Feminino ou masculino?

Todos os dias me deparo com nomes Holandeses que julgo serem masculinos e afinal são femininos!
Vou dar só dois exemplos de nomes femininos que pensei que eram homens e saiu-me o tiro pela culatra:

Jose
Renate

(esta lista vai crescer quando encontrar mais)

E não, não é Maria José, é mesmo Jose. E o “e” no fim de Renate dá tanto pra Renato como Renata.
Curioso, não é? É chato é eu ser sempre apanhada em falso, quando dou por ela estou a trocar emails com UMA colega, não com UM colega, e se bem que não deveria fazer diferença, a mim, faz-me.

Preciso de ventilar

Daqui

Eu sei que há muito boa gente aqui que vive na Bélgica e que tem amigos Belgas, mas a sério, a mim deixam-me doida, fico com os nervos em frangalhos cada vez que tenho que passar mais de meia hora com eles.
Será possível que tudo é uma tempestade num copo de água? É que nem os Italianos são tão complicados!
Uma merdinha sem jeito nenhum é longo um longo problema com escassa possibilidade de resolução e muito trabalho associado!
E dá-se-lhes a solução e a resposta é um:

– então mas quem é que vai fazer isso?
– TU/VOCÊS.
– Nóóóóóós??? Isso não é da nossa competência e é realmente muito complicado!! Quem é que faz isso aí na Holanda?
– EU/NÓS.
– Ah, sim, mas aqui é diferente porque a Bélgica é diferente e os nossos clientes não aceitam isso!
– Já falaste com o teu cliente?
– Sim, sim, ele diz que não aceita de modo algum!!! Terminantemente! Põe em causa a nossa relação (drama queen é a especialidade, só faltam os efeitos especiais)
– Mas eu acabei de te propor a solução, como é que já falaste com o cliente?

Segue-se um mudança abrupta de assunto e opta-se por elevar o nível de complicação de outra merda sem jeito nenhum onde pode ser que tenha razão e leve a dele avante.

É pra esgotar a paciência a um santo, a sério.
O requisito fundamental pra se nascer Belga deve ser: és complicadinho e fazes tempestades num copo d’água? YOU ARE IN!

É com cada ave rara…

… eu não sei como é o vosso local de trabalho, mas o meu é certamente dos mais … estranhos? será um bom adjectivo? com que já me deparei.
Trabalhar com geeks é sempre uma caixinha de surpresas, até porque a maioria relaciona-se melhor com máquinas que com seres humanos, e dá-me a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas, muito mais genuínas e sinceras que o normal que se encontra por aí.
Normalmente sinto-me dentro de um “Big Bang Theory” ao vivo e a cores em que eu nitidamente sou a “loira”, mas não me importo. Até porque, tal como ela, acabo por fazer amigos extraordinários. Sui generis, com toda a certeza, mas muito, muito boas pessoas.
Se em Portugal era banal eu “fazer amigos entre os animais”, aqui na Holanda é raro. Vamos lá a ver, eu gosto das pessoas com quem trabalho, tenho uma equipa mesmo porreira, cinco estrelas, mas depois há toda uma amálgama de gente que me rodeia e que são capazes de dar com o mais santo em tolinho, tudo porque pura e simplesmente ultrapassam o limite da razoabilidade do geek.
É com cada ave rara que vocês nem imaginam. Nem os filmes os conseguem reproduzir, camandro!
É claro que se a ave rara não interagir comigo, eu limito-me a observar e sorrir e seguir em frente. Às vezes faço reparos mentais, como quando vi um colega tão mal vestido que pensei que era um trolha, ou outro que parecia um lenhador, ou até quando passei por uma colega que era tão grande mas tão grande que a minha cabeça lhe dava pela anca! Quer dizer, nesta última ia ao telefone com o meu Pai e pude exclamar, como se o meu Pai a pudesse ver, tshiii Papá, ca ganda besta que passou por mim! Parecia um poste, não tás bem a ver! Dasse, que ela dava três de mim, cada mão parecia uma raquete!
Mas pronto, fora esta vez, normalmente não digo nada, até porque se há coisa que aprendi na Holanda foi que neste País cada um é como cada qual e além de ninguém ter nada a ver com isso, eles estão bem a borrifar pra minha opinião, por isso mais vale calar.
Agora, se interagem comigo e são mais esquisitos que um Hobitt, pera lá que a coisa muda de figura!
É que aí não é esquisito de aspecto, é mais como sentir que está a falar com alguém doutro planeta, “man”, a sério, é gente muito estranha. Muito mesmo.
Então se fazem caras estranhas e incompreensíveis depois de eu lhes fazer uma pergunta e ainda se remetem ao silêncio em vez de me responder decentemente, E AINDA POR CIMA olham pra mim como eu é que fosse a “esquisitóide”, então aí, eu que fervo em pouca água dou comigo a respirar uma, duas, três vezes, até que me sai entre dentes e em bom Português, e bem baixinho “também nunca percebes nada, car@lho”.
Juro, juro juradinho que às vezes até tenho que fechar os meus dedinhos em punho e agarrar-me à cadeira e manter os olhos no teclado que é pra não verem os meus olhares que alternam entre o “vou-te furar os olhinhos!”, o “ca ganda anormal” ou o mais comum, “meu, tu não és desta dimensão de certezinha”!
Loira, eu devo ser é loira….

Deixar vir a mim os desgraçadinhos

Durante anos na Candeia arreliei a minha amiga Joana porque ela era advogada dos casos perdidos. Nunca nos chateamos por isso, mas era extremamente irritante que cada vez que eu dizia à Direcção: aquele miúdo não pode fazer campo connosco porque A, B, C e D, lá vinha a Joana com a bandeira contrária a dizer: espera lá que ele está em recuperação e assim e assado, e há que dar oportunidade, e mémémé, porque na Candeia não julgamos as criancinhas. E ela é boa advogada das causas dela, e lá estava eu no Campo a dizer mal da minha vida e com vontade de esganar o frágil pescoço da Fernandes cada vez que os putos faziam m#.
No trabalho tenho uma Colega que é igualzinha. Vou-lhe passar a chamar a Santa Protectora dos Incompetentes. Já é a terceira vez que nos queixamos c-o-l-e-c-t-i-v-a-m-e-n-t-e duma pessoa e os Managers tentam despachar o gajo, e lá vai ela, em frente a toda a gente, a remar contra a maré a dizer: ele é um excelente profissional, estava era mal aproveitado! E diz aos outros chefes: vocês é que não o sabem “trabalhar”.
Ora tudo isto seria até bom, não fosse o caso da Joana se ter enganado umas quantas vezes (o Carlos já está a ver o sol aos quadrados?) e a minha Colega não conseguir corrigir estes gajos e a equipa dela ser cada vez mais desastrosa, com já quatro pessoas de baixa e apenas três que aguentam aquilo basicamente sozinhas, inclusive ela. A Senhora é uma moura de trabalho e tem um vida lixada, com um filho super doente há anos, sempre em cirurgias contínuas e com a vida por um fio. E vai e contrata mais um palerma pra “salvar a humanidade”. Juro que não entendo.
Mas afinal que necessidade é que ela tem de se andar a matar com incompetentes? É vontade de ser mártir?
Eu não tenho vocação pra isto e mexe-me com os nervos. Dar uma segunda oportunidade às pessoas é mais que justo, já ma deram a mim e em menos de três meses provei que o chefe anterior tinha passado uma ideia errada. E isto já foi há mais de 12 anos atrás e nunca mais se repetiu ou houve necessidade. Outra coisa muito diferente é ir recolher quem já foi corrido de 3 departamentos diferentes e exactamente pelo mesmo motivo: calaceiro!
Uma altura o meu chefe (sim, sim, és mesmo tu Paulinho!) depois de muitos apelos meus pra me arranjar ajuda, deu-me a “ajuda” de um Colega, que era uma jóia de pessoa, mas que gostava tanto de trabalhar como eu de caçar grilos. E ainda me disse armado em engraçadinho: faz parte da tua avaliação conseguires por o Luís a trabalhar, ehehehe. Teve cá uma graça!
Continuei a fazer tudo sozinha e ainda por cima o gajo retirou-me da mailing list de piadas dele. Aquilo é que foi uma injustiça, ah?!
Pergunto-me muitas vezes o martírio que não deve ser ter-se a mania que é do contra. Conheço várias pessoas assim, inclusive a minha Mãezinha, e oh pa, vocês sofrem, ah!

Às vezes trabalhar é fácil

Eu gosto muito de trabalhar com pessoas, não interessa a nacionalidade.

No entanto embirro muitas vezes com certas nacionalidades e quem me conhece sabe que não sou fã de Franceses, Belgas e Indianos. E não é apenas o facto de não gostar de trabalhar com eles, é que culturalmente as manias dele são algo com que empanco e vice-versa.
Não quer dizer que eu deteste as pessoas porque nasceram ou vivem na Bélgica, na França ou na Índia, tenho amigos Franceses e Indianos de quem gosto bastante, mas regra geral, 90% das vezes, não vou à bola com esta malta. E ainda não consegui conhecer um Belga do qual ficasse amiga.
Pá, é a velha lei que o meu Pai tem (e à qual acho muita graça): gostas, gostas. Não gostas, comesses menos.
Tradução: se não gostas do prato de comida que está à frente, não lhe toques.

Pra compensar, raro é o Italiano que me cai mal (excepto os Napolitanos. Ainda não encontrei um de que gostasse.) e descobri que os Checos são os latinos da Europa de Leste e, excepto o Milan Kundera, são (aparentemente) simpáticos e desenrascados, algo único!
Os Suiços, pra meu espanto, também foram uma agradável surpresa, sendo que claramente prefiro os Suiços do Cantão Italiano, lá está.

E pronto, quando faço calls com os Italianos ou os Suiços Italianos, as calls são pragmáticas e bem dispostas, que mais não seja porque começam com um Buongiornno Sofia!!! e não há cristão que não se sinta logo de bem com a vida. Como são do norte de Itália são mais certinhos, mais “Suiços/Alemães”, e dá gosto trabalhar assim.
Com os Checos é diferente, é preciso que nos conheçam e que falem bem de nós uns aos outros. É meio caminho andado pra termos a pessoa do lado de lá a esfanicar-se pra nos agradar. E ficam felicíssimos quando os congratulo pelas ideias geniais. Talvez culturalmente, no tempo da outra senhora, não pudessem ter ideias e o desenrascanço tivesse que ter sido apagado. O certo é que eles desenrascam lindamente quais Tugas em acção, e ficam todos felizes quando os elogio com todo o gosto.

E os dias em que tenho o prazer de trabalhar com os Italianos, os Suiços Italianos e com os Checos e não levo com as outras 3 nacionalidades supra-citadas pela tromba adentro, fico feliz. Fico mesmo muito contente e tenho imenso gosto em trabalhar.

Sou claramente uma vendida.

Sou uma gaja 2+

Há sete anos que tenho a mesma classificação.
Há 36 que me dizem que tenho falta de comunication skills. E eu a pensar que comunicava tão bem… 😉
Há sete anos que sou Danoninho e que me faltou um bocadinho <--> assim.
Não faz mal que 2+ é praí uns 18 valores, é bem nice!

A fleuma

Ultimamente tenho trabalhado com Franceses e estes tipos perdem a paciência em menos dum fósforo.
Começam logo a praguejar, a esbracejar, principalmente e acima de tudo se os quisermos fazer trabalhar.
E ainda falam dos latinos. Somos uns meninos ao pé destes gajos!
A sério, anda aí muita gente ignorante (e arrogante) naquilo que pensa sobre os outros povos. Vamos lá de férias e pensamos logo que sabemos tudo.
Não sabemos nada até termos que trabalhar com eles.
É que fazer trabalhar um Francês dá cabelos brancos, juro.

Há malta que não se manca

Há pessoas que andam neste mundo a achar que os outros são parvos e eles são mais inteligentes do que dez de nós juntos.
O que mais me enerva nestes seres aberrantes é que, apesar de eu lhes mostrar que sou capaz de os reconhecer à légua, estas sanguessugas insistem em querer comer-me por lorpa.
E eu não suporto que me comam por lorpa.
É pensarem que nos conseguem empurrar um trabalho pro lombo com a desculpa de que a responsabilidade não está bem definida, em vez de assumirem de uma vez por todas que não fazem puto de ideia do que aquilo é ou de como é que se faz.
Recebem um pedido, empatam os chefes enquanto podem, e quando já não conseguem empatar mais, tentam empurrar as coisas praquele que consideram lorpa.
E ó pazinho, eu posso ser muita coisa, mas certamente de estúpida não tenho nada e não tenho culpa que sejas um calhau com dois olhos.

Bolas, é que acordar e ver um email dirigido a mim, depois de ontem ter especificamente dito ao gajo que aquele assunto não é comigo, que é com ele, e o tipo insistir como quem não quer a coisa, que EU faça o trabalho DELE é coisa pra me deixar com os azeites logo de manhã.