Te acuerdas de esa flor?

Pues no, la verdad es que no. Pero qué más dá? Si es importante para ti al cabo de 15 años, es importante para mi!

Qué más da que todos tengamos los mismos recuerdos? Lo qué importa es qué los tengamos.
Cada uno se acuerda de como nos hemos marcado, como si fuéramos tan sencillamente vacas de un mismo tiempo y un mismo dueño.
Se han pasado 15 diablos años, toda una vida de amistades, nuevas y viejas, de matrimonios, de hijos, de divorcios, de muertes y vidas transcurridas y qué sé yo de ti?!
Pues conozco tu carácter íntimamente, lo qué hay de bueno y lo de qué hay de malo, pues aunque no me creas, sigues siendo el mismo. 
Sigo pudiendo reconocer tu risa de felicidad, tus momentos de tristeza,  reconocer lo cuanto has evolucionado y madurado, más aún, puedo leer tu alma.
Como me lo sé? 
Porque cuando comí en tu casa vi el cariño qué ponías en esa comida única.
Porque cuando íbamos al Tio Molónio los domingos y nos reuníamos como una familia, algo me transmitías, aunque fuera la soledad.
Porque cuando nos enamorábamos éramos esencia pura, igual qué cuando amparé tus lágrimas cuando te desilusionabas.
Porque las emociones estaban constantemente a la flor de la piel, y me las sé de memoria.
Me las sé todas? Tio, pero se han pasado 15 diablos años!!! Por supuesto qué NO!
Pero sé las suficientes para entenderte y leerte cuando pasas el umbral de mi puerta y me abrazas.
Como si en el entonces, fué ayer.

Nuno Nunes-Ferreira

O Nuno é um amigo suspenso no tempo. Suspenso num tempo que passamos em erasmus há mais de 12 anos.
Não conhecíamos ninguém, os nossos amigos habituais e família não estavam por perto, e fizemo-nos bons amigos não sabemos bem como, porque mais diferentes um do outro, é impossível.
Se não estivéssemos estado juntos em Espanha naquele ano, tenho a certeza absoluta que jamais nos teríamos conhecido.
You see, é que o Nuno é artista plástico e pintor.
Naquele tempo suspenso no tempo o Nuno contou-me que não queria ser arquitecto. O que ele queria mesmo era ser pintor!
Tás louco, pensei e disse.
E mostrou-me uma foto dum quadro que tinha exposto no ano anterior na Alemanha. E eu calei-me.
E foi.
E é.
O Nuno conseguiu ser aquilo que sempre quis e eu incho de alegria e de orgulho de cada vez que recebo um convite para uma exposição dele.
Incho o peito todo (e tou-me a borrifar se acham isto um lugar-comum) porque fico sempre muito feliz quando vejo que alguém de quem gosto muito sentir-se realizado. E eu gosto muito do meu amigo Nuno.

Em 2002 fui convidada pela primeira vez para ir a uma Vernissage. Nunca tinha ido a uma. Fui com a Maria e a Mafalda.
A Mafalda que adora arte ficou vidrada neste quadro.
Eu que não percebo corno de arte, perguntei ao Nuno discretamente o que queria dizer o dito. Frascos e copos é um retrato de Valladolid.
Ahhhhhhhh! Tá certo. Tá muito certo. E eu olhei com atenção e achei: este mocinho é um bocadinho tétrico, realmente há coisas que nunca mudam.
O certo mesmo é que nunca mais me esqueci do quadro, e um quadro que não se esquece só pode ser um bom quadro:

Frascos e fracos. Mixed media on canvas. 200×200 cm. 2001

Demos a volta à exposição toda e fiquei parada nestas outras duas peças.

Picture detail. I Want You. Mixed media on wood. 200×200 cm. 2001

Gostei tanto, mas tanto dos quadros que ainda hoje os descrevo e digo: um dia vou ter um destes na minha casa, vou pedir ao Nuno um só pra mim.
Como sou uma tesa e tenho muita lata, e sou uma completa inocente, e novamente, não percebo puto do mundo da arte, perguntei ao Nuno:
– Ouve lá, não me queres dar assim um destes quadros? É que eu gostei mesmo muito!
– Tás maluca! Esse quadro levou meses a fazer, é pra vender Sofia, achas que eu vivo de quê?
Mas fazemos o seguinte: no dia que te casares, se me convidares p’ro teu casamento, eu ofereço-te um quadro meu.

(Sofia fica branca, sem fala e pensa: tou lixada, nunca mais há quadro!)

É a este nível de detalhe meus amigos, a este nível, que o Nuno me conhece!
Não é pra todos.

Foi assim que, até hoje, quadro algum entrou em minha casa, e as perspectivas são de que jamais me venhas a oferecer um dos teus quadros. Graças a Deus, burro nunca foste. Tu sabias. Tu sabes!

Mas Nunito, tu põe-te fino, que eu casar não caso, mas ando a juntar pataquinhos p’ra te poder comprar um destes últimos que fizeste.
Lá chegaremos, sim?

Bucherverbrennung. Mixed media on canvas. 200×150 cm. 2003.

Untitled. Mixed media on canvas. 150x135x12 cm. 2006.

Parabéns Amigo.

E quando falou em voltar

Como os aviões foram cancelados telefonou a perguntar o que fazia esta noite.
Vou jantar com uma amiga! Vê lá tu, que pena!
Pois é, vais ter de ficar num hotel. Ohhhhhhhh
Sim, sou uma cabra, mas além de não ser apologista do super macho (ontem sai-se com um: pero Sofi, si yo soy un HOMBRE! Só faltou os punhozinhos a bater no peito qual Tarzan) acho que o revival de há 12 anos atrás não dava pra mais um jantar e mais uma noite de copos. O pior, é que ele saiu daqui a dizer: volto em breve! Fuck.

Não, não é como antigamente

Ontem apareceu-me como que caído aos trambolhões, vindo sabe-se lá de onde, um amigo Austríaco de Erasmus.
Há DOZE anos que não o via.
Falamos sobre o tempo que passou em duas línguas, espanhol e inglês. Sobre casamentos (o dele), filhos (os dele), infidelidades (as dele – várias), como continuamos na mesma (NOT!) e aprendi que há 20 anos atrás a Áustria era considerado o segundo País mais machista a seguir ao Japão. A avaliar pelo comportamento do hóspede: confirma-se. A chávena do café da manhã ficou em cima da secretária do quarto de hóspedes, a cama ficou por fazer, e vá lá, tive sorte, o cinzeiro estava do lado de fora da varanda, no chão. Os copos espalhados pela casa, e ainda bem que jantamos fora porque se não eu tinha cozinhado, posto a mesa e arrumado a cozinha tutto sola e ele teria continuado sentado no sofá, mais ou menos na mesma posição confortável em que estava quando eu fui fazer a cama de lavado. Não mexe e não respira, que assim também não tem de ajudar.
E não, não é como se tivesse sido ontem porque hoje tenho ressaca, e na altura: não!

Há sempre boas e EXCELENTES NOTÍCIAS!


Isto no seguimento (not) de que não sou uma pessoa romântica, vai correr muito bem pros comments, mas adiante!

Ora “atonces”, a modos que, a coisa passou-se assim: corria o ano de 1998 e eis que Sofs Maria ganha uma bolsa pra ir fazer Erasmus pra Valladolid city. Quando lá chega encontra outra Tuga. Na primeira semana insultamo-nos de puta pra baixo. Foi ódio à primeira vista. Achava-mos que a outra era absolutamente insuportável, uma betinha nojente e arrogante. Ao fim da primeira semana decidimos ter a nossa primeira conversa porque havia mais gente à volta e parecia mal (not).
Eis pois que ganho uma das minhas melhores Amigas de por vida. Desde o dia 25 de Outubro de 1998 até hoje, a M. fez parte da minha vida e eu da dela. Já nos zangamos, já fizemos as pazes, já berramos uma com a outra, já choramos de felicidade abraçadas, já nos voltamos a insultar, e já voltamos a dizer continuamente uma à outra que nos adoramos. Estilo casamento, tem sido, na saúde, na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe.
No decorrer desse maravilhoso ano de Erasmus ela conheceu a sua meia-dose, um Italiano (baixinho pra condizer connosco – quando ele ler isto vai-me bater).
Uma das mais gratas recordações que temos as duas foi do dia em que, depois duma festa temática de Portugal que nós as duas organizamos, lhe pedimos que trouxesse a mochila da M. até à residência onde vivíamos as duas.
Mas em Valladolid tava um frio do car***, de tal modo, que quando a encomenda chegou ao nosso quarto, despachamos o mensageiro em 3 tempos, corremos ao quarto do Gigo pra pedir um saca-rolhas, despachamos o Gigo, metemo-nos no quarto nós, e UMA GELADA GARRAFA DE ALVARINHO SOALHEIRO. Eram 8 da noite, mas ainda não tínhamos jantado, logo, ao segundo copo já estávamos…alteradas, vá. Como tínhamos que “bajar al comedor a cenar” decidimos tentar disfarçar a bebedeira e vá de comer tostas com chouriço (que também vinha na mochila). Não surtiu muito efeito. A cena acabou comigo e com ela a tentar andar em linha recta seguindo as linhas da tijoleira no chão. NOT.
Quando o R. descobriu que na mochila ia vinho Alvarinho, quase que o namoro dos dois vai pro maneta e eu levo na tromba. Afinal tinhamo-lo deixado de fora, e isso não se faz a quem de nós tanto gosta!
Passado o eramus, a M. e o R. tentam continuar o namoro, mas a malta é jovem, intempestiva, e tal, e pronto, a coisa não correu bem e acabou-se a história, mas continuamos todos amigos.
Ele continuou no entanto a dizer que ela era a mulher da vida dele, e 10 anos passados conseguiu finalmente voltar a Portugal com o consentimento da M. (que dizia sempre que ele vivia no passado e era tolinho, que ela era agora a mulher da vida dele! Se ele já não era o homem da vida dela, que mania a dele! Que melga! Que gajo insistente!)
Tinham passado aí uns …. 10 minutos depois de ele sair do avião quando caíram novamente nos braços um do outro, e já na sanidade mental dos 30 e picos, decidem que são:

– parvos, por ter desperdiçado 10 anos.

– que sim, são a mulher e o homem da vida um do outro.

– CASAR.

E eu dei comigo histérica de contente, feliz de sorriso de orelha a orelha, porque afinal, o amor vence, e é poderosa, e a história deles continua a fazer-me acreditar que sim, há almas gémeas. Pelo menos, as deles.

PARABÉNS AMIGA!!! AUGURI CARIÑO MIO!!!

As cenas do próximo capítulo dar-se-ão quando eu emborrachar noivo e noiva no dia do casório em registo civil e capela incógnita no meio do Alentejo ou da Calábria, com Alvarinho, pois então!