A house to rent in Alentejo with my name on it!

Olá:)

This is the facebook page of Vera’s house. It’s a nice house in Alentejo, in the South of Portugal. It has been completly rebuilt and redecorated. 
It is located in Evora district and it offers several possibilities in terms of leisure and tourism. Despite being in the interior, it has water near by (a dam, ‘Barragem de Montargil’ where you can do water sports), a beach and, off course, beautiful landscapes, monuments and good food. It is a great place to relax. 
If you have a facebook account, please ‘like’ her page and, if you want off course, spread the word through your friends. : 

http://www.facebook.com/pages/Casa-das-Andorinhas/520213487992221

Obrigada e beijinhos,
Vera

Esta dificil

A confirmar o meu post pre-ferias, esta semana e meia em Portugal soube-me a pouco e confirmou as minhas previsoes: e’ cada vez mais dificil voltar atras.
Entenda-se: nao e’ dificil voltar para Portugal, e’ dificil sim voltar pra um ritmo que ja nao e’ o meu, pra um suportar “histoico” ou cobarde de situacoes que se apresentam diariamente e que eu ja nao consigo nem quero engolir.
Nao admito que me liguem por motivos profissionais depois das 19:30 e nao tolero de modo algum ou a chefe algum que se sinta no direito de dispor da minha vida pessoal, como se o facto de eu receber um salario fosse sinonimo de disponibilidade completa 24×24.
Posto isto, and pardon my french,estou fodida. Porque a mentalidade nao muda.
A austeridade nao me assusta. Da-me calafrios. Chorei de emocao quando vi milhares de pessoas pelas ruas a clamar o fim de uma politica que nos vai levar a miseria. Chorei porque nao houve um unico dos meus amigos esta semana que nao me tenha dito que esta a fazer esforcos concretos para emigrar e zarpar noutra nau pra bem longe.Chorei porque esses mesmos amigos sairam a rua pra mostrar que nao querem partir: estao a ser obrigados a faze-lo.
Nao me lembro de ter o coracao tao pesado como neste voo de regresso, talvez apenas e so no primeiro voo que fiz quando vim pra ca viver.
Sinto-me uma ratazana em debandada dum navio a afundar. E sinto-me assim porque nunca vi tanta loja fechada, tanto predio abandonado, tanto controle de contas e custos em minha propria casa, tanta desilusao no rosto dos mais animados. Senti nitidamente que meter-me num aviao para regressar ao meu terreno seguro era um enorme acto de cobardia, nao de valentia. E eu que sempre achei que era “uma gaja com tomates”. Que belissima desilusao que eu me sai.

As minhas parcas férias chegaram finalmente

Hoje é o último dia de trabalho durante os próximos 10 dias. Já estou mal habituada porque “à Holandesa” já acho que são poucos dias, abaixo de 15 dias é coisa pouca, mas com 3 canitos pequenos em casa é pro que dá e não me posso queixar. Mas que me sabia bem mais 5 dias, lá isso sabia.
Começa a arrefecer na Holanda, o Outono está aí e ainda estamos no início de Setembro, e isso aborrece-me. Outono é a partir de 1 de Outubro, Setembro devia ser ainda um mês quentinho. Como não é, vou voar até paragens mais quentes: Portugal.
Ver família, amigos, conhecer pessoas que há muito quero conhecer, e acima de tudo, ver o Tejo. As saudades que eu tenho de ver o Tejo…
Não há forma nem maneira, sempre que volto a Lisboa apetece-me voltar de vez. Sempre.
Mas depois penso que cá posso trabalhar a partir de casa e entrar às 9 e sair às 5 e passear os meus cães, e ir ao ginásio, e jantar com amigos, e ler livros, estudar outras coisas e esvai-se-me a vontade. Qual balão cheio de ar que se esvazia rapidamente e fica murcho e tristonho, é assim que o meu peito fica sempre que garanto a mim mesma que esta é a melhor opção: Amesterdão.
E custa-me que assim seja.
No outro dia o Tolan publicou um texto em que perguntava porque é que os nossos governantes e jornalistas não faziam reportagens que atraíssem os jovens a ficar em Portugal em vez de fazer programas como o Portugueses pelo mundo em que mostram o bem que se está cá fora.
Não vou entrar na discussão que se gerou na caixa de comentários do post dele, vou apenas relembrar que o que mais custa no regresso não é a falta de oportunidades, nem o facto de nos descerem o ordenado, é a falta de qualidade de vida.
Eu estaria disposta a voltar por metade do que ganho mas ia ter de abdicar de tudo o que consigo e posso fazer agora. Apesar da distância, hoje em dia tenho mais tempo para os meus Pais. Falo com eles todos os dias e quando eles me telefonam não me estão a incomodar ou a interromper a jornada porque às 17 ou 18 já acabei e posso falar sobre a minha horta, sobre as tropelias dos cães, sobre o maravilhoso jantar que preparei.
Apesar da distância tenho mais tempo pra combinar coisas com os meus amigos porque não estou enfiada no trânsito durante hora e meia pra fazer o regresso a casa. Lembro-me sempre que saía às 20 em vez das 17 para não apanhar a carga de trânsito Tagus-Lisboa. São 3 horas da minha vida diárias que dedico a um trabalho que vai-se a ver e daqui a 8 ou 10 anos dão-me um chuto no rabo e dizem: obrigadinha pelo esforço mas agora dá a vez a outro, sim?
Eu quero voltar, mas não quero voltar pra um ambiente (seja qual for a empresa) em que acham que sair às 17 é tirar a tarde, em que acham que só se trabalha se estiver “debaixo de olho”, em que o meu trabalho e esforço não é tido em conta pela quantidade de trabalho produzido e entregue a tempo, mas pelo número estúpido de horas que passei dentro dum escritório.
Quero voltar pra poder disfrutar tranquilamente duma esplanada das 18 em diante sem estar preocupada que nas próximas 4 horas o meu email vai crescer exponencialmente e que vou ser tida como pouco esforçarda ou até incompetente por não ter respondido na hora, no acto, no minuto do MEU tempo livre.
Enquanto as mentalidades dos chefes deste País não mudarem, enquanto as pessoas não deixarem de passar 3 horas de pé na sala do café a fumar cigarros na varanda enquanto discutem filosoficamente merdas que podiam fazer sentadas numa call em 15 minutos, não volto.
Não preciso do big fat car, nem da vivenda construída em tamanho ultradimensional com lugar pra 3 carros e um jardim no qual não passo tempo nenhum. Não preciso do cartão dourado nem de fazer viagens ao México e à República pra dizer que estive e que fui e que vivi.
Preciso de ter tempo de qualidade pra mim, pra aproveitar o que posso enquanto a minha saúde o permite, não é depois de velha ou depois de reformada. Quero poder passar tempo com a minha família e os meus amigos e os meus cães e a minha horta orgânica no quintal, na minha casa a ouvir música, a ler um livro ou a ver um filme, de preferência antes das dez da noite.
Enquanto as coisas não mudarem, não volto. O mundo é a minha casa e serei feliz em qualquer sítio onde estejam e tenha ao alcance os meus bens mais preciosos. O mais importante deles todos: o meu tempo.

Saber viver é isto.

A melhor das minhas obras sou eu. Porque me andei a trabalhar o tempo todo. Porque me tornei forte e mais capaz, e a cada ano uma pessoa melhor, julgo. Porque não dependo de ninguém. Porque vivo em PAZ e a mim o devo. E por isso agora posso tudo o que me der na real gana e vivo a vida que sempre quis. Não espero maior liberdade que esta para os meus filhos.

Da Ana Lu.

E saber crescer também.

Poesia em prosa

Era uma vez uma porta que, em Moçambique, abria para Moçambique. Junto da porta havia um porteiro. Chegou um indiano moçambicano e pediu para passar.  O porteiro escutou vozes dizendo:
 – Não abras! Essa gente tem mania que passa à frente!
E a porta não foi aberta. Chegou um mulato moçambicano, querendo entrar. De  novo, se escutaram protestos:
 – Nao deixa entrar, esses não são a maioria.
 Apareceu um moçambicano branco e o porteiro foi assaltado por protestos:
 -Não abre! Esses não são originais!
E a porta não se abriu. Apareceu um negro moçambicano solicitando passagem. 
E logo surgiram protestos:
 – Esse aí é do Sul! Estamos cansados dessas preferências…
 E o porteiro negou passagem. Apareceu outro moçambicano de raça negra, reclamando passagem:
 – Se você deixar passar esse aí, nós vamos-te acusar de tribalismo! 
O porteiro voltou a guardar a chave, negando aceder o pedido.

Foi então que surgiu um estrangeiro, mandando em inglês, com a carteira cheia de dinheiro. Comprou a porta, comprou o porteiro e meteu a chave no bolso.

Depois, nunca mais nenhum moçambicano passou por aquela porta que, em  tempos, se abria de Moçambique para Moçambique.

Mia Couto

Se nunca leram Mia Couto, não sabem o que perdem. Leiam o Jesusalém, é verdadeira poesia em prosa, lambem-se as palavras e sonha-se acordado.

A Kika e a Gateira em sorrisos pela melhor causa do mundo

Quando a Susana Gateira NL me desafiou para alinhar na corrida da Kika e fazer 5 “milagrosos” kilómetros nunca pensei experimentar o que senti.
Eu sabia que íamos correr por uma boa causa, mas só quando vi crianças de colo com cateteres e miúdos de lenço na cabeça que estavam em processo de quimioterapia é que me bateu o quão importante era angariar fundos e correr por tantas crianças, Pais e famílias.
Enquanto esperávamos que a corrida começasse assistimos à chegada de equipas que tinham feito 95 kilómetros (a pé!!) durante uma noite inteira. Eram famílias e amigos que chegavam em bloco, com camisolas com vários dizeres, como uns que tinham escrito”For Kay”, e que choravam desalmadamente quando chegaram à meta enquanto se anunciava que tinham conseguido reunir 14 mil euros que reverteram inteirinhos pra investigação e cura do cancro em crianças.
Foi neste momento que ficamos emocionados e cheios de pica. Uma força e uma alegria que não se explica e que contagiou a equipa inteira da Susana Gateira NL e que se pode ver nas fotos que posto. Não há uma foto em que não mostremos os dentes todinhos!
Começamos e acabamos a corrida juntos (e não pensem que não me custou…no último kilómetro vi a minha vidinha a andar pra trás). 
Quando comecei a ficar cansada, aí por volta do terceiro kilómetro, olhei em frente, vi um miúdo de 12 ou 13 anos de lenço na cabeça. Se ele não desiste de viver, eu não posso desistir de correr.
Passamos a meta cheios de força, felicíssimos e com a promessa que vamos voltar a correr pela Kika e por outras causas que achemos igualmente nobres.
Correr e fazer desporto não é necessariamente um exercício de narcisismo, pode bem ser um exercício de gente cheia de alma e coração que quer ajudar outros a ter uma vida melhor e mais saudável.
Se isto é “runner’s high”, então eu estou viciada com certeza.

PS: antes que pensei que virei uma blogger das que faz dinheiro à custa da publicidade, a Susana Gateira NL é de dois grandes amigos meus que têm imenso valor por trazerem para Holanda uma marca Portuguesa. Convidaram-me como amiga, ajudaram-me a treinar durante 3 meses e eu ganhei ZERO com tudo isto, excepto um sorriso que não me cabe dentro do peito pelo dinheiro que conseguimos reunir junto de amigos e colegas para ajudar tanta criança que sofre. Todos nós fomos voluntários nesta corrida e tornamos-nos uma equipa pralém de amigos. E isso não tem preço.

É bom viver no presente

Eu sou grande fã da Caderneta de Cromos, mas acho que as pessoas cultivam demasiado o passado e vivem pouco o presente.
Quisás e assaz o presente delas é tão aborrecido que têm que se relembrar continuamente do que sentiram e das coisas com que se emocionaram. É que isso que as faz reviver os melhores momentos e esquecer os actuais tão cinzentos.
Sabem a música “oh tempo, volta pra trás!”? Não a cantem. Deixem o tempo andar pra frente!
Eu sei que quando o tempo move e avança a vida também o faz, não só a nossa mas também a dos outros e à medida que o tempo vai passando vamos perdendo peças importantes das nossas vidas como os nossos Pais ou Avós, Tios e Amigos, e é duro viver sem a voz, alma e presença deles. Mas faz parte do que se chama viver: encontrar pessoas pelo caminho que nos fazem ser maiores, ser mais fortes, voar mais alto, moldam quem somos, fazem-nos rir e chorar, amá-las, perdê-las. É mesmo assim.
Não é por nos lembrarmos juntamente com mais trezentas mil pessoas que existiu uma bota Botilde que o nosso sentimento de identidade aumenta ou que recuperamos tempos que julgamos mais felizes.
Temos que mudar minha gente, temos que achar que as mudanças trazem coisas boas e não chatices. Há que deixar de ser sedentário e cor papel pardo e de nos lamentarmos que a vida é triste e madrasta. Nós é que a pintamos dessa cor! Tomem decisões, mudem! Mudem a disposição dos móveis da sala ou do quarto, mudem de casa, de cidade, de País, saiam desse casamento que vos faz infelizes e não tenham medo de voar! Os vossos filhos serão tão mais felizes quanto o tamanho da vossa felicidade.
Arrisquem minha gente, quem não arrisca não petisca!
Façam algo novo todos os dias, nem que seja um caminho diferente pro emprego ou ouvirem outra estação de rádio.
Larguem o “método”, este não vos dá controlo, só vos dá a sensação que estão a controlar mas no fundo não controlam pevas, por isso deixem-se de tretas e comprem um bilhete de avião e partam à descoberta doutros mundos.
Vejam sempre o lado bom das coisas na maior das desgraças, eu até ajudo:
– se está alguém doente, pensem no quanto isso une a vossa família ou os amigos;
– se morreu uma pessoa próxima, pensem que se estivesse viva iria ter uma morte mais horrível.
– se bateram com o carro e não conseguem suportar a conta do arranjo, contratem um seguro e submetam a batidela ao seguro daqui a 3 meses. Mandem-se pros transportes e pensem na quantidade de livros que vão poder ler nos próximos tempos e quisás conhecer alguém que vos vai transmitir algo importante.
– se vos roubaram a mala com os documentos e o telemóvel pensem que perderam os contactos de todos os gajos chatos com quem não queriam sair e que é uma óptima oportunidade pra mudarem de número e comprarem um iphone bloqueado. Eu cá dou benza a Deus ao Senhor Ladrão que me palmou as coisas em Bali. Se não fosse ele estaria numa alhada bem grande neste momento!
– se perderam o emprego arregacem as mangas, façam umas continhas de somar, vejam quantos vos sobra e mandam curriculuns. Ninguém vos responde? Não tem problema, peguem nas malinhas e zarpem pra um País onde viva alguém muito muito próximo e lavem escadas, sirvam em cafés e aprendam novas línguas e conheçam novos amores.

Pela vossa rica saúde, agradeçam até as desgraças, agradeçam todas as bençãos e alegrias, vivam “a sério” e façam-no todos os dias: façam uma coisa que nunca tenham feito por dia, façam o que está no lema que publiquei ontem; E não tenham medo das rugas e dos cabelos brancos, são sinal de sabedoria e de estamos a aproveitar pra rir e chorar, sentir, amar, correr e concretizar.

Deixem o Nuno Markl fazer outra coisa, ele tem tanta criatividade e futuro pela frente, porque raio tem ele de estar a alimentar o vosso saudosismo e cinzentismo?

A Caderneta de Cromos acabou hoje e fico muito contente pelo Nuno. A ele o meu sentido obrigada por ser O Cromo. A rubrica dele ajudou-me a superar momentos muito complicados e vai ficar no meu coração tal como as gargalhadas que vou dar no seu futuro projecto. O maravilhoso do Markl é que ser parvo está-lhe na alma, não numa rubrica. É com isso que ele faz magia.