Vivo en Torre España

Bem diz a minha Mãe que se pagam pela boquinha…
O ano passado depois da viagem à Costa Amalfitana fiquei fartinha até à raiz dos cabelos de Espanhóis e jurei que nunca mais viajava com eles. Fora os amigos que já tenho (e que adoro de todo o coração), já chega de Flamenquitos na minha vida.
Há umas 3 semanas atrás fui à lavandaria e passou por mim um moço que me disse Hello e a quem respondi Hola, porque era tão obviamente Espanhol que teria sido ridículo (e uma tortura p’ra mim) tê-lo deixado falar inglês. Assim que ouvi o Hola seguiu-se o típico: eres española? No, no, yo soy Portuguesa. blablabla, vou pra cima que tenho o arroz no fogão, até qualquer dia, e pirei-me. Este sábado que esteve un sol radioso volto ao jardim a passear a Petzi e atiro-me desenfreadamente pra relva, papo pro ar a apanhar sol e calor, e passa um puto por mim a correr com outro atrás dele: mira, mira! Aqui tenemos pistas! Podemos indentificar el DNA! Pimbas, mais do mesmo. No outro dia foi a moça da cadela que ladrava desalmadamente. Também Espanhola.
Hoje tava a passear a Petzi e no parque estava uma rapariga e um puto pequenino com ano e pouco, dois anos. A criancinha diz Hola, eu respondo Hola, e zuca: eres española? No, no, soy Portuguesa.
Ah! Pero como hablas Español!
Muchas gracias, vivi en España.
Y vives ahi en Torre España?
Perdón?
É que na semana passada, diz ela, vim ao parque com o meu filho e estavam aqui 4 raparigas, todas com os filhos, parecia que tava em Espanha! E elas disseram que vivem todas ali naquele prédio (o meu!), elas e um monte de espanhóis. É o mais perto de Espanha que podes estar en Den Haag. As casas são muito parecidas com as nossas e metade do prédio é Espanhol.

(#”$#%#$&%#$&%)

(o casal era muito simpático, muito Espanhol, mas queridos e adivinhem lá onde é que andam a ver uma casa pra alugar?! Pois.)

Melhor que os meus não há. Esqueçam, nem tentem competir, sim?

Daqui

Eu sei que toda a gente diz que tem os melhores amigos do mundo, e eu acredito.
Só que eu tenho os mais bonitos, os mais leais, os mais coerentes, os mais íntegros, os mais correctos, os que são mesmo muito boas pessoas e que me aceitam exactamente, mas exactamente como sou e que não troco por nada deste mundo.

Comecemos pelos que estudaram comigo em Coimbra e que como boa segunda família que são, me vieram visitar à Holanda em Março. A Te, o Le Mene, Pena e Clódita.
Desde que acabei a Faculdade em 99 que não passávamos tanto tempo juntos. Houve casamentos, baptizados, jantaradas, almoçaradas, mas desde Coimbra que não estávamos todos debaixo do mesmo tempo mais de 24 horas e muito menos viajávamos juntos. E sabem como correu? Jóia! Lokura! Maravilha! Melhor impossível! Crescemos, dois são Pais de filhos, os outros mudaram de País ou de Cidade e continuamos todos a ser tão amigos como há 500 mil anos (ya, o tempo passa pra todos). Só não ponho aqui o vídeo deles no Heineken Hall (muitooo bom!) porque me rifavam (o que seria no mínimo triste), até porque eles lêem o blog… mas vou por umas fotos nossas a fazer figurinhas aos 33 anos no meio de Amsterdão porque acho que nada mostra melhor que a amizade não tem prazo de validade e que o que nos juntou há tantos anos nos continua a manter próximos. Falamos da economia do País, do PEC, de política, das crianças, de histórias passadas (ai os revivals, os revivals!El ritmo vuelta!), das histórias actuais, vimos filmes como o Che o Argentino que só com eles é que vale a pena ver, aprendi lenga-lengas, viajamos mais e juntamo-nos ao Jorgito e à Belita e sô Vasco em Colónia e como há coisas que nunca mudam, fui a última a saber que ia ter mais um “sobrinho”. Sempre fui a última a saber das novidades todas porque como sou despistada comó caraças, nunca dou pelas coisas até à última. E como é que eu tenho MESMO a certeza que fui a última dum grupo de 26 (mais 17 piolhos)? Fácil! Quando cheguei de Colónia, toda contente, mandei as nossas fotos pro resto do pessoal a dizer que a Belita ia ter uma menina. Recebi mails até de malta que tá em Angola com a pergunta: então mas não é menino?! Lá está! Coisas que nunca mudam! AMEI! VOLTEM!!

A seguir passemos pelos meus mais queridos amigos de Erasmus que me esperavam em Munique. A minha Ana espanhola que me ensinou a falar espanhol correcto e com quem estou sempre como se a tivesse visto ontem. E que me dá aqueles abraços fortes e goza comigo constantemente porque eu nunca me calo, sem nunca me ofender ou magoar. E que diz: “me cago en la oscuridad!”. E que me apresenta o namorado e perante a minha exclamação “mas como é que não sabia que tinhas Gaijo?” calmamente me despacha com um “es que nosotras nunca hablamos mucho de tios” o que é perfeitamente verdade. Talvez por isso continue a ser sempre como ontem. A minha querida Ana que continua a ser aquela amiga que, ainda eu estou a pensar como é que vou organizar a coisa, e já ela tratou de tudo! A minha Ana que apesar de ser mais nova, sempre tomou conta de mim qual boa Mãe. A minha amiga que NUNCA me deixou sentir sozinha em terras de nuestros hermanos nor ever.
O meu Trosti Tostadita, o alemão mais procurado pelas espanholas (chegava a ser perseguido na rua por loucas que lhe tentavam tirar fotos, never mind) e que eu já não via há DEZ anos. O abraço foi tão forte como há séculos, e ele continua a ser a coisa mais meiga, mais boa pessoa, mais querida, mai’linda!!! que depois duma noite de copos numa cidade veio de propósito a Munique só pra poder passar comigo uma tarde, e como se não bastasse, mandou-me um mail a dizer que jurava que não voltavam a passar 10 anos sem nos ver-mos.
O Nils, com as suas filhotas loirinhas e reguilas (a mais nova com o mesmo mau feitio e beicinho do Pai), com a sua deliciosa mulher Berrit, que cheia de alegria, de dois em dois anos se junta a mim pra gozar até à morte com o maridão! Claro que eu em troca lhe ofereço a minha eterna ajuda pra montar noites românticas pros dois porque como bom alemão o Nils é uma nódoa em romance!

E pra terminar, os meus amigos de Valladolid. Vão fazer uma festa em Julho p’ra juntar os amigos todos e nos apresentar a filha. Já quando casaram me pagaram até o bilhete de avião pra eu poder estar presente e desta vez, perante a minha relutância em sair daqui em Julho porque não tenho parado, porque a Petzi não pode ir nas low costs, porque tenho muito trabalho, porque entre aviao e Petzi tinha de gastar 500 euros, blabblabla, me rematam com um: ficas com as minhas milhas e vens de avião de Amsterdão até Madrid! Assim podes trazer a Petzi. Fazemos questão que venhas, e fazemos qualquer coisa pra que cá estejas.

E pronto, em Julho vou a Valladolid rever amigos, for free. Are you kidding me?!?!
Ganda sorte dizem vocês! SORTE NÃO! XAMPA!!

MY FRIENDS, GOT IT? MY FRIENDS ARE BETTER THAN ANY OF YOUR FRIENDS!!!

(e podia continuar durante horas a falar dos meus maravilhosos vizinhos, da minha Nelita, da Nini, da Luna, da Tuxa e do seu meia-laranja e da sua paciência pra comigo, e de tooodos os meus amigos de Coimbra, de antes, de pós faculdade, dos amigos da Candeia e de mais outros tantos, mas acho que já cansei muito a vossa beleza)

E vai levar na peida ó meu!

Nestas alturas, tenho MESMO muito muito orgulho no nosso Sr. Presidente Cavaco Silva!

Note-se que eu tenho uma ENORME simpatia pelos Catalães, mas AMEI ver como o Cavaco conseguiu “poner a parir” o jornalista Espanhol.

Brilhante!

Catalunya también siente simpatía por Portugal. 1640 no es una fecha del todo olvidada…

(reparem: 1640, altura em que demos um chuto no cú aos Espanhóis. MAS, na verdadeira Catalunha, Cataluña no es España, coño!)

Continua aqui (notícia do La Vanguardia), vale mesmo a pena ler!

OBRIGADA RITA!

Cuentame – Conta-me como foi

Já por mais de uma vez falei no “Conta-me como foi” da nossa RTP1. É decididamente a minha série favorita, e nem aqui (onde Judas largou as botas!) perco um episódio.

Confesso que passei a compreender muito melhor os meus Pais e os amigos deles e frases como: “ele é homem e tu és mulher, é diferente!” (quando surge a confrontação sobre o que o meu irmão faz e eu “supostamente” não posso fazer, ou não parece bem que eu faça!) desde que vejo a série.

A série é adaptação da série espanhola “Cuentame”.

O Cuentame é uma versão muito parecida, mas com outras preocupações e reflexões sobre o final da década de 60 e início da de 70.

O que talvez não saibam é que os meus Pais são de uma Aldeia/Vila muito perto da fronteira com Espanha, e que a minha Mãe foi educada a 3 kms apenas da linha que atravessa a antiga divisória.
Hoje vi um episódio, e vai daí…aprendi mais um bocadinho…porque no fundo a minha Mãe foi educada pelo meu Padrinho, e eles viviam não só Portugal, mas também Espanha dada a proximidade.
Além disso tenho muuuitos e bons amigos espanhóis e na sua grande maioria, bem mais velhos que eu, pelo que esta série também me ajuda a entendê-los (e a falta que me faz às vezes!!)
Neste episódio “o puto” pira-se de casa, e enquanto na série portuguesa leva um papo-seco com queijo para se alimentar durante a noite, na série espanhola leva uma barra de chocolate!!!!

Ir a Melgaço quando eu tinha 4 anos (em 80), era sinónimo de comer pão com chocolate e chorizo Revilla. Ai as lembranças boas que tenho do meu Padrinho que “estragava” os netos (e os sobrinhos-netos) com guloseimas e nos ensinava a conduzir num carro com dois volantes enormes…as saudades e o carinho que tenho pelo meu querido Tio Aprígio, que pese o seu mau-feitio com as filhas e a sobrinha (a minha Mãe), era um autêntico mensageiro da Alegria para os netos.
Foi ele que “criou” a minha Mãe, e ela apresenta ainda hoje uma mistura estranha entre o “português típico” daqueles tempos e a “espanhola” que nunca foi. Podia e ia a bailes com as amigas, mas nunca entrou numa bôite, vestia-se segundo a tendência espanhola mais à frente da portuguesa, mas trabalhava numa loja de venda de tecidos que vinham contrabandeados de Espanha. Gostava de Cozido à Portuguesa, mas dias de festa eram aqueles em que tinham Calamares para oferecer às visitas.
Enfim, toda uma tendência que pese a minha casmurrice de miúda em odiar Espanha e tudo o que de lá viesse (excepto os chocolates e o Revilla, tá claro!) me fez viciada em Barriguitas e gomas e calamares e gambas e Pulpo a la Gallega e Tortilla e na revista Hola!até aos dias de hoje 😀
Vá lá a gente perceber estas coisas! Quisás, si me cuentan como te ha ido y como has conocido la felicidad lo pueda entender!
By the way, a cantora da versão espanhola é (se não estou enganada) a vocalista de “La Oreja de Van Gogh” que recomendo vivamente.
Un besote! Beijos e boa semana!