Gente jovem

Ora expliquemos duas ou três coisinhas básicas:
1) Na Alemanha chega-se à Universidade com mais de 19 anos habitualmente. Muitas vezes acabam o liceu e fazem um ano sabático a viajar ou a viver e trabalhar noutro País para aprender um segundo ou terceiro idioma em condições. Durante o curso também não é raro que parem um ano para poderem fazer mais um intercâmbio cultural, seja a meio do curso, seja no final do mesmo. Resultado: o curso termina-se mais ou menos pelos 26 anos de idade. Em 4 anos de trabalho não chegam a CFO, é óbvio.
2) Em Portugal, hoje em dia, aos 21 ou 23 estamos “despachadinhos”, de canudo em punho e vamos trabalhar na empresa Portuguesa típica a troco de tuta e meia. Oitocentos euros por mês é bem bom! E ainda por cima se formos TOCs podemos assinar escritas e despachar o contabilista que lá estava há anos a “mamar na pata do cavalo”. E o CFO anterior já estava nos 50 e muitos, pode bem ir pra reforma, e cá vai o puto pra frente de batalha antes dos 30.
3) O Português tem menos experiência internacional, infelizmente, porque uma vez chegados cá fora custa-nos um bocadinho voltar pra sermos explorados novamente. Não falo de mim, mas sim de amigos meus que trabalham fora de Lisboa ou do Porto, e que se sujeitam aos tais 800 euros e ficam nas suas terras Natal. Eu não tenho nada contra viver em Portugal, muito pelo contrário. Mas não suporto “o Patrão” Português. O Patrão que acha que nós não temos horários, que acha sempre que nos paga muito e que nós lhe devemos eterna obediência e gratidão por termos direito aquela côdea de pão que é hoje em dia termos emprego. E que se aproveitam do facto de haver muita gente desinformada e muito jovem a aceitar os desafios que lhe colocam como ser CFO a troco de tostão. Nem sequer lhes explicam que se as contas não estiverem correctamente consolidadas que quem assina a dita escrita pode ir parar ao xilindró. Não lhe explicam que se eles fizerem a vontadinha ao Patrão e às suas maroscas para conseguir um subsídio tal e tal mostrando que o rendimento é baixinho estão a incorrer em ilegalidades. E os putos querem é guito pra pagar o empréstimo do carro e da casa, e como tal aceitam porque só assim é que o Patrão lhes pode “pagar mais” usando os subsidios do Estado para primeiros empregos e estagiários….durante 4 anos…e o resto vocês já sabem.
4) E pra rematar: os Portugueses têm uma capacidade de trabalho acima da média, por isso é lógico que chegam lá mais depressa. Que mais não seja o nosso “desenrascanço” vale-nos intra e fora de portas e faz de nós CFOs e COOs e CEOs muito cedo. E nós merecemos.

I can accept failure. Everyone fails at something. But I can’t accept not trying. -Michael Jordan

Aprendi em vários momentos da minha vida que falhar não faz mal. É cair e levantar, seguir em frente, de sorriso em punho e fazer outras coisas em vez de insistir no que correu mal. Nem sempre é fácil, mas algures no tempo aparece o perdão que concedo a mim mesma primeiro, e depois aos outros.
O que eu não aceito de modo algum é não tentar. E não tenho qualquer complacência com aqueles que não tentam. Que não dão o seu melhor, e não se atiram de cabeça por medo. Medo de tentar, medo de ser felizes, medo de arriscar. 
Se quem não arrisca não petisca, se eu gosto tanto de “petiscar”, porque não arriscar e MUDAR.

Mudar de emprego. Mudar de namorado, mudar de País, mudar de marido/mulher. Mudar de empregada da limpeza! Mudar. Falhar. Mudar de novo. Acertar. Ser feliz sabendo que se tentou.

Eu e as lamechices

Eu sei que é pirosa e melada até à quinta casa, mas o que eu gostava desta música do Lionelii Richie quando era adolescente, não tem explicação. Entrava em transe.

Mas vibrar mesmo, à conta da novela Top Model é claro, era a musiquinha do Richard Marx, Right Here Waiting For You

Eu sei que é mau demais, mas ainda hoje são guilty pleasures.

Melhor ainda é ouvir “à distância” as letras que me emocionavam e repetidamente dizer a mim mesma: a adolescência é f….dida. Como disse a Paula Neves, nem que me pagassem voltava a ter 18 anos! Era tudo tão intenso, senhores!

Letrinhas (uma parte) pra curtição das meninas 80’s, para verem o quanto nós sofriamos com cenas que não eram pra nossa idade:

“I’m stuck on you

Been a fool too long I guess it’s time for me to come on home

Guess I’m on my way

So hard to see

That a woman like you could wait around for a man like me

Guess I’m on my way

Mighty glad you stayed “

O gajo sai de casa, quer voltar, e obrigadinha à mulher que ficou por lá à espera dele…. o que é que isto tinha a ver com fedelhas desmamadas de 15 anos?

“I took for granted, all the times

That I though would last somehow

I hear the laughter, I taste the tears

But I can’t get near you now



Oh, can’t you see it baby

You’ve got me goin’ CrAzY



Wherever you go

Whatever you do

I will be right here waiting for you

Whatever it takes

Or how my heart breaks

I will be right here waiting for you



I wonder how we can survive

This romance

But in the end if I’m with you

I’ll take the chance “

Era tudo tão sofrido, tãoooo penoso, tãoooo doloroso.

Thank God I’m thirty.

Nunca fui tímida

Penso que a timidez resulta de atribuirmos demasiada importância ao que estranhos pensam de nós. Estranhos, porque nenhum tímido é tímido com quem se sente à vontade e com quem tem confiança. A melhor coisa da maturidade é isso ser cada vez menos relevante, os estranhos.

Obrigada Tolan.

Na verdade quando  se tem uma Mãe cabeleireira e um Pai bancário que conhecem mais de meia cidade, é complicado ser-se tímido. “Dá um beijinho à Senhora!” “Não cumprimentas?” Eram e são as minhas frases mais odiadas, que com 34 ou 4 os meus Pais continuam a fazer as mesmas fitas e deixam-me pior que estragada. O que é certo é que desde sempre que lido com estranhos. O que eles pensavam de mim….ora isso é que já não sei quando é que deixou bem de me interessar. Excepto na adolescência, essa fase odienda em que estamos sempre preocupados com o que os outros pensam de nós, acho que nunca me preocupei muito. O facto de usar bata no Colégio também ajudou bastante a sentir-me mais “uniforme”. Por outro lado era uma bola de gorda e chamavam-me buxa e o meu irmão (tão querido) chamava-me baleia. E isso é óbvio que mexia com as minhas inseguranças, mas não me impediam de comer, logo se calhar não me interessava muito o que pensavam e interessava-me mais o que franguinho estufado com batatas fritas da minha Mãe…
Se bem que… agora que penso nisso, acho que só me passei a borrifar (pra não dizer outra coisa) do alto pro que os outros pensam aí por volta dos trinta. Essa idade maravilhosa e mágica que dá (à maioria) das mulheres uma série de certezas sobre elas próprias. O facto de ter aprendido a saltar para o meio duma roda de adolescentes a fazer figurinhas de ursa e parva também ajudou muito. Até porque eles acham que eu sou uma grande maluca e esse ponto de vista fez-me ser melhor pessoa, logo mais confiante.
O curso de Clown fez maravilhas por mim e foi na mesma altura. 
Como diz o Tolan e muito bem, a melhor coisa para a timidez é a maturidade.
Se bem que …. como nunca fui muito tímida, será que se pode dizer que sou madura há muito tempo? Acho que não.