A dona de casa perfeita, que também sou eu

Ora como viram lá pra baixo, a minha Mãezinha ofereceu-me um livro que se chama “A Dona de Casa Perfeita”.
Eu quando vi o livro bufei, revirei os olhos, e ri-me.
Como já conheço o que a casa gasta decidi que primeiro ia ler e depois ia falar com ela sobre o mesmo e nos entretantos dei um salto ao blog da Mónica Duarte, blog que tem o mesmo nome do livro. Encontram o dito cujo em www.organizaracasa.com
E eis então a resenha do livro do qual, confesso, até gostei bastante.

O mau:

– Limpa tudo com vinagre e água. O vinagre é a nova (muito antiga até) banha da cobra, serve pra tudo.
– Congela tudo o que é humanamente possível.
– Põe tudo em caixas com etiquetas com data, nome e tudo. Mas é sempre caixas e cestos, deve ter uma renda na loja dos chineses e no IKEA.
– É a pessoa mais possuída com organização que já li. Deve ser Virgem com ascendente em Virgem. Tem listas pra tudo e nem sei bem como é que se organiza com tanta lista. São muitos anos a virar frangos.
– É forreta até à quinta casa dos infernos e aproveita qualquer coisa, sendo que a que mais me chocou foi a de ter usado uma tablete de esferovite que vinha com a carne como base para um centro de mesa num jantar com amigos.
– A comida é sempre mais do mesmo. É das que prefere poupar a fazer receitas XPTO e come sempre na mesma base de sopas, atum com massa (quem é que tem como comida favorita atum com lacinhos?!), fiambre e frango desfiado, um bacalhau aqui, um polvo ali se estiverem em promoção.
– Um dos programas favoritos da moça é o “Extreme Couping”, I wonder why?!
– A mania das limpezas deve-lhe consumir horas e horas por dia. Ela diz que é só meia hora, mas depois vai-se a ver e tem tarefas semanais e mensais. Eu dava em doida. Abençoada seja a minha mulher-a-dias que ao sábado me deixa a casa num brinco.

O bom:

– Tem um cão, o Simão. Gosta muito dele e eu gosto de pessoas que gostam de animais.
– As dicas que dá pra ter a casa limpa e cheirosa com pouco dinheiro. As minhas favoritas foram claramente:
         1) Limpar os pêlos dos animais dos sofás e tecidos: usar uma luva de borracha e esfregar.
Sai tudo! Já não gasto mais dinheiro em rolinhos autocolantes! É espectacular e recomendo vivamente.
         2) Usar meio limão pra afastar os cheiros da máquina de lavar loiça.
         3) (espantem-se!) Usar vinagre pra limpar o calcário da resistência da chaleira e pra desengordurar pequenas coisas (como o abre-latas) onde a gordura se enquistou.
          4) Dicas de como tirar nódoas. Nunca me passaria pela cabeça usar o gás do isqueiro pra tirar nódoas de gordura, mas não é que funciona?
– É impressionante a ginástica e a disciplina que ela faz para conseguir orientar-se com uma média de 100 euros por mês pra duas pessoas. Gabo-lhe a paciência ao coleccionar cupões e usá-los sempre em benefício acertado e a poupar aqui e ali e conseguir comprar bons produtos por metade do preço. Desde que vim pra Holanda aprendi a fazer isso com os Holandeses e posso-vos dizer que já poupei bastante guito. Nice!
– Viaja com o dinheiro que vai arrebatando e isso parece-me muito bem.
– O livro em si está muito simples, bem organizado, lê-se e consulta-se muito bem e lê-se todo numas horas e fica-se com uma ideia geral de que pontos é que podemos aproveitar para o nosso dia-a-dia para ganharmos tempo e dinheiro.

Este ano conheci uma miúda que se auto-intitulou “a pessoa mais forreta que conhece”. Uma miúda de famílias “supé-bem”, das tradicionais, e que é, efectivamente, a gaja mais forreta que já algum dia conheci. Pra vos dar um exemplo, ela não janta fora nunca porque acha que é um desperdício de dinheiro. Diz que com esse dinheiro pode ir dar a volta ao mundo e o certo é que ela farta-se de viajar e conhecer. Mas a cena mais impressionante que a ouvi dizer foi como fez um inter-rail durante um mês pela Europa e gastou 250 euros no total. Fazia sopas instantâneas em garrafas de água cortadas ao meio.
Meu, a sério, é too much pra mim. Eu se vou visitar um País quero experimentar a comida toda que têm pra oferecer e visitar os museus que me apetece. Prefiro comida de rua a restaurantes da moda, mas comer BEM é essencial. Até posso dormir numa pensão, que pro tempo que lá passo é mais que o suficiente, mas não vou dormir numa estação de comboios pra poupar 10 euros, era o que mais faltava. Nem aos 18 faria isso, quanto mais aos vintes ou aos 30.
Há pessoal que exagera, mas se são felizes com a sua opção, tal como lhe disse a ela: amiga, sê feliz, mas lembra-me que o convite pra jantar tem que ser na minha casa e não na tua, senão saio de lá com uma intoxicação alimentar.
Eu GOSTO de comer, eu GOSTO de cozinhar, não pretendo fazer menús da semana nem pensar no que vou comer 7 dias antes e se praticasse as receitas da Mónica Duarte acho que morria à mingua que aqui a JE é pessoa de sustento.
O certo é que chego a gastar 300 euros por mês no supermercado (só pra mim) e que aprendi a como fazer pra gastar menos, tanto com a miúda “a pessoa mais forreta que conhece” como agora com o livro.
Sobra mais pras “patelas” dos cães 🙂 e acima de tudo, pras minhas viagens.
Também gosto de usar pequenos truques que me tornem a vida mais fácil e como tal vou lendo e revendo o que a Mónica faz e aplicar o que me der mais jeito.
Tenho-lhe a agradecer porque foi efectivamente uma boa ajuda.

Em suma, recomendo sim senhora o livro e foi uma boa oferta da Mãezinha que afinal não foi tonta de todo e ofereceu-me algo útil. Ela é que não lê blogs (graças a Deus!) senão tinha-me dado o link e poupado 15 euros! Vês minha Mãe como aprendi?

Poesia em prosa

Era uma vez uma porta que, em Moçambique, abria para Moçambique. Junto da porta havia um porteiro. Chegou um indiano moçambicano e pediu para passar.  O porteiro escutou vozes dizendo:
 – Não abras! Essa gente tem mania que passa à frente!
E a porta não foi aberta. Chegou um mulato moçambicano, querendo entrar. De  novo, se escutaram protestos:
 – Nao deixa entrar, esses não são a maioria.
 Apareceu um moçambicano branco e o porteiro foi assaltado por protestos:
 -Não abre! Esses não são originais!
E a porta não se abriu. Apareceu um negro moçambicano solicitando passagem. 
E logo surgiram protestos:
 – Esse aí é do Sul! Estamos cansados dessas preferências…
 E o porteiro negou passagem. Apareceu outro moçambicano de raça negra, reclamando passagem:
 – Se você deixar passar esse aí, nós vamos-te acusar de tribalismo! 
O porteiro voltou a guardar a chave, negando aceder o pedido.

Foi então que surgiu um estrangeiro, mandando em inglês, com a carteira cheia de dinheiro. Comprou a porta, comprou o porteiro e meteu a chave no bolso.

Depois, nunca mais nenhum moçambicano passou por aquela porta que, em  tempos, se abria de Moçambique para Moçambique.

Mia Couto

Se nunca leram Mia Couto, não sabem o que perdem. Leiam o Jesusalém, é verdadeira poesia em prosa, lambem-se as palavras e sonha-se acordado.

E prendas que eu me dou a mim própria

Vi este livro numa livraria em Zurique e custava a módica quantia de 34 euros.
Achei um absurdo, por isso tirei-lhe umas fotos e quando voltei encomendei o livro online. Pela primeira vez na vida encomendei um livro na amazon em segunda-mão. Pois o livro veio como novo, IMPEC, e custou-me 7 euros (portes de envio incluídos).
E agora já posso fazer os parque nacionais todos da Europa.
É óptimo pra fazer escapadas e pretendo “limpá-lo” inteirinho aos bocadinhos.
Os parques recomendados da Croácia já cá cantam, agora só me faltam as outras 300 páginas!
Pro caso de gostarem de fazer trekking, caminhadas ou montanhismos, eis um livro que dá óptimas dicas e que podem aproveitar.

Ganda flop, é verdade!

Nas férias acabei de ler “A insustentável leveza do ser” do Milan Kundera e só para terem uma noção do quanto gostei da história do livro (not), cheguei à última página enquanto dava duas de treta com a minha amiga. Passo os dedos, e vejo um terço de página preenchida e na página seguinte “epílogo”. Passo nova página e eis se não quando me apercebo que o livro acabou!!
O Kundera deve estar a gozar comigo! Esta merda acaba assim? Com um epílogo escrito por uma intelectualóide snob que escreve frases como quem caga palavras? Qué esta porra?!
Pardon my French, mas é que a sério, foi irritante.
Comecemos pelo princípio: é óbvio que o impacto que um livro tem em nós depende muito da idade com que o lemos. Se calhar, se tenho lido o livro há mais anos ou numa altura em que estivesse apaixonada, ter-me-ia dito mais.
Posto isto, digo-vos que não só não me identifiquei com nenhum dos quatro personagens principais, como que todos eles me irritaram profundamente. Detestei o Tomas e a sua pulha infidelidade coberta por vontades psicóticas de obter o mais profundo identificativo de cada mulher. A Tereza vitimiza-se, tem pena constante dela própria, apropria-se dos outros, é o tipo de pessoa dependente que me revolve as entranhas. A Sabina é uma artista de beco em busca dum eterno “eu” indefinido que justifica, acha ela, o facto de pinar os gajos sem se comprometer. o Franz é um banana, um pateta, um triste, o típico que nunca acha que o que tem é o suficientemente bom e busca sempre no buraco do lado aquilo que nunca conseguiu ser.
O livro está extremamente bem escrito, tem frases que devem ser exploradas mil vezes, e se o tivesse visto no cinema (como no caso do Single Man), se calhar até teria gostado do filme e iria querer ler o livro. Porque o texto é profundo, tem conteúdo, é honestamente de qualidade. Mas os personagens são abjetos, a história em si é dada mais a um exercício de Filosofia que a uma história propriamente dita.
Basicamente senti que o livro foi escrito para me fazer pensar usando uma história até bastante primária: woman loves man, that loves another women. Man loves woman who loves another men.
Não me levem a mal, as expectativas eram minhas. Mas quando tantos de vocês me disseram: lê que é mesmo muito bom! eu pensei que era algo diferente…vá, mais interessante, não sei que vos diga. Eu gostei do livro. E não é um gostei porque fica bem dizer que gostei. É um gostei sincero. E como disse, é porque está realmente bem escrito. Escrever continuamente em regressão e avanço não é pra todos. Os textos são bons, há partes que cada vez que reler vou encarar de modo diferente. É bom ler escrita de qualidade, que não me insulta o cérebro (como um que li aqui há uns tempos e que era um best seller do NY Times e me ia dando uma coisinha má), pelo contrário, que me estimula. 
Mas acabar assim um livro destes? Pensei que no fim os personagens se enlaçavam, que o Franz era a Tereza ou a Sabina uma personagem esquizofrénica do Tomas, que a Tereza matava o Tomas, sei lá, qualquer coisa assim que me surpreendesse!
Assim não! 
Limitei-me a engolir baba e ranho no episódio final do Karenine (por motivos mais que óbvios) e a pensar que sim, o homem no final soube descrever a diferença entre o amor pelo animal e o amor por um ser humano. Magistralmente. Agradeço-lhe do fundo do meu coração essas três páginas.
Vão-me acompanhar pra vida.
Fora isso, eh pa, volta lá a rever o final, ó Kundera, que aquilo foi pra meninos…assim foi um ganda flop ó menaço!

Take it easy

Já li várias vezes que se nota que lemos um bom livro quando temos saudades das personagens do livro. Já há muito tempo que não lia um bom livro então, porque eu juro que ando com saudades dos personagens do Fall of Giants. Principalmente da Maud, do Billy e do Walter. Até sei os nomes e tudo! Verdadeiro milagre! Mas não leio mil páginas já outra vez, respira fundo Sofia Maria, respira fundo!

Fall of Giants is over

Finalmente acabei o Fall of Giants. Comprei-o em Janeiro e desde então passaram-se 5 meses. Normalmente sou bem mais rápida, mas como o livro era pouco transportável (é um autêntico tijolo, abre a cabeça a um gajo em menos de 3 segundos), sobraram os tempos de leitura antes de dormir e avancei mais lentamente.

O livro é bom, é mesmo muito bom. É um documentário romanceado sobre a Primeira Grande Guerra Mundial. O Ken Follet começa em 1911 e termina em 1923 a contar as estórias de 5 famílias: uma russa, uma americana, uma Galesa, uma Inglesa e uma Alemã. As vidas dos personagens enlaçam-se durante o desenrolar da Primeira Guerra Mundial e ajudam o autor a explicar a mudança dos tempos, o fim da Monarquia em muitos Países e o ascendente dos trabalhadores ganho através de revoluções constantes do proletariado industrial do início do século XX. 

Conta a Revolução Russa Bolchevique, o antes (com Tsar) e o depois (com Lenin), a primeira intervenção na Europa da Presidência dos Estados Unidos, o início da utilização de gases letais (introduzida pelos alemães e pelos ingleses na WWI) e metralhadoras, a Greve dos Mineiros no País de Gales, o funcionamento da Política Inglesa e a queda da aristocracia, as batalhas de Somme e a do Chatêau-Thierry em França, a crise profunda em que mergulhou a Alemanha durante e após a WWI, o movimento das Sufragettes, e tudo o que possam querer saber sobre esta época, até sobre o aparecimento da arte deco ele fala, e conta tudo com um detalhe que denota uma investigação muito completa e aprofundada que vale mesmo muito a pena ler.
Eu sempre gostei muito de história, mas sempre gostei que ma contassem, não que me pedissem pra decorar factos e locais e momentos. Ler os livros do Ken Follet, por pouco transportáveis que sejam, dá-me uma perspectiva e um conhecimento extraordinários que de outro modo nunca conseguira ter.

Este é apenas o primeiro livro da Triologia a que se propôs sobre o século XX.
O segundo vai ser sobre a Segunda Guerra Mundial, e vai compor as mesmas famílias, sendo que nenhuma delas é Judia. Estou morta por saber como é que se vai deslindar.

Agora vou ali mergulhar no Milan Kundera, que já percebi que vai ser devorado num abrir e fechar de olhos. Há mais conteúdo neste livro sobre a filosofia com que encaramos a vida, que em dezenas de palha que por aí anda.


Hoje prometi a mim mesma não fazer rigorosamente NADA a não ser cuidar de mim, da leitura e é claro, dar mimos à Petzi.
Tot ziens!

Feita ao bife

E hoje passei na Bertrand e descobri que a Editora Leya criou uma edição dos clássicos a 7 euros e meio e cinco euros cada livro….
Lá tive eu que trazer a Insustentável Leveza do Ser do Milan Kundera (por 6 euros e 75, oh yeah!).
Aproveitei e açambarquei o Bússola para Navegadores Emocionais da Elsa Punset e O Mundo É Fácil – Aprenda a Viajar do Gonçalo Cadilhe.
E agora tenho de estudar muito bem estudadinho como é que vou levar tanto livro comigo de volta pra Holanda… cheira-me que em mochila às costas…vai custar, mas vale a pena!

O resultado do Desafio Literário de tanta boa alma foi este…

Por coincidência, a feira do livro de Braga é esta semana e acaba este Domingo. Não tinha tanta coisa como gostaria, mas deu pro gasto… hehehe
Só não trouxe mais livros porque depois tenho de carregar com eles e é um frete andar a deixar coisas pra trás que não cabem na mala por causa do peso adicional. Senão a colecção inteira da Jane Austen (que estava a 5 euros o livro) tinha marchado todinha.
Não consegui comprar com muita pena minha, A Insustentável Leveza do Ser do Milan Kundera, mas fica pra próxima ronda, assim como “O Conde de Monte Cristo” e o “Último Cais”. 
Lá chegaremos, lá chegaremos! De momento com estes acho que tenho q.b., não?
O meu mais sincero obrigada a quem participou no desafio literário e recomendou estes e outros portentos da literatura universal. I like you!!

Ali em baixo faltou nomear (eu sabia que me ia esquecer de autores importantes)

O GRANDE Gabriel Garcia Marquez de quem sou grande grande fã (graças à minha Maria que passa por aqui e que se tiver paciência também pode responder ao desafio, que esta mulher é uma enciclopédia!) e de quem li os 100 anos de Solidão (e adorei, embora as primeiras 50 páginas sejam um bocadinho seca) e o Amor em Tempos de Cólera, e ainda o excelente Memórias de mis putas tristes. E mais o resto… 
Também li muito Isabel Allende, mas ultimamente a Senhora anda a encher chouriços e nota-se que é obrigada a escrever um livro de dois em dois anos, porque o livro A Ilha debaixo do Mar é um bocadinho um flop.. no entanto o Cuentos de Eva Luna, A Casa dos Espíritos e a saga da Filha da Fortuna e do Retrato a Sépia, e por último, os fabulosos O Plano Infinito e o De amor y de sombra (que se não leram ainda, leiam, por favor), são livros que bem podem ser de culto de tão bem escritos que estão. Se puderem leiam em Espanhol. A versão original não é comparável à tradução, por muito bem feitas que estejam a maioria. A beleza e a riqueza das palavras espanholas usadas para descrever emoções e sentimentos é … inigualável, não conheço mais autores de habla española como eles.
Há outra autora de que gosto muito mas que tem sempre uns livros com uns nomes muitíssimo pirosos (rais parta os tradutores) que é a Laura Esquível (outra para ler em Espanhol) e que escreveu livros como: Como água para chocolate (se não leram podem ir a correr comprar, sim?) e o Tan veloz como el deseo que falam sobre o início do século XX.

E tenho a certeza que me esqueci de muitos outros,  mas se eu começo a desbobinar aquilo tudo que li, nunca mais de cá saio!

(depois se quiserem assim livros mesmo muito densos e a puxar pro intelectualóide, o Tolan recomenda umas cenas e tal, ok? E o tipo do Controversa Maresia também. A Luna Maria também sabe umas coisas, eu cá sou assim basicasinha e gosto mto de literatura espanhola, que é que se vai fazer?)

Desafio literário (mais um)

Desafio Literário

A I. desafiou, e só, mas SÓ porque é pra falar do meu passatempo favorito, cá vai a minha resenha literária.

1 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Ao longo dos meus profícuos 34 anos já li tanto livro que releria, mas gosto de ter tempo e espaço para livros que me vão arrebatar que raramente volto a ler algum. Mas já reli vários. Tenho gratas, muito gratas recordações dos meus livros de adolescência e por eles tenho um carinho muito especial como pelo Primo Basílio, a Morgadinha dos Canaviais, as Pupilas do Senhor Reitor, os Maias, o Crime do Padre Amaro… Além destes releria com muito gosto qualquer livro da Alice Vieira que preencheu o meu imaginário dos 7 aos 12 como o Chocolate à Chuva, Lote 12 – 2° frente, Rosa minha irmã Rosa… são livros que ofereço aos meus primos pequenos e que “lambo” em duas horas de intensa alegria. Há mais, mas estes foram fundamentais no meu crescimento, assim como os da Sophia de Mello Breyner, com a qual aprendi a ler, e que por conseguinte pura e simplesmente: gosto, amo e releria.


2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?


O livro “Fazes-me falta” da Inês Pedrosa. Odeio o livro, a escrita, os textos, detestei o livro do início até ao ponto onde desisti. Se insisti na leitura foi porque gastei dinheirinho naquelas páginas e detesto sentir que gastei dinheiro mal gasto. É como se, cada vez que deixo um livro a meio, tivesse que admitir a minha estupidez perante a escolha, a minha soberba ou ignorância. Mesmo quando o livro é mau leio sempre até ao fim. Pancas. Mas este foi tão mau, mas tão soberbamente MAU que fui incapaz de o terminar.
Além deste posso acrescentar qualquer livro do António Lobo Antunes. Chamem-me estúpida, ignorante, see if I care. Não consigo ler nenhum dos livros do Senhor. Sou incapaz de compreender mais de 3 páginas seguidas. Diria mais: nem sequer uma única página!

3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?


Sou anti-rotina, não sei se conseguia ter um único livro a vida inteira na cabeceira. Um livro que leio e releio quando posso e do qual absorvo sempre algo diferente…eh pa, não é mesmo fácil escolher… talvez um dos livros do Amin Malouf, ou algum do Arturo Perez Reverte…sei lá, que básica que eu sou, mas esta pergunta é um pouco como aquela do: livro que mudou a tua vida?
Há tantos… Livros de que gostei mesmo muito, não necessariamente porque os releria ou porque tenham mudado a vida, mas porque tive um prazer incrível ao lê-los … por exemplo o Jesusalém do Mia Couto, o Deus das Pequenas Coisas (que me custou horrores começar a ler, mas que acabei  de uma assentada depois das primeira 100 páginas e terminei de o ler cheia de tanto sentimento na alma), A Peste do Albert Camus ( magistral, têm que ler!),  o Périplo de Baldassare, O Leão Africano, o Pillars of the Earth, e pronto, fico só por aqui. Relia-os a todos com muito gosto, não sei é se para o resto da vida. O resto é muito longo!

4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

O Great Gatsby, a Bíblia, o Retrato de Dorian Gray.

5- Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?


Belíssima pergunta! Não faço a mais pálida ideia. Talvez o final do Deus das Pequenas Coisas. Ou o final da Tabla de Flandres ou do Club Dumas. Tenho memória de peixinho Dora, dá pra perceber?


6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?


Sempre li muito, desde pequena. A minha professora da Primária oferecia a colecção dos livros da Formiguinha ao aluno que melhor lesse. Como ganhei o concurso durante 3 períodos seguidos, ela decidiu falar com o meu Pai e recomendou os livros da Sophia de Mello Breyner para me incentivar a ler. Lembro-me que os li todos, mas que só comecei a gostar mesmo muito de ler quando comecei a ler Alice Vieira, o Colégio das Quatro Torres, As Gémeas e depois passei para os grandes clássicos Portugueses e aos 11 anos lia Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz…depois foi sempre a abrir!

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Chato chato, mas mesmo muitíssimo chato foi a Sibila da Agustina Bessa Luis. Rais parta o livro, que aquilo era uma seca do pior e era leitura obrigatória no meu décimo segundo ano. Tive sorte que dois dias antes do teste tive uma noite de diarreia do pior passada na casa de banho acompanhada da Sibila. Chiça penico, que nunca mais o quero ver à frente! Que tortura de texto!!!

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Já indiquei antes, mas há muitos como o Romance da Raposa, qualquer um do Arturinho (supra citado), A Peste do Albert Camus, a Matilde Assensi tem uns livros muito bem escritos de suspense histórico, qualquer um do Mia Couto, e não me vou repetir mais porque há tanto por ler ainda que este post pode bem ficar muito desactualizado daqui a dez dias.


9. Que livro estás a ler neste momento?

Ando a ler o Fall of Giants do Ken Follet há uns 3 ou 4 meses. O livro é excelente, a pesquisa do autor é soberba, mas tem o enorme inconveniente de pesar 5 kilos (exagero!) e parecer um tijolo amassa miolos o que dificulta o transporte do dito cujo para todo o lado e justifica que eu esteja há tanto tempo a lê-lo. Mas estou a gostar muito, e acima de tudo, a aprender imenso sobre o início deste século e a primeira guerra mundial. Recomendo vivamente o livro, e nem a meio vou!

10. Indica dez amigos para o Meme Literário: 

Não sei se o people já foi escolhido, mas cá vai disto, só pra chatear a malta que eu sei que gosta muito de ler:

Zôzô
Patrícia
Luna
Ceres
waterfall
Sinapse
Joana
Rafa
Jibóia
Nice