros dois membros do casal, e não se metam nisto caso a vossa cara metade não queira mesmo vir. Não façam isso aos vossos conjuges e acima de tudo aos vossos filhos – não lhes roubem os avós, os tios e os primos.
Não venham pra cá por menos de 50 mil euros brutos ao anos, caso contrário a única coisa que vão aprender é a poupar pra conseguirem que o dinheiro estique.
Parem pra pensar, tenham juízo e deixem-se de aventuras que só aguenta a Holanda ou outro País qualquer quem cresceu com vontade de viver cá fora e experimentar culturas e países e de agarrar este mundo inteiro pelos cornos. E não precisamos de ser todos iguais.
Depois não digam que não vos avisei.

Casa roubada, trancas à porta

Pois é, algum dia teria de me tocar a mim: fui assaltada.

Antes que fiquem em pânico como eu fiquei, ESTÁ TUDO BEM.

Não só assaltaram a casa, como encontraram as chaves suplentes do carro e levaram o dito da garagem. Fiquei sem um portátil, sem algumas peças em ouro, sem umas garrafas de vinho que uma amiga me tinha dado pra guardar e que valiam uma pipa de massa (muito mais que o ouro) e é claro, sem o carro.

Eu não estava em casa, tinha saído pra ir buscar uma amiga, os cães estavam fechados no quarto deles, e os gajos foram tão competentes que os meus vizinhos do lado não ouviram rigorosamente nada e apanharam um susto enorme quando lhes bati à porta em modo histérico.
Eu estou bem, os cães estão bem, apanhei um grande susto, mas desconfio seriamente que maior susto apanhou o irmão do meu vizinho quando eu lhe disse: não fiques aflito que isto aconteceu tudo por um excelente motivo! Ninguém se magoou, os meus cães estão bem, eu também, o resto é completamente acessório.Isto dito enquanto tremia que nem varas verdes.

O moço ficou a olhar pra mim com cara de parvo, com um olhar que oscilava entre “esta miúda é doida!” e o”deve ser do trauma e ainda não percebeu o que lhe aconteceu, coitadinha!”.

Respirei fundo e disse-lhe com toda a calma que consegui manter: o computador não é meu, o carro não é meu, e o resto está coberto pelo seguro de recheio da casa, desconfio que os gajos ainda me fizeram um favor.

Pronto! Só não teve uma apoplexia porque a cabeça dele estava ainda demasiado ocupada a pensar nas quinhentas mil desgraças que me poderiam ter acontecido. Confesso que esta coisa Tuga de ver sempre o horror, a tragédia, de efabular sobre o que poderia ter acontecido, me deixa doente. Se não aconteceu, não façam filmes! Deem graças pelo que aconteceu de bom, minimizem o mau, e sigam pra frente, mas não se percam nos “E SE?”.

Estive até às 3 da manhã a fazer chamadas pros números de emergência da empresa de leasing, a trocar passwords de contas bancárias, emails, blog e facebook, cancelei o cartão de crédito, liguei pro banco pra accionar o seguro, mandei um email pra imobiliária a dar o alerta, e pus um papel no elevador e outro na porta de entrada (pra avisar os vizinhos todos que me tinha roubado e também as chaves do prédio, pra terem cuidado), tomei uma pastilha pra dormir e fechei os olhos 3 horas, ainda de porta aberta e a dar graças a Deus por estar a Nídia cá em casa (estava de visita) e os meus vizinhos serem meus amigos. Estava acompanhadíssima, mas sentia-me super vulnerável, e com uma vontade enorme de partir os dentes todos aos filhos da puta que me roubaram.

No dia seguinte acordei às 7 e meia, às 8 liguei pra empresa de leasing, recebi a polícia forense às 8 e um quarto, às 9 ligaram da imobiliária pra me dizerem que mandavam o serralheiro dentro de uma hora, às 9 e um quarto ligou a minha chefe que ficou a tratar do portátil roubado, às 10 vieram-me entregar-me um carro novo, às 10 e meia chegou o serralheiro com uma fechadura e canhões novos pra minha casa e pro prédio todo, às 11 ligaram do seguro e às 11:30 estava t-u-d-o resolvido e fui à empresa buscar um portátil novo.
Eram três da tarde e estava tudo pronto novamente e eu estava morta. Mesmo assim não fui dormir antes da meia-noite.

Durante o dia matutei e cheguei à seguinte conclusão: apesar do dito azar, porque é uma merda ser-se assaltado, tive uma sorte do caneco como só a mim me acontece. Senão vejamos:

1) o meu carro é da empresa de leasing e ia ter de o devolver à procedência em Novembro. Como lhe tinha mandado umas tronchadas discretas a estacionar e outra menos discreta aqui mesmo à porta de casa, ia ter de pagar 250 euros (pelo menos) de franquia por cada pancada que mandasse arranjar. Mais o cinto de segurança que o amigo Bitoque tinha destruído completamente, mais uma limpeza de estofos (150 aéreos)… assim não tenho que pagar nadinha, tenho um carro novo, e livrei-me de uma despesa de mais de 500 euros à vontadinha! Senhor ladrão, se não estivesse tão danada consigo agora, ainda era gaja pra lhe agradecer. Mas pedir isso agora, é pedir muito.

2) o portátil tinha backup que não foi roubado, graças a Deus. Podia estar mais actual, mas fora as fotos de Nova York, não perdi assim mais nada de especial. Perdi atalhos, links e coisas da empresa que me davam um jeitaço!! Mas eu cá me arranjo e começar do zero dá mais power ao computador e à minha pessoa. O meu ipad (e a máquina fotogrática também!) safou-se milagrosamente porque os gajos não tiveram tempo pra levar mais porque eu só demorei meia hora (desde que eles entraram até que cheguei) e eles tiveram que fugir.

3) O resto vai pro seguro de recheio da casa que cobre até 28 mil euros em bens da casa e 5 mil euros em jóias, logo vou conseguir recuperar uma muito boa parte do que perdi e assim até consigo comprar umas peças mais actuais e ainda ganho uns cobres extra pra gastar noutras coisas como num ipad pros meus Pais poderem falar comigo via facetime.

All and all, acho que me correu muito bem!!

Optimismo à parte, cá vai a parte do serviço público – O QUE EU APRENDI:

– A fechadura da casa deve ser destas que na Holanda se chamam kerntrekbeveiliging, porque evitam que os gajos consigam abrir a fechadura como me abriram a mim. Ficam a saber que se abre assim:

Então a fechadura deve ser destas com um reforço na parte da frente E com um canhão com 3 estrelas (o canhão tem 3 estrelas desenhadas como na imagem abaixo):

 

Estão a ver as estrelinhas por baixo de onde diz Mauer?

 – o valor que se paga por um seguro de recheio na Holanda é de 3 euros por mês, é ridiculamente barato e vale imenso a pena. Tenho que fazer um pra casa de Portugal também urgentemente. A paz de espírito que me deu saber que não tinha ficado a arder, foi fabulosa e não tem preço.

– Comprei uns autocolantes pra porta a dizer que tenho alarme e câmaras. Os ladrões não sabem se é verdadeiro ou falso, e não arriscam. Há também à venda câmaras e alarmes falsos na net, fica ao critério de cada um colocar ou não, eu decidi pôr porque passo muito tempo fora.

Tudo isto foram recomendações da polícia que eu segui. Além disto tudo, os meus cães ganharam um free pass para poderem ir a correr ladrar pra porta sempre que ouvirem barulhos estranhos, a partir de agora ninguém os manda calar, sobre pena de levarem um belíssimo murro nos dentes!!

Novamente, está tudo óptimo, e agora que escrevi o post de descompressão, melhor ainda.
Ah, já agora, eu não contei à minha Mãe, por isso agradeço a quem a conhece que não lhe conte, por favor. É que a minha Mãe é a campeã do “E SE?” e fica já sem dormir um mês, fora o quanto me vai dar cabo da mioleira, por isso eu agradeço que não lhe contem, sim? Se o fizerem, ficam a saber que não parti os dentes ao ladrão mas que fiquei com as vontades… just saying.

Já agora, antes que comecem com a lenga-lenga de: até parece Portugal! Ficam a saber que o número de assaltos a casas na Holanda é bem superior ao de Portugal (também são 16 milhões e tal de pessoas num quadrado que é um terço de Portugal, há muito mais casas…logo mais assaltos).

Segurem-se e assegurem-se que a vossa casa está em segurança. Por 200 euros fazem a festa toda e ficam muitíssimo mais descansados quando forem de férias ou deixarem os miúdos em casa com família ou empregada. E pensamento positivo malta e tudo a correr bem, sim?

Inté já.

Sobre as reformas na Holanda

Encontrei um artigo no expatica.com que explica aquilo que quis dizer neste post.
Vão-me desculpar mas eu não vou traduzir isto tudo. Vou só simplificar em Português e depois lêem o resto para ficarem mais informados.
Basicamente o que eles fazem divide-se em 3 partes. Sendo que nenhuma delas corresponde a um sistema de reforma baseado na segurança social como em Portugal. Passo a explicar:

The Dutch pension system is made up of three tightly connected pillars. Interferences with one pillar almost always have consequences for the other two.
Further characteristics of the Dutch pension system are the mandatory participation, financing through capital funding and the triangular relation between employer, employee and pensions provider. 

Eis então a explicação da divisão em 3 partes:


  • Esta é a parte que corresponde ao que eu queria dizer com “não tenho reforma” cá. São precisos 50 anos de descontos para receber o dito “subsídio” que a Tulipinha falou. A parte boa é que vos vão mandar uma carta para casa a perguntar se querem pagar o que está pra trás e dar-lhe 6 ou 7 mil euros pra cobrir as falhas dos anos que estiveram no vosso País, e é claro, isto só compensa para quem quer ficar na Holanda até aos 65 anos: 

First pillar 
Anyone who lives or works in the Netherlands is insured for the state pension AOW. This is a basic provision, which entitles a single pensioner to a monthly gross payment of around EUR 1,000 and a married person to around EUR 700 (excluding holiday allowance). The AOW is built up over 50 years. An individual aged between 15 and 65, who is entitled to a Dutch pension, loses 2 percent of the pension for every year out of this fifty that they haven’t lived in the Netherlands. From April 1st 2012, state pensions will commence on the actual day that a person reaches the age of 65 – rather than the first day of the month when they are due to retire.



  • Esta é a parte que corresponde ao PPR que a vossa empresa faz por vocês e que é um dos “benefícios”, embora uma parte vos saia do ordenado, mas é a forma que existe de garantir que as pessoas vão ter reforma quando tiverem 65 anos, mas tudo por empresas privadas:


Second pillar

Almost every employee can claim a pension through the second pillar, which is built up via the employer. This labour-based pension is additional to the AOW, and so adds to it. Besides an old-age pension, most pension plans provide benefits for surviving relatives. Sometimes, it includes a right to benefits for inability to work.


The most common pension scheme is an old-age pension, based on the average salary a worker has built up during their entire career. These average-salary schemes have almost totally replaced the final salary schemes, based on employees’ last salary. Most common are DB schemes.


The Dutch state encourages saving for a pension, by not taxing the right to a pension, the so-called pension claim. However, the final benefit is liable to tax. This is called the ‘reverse rule’. The fiscal legislation requires that the right to AOW is taken into account for determining the pension amount.


An employee’s pension must be placed outside the company of the employer, either with an industry-wide pension fund, a company scheme or occupational scheme, or a life insurer. This way, the worker’s rights are protected should the employer go bankrupt.


The industry-wide pension fund carries out the pension plan for all workers in an industrial sector, for example the building industry or the care sector. A company pension fund is tied to one employer or a conglomerate of companies.


Occupational pension funds for professionals carry out the pension plans of the self-employed in the same profession, such as medical consultants or notaries. This paper only addresses industry-wide schemes.



  • Fazerem um PPR próprio é a terceira parte:


Third pillar

Workers can individually compensate a pension shortfall within the third pillar through an annuity. The contributions to a life insurer or a bank, can — within limits — be deducted from tax. However, the future annuity benefit will be taxed.

Se tiverem mais informação que queiram partilhar, a caixa de comentários é toda vossa. 

A carga da diferença cultural

Há normas para se ser bem recebido por um Holandês, como por exemplo, nunca aparecer em casa deles sem ter avisado com 3 semanas de antecedência, ser pontual, e não fiquem surpresos se a combinação incluir hora de chegada e de saída, e se a hora de chegada é às 18, é mesmo às 18, e se a hora de saída é às 10, quer dizer que às 10 da noite vos vão dizer com a sua habitual franqueza: são 10 horas, tenho que me ir deitar, até amanhã. E é porta fora minha gente, e sem levar a mal, porque a hora de saída foi previamente comunicada. Esteja a conversa onde estiver, seja o interessante que for, é 10, é 10! Andor violeta!

Há mais normas engraçadas que este rapaz expõe nesta página, e para não estar aqui a transcrever todas, recomendo-vos a leitura deste post muito engraçado e verdadeiro:

10 ways to be polite to a Dutch person

Sempre a aprender malta! Bora lá!

Momento alto do dia

Quando o meu Pai me ligou pra me contar o escândalo que foi que o Gaspar tivesse posto as reformas em títulos da dívida pública e eu lhe expliquei que sim, que achava um ultraje. Pelos menos aqui na Holanda ninguém mexe na minha reforma, já que aqui não é “como na França”, e não há reforma pra ninguém a não ser que tenha contribuído durante 30 anos pro Estado Holandês. Ou seja, é inexistente.
Há muito tempo que não ouvia tanto silêncio do outro lado da linha.

Frango de churrasco na Holanda

Há poucas coisas Portuguesas que não sejam passiveis de ser compradas na Holanda. Mas uma delas, que é mesmo difícil de encontrar, é frango no churrasco.

Esse prato tão simples e que em Portugal bate qualquer take away, aqui, a não ser que se tenha a sorte de estar bom tempo e do Zé virar uns frangos pra amigos no FC Portugal de Amsterdam: esqueçam.
Ou pelo menos assim era!
No outro dia em conversa com o Carlos e a Íris fiquei a saber que o Sr. Neves e o António Maia (Tozé ) vendem esta preciosidade congelada! E eu decidi experimentar e meus amigos: é perfeito!!!
Viva o Rei dos Frangos carago!
O preço ronda os 8 euros, e não traz batatas (não queriam mai’ nada?) mas é nota dez e da perfeitamente pra duas pessoas e até sobra pro almoço do dia seguinte.
Além disso, nestes dois sítios podem encontrar a bela da mini, bacalhau seco em folha (eles lá cortam) e bom vinho Português e a preços bem decentes.
O Tozé da Casa Bocage tem ainda pastéis de nata congelados, rissóis de leitão, croquetes, pasteis de bacalhau e uns bolos CASEIROS, feitos por uma senhora que só exporta pra meia dúzia de sítios e que são absolutamente extraordinários.
Novamente convém dizer, que não ganho cheta com isto, só não quero que haja por aí malta a chorar como eu andava, que “não havia pito na Holanda”!

Como chegar lá, telefones, horários e morada:

Daily Portugal e Casa Bocage

FB: https://www.facebook.com/DailyPortugal?fref=ts

Morada:

Casa Bocage
Haarlemmerstraat 111
1013 EM Amsterdão

Daily Portugal
Melbournestraat 24, 1175 RM, Lijnden

Site: http://www.daily-portugal-online.nl/index.php/nl/
 

Neves Importer:

ATENÇÃO – não está aberto todos os dias, só ao sábado até às 17 e a pedido durante a semana, têm que ligar pra lá pra ver se há alguém disponível.

Não tem FB

Morada:

Zwanenburgerdijk 335 1161 NN Zwanenburg

Telefone: 020 614 9092

Site: http://www.wijnimportneves.nl/

PS: havia uma churrasqueira cabo-verdiana em Roterdão mas ou fechou ou foi passada e tenho ideia que já não faz frangos pra fora. Se estiver enganada corrijam-me e mandem-me a morada da loja por favor. Agradecida!
Assinado: a muito feliz Sofia, com a pancinha cheia de pito.

Quando o nosso mundo cresce, as saudades aumentam na mesma proporção

Este ano, quando fui a Nova Iorque em Fevereiro, conheci uma miúda Espanhola que lá vive há 10 anos e que me disse que estava farta dos Estados Unidos até à ponta dos cabelos. Tem uma carreira muito gira como produtora de grandes eventos, onde conhece gente famosa todos os dias, mas trabalha que nem um animal e está farta da América. Quer voltar a Espanha, mas quando até a Família Real Espanhola se tornou uma fantochada, que fazer num País que é uma anedota?
Eu fiquei a ouvi-la e a pensar: como é que alguém se farta de viver em Nova Iorque?! Porquê Espanha novamente quando tens 25% de desemprego e nada de interessante pra fazer?

Da mesma forma que ela se fartou de NY e dos EUA, também eu me fartei de Amesterdão e da Holanda. Não sei porque é que me surpreendeu tanto apenas há meia dúzia de meses atrás, que ela estivesse cansada.

E também não sei porque é que me surpreende que pessoas acabadas de chegar estejam tão espantadas que eu esteja farta 🙂
Também falei com uma miúda Portuguesa ontem que me dizia que não conhecia nenhum Português que vivesse na Holanda há mais de 10 anos.
Eu conheço meia dúzia que vivem cá há mais de 10 anos, mas também eles estão fartos, salvo raras excepções. Acabam por permanecer porque têm um bom desafio profissional ou alguém por quem se apaixonaram e que os faz ficar.

O certo é que há uma espécie de timing para cada País e para cada nova aventura. Eu pessoalmente, mesmo sem trocar de País, tenho um timing de mudança próprio, preciso de mudar alguma coisa fundamental na minha vida de 3 em 3 anos. Vá lá que nunca me deu pra casar, senão já estava em concorrência cerrada com a Elisabeth Taylor! Mas mudo de funções, mudo de País, mudo de cidade, arranjo mais um cão (esta acho melhor não…), qualquer coisa que vire o meu mundo do avesso e puxe por mim. E profissionalmente então é imperativo fazer coisas diferentes, e está na hora. Em 2008 mudei de País, em 2011 mudei de funções e em 2014 tenho que mudar alguma coisa. Eventualmente em 2017 vai-me dar outra travadinha e mudo outra vez, até pode ser que de País.
O certo é que na sua grande maioria, os emigrantes de hoje em dia, já não emigram pra ficar o resto da vida no mesmo País. Muito menos em Amesterdão.
Esta cidade, Paris, Londres, Madrid, Nova Iorque, Singapura, Xangai, são grandes metrópoles que acolhem um número exorbitante de expats que chegam e partem todos os dias. Todos, todos os dias.
A emigração já não é o que era, mas só quem já emigrou é que percebe esta frase.
E as pessoas que emigraram e hoje vivem em Portugal nunca mais foram as mesmas e são as que vivem mais felizes, são aquelas que chegaram mesmo à conclusão que o dinheiro não é tudo, mas também que não estão limitados, estão em casa por opção e não porque o mundo não esteja à espera deles a qualquer momento. E por isso vivem livres, e são, mais felizes. Quem regressa e se sente infeliz facilmente volta a pegar nas malinhas e encontrar outro País, outro rumo, outra vida.
Têm que entender, aqueles que estão a pensar emigrar e os que estão agora a emigrar, que a frase já não é “uma vez emigrante, para sempre emigrante”, a frase agora é “o mundo é muito grande, o mundo é a minha casa, mas o meu País é Portugal”.

PS: Hoje vi um post do meu amigo Espanhol que me apresentou a tal miúda, e o post dizia: home sick, big time. E ela respondeu-lhe: anda pra casa que eu faço-te uma tortilha! Eu fiz lombo assado. Somos todos iguais. Vou ali beber uma mini!