From here.
4 horas de Mistérios de Lisboa no Festibérico
Decisão macro do meu fim de semana: vais continuar a marrar feita parva ou vais aproveitar o domingo ao tutano e dedicar-te ao dolce fare niente?
Mas o filme são 4 horas… isto na minha rotina de domingo significa ter de deixar os cães sozinhos imensas horas… vou, não vou, vou, não vou… queres ficar a estudar? Nãooooo! Então?
Pronto, são 4 horas de filme, mas vou! No limite se for chato bato um choco.
E abençoadinha a hora em que me decidi. Que tempo bem passado no Festibérico, oh Senhores.
Eu sou uma apaixonada por história, por filmes históricos, livros históricos, adoro os clássicos de Júlio Dinis, Eça de Queiroz e Camilo Castelo Branco. Um enredo como o de “Mistérios de Lisboa” é o tipo de enredo que me deixa entretida durante dias num livro, quanto mais num filme.
A sala estava cheia de …. Holandeses! Não tenho a certeza, mas quase que aposto que Portugueses devíamos ser uns seis, no máximo uns dez. O filme era todo legendado em Holandês e nas partes em que é falado em Francês dei comigo a ouvir French e a ler Dutch e acreditem que é tramado, mas serviu os propósitos e percebi mais de 50%. Por isso recomendo que o vejam com uma boa legenda lusitana.
Fora isso: o guarda-roupa é fora de série, duma riqueza e de um detalhe que deixam os filmes de época Franceses a um canto. Os locais onde foi filmado são extraordinários, lindíssimos, muito bem montados, e a recuperação de época no conjunto é perfeita.
Os actores são de qualidade, embora ache que desmaiam um bocadinho demais pro meu gosto. É que desmaiam ao estilo saco de batatas espalha-se pelo chão…não havia necessidade…
Grande prémio de actor para o Senhor Adriano Luz. Muito bom mesmo.
Ganhou uma série de prémios e se querem saber porquê, vejam o trailer e decidam-se:
Título Original: Mistérios de Lisboa
Realizador: Raúl Ruiz
Ano: 2010
Estreia: 21 de Outubro
Elenco: Adriano Luz, Maria João Bastos, Ricardo Pereira, Clotilde Hesme, Afonso Pimentel, Léa Seydoux e Melvil Poupaud
Argumento: Carlos Saboga
Música: Jorge Arriagada e Luís Freitas Branco
Site Oficial: http://www.misteriosdelisboa.com/
Estrada de Palha de Rodrigo Areias
Fui ver o Western Português do Rodrigo Areias. E gostei.
O filme tem dois grandes pontos fortes: a fotografia que é extraordinária e uma excelente banda sonora da Rita Redshoes e dos The Legendary Tigerman.
Mas confesso que cheguei ao fim do filme a pensar que tinha perdido o ponto central, o cerne tinha-me escapado. E depois veio o tempo de antena do Realizador e uma das primeiras perguntas é respondida em pessoa: este filme não tem guião. É um grupo de amigos que se diverte a filmar e a fazer filmes sem orçamento. Eu sempre quis fazer um western e este filme é um conjunto de ideias que retirei de vários livros e que refletem os caminhos da transumância das ovelhas há 100 anos atrás e a vida dos pastores.
E de repente deu-se um flash e percebi o filme todo.
Não é um filme americano de enredo intrincado, é um filme Português que mostra como o Portugal de há 100 anos atrás continua a ter os mesmos “personagens”.
Vejam, vale bem a pena. Gostei muito.
Rodrigo, diverte-te assim mais vezes e por favor, trás até ao Festibérico pra que a Je possa ver. Agradecida!
Olhó trailer!
Caro Senhor Embaixador
Este fim de semana fui ao Festibérico no sábado à noite e tive a oportunidade de conhecer o Senhor Embaixador de Portugal na Holanda que é a simpatia em pessoa.
Mas isto começa antes…
Ora como sabem, o meu passaporte foi roubado/desviado/perdido em Bali. Um dos motivos pelos quais precisei dum passaporte temporário em vez de um salvo conduto foi porque não estava registada no Consulado da Holanda, logo não tinha provas de que residia na Holanda e que este meu último destino de viagem era “legal”. Não vou entrar em detalhes, o certo é que decidi tirar o passaporte cá e registar-me no Consulado de Portugal e lá tirei eu uma manhã pra ir a Haia.
Ora aqui a amiga Sofia até tentou passar desapercebida, mas assim que entrou deu de frente com um Senhor a quem tinha prometido enviar umas fotos …. em 2008. A primeira paragem então foi o Senhor Manuel a quem me dirigi com um bocadinho de vergonha: sabe, o Senhor já não se lembra se calhar, mas eu há coisa de 4 anos prometi que lhe enviava umas fotos dos Lusitanos durante o Europeu 2008 e nunca mais lhas mandei porque perdi o seu email e não sabia o seu nome… mas eu não me esqueci!!! Se me mandar um email, eu prometo-lhe que lhas envio desta vez.
Siga email pra Sofia.
Segunda paragem, o Senhor que me atendeu: ahhh! A menina é a tal que perdeu o passaporte em Bali e que falou muito bem dos serviços da Embaixada de Jakarta, não é? Ligou pra cá no outro dia, foi comigo que falou. Ora vamos lá tratar disto. O seu BI por favor? Oh menina… o seu BI caducou dia 21 de Fevereiro. Quando é que veio de Bali? Dia 25 não foi? Teve muita sorte!!
(primeira paragem cardíaca de Sofia Maria)
Então vamos lá tratar do cartão do cidadão primeiro e só depois é que podemos fazer o passaporte.
Terceira paragem: a menina/Senhora/Dona??, eu prefiro menina Sofia. Eu acho que já a vi em qualquer lado…
Eerrrhmm… eu não me lembro de si Sofia, se calhar viu fotos minhas no blog…
Tem um blog?
Tenho.
Eu acho que já o li…
Diga lá aí o seu blog!
Andorinha desnorteada.
Vou espreitar!
Só não houve uma quarta paragem porque ficou tudo resolvido num instantinho no meio duma simpatia enorme (e não estou a dar graxa, aqueles Senhores são todos mesmo muito simpáticos. Excepto quando o Benfica perde que aí a Sofia está com os azeites autorizados a Benfiquista que se preze. Por isso já sabem, vão lá sempre que o Benfas ganhar).
Bom, este patati patatá todo porque o que me aconteceu no sábado foi que cheguei ao festibérico e cumprimentei a Sofia e a Maria João (PS: Johnny, tens uma homónima cá), e elas todas contentes apresentam-me ao Senhor Embaixador.
O Senhor que é um amor dá-me dois beijinhos, eu de “bacalhau esticado” fico muito espantada, cumprimento o Senhor de volta e começamos todos a falar. Mais espantada ainda fiquei quando me disse que antes de vir pra cá estava no Gabinete do Protocolo do Estado, por isso devo ter metido a pata na poça à força toda, gaja pra isso sou eu.
Até aqui tudo muito bem, não fosse a Sofia dizer-lhe: Senhor Embaixador, esta menina tem um blog tão engraçado, o Senhor tem que ir ler as histórias do Manelinho!!
E foi neste preciso momento que me caiu a alma aos pés.
Ora eu que escrevo o que me vai na alma como sai, que disparos palavrões à toa (sou minhota, ora bolas, mas mesmo assim não se justifica…), que tenho 95% de escrita de disparate corrido, que não falo sobre política de esquerda ou de direita, que não tenho UM texto aqui escrito por mim que eu diga: sim senhora!!! tenho o meu blog recomendado ao Senhor Embaixador.
Além disso ele é tão educado e preocupado que um dia destes dá cá um saltinho pra fazer a vontade à Sofia e ainda vê um texto meu e fica corado.
Por isso, Senhor Embaixador, este texto é para si.
Peço-lhe desde já as minhas mais sinceras desculpas por qualquer “assassinato” por mim perpetrado à língua Portuguesa.
Também lhe peço desculpas pelas minhas faltas de educação escritas mas lembre-se que eu sou nortenha e as palavras não têm a mesma conotação para mim, o que para mim é light…
Por último, acredite que além das histórias do Manelinho e dos meus cães, ainda presto algum serviço oportuno à Comunidade Portuguesa na Holanda e que o meu blog, apesar da falta de qualidade na escrita, tem muita qualidade “na alma”.
Foi um prazer, espero que o seu mandato nos Países Baixos seja produtivo e que nos ajude a todos que cá vivemos a sentirmos Portugal mais perto.
Os meus sinceros cumprimentos,
Sofia
Manelinho vai ao ginásio
Quando cá aterrou o Manelinho vi logo desde o início que ia ter uns fins de tarde longos se não arranjasse o que fazer ao moço. Por isso fui com ele ao ginásio ao pé da minha casa e ao fim de uma semana de estágio na Holanda já estava inscrito.
Tenho que confessar que me enganei, afinal o Manelinho ao fim do dia vai fazer umas compras ao supermercado (ele não gosta do meu queijo light e gosta muito de leite achocolatado e eu não, provisões essenciais que ele mantém. De vez em quando traz uma caixa de 12 cervejas pra compensar a sopeira, arrrhheeem, perdão, colega de casa que lhe fica muito agradecida), vê todos os jogos de futebol possíveis (é melhor que uma agenda do campeonato do Sporting), começou a encontrar amigos de infância por cá, pronto, lá se vai safando e porta-se muito bem. Mas o ginásio é coisa pra lhe ocupar uns três dias por semana, o que é muito bom e contribui.
Ora dizia eu que, vamos os dois ao ginásio. Desfasados normalmente porque eu tenho um horário melhor que ele (já lhe expliquei que lá porque trabalha com chineses e indianos não tem que lá ficar até às 7, estamos na Holanda, hello?! Eles jantam às 5, se for tarde, às 7. Não há ninguém no escritório a partir das 5 e meia, só as moscas e os indianos porque não têm pra onde ir tão cedo!).
Na quinta-feira passada calhou sairmos de casa pro momento desportivo do dia ao mesmo tempo. Em vez de esperar por mim no hall de entrada, ele vai e pira-se no elevador.
Percebi logo e só pensei: não pode… será?
Ah pois é, o Manelinho vai de bicicleta pro ginásio que fica a 250 metros a pé de casa (juro que são 250 metros no máximo!) pra fazer uma hora de corrida intensiva na passadeira!
Mas ó rapaz, então tu não vais correr pro ginásio? Então porque é que não sais de casa já equipado, entras a correr e tudo? Ahaha
Quer dizer, tu vais pra lá correr uma hora, suar em bica, ficas todo contente que te mataste a 13, mas não és capaz de andar 250 metros a pé?
E diz ele: não não! A bicicleta não é por o ginásio ser longe! É porque à vinda estou muito cansado e assim de bicicleta é mais rápido!!!
Os leitores mais giros do mundo são os meus!
Desabafo de muitos e meu também.
Estou cansadíssima. Há 15 dias que não faço mais nada senão trabalhar e estudar.
No fim de semana passado vi o sol pela janela, só saí pra passear os cães e estive a marrar o tempo todo.
Quando chego ao escritório pergunta-me a Chefinha: how was your weekend? E eu digo com honestidade: it sucked. I studied the whole time.
E diz a minha colega que estava ao lado: are you serious? I party all weekend! Why are you studying anyway?
E não foi um why de “que raio estás a estudar”, foi um why de “porque car@lho te estás tu a matar”??
E eu olhei pra ela e suspirei, porque a Chefe estava mesmo à frente, e disse: há um ano que ando a adiar o exame, a IBM pagou e eu ando a aprender muito e até mando uns bitaites bacanos agora quando vou pro cliente como este assim e assado e mimimimi.
E interiormente pensava: relembra-te Sofia Maria, relembra-te pra que raio te andas tu a matar pra teres o exame de auditora se tu nem queres ser auditora?!
Ah e tal (isto sou eu de mim para mim) porque se acontece alguma coisa tu “no mercado” vales mais (sempre gostei muito desta frase).
Mas olha lá (continuo a dialogar comigo mesma), mas tu nem sequer queres bazar da empresa e dentro dela não queres ser auditora, que que car….. te andas a matar?
Porque pode sempre acontecer alguma coisa e o teu Pai disse-te que nunca deixasses de te actualizar. E ao fim destes anos todos tens que assumir que o velhote sabe umas coisas.
E hoje, pensei que ia ter uma tarde tranquila porque trabalhei que nem uma animala a semana toda e néria. Continua tudo on fire, os chefes a fazerem over time sobre over time, e de repente a Holanda parece-me Portugal antes de eu vir cá parar.
Um deja-vu fodido. Agora digam-me, se a bolha rebenta na Holanda, pra que País devo eu pirar-me?
Eu vou! Mim like!
Olha a Soninha no Público!
Entre ficção, documentários, longas e curtas metragens e cinema de animação, tudo se mostra em dez dias. Nesta edição não faltarão “Sangue do meu Sangue”, de João Canijo, ou “Mistérios de Lisboa”, de Raul Ruiz, entre muitos outros. Mas a primeira sessão do festival, em Português, é de Rodrigo Areias, o realizador convidado, que traz na mala “Estrada de Palha”, um “western” à portuguesa e a curta-metragem “Golias”.
Quem vai ao Festibérico quem é? Eu!!!
E tu? Vais ficar aí em casa sentado a dizer mal do clima e da chuva e do frio ou vens pro escurinho do cinema? Vale bem o bilhete do comboio! Siga a marinha!
Trazer Portugal até à Holanda
Escrito pela minha querida amiga Sónia Lacerda.
PS: caso não saibam, a Sónia foi a criadora da “Liga dos Últimos” e vive cá e lá, entre a Holanda e Portugal, e é produtora e argumentista de documentários como o “Está lá”


