Mi Laurita


Conheci a Laura numa das minhas viagens anuais de veleiro. Em 2003 na Grécia. Só falamos os últimos dois dias e trocamos umas músicas e gargalhadas. Convidei-a para vir até Lisboa quando quisesse e em Novembro a Laura achou que precisava dumas férias e eu também e percorremos o País de Lisboa até Viana do Castelo no meu carro. Mal nos conhecíamos, metermo-nos numa viagem as duas sozinhas foi uma missão kamikaze: ou nos davamos realmente bem ou acabavamos sem nos poder ver nem com molho de tomate.
Até hoje não sabemos como, mas demo-nos tremendamente bem, mais propriamente como irmãs e os meus Pais deram a sua contribuiçãozinha ao entupir a Laura de comida e mimos. Juntas percorremos o Porto a pé e cheiramos avidamente os livros na belíssima Bertrand, comemos o melhor arroz de pato de sempre em Coimbra, aproveitamos o frio de inverno das praias de Afife e Moledo. E juntas começamos uma amizade que dura há 6 anos, com muitas idas e voltas a Barcelona e a Lisboa, muitos emails e telefonemas de horas e uma resistência abismal à distância que se nos impõe.
Quando fiz 30 anos estava depridíssima. Falamos ao telefone comigo a chorar baba e ranho, que era um horror fazer 30 e a moça com toda a paciência lá me explicou que é o melhor que pode acontecer a uma mulher, que é uma marca histórica e que ela ia tratar de tudo p’ra que eu tivesse o aniversário mais inesquecível de sempre.
No dia 15 de Novembro acordei ao som da campainha e quando abro a porta esperava-me um monumental e fabuloso ramo de flores encomendado por ela, pelo Iñaki e pelo Xavi. Felicidades desde Barcelona! Nos vemos el viernes!
Ah pois é, eles não só me mandaram um ramo como se meteram num avião e vieram passar o fim de semana comigo! No Domingo vieram os meus Pais e as minhas “manas” lá a casa e tive direito a almoço opíparo feito pela minha Mãezinha, a um bolo delicioso, 30 velas e os Parabéns em duas línguas. Os doidos ainda me ofereceram como presente de anos um bilhete de avião p’ra Barcelona com a única condição de ter que ser usado nos 6 meses seguintes. E foi assim que fui navegar pela Costa Brava com mais 7 catalães em Março e conheci Cap de Creu que ainda hoje me aparece em sonhos.
Como prenda de anos dela, o seu Xavi ofereceu-lhe um fim de semana em Amsterdão para visitar “la Sofi” e matar saudades. Já não nos viamos desde Fevereiro de 2007, mas como sempre, foi como se tivesse sido ontem, com a tosca a arreliar-me constantemente porque é irritantemente orientada e em 2 horas conhecia melhor as ruas de Amsterdão que eu! (o que também não é difícil diga-se de passagem, que o Andorinha vem de eu ser uma desnorteada de todo)
Reparem bem que o presente dela não foi propriamente a vinda a Amsterdão, mas sim uma visita à Sofia! Eu já sabia há mais de um mês porque ajudei o Xavi a escolher um hotel e combinei tudo à socapa com ele (que é o melhor namorado do mundo! Um amor!) e desde o primeiro momento que nem queria acreditar que esta alminha bendita tivesse como presente voltar a ver-me. Quem fez anos, ela ou eu?! Pra cúmulo trouxeram o sol com eles e teve um tempo bestial!
No mesmo fim de semana chegou a Inma e o Franciú, e os 5 passeamos por uma Amsterdão ensolarada só pra nós, e confesso que não podia caber mais em mim de contente por ter cá as duas e o Xavi, de tal forma que não houve um minuto em que o sorriso estive-se a meio gás na minha cara, de lateral a lateral esteve sempre rasgado, com aquela felicidade cá dentro que só dá vontade de manter em alta, sempre lá em cima … senti-me em casa.
Enfim, com amigos assim, que mais posso eu pedir a Deus?
Sou uma sortuda, tenho mais sorte que juízo!
Y a mi Laurita le quiero mucho mucho mucho!! Y a ti también Xavi, qué eres un sol!!!
Qué lástima que Barcelona no esté un pelin más cerca…

Arrumadores de Lisboa versus Ladrões de Bicletas em Amsterdão

Tenho cá a minha querida Inma (espanhola) e seu maridinho Franciú, que é teimooooso como um jumento e marrou que tinha de percorrer a Breukelen campestre com a sua gaja, montados em bicleta qual casal de apaixonados que vão fazer piqueniques na Holanda rural.
Até aqui tudo normal. Quando lhe expliquei que em Breukelen city não dá pra alugar biclas, e que tinha de as alugar em Amsterdão e trazê-las pra cá, alugando-as dois dias, fez contas à vida e achou que o melhor seria…comprar uma das roubadas pelos drogados em Amsterdão.
Ora que belíssima ideia! Pensei eu enquanto cerrava os dentes e fazia um esforço por ser simpática e pouco moralista e pensar no bem-estar da minha amiga do coração, que por cierto, está grávida de 3 meses, e sujeita a perder a criança caso malhe da puta da bicleta que trava com os pedais.
Como o franciú nunca mais se calava, e porra que o gajo é insistente, lá consegui saber onde era o sítio e como se procedia. Ali p’ro pé da UVA disseram-me uns. Esperas a olhar pro ar, e chega um tipo ao pé de ti e diz: bike? tu dizes que sim, e nada de dar mais de 15 euros que isso já é um roubo! (Sim, porque mangar bicletas do alheio, não o é.)
Enfim, eu, que comprei a minha no Marketplatz por motivos de consciência, lá rumei até ao dito sítio, embuída da maior das boas vontades e a rezar pra que os drogados das binas gozassem o santo domingo.
Lá andamos a cirandar, entretanto liga-me um amigo holandês, estou eu ao telemóvel em amena palheta e aparece-me o Cherri com uma bicleta pela mão.
Ia-me dando um treco, confesso. Sou uma menina, pois sou. E não curto nada estas cenas. Chamo a Inma que vem de lá a tremer que nem varas verdes e a amaldiçoar a idiotice do marido, vamos as duas em direcção ao meu carro que nem flechas, metemos o chaço dentro da mala do meu carro, cagamo-nos de cima a baixo com a merda da bicleta e aparece ele com outra todo contente.
O carro foi mesmo à tanja e o moço estava feliz como um cuco. Eu tremia, a Inma também, eu só pensava: ai Jesus se a Polícia me manda parar que tou tão lixada!
Passado o susto chego a casa e passo-lhe um raspanete soft (não fosse a minha Inma ficar triste comigo porque a minha vontadinha era mandar-lhe dois berros) porque nenhuma das duas bicletas tem travões de mão e ele estava preocupado era que ela comesse atum porque podia ser que fizesse mal ao feto!
Sentiu-se culpado todos os dias, mas ainda assim quer fazer o passeio pelo campo. Teimoso ou burro?! Pra mais a Inma detesta campo, detesta bichos, não acha a situação nada romântica e conseguiu que eu mandasse uma gargalhada enquanto lhe dizia ao marido: cada vez que hacemos “tu dia” como tu quieres me lo paso fatal porque ya sabes que mi lo de la vida salutar no me va!
O que mais me chateou nesta situação é o facto de fazer algo que é punido como qualquer delito, embora eu não a tivesse roubado propriamente. Mas induzi a que outros o fizessem. Dizem as estimativas que em Amsterdão é roubada uma bicleta por minuto (se não estou em erro), e são todas uns chaços monumentais exactamente por esse motivo, mas mesmo assim, ora bolas, é chato!Pra mais porque o que o tipo quer é dinheiro pro vício, e eu tou-lhe a dar guito pra ele se matar.
Mas pensando bem…qual é mesmo a diferença entre dar 15 euros a este ou 1 euro de cada vez a um arrumador de carros em Lisboa? Os primeiros não me dão porrada e os segundos riscam-me o carro. Ambos chutam pra veia. Tanto dou um “empurrãozinho” a uns, como dou a outros.
Não gostei da experiência, e o que é pior: as bicletas são muito altas pra mim e nenhuma me serve pra andar por aí sem bater com a fronha no chão! É que nem pra benefício me serviu!
Rais parta o franciú!

Coisas de que já não me lembrava:

– Ó Mãe! Ele não tá a fazer nada!

– Ó Mãe, e o que é ela faz? E o que é que o Pai faz? Goza a vida, não é! Só eu é que trabalho?

(este miúdo é um espectáculo!)

– Deixa-me só ver aqui os bonequinhos, já ponho a mesa.

Passados 10 minutos diz a irmã: se me deres um euro ponho eu a mesa!

Aceito!

– Larga-me o Nintendo rapaz! A jogar dessa maneira vais ser campeão de Pokemón!

– Ó Mãe, não posso passar as minhas férias sem tarefas?