Mais indianos

Já sabem que, excepto a minha querida Sapna, os indianos não são propriamente o meu povo predilecto…
Passou por nós um dos barcos turísticos atulhadinho na parte de trás e foi um fartote. Tinham-se apinhado todinhos, quase que empina!

Popular ou cool?

Gosto muito da série Glee e sou fã de filmes como o “never been kissed” semelhantes (com qualidade) passados no liceu. Principalmente porque estereotipam muito os populars, os nerds e os geeks e eu nunca me identifiquei muito porque não se aplica à realidade dos liceus Portugueses. Mas como eu sou menina de Colégios, nunca soube bem se realmente no liceu havia a tal divisória. Digam-me vocês.
Até que há umas semanas, em conversa com uma amiga, veio essa conversa à baila e eu descobri que fazia parte dos populars, mas que o que estava mesmo a dar na minha escola eram os cool!
Tenho amigos que lêem o blog e que estudaram comigo e se quiserem contar a sua versão dos factos, são mais que bem-vindos.
Os cool no final dos anos 80, início dos 90 eram aqueles que iam de motinha pra escola, que tinham botas Sancho (as texanas), calças da El Charro (que nome péssimo), as meninas tinham cabelos compridos muito esticados (passados a ferro até), os rapazes usavam casacos de cabedal caríssimos de preferência da Marlboro e “paravam” todos no mesmo café, de preferência com o capacete enfiado no braço. Sendo Braga conhecida por ser o “peniquinho do céu”, estão a imaginar quantas vezes é que esta gente conseguia ir de mota pra escola, certo? Era só haver uma abertazinha no céu e lá estava a entrada a parecer um stand da Vespa. Só voltei a ver tamanha concentração de motas quando fui a Itália.
Ora os meus Paizinhos pagaram e bem, com muito sacrifício, o Colégios dos rebentos, mas nunca me deram a mim ou ao meu irmão qualquer dos adereços dos cool. Zero. Bolinha. Nics! Lembro-me de chorar porque a minha Mãe queria sempre que eu usasse calças da confecção duma cliente que ela tinha e que fazia umas calças com um elástico na cinta que além de me apertarem horrores me faziam parecer uma saca de batatas em andamento. Péssimo. Muito mau para uma adolescente de pala na cabeça. Eu queria era umas El Charro, e nada de ter das falsificadas, que isso topava-se a léguas! E o meu Pai fez-me um pirete e mandou-me beber água del cano.
Tanto quanto me lembro, o meu irmão sempre “cagou e andou” pra essas coisas, mas eu queria ter as mesmas coisas que as minhas amigas, e não tinha. Também não podia sair à noite e nunca podia apanhar bebedeiras como elas, porque nem sequer às matinés me deixavam ir e também não me deixavam dormir em casa das amigas. Tentar qualquer uma destas aventuras sem autorização parental era o equivalente a ficar com o rabo como um bombo e a cara como uma bolacha depois da sova que o meu Pai me daria e não valia mesmo a pena.
Nunca fui cool.
Mas sempre fui popular. Toda a gente me conhecia. Eu era amiga dos rufias e dos cool (aka betinhos rebeldes). Eles sabiam que eu era boa aluna (mas nem sonhavam que tinha dezanoves senão achavam que eu era marrona, e era fundamental que tal nunca viesse a lume) e que deixava os meus amigos copiarem por mim, por isso era fixe. Também sabiam que eu era amiga dos internos todos e que roubava carcaças com manteiga à hora do lanche só pra lhes dar e por isso eles gostavam de mim e protegiam-me. E os internos eram 400. Respect!
Era divertida e bem disposta (e modesta, cof cof cof) e andava na escola desde os dez anos, logo aos 17 é óbvio que todos me conheciam. Além disso fazia parte de vários grupos, dava-me com os “franciús” e com os betos, e com os geeks, e também com os “normais” porque os ajudava a todos nos seus problemas amorosos. Eu sabia que devia ter ido pra psicóloga!
Continuo a não saber “o que é que está a dar”, a não ir a sítios só porque estão na moda, continuo a não “aparecer”. Nunca comprei uma Vespa (embora confesse que essa ideia não me pareça de todo disparatada na Holanda e um dia destes ainda perco a cabeça). Já não tenho medo de desobedecer aos meus Pais, mas continuo a ser a santinha lá de casa. Continuo a dar-me bem com toda a gente e a fazer parte de grupos enormes e dentro desses faço parte de um sub-grupo que é aquele de pessoas de quem gosto e que gostam de mim. Ponto.
Não sou geek, não sou nerd (por muitos anos de IBM que tenha) e nunca vou ser cool porque nunca fui de estar na vanguarda ou de ditar modas fosse musicais ou de roupa. E sinceramente espero que todo esse sentimento de “desenquadramento” continue enterrado junto aos meus anos teen e nunca mais o sinta nem volte a ver, nem de perto nem de longe! Até porque ser popular é muito mais cool! Mas lá está, como diz o reclame, é tão natural como a sua sede…

É SÓ o melhor restaurante em Amesterdão

Depois de 3 anos e muitos restaurantes, pela primeira vez encontrei (a Tuxa é que encontrou, mas partilha-se o spot) em Amesterdão O restaurante.
Lindíssimo, muito acolhedor, o Chef é Português (Madeirense) e uma simpatia, e a comida é absolutamente SOBERBA. Nada de bacalhau com natas, o menu é de gourmet e diversificado.
Posso-vos dizer que têm a segunda melhor panacota que já comi, e a primeira foi em Itália há 5 anos atrás e nunca mais tinha encontrado parecido.
Tudo bom, mesmo tudo.
Decoração, ambiente, localização, simpatia, comida, o vinho era excelente, era tudo mesmo bom. O preço não é o mais convidativo, mas VALE a PENA!

Restaurante Heerlijk no Joordan: http://www.restaurantheerlijk.nl/

(estas fotos são duma amiga minha, não estão do best, mas servem para ilustrar o que eu quis dizer)

A tortilla do Jamie Oliver

Cozam 4 batatas partidas em bocados. Escorram a água e reservem. Numa frigideira põem o chouriço cortado às rodelas e esperem que ele comece a escorrer a gordura própria. Depois coloquem as batatas que já tinham sido cozidas. Deixem dourar as batatas e o chouriço. Retirem e na gordura do chouriço coloquem rosmaninho durante 1 minuto. Batam 3 ovos e temperem com sal e pimenta preta. Coloquem o chouriço e as batatas nos ovos e atirem tudo pra dentro da frigideira outra vez e ponham no forno (pré-aquecido) até ficar com um aspecto como o da foto.
É dos DEUSES!

Luta contra o cancro em Amesterdão

A taxa de mortalidade na Holanda devido ao cancro é muito alta, tal como noutros Países. Embora não tenha ido investigar os valores Holandeses, acredito que seja mais alta que em Portugal.
Isto porque a medicina na Holanda é reactiva e pouco preventiva.
Posto isto, escolham qualquer outro País para ficar doente menos este. E nunca mais se queixem das políticas de Saúde em Portugal, vocês não sabem o privilegiados são.
Quando voltei de férias em Junho, à porta de Schiphol estava esta iniciativa e chamou-me a atenção.

Análise

A minha Mãe é muito activa. Ou pelo menos era. Com a idade e umas pequenas complicações de saúde como um braço empenado devido a anos e anos de secador em punho, tornou-se mais calma.
Mas nem por isso deixa quem quer que seja sossegar. Ela não pode fazer, mas pode mandar fazer.
Nem eu, nem o meu Pai, nem o meu irmão tivemos sossego algum dia.
Temos que ser multi-tasking obrigatoriamente. Passar uma tarde de rabo alapado no sofá era um privilégio, havia sempre algo que limpar, roupa pra passar a ferro, coisas pra arrumar, recados pra fazer.
Hoje em dia isso reflecte-se tanto em mim como no meu irmão. Somos capazes de fazer 10 actividades num dia, e bem feitas. Temos uma quantidade de amigos, tanto ele como eu, absolutamente inimaginável. Confesso que o meu irmão gere a sua tropa melhor que eu, mas ele viveu em menos cidades, logo tem a possibilidade de concentrar esforços em Braga, em Lisboa e no Brasil, enquanto que eu tenho amigos espalhados pelo mundo inteiro e em Braga, Leiria, Fátima, Coimbra, Porto e Lisboa. Não é fácil.
Mas para além da gestão de amizades e eventos, há a gestão do tempo para tudo o resto.
Eu acho que não tenho sequer noção da quantidade abismal de coisas que sou capaz de fazer num curto espaço de tempo, como por exemplo, mudar de casa em dois dias sozinha, empacotando e desempacotando tudo no seu perfeito lugar como que por magia, ou planear uma viagem a 6 Países em apenas uma semana em horário pós-laboral, ou ver todos os episódios do Eureka numa semana, ou cuidar da Petzi e cozinhar pra 15 amigos sem sequer stressar, planear os encontros com os amigos em Portugal em escassos 3 dias distribuídos por Pais, amigos e Candeia e …
Essa noção só aparece quando fico extremamente cansada, como é o caso actualmente.
Estou positivamente estourada. Sinto o meu cérebro feito em papa, mas continuo. Porque não posso parar. Faço o trabalho de 3 pessoas, ajudo na organização de festas, organizo prendas, recebo visitas, vou ao supermercado e trato da Petzi, preparo a mega-viagem, vou à manicure e ajudo a fazer mudanças. Qualquer outra pessoa já teria desfalecido, e eu continuo como que em piloto automático a fazer tarefa atrás de tarefa. E estou cansada. Acho que se fosse Holandesa já tinha telefonado a dar-me como com um  burn-out. 

Mas como sou Portuguesa, e filha da minha Mãe, há que continuar. 

E depois ainda me perguntam porque é que não tenho namorado. Onde é que eu ia ter tempo pro gajo?
Ontem durante uma conversa com um amigo chegamos à conclusão que a única grande diferença entre ele e eu (somos tão parecidos que poderíamos ser gémeos falsos) é que ele gosta de estar acompanhado e eu adoro estar sozinha. A ele faz-lhe confusão não ter uma namorada, e a mim não me faz confusão alguma não ter um namorado ou semelhante, porque eu pura e simplesmente nunca estou sozinha nem tenho tempo pra isso. Esta semana fiz o esforço para ficar em casa todas as noites. Passei cada uma delas a organizar a viagem. Na semana passada consegui ficar duas noites em casa, que passei a passar a ferro enquanto via episódios do Eureka, porque há que rentabilizar o tempo. Na próxima semana tenho uma semana de cão à minha espera a nível de trabalho, em que se avizinham long nights.
E depois páro e penso: como é que tu fazes tanta coisa em tão pouco tempo? Não sei.
Mas pior ainda é pensar para com os meus botões: eu desperdiço tanto tempo…
Só posso estar louca!
Qual desperdiço qual carapuça?! Eu sou uma máquina pah! E tenho, tenho mesmo que aprender a reduzir o nível de esforço.
Mas pior que estragada fico quando as pessoas me dizem que sou muito intensa. Eu admiro as pessoas que têm capacidade de se concentrar completamente uma única actividade, como o trabalho, ou a casa e o marido e os filhos, e depois levam o resto com um certo bonacheirismo e deixa andar.
Eu não sou capaz. Não fui educada assim. E não sou intensa. Sou hiper-activa. E se vocês soubessem o quanto isso me cansa mais a mim que a vocês estavam caladinhos e pediam desculpas.
Não é fácil ser-se Andorinha, há dias em que não é mesmo nada fácil. Queria-vos ver no meu lugar. Já tinham entregue o equipamento oh oh oh há muuuuuuuito tempo.