Deolinda – eu (ainda não) tenho um melro

Melro é uma expressão que o meu Pai usa muito pra falar de “namorados” ou “rapazes”: quem é aquele melro? Ah, ela tem lá um melro! Ela foi aos melros!
E esta música lembra-me o meu Pai e o meu Avô.

A culpa é da Elsa que me lembrou dos Deolinda, e hoje tou nesta…
Aqui há um mês atrás, talvez, passei um dos dias mais giros e mais simples que já tive em Amsterdão.
Fui às compras com a Tuxa para ir a um casamento, coisa fixe porque além de bom gosto, ela gosta de se despachar nas lojas como eu. Foi sempre a abrir e comprei pouco e acertado. Fui uma brasa pro casamento, é o que vos digo!
Depois fomos ter com o meia-laranja dela, bebemos uma cervejinha, descansamos um bocadinho e fomos ter com mais um molho de amigos que estavam à nossa espera para jantar. A Tuxa não teve muita sorte com o prato dela, mas eu lambi os beiços com o meu, e fui refasteladinha com a malta ver Deolinda. SÓ éramos TRÊS FILAS de amigos e conhecidos, cada fila com 10 pessoas, mais ou menos.
O concerto é giro. Porque a Ana Bacalhau é uma pessoa gira. Não foi um concerto que me fizesse delirar, mas foi um serão MUITO bem passado.
Fechei os olhos ao ouvir esta música e desde ontem que ela não me sai da cabeça.

Neste dia senti-me em casa. Senti-me quentinha por dentro e senti muito orgulho na minha língua, só que não senti saudades. Senti conforto. Acho que essa é a palavra. Senti-me muito confortável, como quando se está alapado no sofá de casa dos Pais no Natal. É isso.

Bom gosto

Gosto de tudo: da música, da letra que é magnífica, mas principalmente gosto que tenham filmado a Lisboa que eu gosto. Cheia de sol! Cheia de tradições e alegre, sem chorinhos de fado desgraçado. Este vídeo clip deixa qualquer um bem disposto!

Porque Lisboa ainda é nossa, camaradas de emigração!

Anda
Desliga o cabo
Que liga a vida
A esse jogo
Joga comigo
Um jogo novo
Com duas vidas
Um contra o outro

Já não basta esta luta contra o tempo
Este tempo que perdemos a tentar vencer alguém
Ao fim ao cabo
Que é dado como um ganho
Vai-se a ver desperdiçámos
Sem nada dar a ninguém

Anda
Faz uma pausa
Encosta o carro
Sai da corrida
Larga essa guerra
Que a tua meta
Está deste lado da tua vida

Muda de nível
Sai do estado invisível
Põe o modo compatível
Com a minha condição
Que a tua vida
É real e repetível
Dá-te mais que o impossível
Se me deres a tua mão

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
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Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens

Anda
Mostra o que vales
Tu nesse jogo
Vales tão pouco
Troca de vício
Por outro novo
Que o desafio
É corpo a corpo
Escolhe a alma
A estratégia que não falha
O lado forte da batalha
Põe no máximo que der
Dou-te a vantagem
Tu com tudo
E eu sem nada
Que mesmo assim desarmada
Vou-te ensinar a perder

…Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens…

Isto é tão verdade

.

Em vez de “run away bride”

Os noivos casaram-se na Capela de S. Miguel, uma igreja maravilhosa onde já assisti a mais 2 casamentos de amigos dos tempos da Faculdade.
Tem a particularidade de estar dentro da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Isto quer dizer que… ao lado da Igreja havia um bar da faculdade cheio de minis e estavam 24 graus.
Um casamento de um Tuno com muitos amigos Tunos. Sim, somos todos uns bêbados. A noiva estudou em Coimbra. Sim, também lhe dava bem.
Com ao lado quero dizer a 5 metros da Igreja havia um bar. Acho que os noivos só não perderam a audiência toda porque as portas da Igreja fecham-se assim que a cerimónia começa, mas os Tunos fugiam no intervalo das músicas de 2 em 2 pra vir cá baixo beber uma.
Eu, que de casamentos tenho todo o rosário, sentei-me nas escadinhas à porta da Igreja com as crianças dos Tunos (sim, mesmo. Os filhos! . Só um dos Tunos presentes é que era estudante (bêbados, mas inteligentes, sim?) pelo que os outros já contribuem pra vida activa com rebentos que saem aos Pais e têm bichos carpinteiros.  Eu abrandei na velocidade das minis e sentei-me ao pé dos miúdos a entretê-los enquanto as mães felizes me agradeciam. Há fotos giras que mostram o que foi este casamento, numa delas, à porta da Igreja, estamos 5 moças, muito bem vestidas, todas de tacão e mini na mão. Várias fotos porque foram várias minis.
A Madalena (3 aninhos) vira-se pra mim e pergunta, intrigada: porque é que tu tás sempre a beber?
Tomaaaa…. cala e engole. Achei que era melhor parar, afinal só estavamos na Igreja. A seguir acabou o casamento. Fra pra cá, Fre pra lá, siga pro copo de água. A recepção foi feita com comida vietnamita. As pinas coladas dizia-se que estavam com saída. As caipirinhas também.
O jantar foi magnífico e acho sinceramente que foi o que me salvou. A mesa era gira, os amigos esses estavam do lado direito, do lado esquerdo, à frente, atrás, por todos os lados pa! O nosso grupo tinha aproximadamente 4 mesas. A música não parou um segundo e abre-se a pista. Eu, que sou fina, passei pro champanhe depois da música do Traçadinho.
A noiva e noivo dançaram até já não poder, a malta esgalhou-se toda descalça e estava lá aquele Senhor que há em todos os casamentos que é o Tio ou Tia que só dança nas bodas e se esfranja todo pra bombar à séria com a malta nova.
Tínhamos tudo, e os 80’s é que estavam a dar. E eu disse e gritei: ó Senhores, esta merda ouço eu todos os dias, troquem lá a cassete, vá lá!
Fifinha, tá calada.
E eu calei-me e dancei. Muito.
E não sei a que horas me fui deitar. Quando cheguei ao quarto a minha colega de habitación tinha-se safado, como dizemos entre nós. Tirei o pijama, ignorei o bacano que estava com ela a dormir, agradeci a Deus o facto de ele não roncar e caí redonda de sono.
Foi um ganda casamento!