Estou a pensar em emigrar, quanto é que custa a vida na Holanda? Quanto é que eu tenho que ganhar pra ter o mesmo nível que aqui em Portugal? Será que neste emprego me estão a oferecer muito ou pouco? Heeeeeeeeey, os gajos pagam dois mil euros limpos por mês! Isso é altamente! Pois é, depende é em que cidade e em que País.
Neste link podem comparar até o preço do leite de cidade para cidade de País para País.
Eu vou guardar o link para quando escolher o próximo destino e acho que vocês deviam fazer o mesmo. Serve até pras férias para saberem quanto custa a vida no sítio aonde querem ir.
Ultimamente tenho andado num processo de interiorização. Ando a interiorizar que já não sou expatriada, que sou efectivamente emigrante.
A diferença é que neste momento quando volto a Portugal sinto-me como o meu Tio Adolfo que voltava de 8 em 8 anos para ver os amigos e saía de Portugal feliz que nem um cuco pelos que conseguiu ver, mas desgostoso porque uns tinham falecido e muitos tinham partido e tinha-lhes perdido o rastro.
Hoje em dia há internet (abençoadinha seja!!) há skype, há facetime nos iphones e ipads, há chamadas telefónicas a preços mais contidos, há distribuidores de comida Portuguesa por todos os Países e encontrar um vinho Português ou um bom chouriço ou bacalhau já não é um bicho de sete cabeças.
A minha interiorização divide-se em duas partes: trabalho e amigos.
Começando pelo trabalho. Na semana passada soube de alguns colegas da empresa a que pertencia em Portugal que faleceram e outros que estão doentes e fiquei desolada. São pessoas de quem gosto e custa-me não estar lá pra elas, por isso gasto rios de dinheiro em telefone para garantir que mesmo longe estou perto e que as animo. Perco horas no chat para arrancar um sorriso a quem vejo tão entristecido. Eu sempre fui uma moça bem disposta, sou nortenha, sou disparada, digo tudo o que penso e nunca penso no que digo e no meio dos meus disparates e sorrisos animo o dia a muita gente. E eu sei que não sou salvadora da Pátria nem me pagam pra ser palhacita (que nem é o caso), mas adoro arrancar sorrisos, é como o meu ego se alimenta. Vá lá, podia ser em trapos e maquilhagem, pelo menos dá-me pra isto. Sempre é mais económico, digo eu! E à distância, com muito mimo, lá vou conseguindo, mas com noção perfeita de que tudo se deve a várias circunstâncias cuja resolução está completamente fora do meu alcance e que como tal, assim como na Candeia, é um sorriso de vez em quando, um dia de vez em quando, mas pelo menos naquele dia vê-se-lhes a cremalheira e sentem-se com mais força. Ou pelo menos é o que me dizem, e eu quero acreditar que sim.
E vai daí e escrevi um post de alma e coração em que expliquei coisas que aqui não posso êxpor mas que se resumem a: o tempo não volta atrás. Foi uma sorte e uma benção ter estado presente nos dias mais felizes de uma casa à qual pertenci com muito orgulho. Estou longe, vou manter-me longe, mas estou eternamente grata a todos quanto me ajudaram a ser feliz durante aqueles 8 anos. E como tal, cá estou eu, longe mas perto, pro que for preciso. E entre o que chorei a escrever a minha despedida final (levei mais de quatro anos a despedir-me, sou um bocadinho lenta…) e o que chorei ao ler os comentários e a compreensão profunda de tanta outra gente que se reviu nas minhas palavras, lavei a alma e fechei mais um capítulo.
Passando aos Amigos e família. O certo é que me custou muito voltar de Portugal desta vez porque vi os meus Pais ainda mais envelhecidos (abençoada a hora em que eu e o meu irmão lhes demos o cão que é a alegria daquela casa), os meus amigos cansados de lutar para chegar ao fim do mês, muitos desempregados porque as empresas reduziram imenso pessoal, depois foi a revolta da TSU e a manif na qual não pude estar e agora o aumento de impostos, e uma debandada generalizada dos meus amigos quase todos para imensos Países e cidade, desde Angola, a Moçambique, Alemanha, a Paris de França, Inglaterra, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Bélgica é: you name it!! E se por um lado o pensamento imediato é: porreiro pa! Mais sítios pra visitar! Por outro reunirmo-nos novamente é cada vez mais complicado e como diz o poeta, a vida pula e avança e dou por ela que não posso nem consigo estar lá nos momentos mais importantes como o dia em que nasceu o filho de qualquer um dos meus melhores amigos, o primeiro aniversário da minha afilhada, ou o dia em que o meu melhor amigo pediu a namorada em casamento, ou que uma grande amiga vai ser operada, ou descobriu que não pode ter filhos, ou que está doente, ou que foi despedida, ou que soube que vai ser Mãe/Pai, ou que compraram um cão ou que pura e simplesmente se apaixonaram e eu não as posso ouvir e conhecer o encantado que as deixou com as borboletas na barriga. Eu quero estar perto. E não vai poder ser, porque já nenhum de nós está perto uns dos outros.
E tenho sonhado muito, sonho com todas as pessoas que me ligam ou me mandam mensagens e me dizem: estou a morrer de saudades tuas. Tenho saudades de falar contigo, da tua alegria. Anima-me, estou tão triste. E eu arranco bocados da alma, e penso em todas as coisas maravilhosas que tenho e na sorte e saúde e amor, e amizade e telefono-lhes e arrebento-me todinha a tentar tirá-los da tristeza com a minha psicologia de bolso. Resultado: sonho com eles e …. choro. Tenho chorado baba e ranho de alegria e tristeza, num misto que só se explica com coisas lindíssimas que me fazem por entenderem que me custa muitoooooooooo, mesmo muito estar tão longe dos momentos deles. Vai daí um dos meus dois melhores amigos pediu a namorada em casamento, à tuno, no meio dum espectáculo. Isso já eu vi fazer dezenas de vezes, não foi isso que me fez chorar que nem uma desalmada. Foi o facto deste meu amigo, que vai partir pra Moçambique no fim do mês e que eu não sei quando volto a ver tão cedo, ter feito o pedido e uma hora depois me ter enviado uma mensagem com um filme do momento, pra que eu pudesse estar lá com eles na altura. Ou fazer de conta que estive! Foi como se tivesse estado, e ouvi-o cantar-lhe uma das minhas músicas favoritas que deixo aqui e só ouve quem quer, mas que eu prometi a mim mesma que, se ALGUM DIA eu me casar, quero entrar na Igreja ou no registo civil ao som desta música, com as vozes todas dos meus amigos a cantar em uníssono e a arrepiar-me tentando manter o passo certo em direcção ao altar onde me espera com certeza a pessoa sem a qual não vou saber viver.
All and all, e pra resumir, ando a interiorizar, e porra que custa, que afinal não vim por 3 ou 4 anos, nem mesmo 5, esta minha condição de residente no estrangeiro é permanente no mínimo nos próximos 20 anos. E isso é ser emigrante como os meus tios foram. E não se resolve com mais viagens a Portugal. Tenho é de fazer um planeamento como deve ser e ter uma agenda cheia de alarmes que é pra ver se consigo organizar-me a mim e aos cães pra poder viajar e estar mais presente. (suspiro)
E se gostaram de ouvir os Porto-Riquenhos lá de cima, ficam aqui mais uns links (estes senhores são Tunos PROFISSIONAIS, pagos pelo País deles para vir representar Puerto Rico cá fora e cantam e tocam de carago!)
Enfim, numa nota mais alegre tenho a anunciar que:
– os cães deixaram de roer coisas cá em casa – que já fiz mais uns extreme make overs que publicarei em breve (quando estiverem terminados) – que tenho uns amigos fabulosos seja cá seja lá – que consegui a proeza de ir mudar de casa novamente em Março por um preço que pura e simplesmente não existe em Amesterdão – que fiz amigos novos muito fixes – que apesar da lamechice toda lá de cima sou uma gaja muito feliz, só ando com complexo de larva em crescimento, e apesar de achar que não nasci pra ser emigrante, se calhar até tenho jeitinho, é só uma questão de jogo de cintura, e eu chego lá!