Durante a minha estadia em Braga este Natal saí um dos dias pra passear os cães tomando a tarefa do meu Pai. Nesse dia encontrei uma série de pessoas conhecidas e amigas. Curiosamente, só encontrei pessoas de quem gosto. Talvez porque só pisco os olhos sem óculos para reconhecer pessoas de quem gosto. A maioria já não via há uns bons três anos, mas houve quem encontrasse cujo rosto não me aparecia há uns bons doze anos. Uma das personagens que encontrei foi o meu antigo professor de Direito. A minha escola era escola piloto da nova reforma educativa e como tal tive Direito no décimo primeiro e no décimo segundo ano. Foi o primeiro ano em que o Pedro deu aulas, ele devia ter os seus vinte e quatro anitos e nós dezassete. Tinha uma amiga que na primeira aula disse em voz rouca e sonora “o profe tem um rabo muito jeitoso!”, achando que estava a ser discreta. Eu achei que ele era muito novo pra ser já careca mas que tinha ali um “je ne sais quoi”… o sorriso… tinha um sorriso maroto que lhe dava um charme de cair pro lado. Ora qual não é o meu espanto, quando passados (ai-jesus-que-faz-tão-mal-andar-aqui-a-contar-e-somar) dezasseis anos o encontro, ele está ainda mais careca, mais gordinho, mas com o mesmo charme de antes e pensamentos velozes me cruzam a mente basicamente para acabar num “nem te atrevas deves mas é ser parva, tu tem mas é juizinho”. Conversa vai conversa vem, nós no meio da rua, e há dez indivíduos que passam e há dez que me medem de alto a baixo, muito à moda de Braga, numa onda de “quem é esta com quem ele está a falar, deixa ver que botas tem calçadas, já agora deixa ver a aliança, mas será amante?” (esta cidade é uma merda nesse aspecto), os mesmos dez que o cumprimentam, e eu já um bocadinho farta da situação lembro-me das alturas em que o apanhamos a comer gajas boazonas atrás do café Ferrari e a medo sai-me a pergunta: porque é que toda a gente olha pra mim? Na realidade eu queria perguntar era: tu ainda comes gajas atrás do Ferrari? É que eu agora já tenho idade…
Ele lá responde que é porque ele é muito conhecido e pergunta-me se eu não conheço uma miúda Maria que é de Braga e vive na Holanda. Ora pois com certeza que conheço, Sofia aka Maria dos Plásticos, Embaixatriz do Expatriado na Holanda em sociedade por quotas estabelecida há dois anos com Tuxa do Vida em Amsterdão, lá deixaria de conhecer alguém luso em terras baixas? É primo. Merda. Não, espera, é bom, a prima dele é uma das miúdas mais fixes que conheci na terra do gelo. Gosto mesmo muito dela. Ser prima dela era bestial! Ai, não, espera. Tens de perguntar ao homem se é casado! Mais conversa vem, conversa vai desta feita já não sobre a minha vida e a dele, mas sobre toda uma personagem que é a minha amiga Maria, e lá consigo chegar à pergunta, já sem voz de falsete: então mas tu não casaste?
Casei, casei. Acho que casei cedo. Casei aos 33. Mas não temos filhos, não queremos. Enganaram-me bem! Pedro, o meu irmão lembra-se de te encontrar no Sardinha e lhe pagares umas cervejas pra eles não te estragarem o esquema… Eh pa, pois era, bons tempos. Sorriso maroto. Ah porra pro homem, que continua charmoso. E é primo da Maria.
Quando a encontrei no Bananeiro no Natal contei a história e só omiti a parte de “ainda lhe dava umas trincas”. Tal como esperava, a prima Maria sai-se com um: o meu primo é um traço! Não querida, não é. Mas é homem. É um homem. Já nem sequer é o puto que era há dezasseis anos.
Tudo isto para dizer que tenho imensas saudades de conhecer homens, perdão, Homens.
Tenho mesmo vontade de conhecer um Homem, enfiar o nariz no perfume dele, e ficar abananada, sem saber bem o que dizer, como falar, o certo, o errado, um que me tire do sério e me deixe ser Mulher.