É uma questão de vocação

EU NÃO QUERO SER MÃE.

Não tenho vocação pra tal, assim como não tenho vocação pra ser chefe de ninguém.
São duas coisas que não me assistem.
Por isso :
Deixem de me perguntar se não me vou arrepender.
Deixem de me dizer, como se estivesse a cometer um pecado capital ao dizê-lo, que não diga isso.
Deixem de me chamar egoísta por não querer ter filhos.
Deixem de me chamar arrogante por ter certezas absolutas.
Deixem de me chamar amarga porque pensam que não tenho filhos por não ter encontrado um companheiro.
Deixem de me falar das maravilhas da gravidez, porque nunca na vida me vão convencer que ficar do tamanho duma vaca redonda e dar leite é a última coca-cola do deserto.
Deixem de me convidar pra festas de crianças, eu posso gostar muito dos vossos filhos, mas continuar a não suportar um conjunto de choros e pequenas proezas dos infantes.
Deixem de me dizer que quando for mãe é que vou perceber.

Não me vou arrepender.
Não é pecado, é um sentimento pessoal.
Não sou de todo egoísta, tomara eu conhecer pessoas tão altruístas como eu.
Não é arrogante ter certeza de que não se tem vocação pra algo.
Não sou amarga, sou muito amada, e sempre fui, há coisas que acontecem e outras que não, e há coisas que podem vir a acontecer e outras que pura e simplesmente não estão escritas no nosso destino: deal with it.
Não acho que ficar enjoada que nem uma pescada, cheia de dores nas costas, contracções e pernas inchadas, mamas do tamanho dos Himalaias seja bom.
Não me divirto em festas de crianças nem hoje, nem nunca.
E definitivamente, não vou ser mãe, por isso eu nunca vou precisar de saber.

Ter 37 anos, estar a chegar aos 40 e não ter filhos, não me desespera, não me apoquenta, não me aflige, não me chateia, não é algo que me tire sequer um minuto de sono ou me traga qualquer ponta de ansiedade. Não me vai fazer mais adulta, melhor ser humano, ou sequer mais mulher.
Por isso parem com a puta da conversa da maternidade, que já não há cú que aguente. Não quero, não tenho vocação nem intenção sequer remoooota de parir e por mais um ser neste mundo, não é a minha praia.

Give and take – Adam Grant – food for thoughts – leitura obrigatória

Aqui há uns tempos li um artigo no linkedin que expunha a teoria de Adam Grant no livro Give and Take.

Chamou-me a atenção porque dividia as pessoas em 3 tipos:

– Givers
– Takers
– Matchers

Eu gosto muito de psicologia e sociologia e automaticamente consegui relacionar a teoria com as pessoas que me rodeia, seja pessoalmente, seja no local de trabalho.
Define-me claramente como uma Giver, mesmo sem fazer o teste no site. Depois de fazer o assessment tive a certeza, mas há ali uma percentagem dos três tipos:

A explicação é dada pelo próprio Adam Grant da seguinte forma:

Adam Grant: You could anchor this at two extremes: the takers and the givers. The takers are people who, when they walk into an interaction with another person, are trying to get as much as possible from that person and contribute as little as they can in return, thinking that’s the shortest and most direct path to achieving their own goals.
At the other end of the spectrum, we have this strange breed of people that I call “givers.” It’s not about donating money or volunteering necessarily, but looking to help others by making an introduction, giving advice, providing mentoring or sharing knowledge, without any strings attached. These givers actually prefer to be on the contributing end of an interaction. Very few of us are purely takers or purely givers. Most of us hover somewhere in between. That brings us to the third group of people, who are matchers. A matcher is somebody who tries to maintain an even balance of give and take. If I help you, I expect you to help me in return. [They] keep score of exchanges, so that everything is fair and really just.

É fabuloso ver como se adapta a tudo na nossa vida, não só nas organizações a que pertencemos ou para as quais trabalhamos, mas nas relações humanas e sentimentais. Li este artigo na sequência dos anteriores e foi como se algo me iluminasse o cérebro de repente, e em segundos eu consegui perceber porque é que há pessoas de quem eu gosto tanto e outras que passo a não suportar:

In order to understand where you fit in and how to best navigate your relationships with others, here’s a summary of the 3 styles of romantic partners.
3 Styles of Romantic Partners
Givers are people whose primary motivation is to take care of others, to make sure others are well, and to contribute to others and society. In a relationship, these are people who are always thinking about gifts for their partner, who take their partners’ interests into consideration, and who are always thinking “What else can I do for you?” They’re pretty awesome. As Grant mentions in his book—everyone likes having givers around because they are always happy to contribute and thinking of others. They understand the relationship as an opportunity to give and take care.
Givers often end up thinking there is something wrong with them when they are unhappy in a relationship. They are the ones who think they are not lovable or good enough because they take personal responsibility for making the relationship work (rather than blaming their partners). They can end up burned out and exhausted, from continuously giving at their own cost if they do not receive the support they need from the relationship.
Matchers tend to keep a balance sheet in a relationship. When matchers give they do so with an expectation of getting something in return.  When they receive something, they feel like they have to give something back. Matchers are the ones who are keeping tabs, and view relationships as somewhat like a commercial transaction.They are the ones who are most likely to say something like:  “I did this for you, but you didn’t do that for me” or “You paid for this, so I’ll pay for that.”  
Takers are just that…takers. They usually treat people well only if and when those people can help them reach their goals. Interestingly, Grant points out that they often appear as the most charming and charismatic people on the surface. They know how to work the crowd and seduce, but under the surface they are actually motivated by self-interest. You can recognize a taker by how poorly they treat people that they believe are of no use to them. You know you’re in a relationship with a taker when you feel sucked dry for all you have (whether it’s money, affection, time etc.). Once the taker has everything they want from you, you may be relegated to the “unimportant” sphere of their life. Their primary focus is themselves.

Deixo-vos este “food for thoughts”, sigam os links, investiguem a teoria, façam o assessment, tirem daí as vossas ilações.
Eu pessoalmente descobri que não suporto takers, que tenho uma enorme dificuldade em lidar com eles. E se bem que consigo gerir mais ou menos as minhas relações com os matchers dada a presença da teoria “gato escaldado, de água fria tem medo”, descobri que ou os matchers que conheço evoluem para givers, ou ao fim de um determinado tempo canso-me, e embora não os elimine da minha vida como elimino claramente os takers, os matchers não se mantém muito tempo nas minhas relações mais próximas.

Para mim um taker é um egoísta e egocêntrico, e são pessoas cujo sentido de amizade não se coaduna com o meu porque sinto que me sugam e que fazem de mim otária. E se bem que eu não costumo dar para receber algo em troca daquela pessoa, alguém que está continuamente a sugar o meu tempo e a minha energia sem dar algo em troca a outros (não necessariamente a mim), é alguém que não me interessa minimamente como pessoa. Talvez daí advenham e se expliquem aqueles 27 e 20% de taker e matcher, porque eu não sou perfeita, nem muito menos tão boa pessoa que chegue a ser otária. E reajo sempre que acho que alguém estar a abusar da minha boa vontade.

Remato com mais um excerto de um dos artigos que li, e que explica em grande qualidade o motivo pelo qual costumo conseguir o impossível a que me proponho e sou uma pessoa irritantemente feliz:

Even if givers don’t exceed the accomplishments of takers and matchers, their success takes on a different quality. Instead of cutting other people down on the way to the top, they pursue their personal goals in ways that lift other people up, earning friends, not enemies. So when givers do ascend, it isn’t lonely at the top.

Food for thoughts my dear readers, a lot of food for thoughts!

Estou para os Neosolteiros como o Mourinho estava prós Metrossexuais.

Lembram-se de quando disseram que o Mourinho era o melhor exemplo de um Metrossexual?
Não é a metro! É um metrossexual, que é um homem heterossexual mas que se cuida em termos de saúde e aspecto, cosmopolita, e normalmente, não gay, com ar de macho que coça a tomateira, mas com aspecto lavadinho, pronto.

Pra quê mais uma etiqueta? Porque é preciso ter um consumidor alvo e chamar-lhe alguma coisa.

Pronto, e hoje, com a ajuda da Luna, descobri que eu sou Neosolteira. E atendendo ao texto que abaixo exponho (que está inteiro no artigo), tudo aponta para que eu tenha toda a razão quando digo que sou o bastião da solteirice das minhas amigas.

Link para o texto: http://caracteres.mx/un-nuevo-estilo-de-vida-los-neosolteros/

Desde hace más de una década, el modelo de vida de los solteros tiende a adquirir rasgos cada vez más concretos hasta llegar a una nueva definición: los neosolteros, los que viven solos por convicción y no como “quedados” o que “se les pasó el tren” como se juzgaba antes.
Ver la soltería como un estigma ya es cosa del pasado. De hecho, para esta facción de solteros buscar su otra mitad, casarse o compartir su vida en pareja, ni siquiera es prioridad.
El término “neosoltero” realmente no es tan nuevo. La primera en usarlo se le adjudica a Carmen Alborch, quien en su libro “Solas: gozos y sombras de una manera de vivir” (1999), para distinguir a estos de los que simplemente cargan con la etiqueta de “no casados”, los definió así:

Son profesionales muy calificados, desenvueltos, competentes, seguros de sí mismos, con un alto nivel cultural.No tienen por referente social la pareja, no están obsesionados por la estabilidad económica, que ya han alcanzado, no renuncian a las comodidades y más bien las buscan y saben disfrutarlas, no quieren sufrir experiencias dolorosas o defraudantes en el terreno del amor, no es para ellos una prioridad la vida en pareja ni casarse y no les supone trauma la cama vacía, que consideran suficientemente compensada con el éxito profesional.

Para comprender esta tipología, el sitio Seis Grados les asigna atributos específicos como:

  • Son hombres y mujeres que hoy proliferan en México, de entre 28 y 60 años, que apuestan a un modelo de vida donde prevalecen los valores individualistas. Según los estudiosos de este fenómeno, se trata de profesionales exitosos, preocupados por el bienestar, la salud y la belleza.
  • Son más preocupados por viajar, consumir tecnología y salir a cenar con los amigos, que por planificar una familia. Se mueven como peces en el agua en restaurantes de moda, tiendas de diseño y suelen estar al día con los gadgets tecnológicos y los estrenos de cine. Sus camas están vacías varias noches a la semana, aunque ellos deciden esporádicamente con quién compartirlas.
  • Se trata de personas que dentro de su entorno de trabajo, familiar y amigos se han rezagado en la consolidación de una pareja.
  • Mientras más tiempo pasan solos, se vuelven más exigentes para incluir otra persona en su vida.
  • Los amigos y familia son la principal fuente de contacto para conocer personas nuevas.
  • Se inscriben a gimnasios, clases de cocina, yoga, baile, arte o música, cualquier lugar en donde puedan conocer personas con intereses afines a los suyos.
  • Deciden ampliar sus conocimientos profesionales estudiando una maestría, especialización o diplomado.
  • Deciden hacer un cambio drástico en sus vidas, ya sea estudiando o aceptando trabajo en otra ciudad o inclusive en otro país.

 Então, quantos somos? Acusem-se vá!

Cinco coisas que a malta com filhos deve deixar de dizer a quem não os tem

Está tão bem escrito que estou a pensar traduzi-lo e divulgar por todos os meus amigos com filhos.
Vale a pena ler na íntegra.
Um beijinho a todos os Papás e Mamãs:

By John Kinnear:

A no ser que tu amiga y tú hayáis hablado del tema de antemano y te haya dicho que tu hijo siempre es bienvenido, hay que suponer que la fiesta no es para niños. No lo preguntes. Si se pudiera, te lo habrían dicho al invitarle, y habrían mencionado el fantástico cuarto de juegos que han habilitado en el sótano. Al preguntar a tus amigos sin hijos si puedes llevar a tus hijos a la fiesta les colocas en la incómoda posición de tener que acoplar a tus hijos en el último momento o decirte que la fiesta no es apropiada para niños, lo cual les obliga prácticamente, aunque en principio estuviera pensada como una reunión de lo más discreta, a tener que contratar a unas putas y conseguir algo de cocaína. No fuerces a tus amigos a tener que convertir el sótano en un cuarto de juegos ni, sobre todo, a buscar putas y cocaína.
Para terminar, si has dicho o hecho alguna de estas cosas, no hace falta que pidas perdón. Simplemente, deje de decirlas. Pedir perdón sería peor. Yo lo hice una vez, y quedó muy mal. Casi pareció que decía: “Oh, perdona, delicadísima persona sin hijos. Siento haber estado tan absorto en mi maravillosa labor de padre que olvidé y desprecié nuestra amistad. Perdóname”.No había nada que perdonar. No había hecho daño a nadie, solo les había irritado. Perdonarme habría sido como perdonar a una mosca por posarse en el brazo. Por consiguiente, prometo intentar ser más consciente de cómo digo las cosas, ser mejor amigo y menos mosca. Y al decir menos mosca, me refiero a posarme en el brazo de alguien, vomitarle y luego tratar de comerle. La universidad se terminó hace tiempo. Ya no hago ese tipo de cosas.

Inspira, expira, inspira……


A minha amiga Joana diz que é mais cristã que muito Cristão que ela conhece. E eu concordo


Não deixes que a falta de paciência te faça perder o optimismo. Nunca. É a morte do artista.

Gosto desta palavra. É bom pensar nela quando tenho que desistir de algo ou de alguém.

Os meus sonhos e os meus feelings nunca me falharam, mas também sei que se não for eu o motor de fundo, a puxar pelo que quero, as coisas não acontecem. Os meus sonhos são a minha inspiração, mas não acontecem na realidade por magia.

É tão verdade. Tenho os meus amigos espalhados, e os que não estão por aí no “istringeiro”, têm vidas diferentes. Não posso definir os meus passos pelos passos dos outros. É proíbido Sofia Maria.

Ler um livro, fazer bolos, podia ser sempre muitíssimo pior do que é. E fazer planos sobre uma vida futura nunca é tempo desperdiçado, somo nós a colocarmo-nos no futuro.

SEMPRE, há SEMPRE, SEMPRE uma solução. Só não há uma solução pra morte.

Momentos que me doem no bolso

Momento 1:

Sofia perde o comando da garagem porque tinha um porta-chaves que fechava mal e … caiu.
Um comando novo custou 125 euros.
Um porta-chaves decente teria sido muito mais económico, assim Sofia arrota e não chora por um comando marreco com duas teclas.
Dizem que é caro por causa da programação. Sofia acha que foi caro porque há demasiadas pessoas com muito dinheiro a viverem no seu prédio e que não tinham o que fazer ao dinheiro, como tal concordaram em Assembleia de condóminos (da qual não faz parte) que 125 batatas por um pedaço de plástico era aceitável.

Momento 2:

Sofia acha que os cães mais novos são muito pequenos pra serem treinados aos 3 meses e não os socializa devidamente. Sofia acha que está muito frio em Março e que pode adiar, até porque os cães aprendem com a Mãe e vai ser facílimo. Sofia descobre que tem problemas muito sérios porque os cães aprenderam com a Mãe o bom, e o mau também. Vai daí passa a passear três peluches brancos que na rua viram feras ridículas na presença de outros cães. Sofia leva os cães ao treinador, treina-os ao frio, ao sol e à chuva durante o mês de Dezembro, arrrrrrrota 220 euros pro treino e mais um horror de dinheiro em biscoitos e trelas até que desespera e chama o treinador a casa. E se acham que isto poderia ser um filme porno a partir de agora, desiludam-se.
Sofia descobre juntamente com o treinador que tem uma Petzi com sindrome de “fear-agression” e uma Juicy com graves problemas comportamentais por causa de “shyness”. Descobre ainda pra seu espanto que o pack leader dos canídeos não é a Mãe. É o Bitoque. Sofia paga 95 euros por uma consulta comportamental onde o treinador e ela chegam à conclusão que Sofia não pode, nem consegue, treiná-los porque já não tem o treino necessário e muito menos o tempo. Este é o momento em que Sofia descobre que lhe esperam cursos de formação intensivos pros cães e tem muito medo de ver a conta já que não espera nada abaixo das mil patadas por cão.

E não, não dou os cães a ninguém. São meus, meus e só meus e não abro mão de nem um!

MY PRECIOUS!

Mas há momentos na vida de Sofia em que o bolso lhe dói.
Sofia despede-se com alegria até ao próximo dia.
Tudo isto fará sentido no futuro.
Cá pra mim os meus cães ainda vão ser estrelas em filmes de Hollywood, publicidade, name it. Tenho que os pôr a render pra compensar o rombo!
All things happen for a reason!! GOOD REASON!

Não percebo porque raio pagar 125 mocas por um comando é uma boa razão, mas lembro-me sempre que há coisas bem piores na vida. Há saúde pra andar de carro, não há? E há saúde pra ganhar dinheiro pra treinar os cães, não há? Há tanta gente que gasta o dinheiro em colunas de som e em TVs e iPads e tretas, porque não nos cães?

Corolário: o que não nos mata torna-nos mais fortes!