O que tu não viste

Quando duas pessoas se zangam há sempre coisas que nós que estamos de fora não vimos. Viste sofrer uma delas e ficaste triste por ela. Mas não viste o que o outro, que aos teus olhos é o vilão, sofreu.
Também não assististe a tudo, não escutaste as conversas, eras muito novo e não entendias bem. Só viste o desfecho, não viste o início.
Não ouviste as palavras duras da terceira e da quarta pessoa e tomaste partido.
E eu não fui muito diferente porque consenti que me calassem.
Tu lembras-te da mágoa do que amas, eu lembro-me das palavras de todos os que amo.
É certo que a uns devo tudo, e aos outros pouco. Mas aos outros devo muitos momentos de alegria quando era pequena, naquela altura em que todos só olhavam pra ti e eu estava esquecida por já ser grande. É isso que eu não esqueço. Eu era a mais importante pra ela, mais que tu. Eu é que era igual a ela, não eras tu, embora claramente fosse minorca.
Cada um fez o melhor que pôde e soube e cada um se empenhou em magoar o outro mais profundamente à medida que a mágoa própria crescia. Uma espécie de mancha de petróleo que lentamente se vai espalhando e que escurece o coração. E tudo, como seria de esperar, em vão.
Enterraste as lembranças, mas eu não.
Queres uma passinha?
Vá, dá-me a mão pra adormeceres.
À mesa de Deus nosso Senhor não se canta menina!
Chuva de rebuçados!
A mulher e a espada quer-se da mais alongada!
Eu gosto é disto assim, com muita gente e todos juntos à mesa, isto é que é um Natal. O meu mais novo fala muito porque sai a nós, sai ao nosso lado.
Queres sugus? Dou-te sugus se não disseres que nos viste aos beijinhos, ok?
Tu não te lembras, mas eu lembro-me e é por isso que vi tudo, não vi só um lado. É por isso que hoje não estou zangada, não tenho mágoa. A ti perdoo-te a ignorância. Mas jamais seria capaz de me perdoar a mim própria se não tivesse tentado entendê-la e aceitá-la. Porque ela gostava muito de mim, mesmo depois de eu me calar e desaparecer. Se ela me perdoou isso, eu posso perdoar muito mais e não é porque ela esteja a morrer.


Uma troca de prendas à maneira

Ontem um dos nossos casais amigos fez uma festa de Natal com uma feijoada de marisco dos Deuses e quarenta pessoas que trouxeram ainda mais comida e bebida e um presente pra célebre troca de presentes.
Esta troca de prendinhas tão natalícia e habitualmente tão frustante sempre que nos calha uma prenda da treta foi absolutamente épica e genial. Embora a maioria não entenda o que quero dizer, mas aquilo foi como um momento Candeia no seu melhor. O que eu me ri foi indiscritível.
Vou tentar explicar as regras do jogo pro caso de quererem fazer porque realmente valeu a pena.
Ora então é assim:
Mais ou menos em roda, a primeira pessoa vai à pilha de presentes e escolhe um presente embrulhado. Desembrulha-o e sai de lá algo. Neste caso foi um pacote de arroz cigala :))
A pessoa seguinte vai buscar outro presente e antes de o abrir pode decidir se quer o presente da pessoa anterior ou se quer desembrulhar o que tem nas mãos. Se decidiu ficar com o presente do gajo anterior (neste caso um pacote de arroz) dá o presente embrulhado ao anterior e fica com o que já estava desembrulhado e dá o embrulho ao primeiro.
A primeira pessoa novamente desembrulha outro presente e sai de lá o que for, uma velinha, uma chávena, os chocolates, whatever.
A terceira pessoa vai à àrvore e escolhe outro presente enquanto vê os dois presentes anteriores que saíram.
Tem de decidir se o quer desembrulhar ou se quer o presente já desembrulhado que saiu a um dos outros. Se saiu uma cena fixe a um dos outros, pode-se virar e dizer: quero aquele! Podem imaginar a cara de desilusão do que se vê despojado da coisa. Se lhes saiu cenas chatas, está tudo a tentar convencer o gajo que tem o presente embrulhado a ficar com o seu.  Se sairam cenas fixes, está a tentar ficar com a sua coisa.
Digamos que o terceiro decidiu desembrulhar o seu presente. Agora há 3 presentes abertos.
Vai o quarto gajo/a à àrvore e escolhe um quarto presente e decide desembrulha-lo, e sai-lhe uma garrafa de champanhe, umas pringles e uma caixa de chocolates. Vai o quinto e armado em bonzinho, desembrulha também  E vai o sexto, pega num presente e sem o desembrulhar oferece-o ao gajo que tinha o champanhe: dá cá!
E o quarto gajo fica com um novo presente pra desembrulhar. E pode ir ter com um dos anteriores e troca-lo por outra coisa que saiu. E imaginemos que era ao segundo. E vai ele e pega no embrulho e dá ao sexto e pede a garrafa de champanhe e dá-lhe o presente embrulhado novamente!
E só se pode fazer esta troca de embrulho 3 vezes, ou seja, o sexto tem mesmo que o desembrulhar. E o sétimo vai e pega noutro presente e tem que decidir desembrulhá-lo ou trocar com um dos anteriores.
O que eu me ri foi indescritível, até porque eu estava no fim da roda por isso estava sempre a ver o que era a cena mais fixe que tinha saído pra ver o que é que eu ia roubar no fim!!
Eramos 40 e saíram coisas como: duas chávenas de chocolate quente muito fofas, um pacote com 5 pastas de dentes, um tronco (eu pensava que o meu presente era foleiro, mas aquele era bem pior), um porta-chaves, dois frascos de compota Portuguesa (mais de metade éramos tugas e foram bem disputados. É tão fácil ser-se emigrante!), uma garrafa de azeite, uma régua medidora de pilinhas (este foi o que eu ofereci, tinha que ser eu…!), dois conjuntos de champanhe, pringles e chocolate e mais uma cena verde que acho que era uma bola…?!), um pacote de arroz, um cestinho de verga com um chocolate lá dentro, uma luz de presença pra bébé em forma de sapinho que era uma delícia, uns garfos extensíveis pra coçar as costas (bem nices!) que deram origem a uma luta de espadas, ……..
Só queria que vissem a meio do jogo a malta a quem tinha calhado cenas xungas com as cenas na mão a abaná-las pra aquele que tinha um presente na mão por desembrulhar pra convencer o outro a ficar com o deles. Foi um momento ao estilo: as chaves! O dinheiro! As chaves! O dinheiro!!
Esta fica decididamente eleita como a melhor troca de presentes de Natal ever!
Não posso colocar fotos, mas posso-vos dizer que até a Juicy e o Bitoque curtiram (também foram e andaram de colo em colo o tempo todo, excepção feita a duas mijas fora do lugar) e que a Petzi estava doida com a quantidade de comida. A bébé Matilde dormia a sono solto no andar de cima, não faço ideia como, porque aquilo foi um cagarim inimaginável.
Muito muito muito obrigada ao casal mais fofinho de Amesterdão city que fez uma verdadeira festa de Natal à maneira e que me fez sentir tão verdadeiramente em família.
Bem-hajam!!

(acho que este jogo é feito pelos Holandeses nestas festas, eu nunca tinha jogado, mas imaginei logo uma cena destas numa festa da Candeia e oh pa, o que eu curtia ver a cara dos putos a jogar isto!!)

Há gajos que são como o vinho do Porto!

Para quem não conhece, este é o Sergio Dalma. Uma espécie de … Paulo de Carvalho Espanhol? Ou um João Pedro Pais? Tanto faz.
O homem cantava uma música de que eu gostava muito que era o Bailar Pegados (que acho que foi a um festival da canção) porque ele tem uma voz muito rouca que aprecio bastante. Se me soprasse ao ouvido eu ia já de carrinho. Adiante!
Esta era a música:
O cabelo do senhor no vídeo é tão eighties que é hilariante.

Ora pois então agora vem a parte boa. Este moço era assim:

Pus uma foto simpática, que há umas de cabelinho à Futre que upa upa!
Mas agora está assim……
A foto é mazinha, mas o google images é todo vosso.
Vá, agora vão lá buscar o paninho pra limpar a baba antes que os vossos gajos escorreguem nela, sim?
Sempre às ordens!

Como é trabalhar a partir de casa…

 It’s ALL so true.

1. The pile of papers on the kitchen table no longer bothers you.

2. You’re more concerned about staying up late to watch Homeland than getting up early.

3. You notice what time the sun goes down.

4. The laundry is full of gym clothes and sweats (and you haven’t been to the dry cleaner in months).

5. On some days, the only time you get out of the house is to walk to the end of the driveway to get the mail.

6. You routinely answer the home phone by hitting the speaker button.

7. The time of your yoga class is more important than anything else on your schedule.

8. You don’t mind actually answering the door when the UPS man rings the doorbell.

9. You take a shower at 3pm, or 4pm, or not at all.

10. The words “I need to put some real clothes on,” are said more often than you run the dishwasher.

Os tufos

Era esta imagem que eu andava à procura, mas vê-se muitoooooo ao longe.
Será que dá pra ver que a Senhora TEREZA tinha dois arbustos debaixo dos braços?
Et vive la Republica Checa!

Quero ver no que isto vai dar…

Portugal que é o País dos abusos vai liberalizar (ainda mais) o mercado de arrendamento: http://www.ionline.pt/dinheiro/inquilinos-rendas-baixas-vao-ter-provar-sao-pobres
O que eu sei é que há muita gente em prédios decrépitos a pagar mil escudos ( 5 euros) de  renda e que as desculpas dos donos dos prédios para não fazer obras é que tal não compensava. Ora se por um lado é uma boa desculpa para revitalizar o mercado imobiliário, por outro lado falta saber onde é que vão parar as pessoas que realmente não têm condições para pagar mais já que auferem 400 euros de reforma. Isto vai ser bonito…será que vão ter em conta que os filhos dos que recebem 400 euros também vivem naquelas casas com a renda em nome do que menos recebe? Será que há capital para revitalizar estes prédios e o mercado? Será que vale a pena? Tenho muitos mixed feelings relativamente a este assunto.

Gosto de ter amigos importantes :)))

O mê querido amigo David Dinis agora bota faladura diária (acho eu) nos comentários da TSF. Estou toda orgulhosa.
Aliás, verdade seja dita: eu nunca tive paciência pra ler o Diário Económico todo, por isso sempre gostei dos resumos que ele e a Marta Moitinho Oliveira me faziam, das conversas inteligentes e com cabeça tronco e membros.
São ambos trabalhadores, sérios e competentes. E valem muito a pena tanto de ler, como de ouvir. Tinha saudades.