Coisas boas da vida

Como estou de bábá dos dois pequenos saltitantes (garantindo que não se metem em assados e alhadas) e de assistente pessoal de Petzi Maria Mãe-cadela-galinha, não posso sair de casa por muito tempo. Mas hoje saí para ir às compras porque precisava de re-abastecer a casa e aqui ao pé há uma frutaria dum turco que tem os melhores vegetais do bairro, dão dez a zero aos do Albert Cuyp e fica muito mais perto. Os preços são razoáveis, mais baratos que o Albert Heijn, e os legumes que lhe compro chegam a durar duas semanas. Além disso tem nabos, tem abóbora, tem castanhas, tem nozes, tem 7 tipos de alfaces frescas, é uma alegria para a minha vista.
Tinha descongelado um bife e vi esta receita do Jaiminho Oliveira do mê coração, e não fui de modas, levei tempo, mas executei com primor esta maravilha: http://www.channel4.com/4food/recipes/chefs/jamie-oliver/jamie-s-squash-and-beef-carpaccio-salad-recipe
Se a descrição é boa, comido é indiscritivelmente melhor.
Não usei funcho porque não tinha e troquei as castanhas por nozes.
Dá algum trabalho, mas compensa (e muito). Estou aqui cheia como um abade, mas contentinha contentinha. Comi mesmo bem oh pa!
E pra semana, atendendo a que ainda há abóbora, vou fazer esta salada duma moça chamada Julie Morelli que leva abóbora assada no forno e queijo chevre: http://www.designsponge.com/2009/12/in-the-kitchen-with-julie-morelli.html
Quando digo à minha Mãe o que comi diz sempre: muito bem tu te tratas minha filha!
E tem toda a razão, olarilas!

Ai, mas são muitos cães, tens a certeza?

Um esclarecimento geral pra acabar com a conversa que mais me enerva:
  1. Eu só faço o que EU quero. Se decidi ter 3 cães é porque TENHO a certeza que quero.
  2. Quando eles sujarem a casa toda, sou EU que limpo, não são vocês, por isso maniacozinhos da limpeza, deixem de se coçar todos assim que eu digo a palavra cão. E procurem não fazer feridas quando eu digo três. Não se preocupem que não tenho qualquer intenção de levar os três pra vossa casa.
  3. Há malta com filhos que me chama maluca. Mas vocês têm noção do trabalho que dá um cão comparado com o que dá um filho? Ah, mas não é a mesma coisa! Pois não. É muito mais fácil ter um cão que uma criança. E infinitamente mais barato. E sinceramente, mesmo que me crucifiquem depois disto, os cães dão-me mais garantia de alegrias a longo prazo que qualquer criança. Eu já vi como é que eles ficam quando são adolescentes e não sei se quero. Cada um com a sua opinião, sim?
  4. Então e vais andar com os três na rua ao mesmo tempo? ÓBVIO, não estão à espera que passeie um de cada vez pois não? E uma outra coisinha de que ninguém se lembra: os cães imitam-se, aprendem por repetição de comportamento. Pela experiência que tenho com o Kruk, educar o Bitoque e a Juicy vai-me custar … bola. Zero. A Petzi faz e eles imitam. É como se já nascessem treinados, compreendem? Good.
  5. Ai e quando fores de férias, como é que vais fazer? Levo-os comigo. Ainda não encontrei mochilas triplas, mas do chão também têm perspectivas óptimas dos sítios. E ainda há a hipótese de os colocar num hotel pra cães, levá-los aos meus Pais ou arranjar uma alma caridosa que venha cá pra casa tomar conta deles. Acreditem que só não há solução pra morte, de resto tudo se arranja.
  6. Ai, mas e o dinheiro que vais gastar nos aviões? E o dinheiro que gastam nos Colégios dos rebentos? E se não os têm, que tal o dinheiro que gastam em roupa na H&M todas as semanas? Ou nas malas da CH? Mas afinal, o dinheiro que gasto é meu ou é vosso? O que é que vos interessa quanto gasto no avião? Não vos dói, pois não? Bem me parecia. É só pra ter a certeza.
  7. Mas vais ficar muito limitada para sair à noite ou passar fins de semana fora, não vais? Não. Se eu tiver três cães em casa a brincarem uns com os outros garanto-vos que estou muitíssimo mais descansada quando sair até às 5 da manhã do que se tiver um sozinho. Os fins de semana fora: contem lá bem pelos dedos quantos fins de semana é que passam mesmo a passear e dormem fora? Dois, três por ano? Exacto. Acham que me custa alguma coisa não ir dois dias a Paris? E mesmo que o queira fazer, sabem que há imensos hotéis especializados em receber pessoas com animais? Uma palavrinha pra vocês: GOOGLE.
  8. Pra rematar a “cunbersa”, eu só assumo responsabilidades que POSSO e QUERO cumprir. E esta é uma delas. E estou muito satisfeita. Por isso deixem de fazer perguntas parvas, sim?

Vemos filmes e achamos que é lá longe, nos States que isto acontece

e não é. A Carla (chamemos-lhe assim) não fazia Candeia mas vivia numa das Instituições onde viviam algumas participantes dos nossos Campos. Não sei o que aconteceu aos Pais dela, nunca entendi muito bem, mas sei que ela tinha uma irmã que vivia em Braga. A Carla também era de Braga mas vivia em Lisboa. Ela não gostava de ter 16, dizia sempre que tinha quase 18 e reforçava que só lhe faltava um ano e meio. Como muitas adolescentes queria crescer muito depressa. Gostava de sair à noite e ir às compras. Dormia muito. Não gostava das aulas, achava que era betinha e que não precisava de estudar pra nada. Tudo era uma seca, os Profs eram todos uns idiotas, ela gostava era de sair até às tantas, se a deixassem, até às quatro. E queria ter só roupa de marca porque senão era pelintra, e ela não era uma qualquer. Nem sequer lavava a loiça e não sabia cozinhar porque ia ter uma empregada.
Passado um ano a Carla fugiu da Instituição e foi viver pra casa da irmã. Como o cunhado estava desempregado e a irmã tinha um bébé pequeno e a única coisa que a Carla fazia era roçar o rabo pelos sofás da casa e sair à noite, como é óbvio, passado muito poucos meses foi posta fora de casa. Voltou pra Lisboa. Foi viver com uma uma amiga. A Mãe da amiga despachou a Carla passado 15 dias. Foi viver com outra amiga. Foi despachada novamente. Não tinha emprego nem fazia esforço para arranjar. O dinheiro? Pedia-se emprestado. Ela era “in/cool” porque saía à noite e porque consumia cocaína e aproveitava uma noite inteirinha, non-stop. Já tinha 18 anos e podia ser dona do nariz dela! Foi posta fora pela outra amiga. E pela outra. Acabou a dormir na rua. Mas precisava de coca. E de um tecto. E era bonita. E não podia trabalhar porque o dia era para dormir. E não tinha quem a ajudasse, e não queria sequer saber de estudar porque ela era bonita, e tinha estilo. Ia arranjar um tipo com papel que a sustentasse. Mas o tipo não aparecia, eram todos uns escroques, e precisava de dinheiro … por isso começou a prostituir-se. E até hoje.

Não sei se a vou reconhecer quando passar por ela, mas não deve andar longe da zona de Santos e do Cais do Sodré. Lembrei-me dela quando vi este vídeo. Tudo tão real, e tão perto.