Prefiro parecer um bagulho

Eu tenho a sorte imensa de ter herdado da minha Mãe uma cara de vinte e picos aos trinta e seis.
Já não herdei o gosto dela por maquilhagem.
Devo ser das poucas pessoas que aos 15 anos ouvia a Mãe dizer: põe só um batonzinho pra não ficares tão pálida.
Os meus ouvidinhos foram tão massacrados que comecei a usar eyeliner aos 15 e não falhei quase dia nenhum até aos 23/24. Por essa altura ganhei uma alergia enorme a todo o tipo de maquilhagem, nem a anti-alérgica me valia. E hoje em dia só me maquilho quando estou muito (mesmo muito) bem disposta e em eventos ou casamentos e baptizados. E se puder e encontrar, pago pra que me maquilhem à maneira e pra não ter de o fazer. Há uma moça em Entrecampos que faz maravilhas. Da última vez que lá fui saí de lá a sentir-me uma estrela de Hollywood, é magnífica.
Resultado, a Luna quase caiu de costas quando fomos a Nova York e pra matar tempo nos metemos numa loja de produtos de beleza e me viu a pôr lápis preto dentro dos olhos só com uma mão e em segundos, sem ficar com um olho à Belenenses. Foram anos e anos de prática, mas ela nunca me tinha visto “recauchutada”.
Eu não sei o que fazem os mil produtos que há à venda e valem balúrdios, excepto o anti-olheiras, a base, os lápis, as sombras, blush, batom e eyeliner. Não ligo nenhuma e não sei os nomes. Também não sei os preços.
Quando vi hoje o post da Julia Petit e vi que a maioria das mulheres Inglesas anda com 200 euros em maquilhagem na carteira e que as Brasileiras, as Americanas e as Japonesas ainda as batem aos pontos, fiquei burra pra minha vida. É que nem quero imaginar quanto terá uma Espanhola!
E pensei que ter alergias é uma coisa maravilhosa pra minha carteira.

Deixar vir a mim os desgraçadinhos

Durante anos na Candeia arreliei a minha amiga Joana porque ela era advogada dos casos perdidos. Nunca nos chateamos por isso, mas era extremamente irritante que cada vez que eu dizia à Direcção: aquele miúdo não pode fazer campo connosco porque A, B, C e D, lá vinha a Joana com a bandeira contrária a dizer: espera lá que ele está em recuperação e assim e assado, e há que dar oportunidade, e mémémé, porque na Candeia não julgamos as criancinhas. E ela é boa advogada das causas dela, e lá estava eu no Campo a dizer mal da minha vida e com vontade de esganar o frágil pescoço da Fernandes cada vez que os putos faziam m#.
No trabalho tenho uma Colega que é igualzinha. Vou-lhe passar a chamar a Santa Protectora dos Incompetentes. Já é a terceira vez que nos queixamos c-o-l-e-c-t-i-v-a-m-e-n-t-e duma pessoa e os Managers tentam despachar o gajo, e lá vai ela, em frente a toda a gente, a remar contra a maré a dizer: ele é um excelente profissional, estava era mal aproveitado! E diz aos outros chefes: vocês é que não o sabem “trabalhar”.
Ora tudo isto seria até bom, não fosse o caso da Joana se ter enganado umas quantas vezes (o Carlos já está a ver o sol aos quadrados?) e a minha Colega não conseguir corrigir estes gajos e a equipa dela ser cada vez mais desastrosa, com já quatro pessoas de baixa e apenas três que aguentam aquilo basicamente sozinhas, inclusive ela. A Senhora é uma moura de trabalho e tem um vida lixada, com um filho super doente há anos, sempre em cirurgias contínuas e com a vida por um fio. E vai e contrata mais um palerma pra “salvar a humanidade”. Juro que não entendo.
Mas afinal que necessidade é que ela tem de se andar a matar com incompetentes? É vontade de ser mártir?
Eu não tenho vocação pra isto e mexe-me com os nervos. Dar uma segunda oportunidade às pessoas é mais que justo, já ma deram a mim e em menos de três meses provei que o chefe anterior tinha passado uma ideia errada. E isto já foi há mais de 12 anos atrás e nunca mais se repetiu ou houve necessidade. Outra coisa muito diferente é ir recolher quem já foi corrido de 3 departamentos diferentes e exactamente pelo mesmo motivo: calaceiro!
Uma altura o meu chefe (sim, sim, és mesmo tu Paulinho!) depois de muitos apelos meus pra me arranjar ajuda, deu-me a “ajuda” de um Colega, que era uma jóia de pessoa, mas que gostava tanto de trabalhar como eu de caçar grilos. E ainda me disse armado em engraçadinho: faz parte da tua avaliação conseguires por o Luís a trabalhar, ehehehe. Teve cá uma graça!
Continuei a fazer tudo sozinha e ainda por cima o gajo retirou-me da mailing list de piadas dele. Aquilo é que foi uma injustiça, ah?!
Pergunto-me muitas vezes o martírio que não deve ser ter-se a mania que é do contra. Conheço várias pessoas assim, inclusive a minha Mãezinha, e oh pa, vocês sofrem, ah!

Momentos que me doem no bolso

Momento 1:

Sofia perde o comando da garagem porque tinha um porta-chaves que fechava mal e … caiu.
Um comando novo custou 125 euros.
Um porta-chaves decente teria sido muito mais económico, assim Sofia arrota e não chora por um comando marreco com duas teclas.
Dizem que é caro por causa da programação. Sofia acha que foi caro porque há demasiadas pessoas com muito dinheiro a viverem no seu prédio e que não tinham o que fazer ao dinheiro, como tal concordaram em Assembleia de condóminos (da qual não faz parte) que 125 batatas por um pedaço de plástico era aceitável.

Momento 2:

Sofia acha que os cães mais novos são muito pequenos pra serem treinados aos 3 meses e não os socializa devidamente. Sofia acha que está muito frio em Março e que pode adiar, até porque os cães aprendem com a Mãe e vai ser facílimo. Sofia descobre que tem problemas muito sérios porque os cães aprenderam com a Mãe o bom, e o mau também. Vai daí passa a passear três peluches brancos que na rua viram feras ridículas na presença de outros cães. Sofia leva os cães ao treinador, treina-os ao frio, ao sol e à chuva durante o mês de Dezembro, arrrrrrrota 220 euros pro treino e mais um horror de dinheiro em biscoitos e trelas até que desespera e chama o treinador a casa. E se acham que isto poderia ser um filme porno a partir de agora, desiludam-se.
Sofia descobre juntamente com o treinador que tem uma Petzi com sindrome de “fear-agression” e uma Juicy com graves problemas comportamentais por causa de “shyness”. Descobre ainda pra seu espanto que o pack leader dos canídeos não é a Mãe. É o Bitoque. Sofia paga 95 euros por uma consulta comportamental onde o treinador e ela chegam à conclusão que Sofia não pode, nem consegue, treiná-los porque já não tem o treino necessário e muito menos o tempo. Este é o momento em que Sofia descobre que lhe esperam cursos de formação intensivos pros cães e tem muito medo de ver a conta já que não espera nada abaixo das mil patadas por cão.

E não, não dou os cães a ninguém. São meus, meus e só meus e não abro mão de nem um!

MY PRECIOUS!

Mas há momentos na vida de Sofia em que o bolso lhe dói.
Sofia despede-se com alegria até ao próximo dia.
Tudo isto fará sentido no futuro.
Cá pra mim os meus cães ainda vão ser estrelas em filmes de Hollywood, publicidade, name it. Tenho que os pôr a render pra compensar o rombo!
All things happen for a reason!! GOOD REASON!

Não percebo porque raio pagar 125 mocas por um comando é uma boa razão, mas lembro-me sempre que há coisas bem piores na vida. Há saúde pra andar de carro, não há? E há saúde pra ganhar dinheiro pra treinar os cães, não há? Há tanta gente que gasta o dinheiro em colunas de som e em TVs e iPads e tretas, porque não nos cães?

Corolário: o que não nos mata torna-nos mais fortes!