Tia, é só pra te dizer que trabalhas depressa aí de cima porque os primos finalmente conheceram-se todos, pelo menos agora tenho família do Pai no facebook, not bad! Se tudo correr bem vamos conseguir reunir pessoas boas e momentos bons. Afinal temos todos o mesmo apelido e os mesmos olhos, certo? Beijos grandes aí e obrigada.Se continuares assim Deus promove-te a anjo num ápice!
Disparar sem sentido ou orientação é tão Português que nem entendo como é que já fomos caçadores.
O Português sofre de vários problemas crónicos, a saber:
1) Treinadores de bancada qualificados;
2) Críticos mordazes pelas costas nunca pela frente;
3) Falta de capacidade de síntese; (nesta assumo-me muito Tuga)
4) Falta de direccionamento e orientação.
5) Gente deprimida e com tendência ao queixume crónico.
A Coca-cola fez uma publicidade que não pretende ser enganosa, política ou mistificadora. É uma empresa que todos os anos publicita mensagens de esperança e de alegria, são os criadores do Pai Natal que vocês colocam pendurados nas janelas (ó minhas bestas!) e que tanto usam para explicar às criancinhas que não há menino Jesus, nem Pai e Mãe a quem pedinchar prendas.
A Coca-cola e os agentes publicitários que fizeram este spot são senhores bem dispostos e que acreditam que há que haver esperança nem que seja um dia por ano, no mínimo no dia que eles criaram há uns bons anos atrás.
Porque raio é que foram inventar a resposta à publicidade da Coca-cola, ó gente deprimida?! Acham mesmo que é assim que vamos mudar alguma coisa em Portugal? Acham realmente que é assim que o Governo, as Troikas e a Banca e todos os sacanas deste mundo, vos vão ouvir? Seriously? Wake up and smell the coffee minha gente. Façam-se ouvir da forma certa, não é através de argumentos destes.
Tou farta de gente deprimida!
As leis dos pessimistas
(Lei de Nonti Pagam)
“Quando estiver apenas com uma mão livre para abrir a porta, a chave
estará no bolso oposto.”
(Lei de Assimetria de Laka Gamos)
“Quando as suas mãos estiverem sujas de óleo, vai começar a ter
comichão, pelo menos, no nariz.”
(Lei de mecânica de Tukulito Tepyka)
“Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. A bula
vai sempre atrapalhar.”
(Princípio de Aspirinovski)
“Quando acha que as coisas parece que melhoraram é porque algo lhe
passou despercebido.”
(Primeiro teorema de Tamus Tramadus)
“Sempre que as coisas parecem fáceis, é porque não entendemos todas as
instruções.”
(Princípio de Atrop Lado)
“Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam.”
(Lei da persistência de Waiterc Pastar)
“Vai conseguir chegar ao telefone exactamente a tempo de ouvir quando
desligam.”
(Principio de Ring A. Bell)
“Se só existirem dois programas que valha a pena ver, os dois passarão
à mesma hora.”
(Lei de Putz Kiparil)
“A probabilidade de se sujar quando come, é directamente proporcional à
necessidade que tenha de estar limpo.”
(Lei de Kika Gadha)
“A velocidade do vento é directamente proporcional ao preço do
penteado.”
“Quando, depois de anos sem usar, decide deitar alguma coisa fora, vai
precisar dela na semana seguinte.”
( Lei irreversível de Kitonto Kifostes)
“Sempre que chegar pontualmente a um encontro não haverá lá ninguém
para comprovar e se, ao contrário, se atrasar, todo o mundo terá chegado
antes de si.”
(Princípio de Tardelli e Esgrande La de Mora)
As despedidas são difíceis
Hoje faleceu a minha Tia Zé, aos 51 anos de idade. Nestas alturas apetece dizer que Deus não sabe, que não é justo, que se houvesse um Deus não deixava que alguém tão novo fosse roubado aos que os amam.
A puta da doença do século levou-no-la tão cedo e a minha raiva e revolta vai toda para essa doença cabra que ceifa sem dar hipótese. A medicina evoluiu, a investigação acelerou, mas não o suficiente. E agora resta esperar que a minha Tia Zé esteja em paz, que a sua alma vogue descansada por entre prados verdes e céu azul e que tenha levado no coração a certeza de que gostávamos muito dela.
A minha Tia foi para casa dos meus Pais quando era adolescente, devia ter uns 19 anos. A minha Avó também faleceu muito cedo aos 49 anos e com a mesma doença que levou a minha Tia. Ela devia ter uns 9 anos na altura. Quando o meu avô faleceu há uns bons 30 anos já a Zezinha vivia connosco, era a irmã mais nova do meu Pai. Eu tinha 3 ou 4 anos e dividia o quarto com ela. O meu irmão tinha nascido há pouco tempo e a Tia não gostava de mudar fraldas porque o cheiro lhe dava vómitos. Usava uma fralda atada à cabeça, por cima do nariz enquanto aguentava as arcadas. Afinal sempre queriam ver como é que ela ia fazer quando fosse dos filhos dela! Ela safou-se, mas nunca mais se livrou da fama.
Ela fumou durante muitos anos, SG Ventil, o que deixava a minha Mãe anti-tabagista ferrenha doida. Todas as noites ia pra janela à noite fumar o seu cigarrinho. Eu fugia e ia ter com ela e pendurada numa cadeira punha-me ao lado e pedia-lhe só uma passinha. E ela dava-me cigarros de chocolate e dizia: só destes! E eu fazia como os sapos e usava o frio pra tentar fazer aquelas rodinhas que ela fazia no ar. Aqueles aros tão perfeitos, de vários tamanhos e que continuavam a circular durante muito tempo.
Tínhamos uma cama daquelas estilo beliche, que ficava como um sofá, daquelas que tem uma gaveta por baixo de onde sai outra cama. Eu dormia em baixo e ela em cima, meia encolhida porque a cama era pequena. Ela dava-me a mão pra eu adormecer e às vezes lá conseguia meter-me na cama com ela. Era tão fixe. Convém dizer que a minha Tia ficava encolhida na cama porque era um poste, tinha quase um metro e oitenta. Usava o cabelo como a Lady Di, a musa de todas as miúdas da idade dela e saias compridas tal e qual o figurino, porque era magra e tudo lhe ficava bem por ela ser tão grande. Como era muito mais alta que as amigas todas, sempre que ouvia que a mulher e a sardinha se queria da mais pequenina respondia abespinhada que não senhora! a mulher e a pescada quer-se é da mais alongada. O certo é que apesar de alta comó caraças conseguiu arranjar um marido tão alto como ela, e toda contente e apaixonada casou aos 23 anos. O meu Tio tinha um Citroen boca de sapo, vinha ter com ela quase todos os dias e às vezes íamos ao café em frente à nossa casa, o café in da moda. Nós também tínhamos que ir para garantir que a minha Tia se “portava bem” e fugíamos pra nos sentarmos nas escadas do café a comer os sugus com que eles nos subornavam sempre que os víamos aos beijinhos.
Quando casou fomos com ela a Espanha escolher um vestido à Pronovias que o meu Pai lhe ofereceu todo contente e a Zé parecia mesmo uma princesa. Eu fui menina das alianças juntamente com a minha prima Natália. O casamento foi muito bonito, na quinta da Prima Gi, que tinha um coreto e tudo. A Prima Gi com quem ela viveu depois da minha Avó morrer, e que era uma senhora toda fina e que achava que a minha Tia tinha pés muito grandes e por isso devia usar sapatos dois números abaixo do dela. Deu cabo dos dedos por causa das peneiras. A Prima Gi que ficava fula porque a minha Tia atirava os rebuçados (tão caros que as visitas traziam, oh valha-te Deus Zezinha, que vergonha) ao ar e gritava: chuuuuuuva! A Prima Gi que tinha o maior nariz que já conheci e que era solteiríssima da silva e podre de rica. A Prima Gi que foi uma Mãe pra minha Tia Zé e que achava que ela tinha que aprender a tocar piano e a falar francês, casar cedo e bem. A Prima Gi que era uma senhora, mesmo vivendo na aldeia e que ainda hoje me faz lembrar os romances do Eça. A Prima Gi que era uma das maiores figuras da Vila de Melgaço e morreu velhinha e cheia de dignidade.
Depois de casar a Tia Zé ainda viveu em Braga uns anos, tinha um apartamento grande ali nas Piscinas, com um terraço onde o meu primo mais velho mandou uns valentes tralhos. O puto tinha uma cabeça dura que eu sei lá e era um terrorista e ainda hoje é a cara do Pai cuspida e escarrada. Lembro-me que um dia mandou uma cabeçada numa mesa de vidro que se estilhaçou e ele teve só um galo, ou será que foi nessa altura em que fez a bela cicatriz que ainda hoje tem na sobrancelha? O que sei é que ainda hoje não sabemos como é que ele sobreviveu a ele próprio. Depois mudaram-se pro Porto e encomendaram o meu primo mais novo, que é igualzinho a nós curiosamente, os mesmos olhos, as mesmas sobrancelhas grossas, o mesmo cabelo basto e prontinho a ficar branco. A maior diferença entre os meus primos e nós é que eles são enormes, um tem um metro e 85 e o outro um metro e 88. Saem ambos ao lado do meu Pai e da minha Tia. O que significa que um dia, se me der uma travadinha e tiver crianças, é bem possível que a criança venha a ser um adulto altíssimo e há a hipótese do Pai da criança pensar que o traí.
Os meus primos são agora dois homens adultos, um tem 22 e o outro 28. Viajam muito como os primos mais velhos, são bons alunos, um deles vive em Angola, e são bem o orgulho de Pai e Mãe. Miúdos à maneira, educados e bem-dispostos.
Por circunstâncias da vida (algumas delas alheias à minha vontade), aí desde os meus 18-20 anos, nunca mais passamos o Natal juntos, nunca mais visitei a minha Tia, nem os meus primos e os telefonemas escassearam de dia pra dia. O egoísmo duma adolescente e a falta de comunicação familiar deram cabo duma relação Tia-Sobrinha que sempre foi boa independentemente das chatices de família.
Por sorte, e porque o meu Primo mais novo é um miúdo mesmo espectacular e me avisou, pude ir na terça-feira ao Hospital visitar a minha Tia e despedir-me dela. Chorei que me fartei, fiquei com duas batatas em vez de olhos e uma telha descomunal. Mas pude pedir-lhe desculpas pela ausência e sei que a minha Tia me perdoou. Infelizmente nunca vou conseguir devolver-lhe dias como a minha Benção das Fitas, o dia em que recebi o meu primeiro salário ou o dia em que me meti num avião e emigrei. Dias especiais em que eu sei que ela ia ter gostado de estar presente e que nunca mais vou a tempo de lhos devolver.
Tenho noção que possivelmente não poderia ter feito muito mais do que o que fiz, mas tenho muita pena que assim tenha sido.
Resta-me a consolação de lhe ter podido dizer que toda a gente me diz que sou igualzinha a ela, salvo os 3 palmos de altura que nos separam; e ainda de lhe ter dito podido dizer: e sou igual a ti com muito orgulho!
Gosto mesmo muito de ti Tia Zé.
Descansa em paz.
Histórias únicas
Porque é que eu acho que não há razão pra kits de emigração
Este rapaz escreveu o que eu gostaria de ter escrito. É tão perfeito que vou só dar o link: http://trocadopormiudos.wordpress.com/2011/12/23/emigrar-porque-nao/
Isto é que é Natal pra mim, se calhar é por isso que as luzes não me inspiram.
| Sai pra lá, não me mordas o rabo! |
| É meu!! |
| Não é nada, agora é meu! |
| Já te disse que vais sofrer? Anda cá! Não fujas que isso é meuuuuuu! |
| Eu tenho o bocado maior! |
| Mas eu é que vou ficar com tudo! |
| És uma paspalha, eu sou o campeão!!! |
| Ai é? Anda cá pra ver se eu não mordo, toma! Toma! |
| Aqui acima eles não chegam, só preciso de descansar umas horinhas, sim? |
| Cabem todos em cima da macro cama da dona |
| Estou a sonhar que estou montada numa nuvem! |
| Vês como já tenho melhor aspecto e já não pareço uma grávida passada a ferro? |
| No escurinho do cinema….e de papo pro ar, bem bom! |
| E se eu me mexer, vais-me tirar daqui da nuvem? |
| Não se pode dormir sossegado nesta casa! |
| Pshht cala-te e dorme mais, olha a nuvem….zzzzzzzzzzzz |
| Ah!! Esta nuvem!! zzzzzzzzzzzzzzzzz |
| Não há coisa mais fixe que dormir aos pés da minha dona (ala esquerda) |
|
Uma petit perguntinha…
É assim que fazem no CSI
Cliquem e sejam hackers: http://hackertyper.com/

