Isto de ter uma cadela hipé mega gorda

faz com que me sobre pouco tempo para outras coisas como acabar de vos contar a Rota do Adriático. E não vamos falar de política senão acabamos todos a chorar e não há necessidade.
Tenho estado entalada em trabalho e auditorias, e o fim de semana em Barcelona foi fantástico, mas vim de lá bastante cansada. Acho que ainda não recuperei de todo e nem sequer me embebedei. É que isto de andar de mala às costas é muito giro, mas mói que se farta. Já sei que não têm peninha minha nenhuma, e não é pra ter. Eu aproveito muito bem a minha vida e os meus momentos. Mas que estou cansada, isso estou.
Entre várias outras coisas que me apetece contar, conto-vos que nas fotos oficiais do casamento fiquei na foto dos noivos com os irmãos da noiva. Baba e orgulho escorriam-me pela boca assim aos gomos, drop, drop, drop. Comi divinalmente, tanto comida Catalã como Asturiana. Tinha imensas saudades de comer BONS enchidos, BOM queijo (comi um queijo Manchego de ovelha e rosmaninho que ainda está cravado na minha memória – Quesos de la Huz) e “embandulhei” tudo o que pude. Andei pros lados da Sagrada Família e tirei um porradão de fotos. E o nome da cidadezita onde foi o casamento é Sils e não Sigs…sorry!
Tomei a decisão de dedicar mais tempo às pessoas que me são mais próximas e deixar de tentar ir “a todas”. Conheço gente a mais, e faço demasiados fretes: “ai não que senão é chato” ou a variante “tenho que ir senão vai ficar chateado(a)”. Vou ter 3 cães e não me vai sobrar muito tempo para despender com pessoas que desaparecem de circulação passado uns meses ou que só me convidam “porque ela é sempre tão animada”. 
Passo a explicar: eu nunca fiz amigos de copos, porque é que os haveria de ter agora? E vou começar a cobrar cachet de animadora de serviço. Seriously. Esta merda de ah e tal, vens à festa porque és muito divertida, nem imaginam a estucha que é. Tudo bem que é muito bom que achem que eu sou uma pessoa animada, é mesmo bom sinal, é sinal que sou feliz. Mas o próximo (a) que me tentar usar para animar a malta, juro que fica a falar sozinho. Saio porta fora assim que perceber que é pra isso que lá estou. É que vocês não acreditam se vos disser a quantidade de malta que me convida pra tal. São pessoas que nem sequer gostam muito de mim ou que não têm algo em comum comigo, mas que me convidam porque eu sou bem disposta e falo com toda a gente. Tipo vaso de flores, estão a ver? Naquela do “olha que gira, fica mesmo bem ali a dar vida à sala”.
Acabou-se.
Nem toda a gente tem que gostar de mim, mas eu também não tenho que gostar de toda a gente, certo?
Para verem o lado positivo da coisa, eu fiz alguns amigos de quem gosto a PACOTES e raramente os vejo porque o meu tempo voa a combinar cenas com outras pessoas. Tenho a Iolanda em Braga que mal vejo, a Laura em Barcelona, a Inma em Zaragoza, o Pedrocas em Den Haag, o Marmita e o Hugo, a Patxi e o Pina e os meus putos da Candeia em Lisboa, a Francesinha no Porto, e mais uns quantos por aí espalhados a quem não consigo dar a atenção que merecida porque passo a vida a combinar coisas por impulso, com gente que se calhar não me interessa assim tanto.
Agora vai ser restrito e quem quiser mesmo mesmo muito estar comigo, que venha cá casa que eu agora vou ali ser avó e já venho.
PS: vou fazer o meu funil, se é que me entendes!

Sabedoria

Perguntaram numa ocasião a Mahatma Gandhi quais são os factores que destroem o ser humano, ele respondeu assim:

“A Política sem Princípios, o Prazer sem Responsabilidade, a Riqueza sem Trabalho, a Sabedoria sem Carácter, os Negócios sem Moral, a Ciência sem Humanidade e a Oração sem Caridade. A vida tem ensinado a mim, que as pessoas são amáveis, se eu sou amável; que as pessoas estão tristes, se estou triste; que todos me querem bem, se eu quero bem a eles; que todos são maus, se eu os odeio; que há rostos sorridentes, se eu sorrio para eles; que há rostos amargurados, se estou amargurado; que o mundo é feliz, se eu sou feliz; que as pessoas tem nojo, se eu sinto nojo; que as pessoas são gratas, se eu tenho gratidão. A vida é como um espelho: Se sorrio, o espelho me devolve o sorriso. A atitude que tomo na vida, é a mesma que a vida tomará ante mim.”

“Quem quiser ser amado, que ame”

Estas palavrinhas bem pensadas fazem bem a muita gente que aí anda. Arrebitem e deixem-se de culpar os outros pela vossa infelicidade.

Corações partidos

Nunca soube bem o que dizer aos amigos e família o que fazer quando lhes partem o coração em mil pedaços e os prostram pelo chão, fazendo-os atirar a toalha e deixar de acreditar.
Há quem lhe chame “a perda da inocência” ou a “perda da ingenuidade”. E é verdade. É como quando alguém morre ou está em risco de vida. Nunca mais nada volta a ser o mesmo.
De repente a bolha onde nos encontrávamos, aquele mundo todo cor-de-rosa e cheio de esperanças e planos para o futuro esfumaça-se. Torna-se tudo mais negro quando a decisão é unilateral e inesperada. Aqui há uns tempos uma miúda de 25 anos contou-me que estava a começar a fazer tratamentos de infertilidade porque queria ser Mãe dos filhos do rapaz com quem estava. Passado três meses disse-me que o tinha deixado porque afinal de contas era o melhor amigo dela, mas não estava apaixonada. Eu não conheço o moço, nem faço ideia de quem seja, mas ele deve ter ficado de rastos. E ela estava a recompor-se a olhos vistos. Tinha tomado duas decisões diametralmente opostas num curto espaço de tempo. Dum dia pro outro passou do “és o Pai dos meus filhos” para um “já não te amo”. E eu, que não tenho nada a ver com a história, não compreendi. Imagino que ele então não tenha entendido de todo.

Acompanhei também de perto uma relação que eu sempre entendi que corria muito bem e que efectivamente as pessoas certas se tinham encontrado. De um dia pro outro ela diz-me “já não o amo, vejo-o quase como um irmão”. Partiram o coração do meu amigo em estilhaços e levou-lhe bem mais de cinco anos a recuperar. Não só como homem capaz de amar, mas como pessoa capaz de dar, de se entregar fosse ao que fosse, fosse a quem fosse. Triturou tudo à volta dele suportado pelos amigos que diziam: tu tens mais é de sair e aproveitar a juventude, tu precisas é de gajas! Não é de uma, é de muitas! Ao que se segue o infalível: ela não te merece! E outro tipo de apoio mais ou menos na base sempre do “ela é um vaca” ou “ele é um palerma” e o nunca imperdível “as gajas são todas umas …(feel in the blank)
Ora eu pessoalmente não acho nada que a moça fosse parva. Ela não se sentia segura e preferiu não arriscar um divórcio e tentar ser feliz com outra pessoa. E está no seu direito. Continuo a achar que ela era uma rapariga excelente e que foi uma pena porque na minha opinião eles poderiam ter resultado, mas eu não sou ela e como tal não posso tomar decisões ou formular julgamentos com base na minha amizade ou carinho pelo rapaz que ela “abandonou”. O certo é que nunca os vi ter uma discussão e eles davam-se mesmo bem. Se a mim me custou vê-los separar-se, para ele foi devastador. Mas ela é que sabia da vida dela.
Quando estas coisas acontecem, e acreditem que não foram poucas as vezes a que assisti a este tipo de rompimentos, fico também eu destroçada. Porque me custa horrores ver os meus amigos a chorar, a não comer, a sofrer horrores, a morrerem de ciúmes porque elas já têm outros, e acima de tudo custa-me vê-los perder a tal dita inocência. Porque depois quem paga as favas são as raparigas que vêm a seguir e que lhes caem nas mãos, porque eles são bonitos, são charmosos mas estão todos fodidos. Acima de tudo porque também eu já fui uma dessas raparigas que lhes caiu nas mãos e paguei uma factura que não era minha. Custa-me muito vê-los emagrecer que nem cães, não dormirem, a revolta que ganham e ver como a afogam literalmente em copos. Mas custar-me mais ainda custa-me ver como se relacionam posteriormente com as outras mulheres que vêm a amar, parece que é sempre a mielas, que nunca estão por inteiro. Porque um dia o mundo lhes fugiu debaixo dos pés e já nada é seguro.
Mas também não é por mal que as pessoas se apaixonam por outras e mudam de vida e de companheiros.
E nunca sei o que dizer senão dar-lhes força para terem novos objectivos, ouvi-los e nunca jamais dizer mal da outra. Acreditem que cortar na casaca do ex-respectivo não ajuda nada. Pelo amor de Deus não façam isso aos vossos amigos e amigas. Não tomem partido. Não só porque amanhã eles se voltam a juntar e quem se lixa são vocês, mas também porque não resolve nada.
Se é que se consegue algum dia resolver um coração partido.
Exactamente como alguém que lhe vê passar a morte à frente dos olhos, temos duas opções: 
A) Aproveitar e saborear mais a vida e o dia-a-dia porque o amanhã deixou de ser garantido; 
B) Morrer de medo que nos volte a acontecer a mesma coisa e passarmos a ser ouriços do mar, cheios de espinhos e revoltados com tudo.
E é preciso garantirmos aos nossos amigos a A), porque isso é que é ser amigo!
Não é preciso ir agora a correr fazer uma lista do que fazer antes de morrer e atirarmo-nos duma ponte num bungee jumping. Precisa-se isso sim de novos objectivos, uma casa nova, um curso novo, um emprego novo, um País novo, (porque não?) uma viagem de dois ou três meses. Recomeçar. Começar do zero e acreditarmos novamente em nós.
Porque quando uma relação acaba nós deixamos de acreditar no outro e em nós, e precisamos de voltar a acreditar que nós, como um ser único que somos existimos e valemos a pena. Existir em conjunto é muito bom, mas sentirmo-nos capazes de enfrentar o mundo sozinhos é uma aprendizagem que garante frutos de longo prazo. E os nossos amigos precisam disso, e nós podemos ensinar porque já perdemos a nossa inocência algures. Abençoado aquele que não a perdeu ainda. É um homem ou uma mulher de muita sorte.

I can accept failure. Everyone fails at something. But I can’t accept not trying. -Michael Jordan

Aprendi em vários momentos da minha vida que falhar não faz mal. É cair e levantar, seguir em frente, de sorriso em punho e fazer outras coisas em vez de insistir no que correu mal. Nem sempre é fácil, mas algures no tempo aparece o perdão que concedo a mim mesma primeiro, e depois aos outros.
O que eu não aceito de modo algum é não tentar. E não tenho qualquer complacência com aqueles que não tentam. Que não dão o seu melhor, e não se atiram de cabeça por medo. Medo de tentar, medo de ser felizes, medo de arriscar. 
Se quem não arrisca não petisca, se eu gosto tanto de “petiscar”, porque não arriscar e MUDAR.

Mudar de emprego. Mudar de namorado, mudar de País, mudar de marido/mulher. Mudar de empregada da limpeza! Mudar. Falhar. Mudar de novo. Acertar. Ser feliz sabendo que se tentou.

Nunca fui tímida

Penso que a timidez resulta de atribuirmos demasiada importância ao que estranhos pensam de nós. Estranhos, porque nenhum tímido é tímido com quem se sente à vontade e com quem tem confiança. A melhor coisa da maturidade é isso ser cada vez menos relevante, os estranhos.

Obrigada Tolan.

Na verdade quando  se tem uma Mãe cabeleireira e um Pai bancário que conhecem mais de meia cidade, é complicado ser-se tímido. “Dá um beijinho à Senhora!” “Não cumprimentas?” Eram e são as minhas frases mais odiadas, que com 34 ou 4 os meus Pais continuam a fazer as mesmas fitas e deixam-me pior que estragada. O que é certo é que desde sempre que lido com estranhos. O que eles pensavam de mim….ora isso é que já não sei quando é que deixou bem de me interessar. Excepto na adolescência, essa fase odienda em que estamos sempre preocupados com o que os outros pensam de nós, acho que nunca me preocupei muito. O facto de usar bata no Colégio também ajudou bastante a sentir-me mais “uniforme”. Por outro lado era uma bola de gorda e chamavam-me buxa e o meu irmão (tão querido) chamava-me baleia. E isso é óbvio que mexia com as minhas inseguranças, mas não me impediam de comer, logo se calhar não me interessava muito o que pensavam e interessava-me mais o que franguinho estufado com batatas fritas da minha Mãe…
Se bem que… agora que penso nisso, acho que só me passei a borrifar (pra não dizer outra coisa) do alto pro que os outros pensam aí por volta dos trinta. Essa idade maravilhosa e mágica que dá (à maioria) das mulheres uma série de certezas sobre elas próprias. O facto de ter aprendido a saltar para o meio duma roda de adolescentes a fazer figurinhas de ursa e parva também ajudou muito. Até porque eles acham que eu sou uma grande maluca e esse ponto de vista fez-me ser melhor pessoa, logo mais confiante.
O curso de Clown fez maravilhas por mim e foi na mesma altura. 
Como diz o Tolan e muito bem, a melhor coisa para a timidez é a maturidade.
Se bem que …. como nunca fui muito tímida, será que se pode dizer que sou madura há muito tempo? Acho que não.