Percebes que já andaste com gajos a mais quando…

Hoje conheci um rapaz Português muito simpático e muito fixe, que tem um sorriso igualzinho ao sorriso do maior filho da mãe, cabrão e estupor com quem já andei.
Igual, igual, igual.
E revi-me nos pensamentos de há seis anos atrás.
De repente houve uma afluência de recordações sobre a primeira vez que vi o outro gajo.
Consegui, de modo titânico, concentrar-me nos dias de hoje e não embirrar com o moço enquanto pensava: not again. Been there, done that. I honestly don’t think soooo!

Estou mesmo boa a quebrar padrões.

Hoje gosto um bocado mais de mim. Ufa!

Vinde a mim as criancinhas

Sossegadinha que eu estava no meu projecto novo, entro numa sala a pedido para ir conhecer um colega, e lá dentro estão dois tipos até relativamente bem apessoados, um perto dos 40 e outro com um penteado parecido com o do David Luís do Benfica. Como sou uma das únicas 4 mulheres da sala (para não variar), sorriem com os dentes todos e tropeçam uns nos outros pra me cumprimentar. Até porque eu hoje fui maquilhada e de vestido. Um dia destes ando lá de saco enfiado na mona. É muito nerd por metro quadrado.
Lá cumprimento os colegas, apresento-me com direito a mini descrição de curricula, mando umas piadas e tal e volto pra minha mesa.
Saio de fininho às seis da tarde e vou à casa de banho antes de chamar pelo elevador. Phones nas orelhas, podcast a bombar e ” Hi, so you are new here?”
Já está.
O David Luís entrava em acção, de mega sorriso em punho, olhos verdes cor de esmeralda e cabelos balançantes.
Atendendo à existência de tesouras no Universo  lá tirei os phones das orelhas a custo e vim à conversa no elevador. Já à saída e no contexto do “estás cá há muito tempo?” sai-se com um: não, não, só há dois e meio, ou seja, desde que saí da Universidade.
E o meu cérebro processa à velocidade da luz e numa fracção de segundo: excuse me? Menos de trinta? Like… again? Já chega.
E devo ter tido o meu pensamento espelhado na minha testa, porque ele desandou nos calcanhares com a sua simpatia enquanto eu me dirigia ao meu carro com um claríssimo NO FUCKING WAY a explodir-me no peito.

Porque é que reparam sempre em mim gajos tão novos? Eu não preciso de malta de bengala, mas será necessário que tudo o que é puto me curta? Eu já sei que pareço mais nova e que há poucas moças novas e solteiras na empresa, mas se for fora do contexto laboral acontece-me exactamente o mesmo. É sempre o imberbe que me acha piada. Vá lá que é sempre o imberbe muito giro. Mas é sempre a mim que vêm. Que nem abelhas ao mel. Terei de passar a andar com uma placa ao peito a dizer: admissão reservada a pós-trinta?

PS: Henk, this is not to be comented but here 😉

E daí não

Durante a minha estadia em Braga este Natal saí um dos dias pra passear os cães tomando a tarefa do meu Pai. Nesse dia encontrei uma série de pessoas conhecidas e amigas. Curiosamente, só encontrei pessoas de quem gosto. Talvez porque só pisco os olhos sem óculos para reconhecer pessoas de quem gosto. A maioria já não via há uns bons três anos, mas houve quem encontrasse cujo rosto não me aparecia há uns bons doze anos. Uma das personagens que encontrei foi o meu antigo professor de Direito. A minha escola era escola piloto da nova reforma educativa e como tal tive Direito no décimo primeiro e no décimo segundo ano. Foi o primeiro ano em que o Pedro deu aulas, ele devia ter os seus vinte e quatro anitos e nós dezassete. Tinha uma amiga que na primeira aula disse em voz rouca e sonora “o profe tem um rabo muito jeitoso!”, achando que estava a ser discreta. Eu achei que ele era muito novo pra ser já careca mas que tinha ali um “je ne sais quoi”… o sorriso… tinha um sorriso maroto que lhe dava um charme de cair pro lado. Ora qual não é o meu espanto, quando passados (ai-jesus-que-faz-tão-mal-andar-aqui-a-contar-e-somar) dezasseis anos o encontro, ele está ainda mais careca, mais gordinho, mas com o mesmo charme de antes e pensamentos velozes me cruzam a mente basicamente para acabar num “nem te atrevas deves mas é ser parva, tu tem mas é juizinho”. Conversa vai conversa vem, nós no meio da rua, e há dez indivíduos que passam e há dez que me medem de alto a baixo, muito à moda de Braga, numa onda de “quem é esta com quem ele está a falar, deixa ver que botas tem calçadas, já agora deixa ver a aliança, mas será amante?” (esta cidade é uma merda nesse aspecto), os mesmos dez que o cumprimentam, e eu já um bocadinho farta da situação lembro-me das alturas em que o apanhamos a comer gajas boazonas atrás do café Ferrari e a medo sai-me a pergunta: porque é que toda a gente olha pra mim? Na realidade eu queria perguntar era: tu ainda comes gajas atrás do Ferrari? É que eu agora já tenho idade…
Ele lá responde que é porque ele é muito conhecido e pergunta-me se eu não conheço uma miúda Maria que é de Braga e vive na Holanda. Ora pois com certeza que conheço, Sofia aka Maria dos Plásticos, Embaixatriz do Expatriado na Holanda em sociedade por quotas estabelecida há dois anos com Tuxa do Vida em Amsterdão, lá deixaria de conhecer alguém luso em terras baixas? É primo. Merda. Não, espera, é bom, a prima dele é uma das miúdas mais fixes que conheci na terra do gelo. Gosto mesmo muito dela. Ser prima dela era bestial! Ai, não, espera. Tens de perguntar ao homem se é casado! Mais conversa vem, conversa vai desta feita já não sobre a minha vida e a dele, mas sobre toda uma personagem que é a minha amiga Maria, e lá consigo chegar à pergunta, já sem voz de falsete: então mas tu não casaste?
Casei, casei. Acho que casei cedo. Casei aos 33. Mas não temos filhos, não queremos. Enganaram-me bem! Pedro, o meu irmão lembra-se de te encontrar no Sardinha e lhe pagares umas cervejas pra eles não te estragarem o esquema… Eh pa, pois era, bons tempos. Sorriso maroto. Ah porra pro homem, que continua charmoso. E é primo da Maria.
Quando a encontrei no Bananeiro no Natal contei a história e só omiti a parte de “ainda lhe dava umas trincas”. Tal como esperava, a prima Maria sai-se com um: o meu primo é um traço! Não querida, não é. Mas é homem. É um homem. Já nem sequer é o puto que era há dezasseis anos.
Tudo isto para dizer que tenho imensas saudades de conhecer homens, perdão, Homens.
Tenho mesmo vontade de conhecer um Homem, enfiar o nariz no perfume dele, e ficar abananada, sem saber bem o que dizer, como falar, o certo, o errado, um que me tire do sério e me deixe ser Mulher.

E depois assalta-me aquela coisa do:

ele é muito boa pessoa, ‘tadito. Mas é tãooo chatinho.
E porque é que eu gostei mesmo do moçoilo?
E se ele vem praqui querer traduzir tudo? Tenho que escrever assim fanhoso, com letras e cenas e coiso que ele não catrapisque nem no google.
Dizia eu, o gaijo é melga. Sabe sempre toneladas de coisas a mais que todos nós juntos.
É daqueles tipos, como dizia um amigo meu, que é só abrir a boca e estamos a levar com uma enciclopédia nos cornos! Toma lá com o volume de I a K!

Bonzinho comó milho, graças a Deus. O “home” era um monumento à humanidade.
Metro e 88 de six pack em punho.
Nunca fazia nada que não fosse controlado. Não conheço pessoa com maior auto-controlo. Verdadeiramente impressionante.
Ora aí tá uma coisa que me dá na nervoeira que é aquele people (ai que isto de fazer coiso e tal pro google translator não se armar em bom dá-me uma trabalheira … apre) que não sabe ser espontâneo. Regra geral é a malta do: ah e tal, aqui não que parece mal. Ah e tal, fizeste isso? Que horror! O que é que os outros vão pensar? Ah e tal, que giro, mas eu nunca faria uma coisa dessas! Ah e tal, que vergonha!
Esse gangue é aquele que reúne a maior quantidade de gente inadaptada que conheço e que não sabem o quão bom é atirarmo-nos duma pedra com mais de 5 metros de altura, sem rede, mesmo que borradinhos de medo porque alturas não é o nosso forte.
Gente com medo de mudar, de arriscar, de fazer.
Este só foi pra China depois de lhe mandar um pontapé naquele cú que até rodopiou em duplo. Foi quase à pancada que alugou a porcaria da casa e vendeu o carro.
E quando teve que decidir, foi ao tio-ao tio, ó Sofia, que é que eu faço? IDE! IDE Senhoreee!!
Vai com Deus filho, e vai pela sombra.
Porque é que eu andei contigo mesmo? Eu que sempre abominei panacas, diz-me lá o que é que me passou pela mona?! Se não fosses tão boa pessoa, (porque és, lá isso és) ias ver!
Ah! Já sei!
Honesto. Eras (e és) honesto e sincero. Chatinhoooo, só que sério. O sentido de humor era assim… diferente. Não é mau, é diferente.

Como e porque é que andamos com pessoas, gostamos delas, e depois olhamos p’ra trás e perguntamos a nós próprios: sobre que efeito de que droga andaria eu?
O amor não é cego. O amor é estrábico!

Inspire, Expire

 Foi mesmo assim que eu me senti quando tomei algumas decisões mais sérias esta semana. A partir do momento em que as pus em prática invadiu-me uma paz que não tem explicação.
As insónias desapareceram, a agressividade foi embora, senti-me mesmo bem. Acho que é mesmo porque fazia sentido, não porque tivesse que ser.
(nunca li nada da Alexandra Solnado, mas achei este texto num blog perto e achei just perfect)

Existe uma paz que só se alcança quando as decisões que tomas são as mais correctas. Mais correctas para ti, naturalmente. Normalmente, a maioria das pessoas toma as decisões baseadas na ideia do «tem de ser», «não há outra hipótese» ou «tenho mesmo de fazer isto».

São decisões empurradas pela mente, pelo ego controlador e sinistro, que foge da tua alma pois tem medo da força que ela tem. Volto a dizer – as decisões quando são tomadas respeitando a energia original têm uma força tremenda.

Porque tudo está no seu lugar quando uma pessoa se respeita, quando uma pessoa sabe que o que é melhor para si pode não ser o melhor para os outros. Sempre que tomares uma decisão, faz o seguinte: nem que seja por um segundo, fecha os olhos e sente o teu peito. Mais do que isso. Sente a tua intuição.

Às vezes o peito sofre com as decisões que a nossa intuição nos diz que temos de tomar. Sente a tua intuição. Há paz? Há coerência energética? Há aquele sentimento tão antigo de que «tudo está no seu lugar»? Se sim, está certo. É a tua decisão mais acertada. Se não, já sabes o que tens de fazer.

Alexandra Solnado

“Momentos que são meus, e que não abro mão”

Ana Carolina e Seu Jorge – Prá rua me levar

Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus, e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você

É mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar