Os holandeses dão-nos um NÃO redondo sem qualquer desculpa.
No Natal fui oferecer coscorões no meu andar, e alguns deles disseram: não.
Eu, como boa tuga, perguntei: mas tá de dieta?
E veio outro: não.
E lá tive eu que virar as costas a magicar aqui na minha cabecinha: este gajo é mesmo bruto ou mal-educado! Ao mesmo tempo que dizia: quem me dera saber fazer o mesmo.
Uma amiga portuguesa que viveu cá muitos anos e namorou anos com um holandês, explicou-me que o NÃO holandês não é rude. Apenas não tem explicações a seguir que é pra pessoa não poder pegar na desculpa e voltar a perguntar.
Aí eu pensei: filhos da mãe! Muito bem pensado!
Bolo?
Não quero, obrigado, tou de dieta.
Mas é só hoje que salta a dieta, vá lá, faça-me lá esse gosto!
Não posso comer chantily.
Põe pro lado, come só o bolinho!
Queres vir comigo à Baixa?
Não posso, obrigado, combinei com a Rita.
Podemos passar lá e apanhamos a Rita!
Mas eu quero estar sozinho com ela.
Eh pa, tão sempre juntos, vá lá, faz-me lá companhia! Não sejas assim!
E posso continuar on and on and on and on and on de conversas que temos, nas quais perdemos tempo precioso, só pra acabar a dizer que SIM pro(a) amigo (a) não ficar chateado connosco, o colega não achar que estamos a ser brutos ou mal educados, a Mãe do António Maria não pensar mal de nós, and so on and so on and so on and so on.
O mais giro é que dispendemos tempo e esforço duas vezes: a conseguir dizer que não que acaba em sim e depois a fazer algo que não queriamos efectivamente fazer, desviando-nos dos nossos planos originais.
Como sempre fui muito mazinha a dizer que não, depois desta lição dos colegas holandeses, este ano avisei a minha Chefe que o meu maior defeito é não saber dizer que não. Em Portugal seria comum, ela aqui tomou-me como uma ave rara nesse sentido, acha imensa graça, mas entende e diz que ok, eu tenho que melhorar sozinha, mas que, caso necessário me apoiará. É uma forma de ter alguém, que não eu, a dar o dito NÃO. (ponto).
Agora tenho de conseguir fazer o mesmo na minha vida pessoal. Essa é que vão ser elas… mas eu chego lá!! Ai chego pois!
Agora passem ao outro e não ao mesmo.
(obrigada à Walker Woman pela imagem)


Mesmo que não desenvolvas e digas só um não ou não obrigada, como eu costumo fazer (é o meu lado holandês, :)), há sempre um "então mas porquê?" neste Portugal.
Mas tens a certeza? Ohhhh! Vá lá! É só um bocadinho… Faz-me lá esse jeitinho! Mas porquê? Oh, isso não interessa nada, vamos lá…
Bem, acho que podia continuar ad eternum… O problema do NÃO entre portugueses é que muitas vezes quem diz não não quer dizer mesmo não… E gosta de ser convencido, como se isso fosse prova do amor / carinho /dedicação de quem veio perguntar. Com holandeses deves safar-te bem, com o povão do rectângulo, boa sorte com isso! 🙂
Então separemos entre: os que não conseguem dizer não e os inseguros que precisam de 30 mil convites pra irem a qq lado, que achas?
Acho que está científico qb. 😉
;))))
também tenho problemas em dizer não… os holandeses é que têm juízo! temos de aprender com eles e aprender a dizer não! temos de nos colocar em 1º plano! Poça!
É verdade Joaninha, agora saber fazê-lo às vezes parece que não é da nossa natureza… mas é 🙂 Obrigada pela visita 🙂