Filmes do Tejo exibe filmes no IndieLisboa’09

“ÁGUAS MIL” (LONGA-METRAGEM)

1. Sinopse
Pedro (interpretado por Gonçalo Waddington) é um jovem encenador cheio de dúvidas sobre a peça de teatro político que tem nas mãos e a atravessar uma crise pessoal. Para além do questionamento do radicalismo revolucionário que essa peça coloca e que interpela directamente o seu próprio passado familiar, Pedro mostra-se também confuso com as novas responsabilidades e expectativas decorrentes da gravidez da namorada (Joana Seixas). A encenação parece indefinidamente bloqueada até que Pedro faz uma descoberta em casa da avó, que poderá explicar o desaparecimento do seu pai logo após a Revolução dos Cravos. Na caravana em que a família o costumava levar para férias em miúdo, Pedro encontra dois revólveres e vários documentos que lançam uma nova luz sobre tudo o que lhe tinham dito sobre a misteriosa figura do pai. Parte à procura de respostas, deixando todas as responsabilidades imediatas para trás. O filme de Ivo M. Ferreira, que assina aqui a sua segunda longa-metragem, é uma interpelante e rara revisitação ficcional de algumas memórias pós-revolucionárias portuguesas.

2. Datas de Exibição no IndieLisboa’09 e Ficha Técnica do filme

25 Abril, 21:45, Cinema São Jorge, Sala 1
29 Abril, 21:45, Cinema City Classic Alvalade, Sala 3

Ficção, Portugal, 2009, 85′, 35mm
Argumento: Ivo M. Ferreira
Fotografia: Pedro Cardeira, Susana Gomes
Música: António Pedro
Som: Vasco Pimentel
Montagem: Rodolfo Wedelles, Sandro Aguilar
Com: Adelaide João, Cândido Ferreira, Gonçalo Waddington, Hugo Tourita, Joana Seixas, Juan Jesus Valverde, Lídia Franco
Produtor: Maria João Mayer
Produção: Filmes do Tejo II

3. Nota do Realizador

Houve, em todas as épocas, homens e mulheres que abdicaram das suas vidas pessoais para se dedicarem à política, para construírem um mundo melhor e mais justo. Tive o privilégio de me cruzar com um ou dois destes seres especiais, por quem sinto um imenso respeito e um grande fascínio.
Sinto, por vezes, boa inveja dos revolucionários da época do fascismo porque eles tinham um inimigo bem claro para combater.
No marasmo em que vivemos, o inimigo é ténue. O maior de todos parece residir dentro de nós. Da minha parte, tento sempre encontrar a melhor forma de o combater.
Durante dezenas de anos, para combater o fascismo, foram necessárias diversas formas de luta e, também, a luta armada. Após o 25 de Abril, quando se procuravam novos caminhos, vários grupos armados foram constituídos com vista a preservar o que alguns militantes de esquerda acreditavam ser o espírito original da revolução. Hoje,
parece-me absurdo, a mim que detesto violência, mas não condeno de modo algum estes processos em absoluto e, por isso, trato-os com respeito. Foram actos de coragem. Talvez até um dia, voltem a fazer sentido.

ÁGUAS MIL é a voz dos “filhos da revolução” exigindo à geração dos pais que contem o que se passou na História recente de Portugal, quando o País e o Mundo
transbordavam de ideias que caíram antes de se erguerem.

4. Biografia do Realizador

Nascido em Portugal em pleno rescaldo da revolução de 1974 e no seio de uma família de artistas politicamente activa, Ivo Marques Ferreira esteve desde sempre em contacto com o teatro e o cinema.
Iniciando a sua formação técnica e artística em Lisboa, trabalhando como fotógrafo, actor, produtor, encenador e “light designer”, Ivo segue para uma breve passagem na London International Film School, e na Universidade de Budapeste e chega finalmente à China, destino que marcará para sempre a sua vida pessoal e profissional: monta uma pequena produtora em Macau e realiza o seu primeiro filme (e recebe os primeiros prémios). De volta a Portugal, a convite da Exposição Universal de 1998, realiza uma também premiada curta-metragem e pouco tempo depois, dirige a sua primeira longa-metragem. Em 2006 recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para um curso de Escrita de Argumento leccionado pela L.I.F.S., o que o levou a lançar-se na escrita, e realização, daquele que é até agora o seu projecto mais pessoal: “Águas Mil”.
Recentemente, acabou de ser pai e concluiu o documentário “Go with the Wind”, que o levou novamente à China, desta vez para abordar o tema da emigração.

Wall-e – Considerações à minha moda

Let’s look at the trailer!

Só é…o filme mais TERNURENTO que vi nos últimos bons anos.
Como é que é possível que um filme com tão pouco diálogo (pra mais diálogo em “robotês” e que vi sem legendas!) nos agarre durante hora e meia, e ainda consiga ser tão maravilhosamente doce e transparente na mensagem?
O Wall-e faz tudo pela Eve, não é um herói, é apenas um apaixonado. E inocentemente, tudo o que mais deseja é andar de mão-na-mão com a robô com as luzinhas mais expressivas da história do cinema dos desenhos animados!
Cuidemos a Terra, as plantas, façamos dela a nossa Casa. Somos privilegiados.
Aquilo para que fomos “concebidos” é distinto daquilo para que estamos “destinados”.
Ele até tem uma baratinha como animal de estimação! Um emprego, uma rotina, um hobby, e de repente…apaixona-se.
Este filme é delicioso, aqui, do meu ponto de vista, não falha nada, é uma obra-de-arte da Disney, e deixa com certeza o Senhor Walt Disney orgulhoso do seu séquito.
Perfeito para um dia de S.Valentim 🙂

PS: eu quero um robô assim!

Benjamin Button … considerações à minha moda

– Pra início de conversa, o cinema estava à pinha de mulheres aos pulinhos como se 13 anos tivessem, só pra ver o Brad. Uma que estava 4 filas à frente desatou a bater palminhas numa das cenas em q o homem apareceu. Foi das cenas mais ridículas que já vi numa sala de cinema. Foi vê-las literalmente com o pito aos saltos! Oh senhoras, o homem é da Jolie e não vai sair do écran só pra vossa baba lhe escorrer por cima!

– A actuação da Cate Blanchett é EXTRAORDINÁRIA.

– O Brad Pitt escolhe sempre filmes a dedo, e como ancião tá fabuloso no que toca a interpretação. No resto também, mas não sei como é que foi na onda da venda de bilhetes e se deixou apanhar em cenas como homem solitário em veleiro e na mota que mais não são do que clichés e brilhantes desculpas pra close-ups e suspiros mil na sala.

– Tenho de confessar q o homem é tão bonito aos 40 que até a mim me faltou o ar umas 3 vezes nessa altura, mas não guinchei nem saltei na cadeira como as minhas colegas de cadeira. Mas que o gajo tá bom: está!

– O argumento por detrás do filme é brilhante. Faz-nos pensar, pelo menos a mim fez, no esforço que as pessoas fazem pra não envelhecer e no quanto queremos ser “crescidos” muito depressa quando somos pequenos ou jovens.

– Coisa incrível foi a grandessissima paiosa do Pai do Benjamim que o foi deixar sem ter noção, mesmo à porta dum lar de terceira idade!! Ganda pontaria, ah? Onde mais saberia e teriam todo o material pra tratar dum velho?

– Giro foi ver como um velhote pode ter a idade dos porquês e a inocência própria das crianças. Ele nasce velho…mas sem qq experiência. Nunca tinha pensado nisto…

– Não foi à escola, por isso também não sei como aprender a escrever ou fazer contas…

– Os idosos que o acompanham geram cenas muito engraçadas, mas acima de tudo mostram o abandono a que são entregues muitas pessoas com a idade. Deixa-se o resmungão/resmungona lá no lar, e a família põe-se ao fresco.

– As coisas que eles têm pra nos ensinar são valiosas e o Benjamim aproveita cada uma delas enquanto é “pequeno”.

– A Daisy está no auge da juventude e é uma bailarina belíssima, e o choque entre os 23 anos dela e os 26 (mas com imagem de 60 e picos) do Benjamim nada tem a ver com diferenças de idades. Apenas com diferentes vivências. Se a malta crescesse sem a possibilidade de fazer coisas próprias da idade que lhe poderia acontecer? Parecer um velho muito cedo, ou pura e simplesmente absorver tudo o que pode numa altura desenquadrada dos demais?

– A história de amor de Daisy e Benjamim está muito bem feita e enquadrada.

– O tufão que levou New Orleans pela frente é alguma metáfora ou está lá só pra dar o ar de Titanic?

Resumindo: eu gostei mas falta ali qualquer coisa naquele filme que ainda não consegui discernir o que é…?! Uma colazinha qualquer que faça com que o filme seja inesquecível…será a clareza da mensagem?