Análise
Mas como sou Portuguesa, e filha da minha Mãe, há que continuar.
E depois ainda me perguntam porque é que não tenho namorado. Onde é que eu ia ter tempo pro gajo?
Ontem durante uma conversa com um amigo chegamos à conclusão que a única grande diferença entre ele e eu (somos tão parecidos que poderíamos ser gémeos falsos) é que ele gosta de estar acompanhado e eu adoro estar sozinha. A ele faz-lhe confusão não ter uma namorada, e a mim não me faz confusão alguma não ter um namorado ou semelhante, porque eu pura e simplesmente nunca estou sozinha nem tenho tempo pra isso. Esta semana fiz o esforço para ficar em casa todas as noites. Passei cada uma delas a organizar a viagem. Na semana passada consegui ficar duas noites em casa, que passei a passar a ferro enquanto via episódios do Eureka, porque há que rentabilizar o tempo. Na próxima semana tenho uma semana de cão à minha espera a nível de trabalho, em que se avizinham long nights.
E depois páro e penso: como é que tu fazes tanta coisa em tão pouco tempo? Não sei.
Mas pior ainda é pensar para com os meus botões: eu desperdiço tanto tempo…
Só posso estar louca!
Qual desperdiço qual carapuça?! Eu sou uma máquina pah! E tenho, tenho mesmo que aprender a reduzir o nível de esforço.
Mas pior que estragada fico quando as pessoas me dizem que sou muito intensa. Eu admiro as pessoas que têm capacidade de se concentrar completamente uma única actividade, como o trabalho, ou a casa e o marido e os filhos, e depois levam o resto com um certo bonacheirismo e deixa andar.
Eu não sou capaz. Não fui educada assim. E não sou intensa. Sou hiper-activa. E se vocês soubessem o quanto isso me cansa mais a mim que a vocês estavam caladinhos e pediam desculpas.
Não é fácil ser-se Andorinha, há dias em que não é mesmo nada fácil. Queria-vos ver no meu lugar. Já tinham entregue o equipamento oh oh oh há muuuuuuuito tempo.
Casa Arrumada
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.
Internet is not working!
Bad memories eraser doesn’t mean let the bye gones be bye gones
O que sim peço em troca, e isso para mim é pedra base, é que as pessoas tenham princípios e valores que para mim são fundamentais como a honestidade, a sinceridade e a frontalidade. E nunca jamais me deixem plantada à vossa espera. É morte súbita no meu caderninho. Juntem-lhe respeito e consideração e cumprir a palavra dada. É tudo o que exijo aos outros.
Enquanto eu penso que isto não seja nada de extraordinário, gente há por aí que pensa que estas características e acções são algo que não se “oferece” assim “à toa”. Estão não só errados, como fora do meu âmbito de acção, que é como quem diz: não servem para ser meus amigos.
Às vezes levo um certo tempo a “tirar as medidas” a algumas pessoas e falho em ver que não são boas para mim. O diabo é quando eu acabo de as medir e as atiro fora. Primeiro que elas compreendam que não tem volta leva o seu tempo. Porque afinal de contas, a Sofia é tão boa pessoa que vai desculpar, perdoar, e aquilo foi só um disparate. Wrong.
Primeiro porque eu geralmente só as elimino ao fim da terceira metedura de pata (à terceira é de vez, diz o ditado e com muita razão). Depois porque o ser boa pessoa não faz de mim otária e passível de ser usada a bel prazer de outrém. Terceiro porque a Sofia não é perfeita e muito menos está aqui de “perna aberta” à espera que metam a mão na consciência ou cresçam e apareçam para entenderem o que fizeram de errado (muito embora eu tenha explicado).
E isto é indistinto para homens ou mulheres. Não se aplica só aos ex-coisa nenhuma ou aos ex-namorados, aplica-se também às amigas.
Antigamente dava-me ao trabalho de “treinar” as pessoas a serem minhas amigas. Até porque, embora não pareça, eu não sou fácil de aturar. Falo muito, e isso cansa. Por isso, atendendo a que tinham paciência para mim, eu tinha paciência com os outros e lá ia dizendo: olha que comigo não funciona bem assim, é mais pra esquerda (ou pra direita, conforme o caso), inúmeras vezes. E assim foi, até que entendi, chegada aos 30 (idade maravilhosa), que nem as amigas, os amigos, nem os ex-namorados se “treinam”. Ou as pessoas têm princípios semelhantes aos nossos, ou não vale a pena sequer o esforço. E quem tem valores semelhantes aos meus sabe-me mandar calar com jeitinho, e assim “colecciono” amigos e gente de quem gosto muito e que gosta de mim. E decidi então que à terceira seria de vez. Para mostrar que não sou assim tão torcida como isso (mesmo sendo escorpião), decidi que dou 3 oportunidades, e que se falham a terceira, straussss: ficam fora do meu círculo. Curiosamente, a quantidade de gente que não me faz falta nenhuma cresceu imenso. Mas a quantidade de gente válida e correcta que conheci antes e depois disso supera-os largamente. E são esses que contam.
Tremendamente inspirador
if I can quit my job, risk the government carting me off to a nursing home because I can’t afford my own healthcare, convince my poor mother to abandon her career and drive my crippled butt 3,000 miles to a foreign country, and then make enough money to support myself, my mother, my father, and an entire nursing staff using nothing but my voice, then what can you accomplish if you really set your mind to it?
My guess: pretty much anything.
Leiam tudo aqui: http://www.problogger.net/archives/2011/05/18/how-to-quit-your-job-move-to-paradise-and-get-paid-to-change-the-world/
Um ano de sabática de 7 em 7 anos
Como seria se eu não fosse eu?
Há um filme que os americanos idolatram que se chama “It’s a Wonderful Life“. Vi-o há um ano e pico atrás e entendi porque marcou tanta gente. Nesse filme o personagem principal é obrigado a fazer um exercício muito duro: como seria o mundo se ele nunca tivesse existido?
Confesso que a minha arrogância nunca me permitiu ver as coisas desse prisma. E quando tentei fazer eu mesma o exercício fiquei doida ao fim de cinco minutos e desisti. Fiquei triste e de repente foi como se todos à minha volta ficassem mais tristes. Eu quero muito fazer parte da vida de todos aqueles que me rodeiam e a quem consigo chegar.
Se todas as pessoas que se suicidaram tivessem feito esse trabalhinho de casa, muito possivelmente nunca teriam atirado a vida pelo cano.
Todos nós somos importantes na vida de alguém. Mesmo não sabendo, marcamos alguém. Facilmente o turista a quem demos uma dica vai ter um dia mais bonito e vai-se lembrar de nós. Não do nome, não da cara, mas do gesto.
O meu colega de trabalho que sorriu naquele dia de um modo que me aqueceu a alma vai ficar pra sempre na minha lembrança, mesmo já não estando entre nós.
O amigo a quem demos a mão. O primo com quem partilhamos um segredo. Aquela conversa tão inocente em que nos abrimos e mostramos as nossas fraquezas e na partilha … marcamos alguém. O ex-namorado que nos tratou mal e a quem com certeza, marcamos, e não necessariamente pela negativa, embora naquele momento tudo parece-se negro. O Pai. A Mãe. O Irmão. A Irmã. Uma Petzi. Eles deixam a marca deles em nós, mudaram-nos como pessoas e ajudaram-nos a ajudar outros, às vezes sem sabermos como, mas lá estivemos. Todos somos importantes.
Com todas as dificuldades, todos os momentos menos bons, eu não consigo imaginar-me a acordar como uma pessoa diferente num mundo diferente.
Imagino que aqueles que acordam todos os dias sem trabalho, sem comida, sem roupa, com uma pilha de problemas que não sabem nem por onde começar a resolver, que pensem que acordar “noutros sapatos” seria bem melhor. Mas quem lhes disse a eles que alguém com emprego, com comida e um armário cheio de roupa é obviamente mais feliz ou mais amado? Quem lhes disse que a solidão não ataca as pessoas só porque as necessidades primárias estão preenchidas?
Se a vida pode ser mais fácil? Claro que pode. Se eu tenho muita sorte por ter os meus Pais e os Pais que tenho? Claro que tenho. E a minha vida é mais fácil porque ambos estão vivos e junto de mim? Óbvio que sim. Se não têm estas bênçãos, certamente terão outras. É preciso ver com olhos bem abertos a sorte que temos em vez de contabilizarmos o mal que nos acontece. É preciso acreditar que a galinha da vizinha não é mais gorda que a minha, e que se acordássemos no lugar da Kate Middleton muito provavelmente seriamos profundamente infelizes. Eu sei que seria.
Do não gosto
Esta moça continua a escrever bem
Agora não me apetece estar aqui a dissertar sobre este assunto, outro dia comento.


