O cão

Na segunda-feira de manhã tocaram à campainha. Era uma Senhora de idade. Disse que era da Geemente (Câmara Municipal).
Mandei-a subir.
Veio pelas escadas.
A Petzi decidiu vir à porta cumprimentar a malta como sempre, até porque esta cadela gosta muito de gente, assim tipo eu, tão a ver?
Quando a velhota recuperou o fôlego e conseguiu falar, no meu parco holandês entendi: hond e belasting.

Merda, já foste! Cão e imposto.

Aqui paga-se imposto por causa do cão, ao qual eu escapei durante mais de um ano. Ao que parece a Senhora tocou às campainhas todas e vinha-me perguntar se eu tinha cão ou não. Como não percebi o que ela disse ao interlocutor, ela subiu.
Como a “artista” Petzi saiu disparada pra dizer olá, ela viu o cão.
Dizer à Senhora que o cão era emprestado não me pareceu boa ideia.
A resposta tava dada.
Assine aí o papelinho, e pague 110 euros anuais, sim? Obrigadinha sim? Pegue lá um autocolante com um cãozinho.
Mas então este dinheiro é pra quê? Parques pra cães? Apanham o cócó se eu não apanhar? Pra que serve?
Ai minha menina, isso já não sei. Assine aí sim? Sim sim, aí onde está o seu nome.
Muito obrigada, passar bem. Bonito cãozinho. Passar bem, passar bem.
É cadela!!! Rais parta a alegria da bicha!

O mês de Maio é uma festa nesta terra!

Bem dizia a Goldie no outro dia que eu devia ter dias 13 e 14 de Maio!
Com toda a razão!!
No mês de Maio na Holanda, não se faz um corno! É uma maravilha!!! Começa logo em Abril.
Reparem:

30 de Abril – Originalmente, o Koninginnedag era celebrado no aniversário da rainha, mas hoje se comemora no aniversário da falecida Rainha-mãe Juliana, porque o tempo na época é melhor. No caso do dia 30 de abril ser um domingo (como em 2006), o feriado é no dia 29 de abril.

1 de Maio – Dia do trabalhador (ganda gaita que cai num sábado este ano)

5 de Maio – Celebração da capitulação alemã na Segunda Guerra Mundial. Feriado nacional só cada 5 anos.

13 de Maio – Dia da Ascenção

14 de Maio – ponte

23 de Maio – Pentecostes mas cai num domingo, por isso não interessa

24 de Maio – é feriado outra vez!!! Os Holandeses celebram dois dias de Pentecostes.

E SÓ DEI POR ELA AGORA!!!! No ano passado acho que fui chulada, cheira-me que!

Adenda ao post anterior

Eu acho que o noivo era o baixinho, a Luna diz que era outro que lá estava. Enfim, era um gajo, e se não era o baixinho, então não faz mal, quem casa é a Senhora, não sou eu! 😉 O certo é que ela estava toda contente porque ia casar e anunciou naquele dia, e foi giro.
Mas a adenda importante, é que a missa ao Domingo é mais bonita, aí é que se tem aquelas senhoras todas com os vestidos bonitos de domingo, e chapéus e o camandro. Nós fomos no Domingo de Páscoa, pelo que a situação de fila era AINDA mais complicada que o normal e havia malta lá desde as 7 da manhã. Como era Domingo de Páscoa também limitaram as entradas a 200 turistas.
(Vimos pessoas cá fora que pareciam tiradas dum postal!)
Eu não sei exactamente quantas pessoas que não sejam da Congregação eles deixam entrar, mas como eles dizem, e bem, aquilo não é um concerto. Pelo que, no dia que nós fomos havia mais de 200 pessoas. Mas era um dia fraquinho de assistência local, pelo que estávamos imensos turistas lá dentro.
O que me disseram é que mesmo nos Domingos normais, é preciso ir pra lá cedo. A missa começa ao Domingo às onze, se não tou em erro.
Às quartas, o “espectáculo” é mais fraquinho (salvo seja, que eu achei brutal! Imagino se vou num Domingo, já me tinha convertido!)mas é mais garantido que consigam ver. Tentem num Domingo, e se não conseguirem, vão na quarta.

Do que mais gostei e recomendo em Nova York #2


O Gospel na Abyssinian Baptist Church em Haarlem.

Antes de mais, a dica da semana: em vez de tentarem ir lá num Domingo de manhã (a fila dá a volta ao quarteirão), vão à QUARTA-FEIRA ÀS SEIS.
A missa começa às 18:30 e não há quase fila nenhuma às seis, entram de certeza. Eles só admitem um máximo de 200 visitantes.
E vão com tempo, a missa dura hora e meia. Mas vale muito a pena.

Gostei mais que do Musical na Broadway. Gostei mais que do Top of the Rock. Gostei mais do que de East Village. Gostei tanto tanto tanto que quase viro Baptista só pela emoção, positivismo e gratidão sentida naquele dia.
Ser Católica e ouvir as nossas missas, e depois entrar numa missa destas…é pensar que devo ser a criatura mais aborrecida do mundo!
A Reverenda ficou noiva e anunciou naquele dia à sua Congregação. O noivo estava lá, outro Reverendo. Cheio de voz, pulmão e musicalidade. Baixinho, gorduchinho e inspirado. A missa ia ser diferente, disseram eles.
Quando lá chegamos explicaram-nos muito bem que aquilo não era um concerto. Era uma celebração e como tal, nós tinhamos de participar. Quando eles se levantassem, nós levantarmo-nos-iamos. Quando eles batessem palmas, nós bateríamos palmas. Quando eles cantassem, nós cantaríamos (esta parte é um bocadinho mais difícil!), porque nós estavamos lá “to praise the Lord!!”
No início tivemos direito a um “primo do Stevie Wonder”, que por muito bem que cantasse, não era tão poderoso como o Coro que esperávamos. Receámos mesmo que fosse “só aquilo”…é que não se podia sair dali antes da missa acabar, e é tudo muito giro e tal mas … Enfim, eu cá tava contente porque achei que aquela gente era toda muito optimista, e que estavam a partilhar com sentimento as alegrias e conquistas deles.
Não sei se foi de muito “Cor Púrpura”, se foi de muito “Do Cabaré para o Convento”, mas eu sempre quis fazer parte duma missa deles e gritar: AMÉN!! ALELUIA! PRAISE THE LORD! OH MIGHTY LORD! =D
Nisto, passado uns 20 a 30 minutos de lá estarmos, entra o coro de Gospel. Todos bem vestidos, todos penteadinhos, bonitinhos, preparados.
Vai daí o noivo Reverendo decide mostrar umas músicas novas.
E foi como sempre imaginei! Quando dei por mim estava de pé, a bater palmas, a cantar, a abanar a pescoceira, o rabinho e o pezinho ao som daquelas vozes maravilhosas e poderosas!!
Quando pensei que tava a acabar, vai a Reverenda e sobe ao estrado pro sermão (eu bem achei que só cantar era um bocadinho estranho).
A Senhora parecia saída dum programa da Oprah.
“Botou” um discurso de ficar pregado ao chão. De tal forma eloquente, de tal modo poderoso, de tal modo inspirador que ainda hoje me lembro do sermão: “What will it take for you to believe that He is among us?”
Fiquei tão impressionada, que imagino que se algum dia tenho tido a oportunidade de ouvir o Martin Luther King ao vivo desatava num pranto.
Acabou com tudo de pé, a cantar novamente.
A experiência é única, e garanto-vos que, se algum dia viver nos EUA, uma vez por mês vou a uma missa destas. Fica-se inspirado pra sempre.

Vou aos Santos

Sofia :Tou na Graça!
Tininha: Vou aí ter. Que horas são?
Sofia: São um quarto pras 8.
Tininha: 8 e um quarto tou aí.
Hugo: Eu também vou aí ter.
Mano: E eu também, mas só chego lá pras 9.
Sofia: No prob. É uma imperial se faz favor. Uma tosta mista também.

Vou aos Santos e a Graça espera por mim, e eles também.

Do que mais gostei em Nova York e recomendo #1

Comecemos pela minha paixão “fajuta” por jazz. Eu não sou uma pessoa muito curiosa e tenho péssima memória pra nomes ou pra decorar as letras de músicas inteiras. Gosto imenso de música mas sou um zero a cantar, e um zero a tocar qualquer instrumento.
Como expliquei há uns tempos, a minha Mafaldinha tinha uma colecção fabulosa de CD’s quando partilhamos casa, e mostrou-me muitos e bons autores. E muito e boa música. Até aprendi a gostar de Sérgio Godinho vejam lá!
(sim, eu sei… é escusado darem-me porrada, tá?)
Enfim, o certo é que descobri com ela que gosto de Jazz. Mas sinceramente nunca me dei ao trabalho de estudar autores, compositores, cantoras, cantores, músicos ou batidas em particular. Sou muito simples na análise, ou gosto, ou não gosto consoante me deixa bem disposta e se sinto o coraçãozinho a aquecer de relax e melancolia boa. Talvez por isso não suporte nem compreenda os transe psicadélicos, e as electrónicas de não sei quê, e procuro manter-me ignorante nesse campo.
Bom, adiante, isto pra dizer que ia a passar com a Luna em Washington Square e ouço um grupo a tocar. Ora…por partes então:

1) Washington Square é este sítio fabuloso onde no filme “When Harry met Sally” a nossa amiga Meg Ryan deixa o Billy Cristal quando eles chegam juntos por primeira vez a Nova York, depois daquela fantástica tirada:
I don’t believe men and women can be just friends.
So I guess we won’t be friends. It’s a shame, I don’t know anyone in New York.

É um dos meus filmes favoritos de sempre, e a melhor comédia que vi em anos, venham as que vierem (também podem recomendar, que eu cá não sou fundamentalista e gosto que me apresentem coisas novas), e por isso este sítio pra mim tem magia.
Além do que tem resmas de gente espalhada por todo lado a curtir o sol, estudar, ouvir música, passear o cão, o pato e a galinha (Joey! Where are youuu?), nannys, empregados, desempregados, amigos, amigas, artistas, yuppies e fica mesmo ao pé da NYU e é bom pra almoçar e apanhar sol.

2) Ao dar o nosso passeio por lá, ouvi uma banda que estava lá a apresentar-se ao turista e ao habitue, e gostei tanto que comecei a dançar aos saltinhos e fiquei 200 por cento (ainda mais) bem disposta e pah, tão contente, tão contente…que comprei dois CD’s aos senhores e agora ouço-os cá em casa. Pra não variar exagerei um bocadinho (pensei eu na altura) na compra, e como são um bocado na onda do Charleston pensei que me ia fartar, mas não. O clarinete tá pra ficar. E o trompete, e o banjo, e pronto, tou fã, cantarolo sozinha no carro, abano-me toda no assento, canto no meio da rua, é uma alegria! Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Recomendo VIVAMENTE:

BABY SODA