Os sabores têm memória

Hoje almocei no escritório (para vocês é banal, para mim é mais que esporádico, pode-se dizer sazonal) e tive a brilhante ideia de trazer um iogurte que lá estava de frutos silvestres assim com aspecto de gelado, espesso, numa tigela enorme, e com uma cor apetitosa. Enchi um copo de sumo daqueles de plástico até às bordas com iogurte e sentei-me a almoçar. No fim do almoço ataquei o iogurte e comecei a hum hum hum, this is so good! Ninguém me ligou corno, até porque falei baixinho, mas o certo é que vim pra cima com o resto do iogurte porque é tão espesso que não o consegui comer todo. De repente lembrei-me! Todo um mundo de memórias apareceu tipo um balãozinho junto à minha cabeça como nos desenhos animados!

Quando eu e o meu irmão éramos pequenos, nós éramos tolos, doidos, doidos por Petit Suisses. No início dos anos 80 não havia em Portugal, mas nós íamos a Espanha todos os fins de semana buscar coisas que não havia cá e que os meus Pais simpaticamente… errhhh… pois, contrabandeavam. Nada de especial, mas na altura fazia diferença, como azeite, papel de parede, pratos, e afins. E contrabandear é como quem diz… em Portugal não havia, e nós não podíamos passar a fronteira com aquilo, mas eu e o meu irmão deitavamo-nos em cima das compras, a minha Mãe punha uma manta, fazia uma caminha, e eu e ele vinhamos deitados a comer petit suisses SEM colher! Havia toda uma técnica! Abre-se a tampa e com mãozinhas minúsculas começa-se a apertar o plástico em baixo de maneira ao iogurte subir e nós lambermos o topo. Depois de ter-mos esborrachado todo o conteúdo, lambíamos o interior através duma meticulosa ginástica com a língua e deixávamos tudo imaculado, parecia que nunca tinha havido iogurte lá dentro. E repetíamos o processo 3 vezes cada um. Nos dias de muita sorte, 6 vezes.

O iogurte que trouxe da cantina tem o mesmo sabor, a mesma espessura e tudo se revelou quando comecei a ter de comer a colherada em lambidelas, tal como nos eighties.  Até a segunda-feira ficou mais light!

Legumes biológicos na Holanda

A Charlotte fez um post sobre uns senhores (PROVE) que entregam legumes fresquinhos à porta do Cliente no Porto. Mandei o post pra Francesinha que ficou logo “cliente” e eu choraminguei que não havia disso na Holanda e vai daí e duas moças amorosas deram-me dois links que partilho convosco:

Este: http://www.odin.nl/nl/index.htm

e este: http://www.groentetas.nl

Agora a minha cena é ler isto em Holandês e descobrir como fazer que isto chegue à minha casa todas as semanas ou de 15 em 15 dias!! Pff, vou levar tempo….mas vou fazer, adoro a ideia e acho que é muito mais saudável que ir ao AH ou aos Turcos, embora a dita loja de legumes (que vou atacar amanhã) aqui ao pé seja excelente.
Fiquei muito contente com os links, tenho que por isto em prática. É pena não terem couve Portuguesa, isso é que era!

Adenda:
E em Lisboa há A Quinta à Quarta:
http://aquintaaquarta.blogspot.com/

Buga ajudar a promoção Nacional, que só assim é que se sai da crise. Vá, bora!

Coisas MUITO boas da vida

Reunir o meu grupo da Maltta de Coimbra, que foi no TRINTA que ardeu no Cortejo da Queima, e que se vai juntar dia 30 de Dezembro no centro de Portugal pra mostrar a sobrinhada toda uns aos outros e que queriam incluir os meus cães na lista de prendas dos putos! Não é lindo?
São das melhores pessoas que já tive o prazer de conhecer e são poucos os amigos que tenho como eles. Há três anos que não vejo a maioria deles e vai ser excelente poder-lhes apertar as bochechas e xi-corazar aqueles putos.
Os meus amigos SÃO OS MÁÁÁÁIORES. Estamos entendidos? E somos bués, juro.
Em apenas duas horas mobilizamos dez pessoas e ao todo somos uns 18. VAI BUSCAR!! Tungas! Tou muito contente!!


Além disso também tenho a sorte de conhecer pessoas sempre com um coração gigante do tamanho dum campo de futebol e que me ajudam à distância de um clique e fazem com que tudo nesta vida seja mais simples e mais cheio, olhem, cheio do que deveria ser o verdadeiro espírito natalício! Cheio de carinho, cheio de alegria, cheio de amor incondicional pelas pessoas. Parece que são todos da Candeia.


O meu mundo é tão bom.

Parabéns a mim!

Os meus 34 foi um ano que não foi grande memória, ou pelo menos não produziu imensas memórias que eu queira recordar. Ou e daí, até sim. Quero me lembrar. Porque viver é mesmo isto, apreciar as coisas boas dos momentos maus. Mas não me despeço dos meus 34 com muitas saudades mas agradeço-lhes terem dado saúde à minha família, terem-me dado muitas e verdadeiras alegrias, abraços, amigos e é claro, os meus bonecos.
Há pessoas que fazem o seu virar de página no ano novo. Eu sempre o fiz no dia dos meus anos. Tomo decisões, mudo atitudes, ponho em prática ideias que adiei no ano anterior. Este ano não tenho muitas decisões para tomar assim já de repente. Estou muito satisfeita onde estou, como estou, como vivo, com quem vivo. Não sei se quero mudar alguma atitude minha, até porque com a idade estou cada vez mais certa do que quero e do que não quero, e isso reflete-se nas minhas atitudes e como tal, acho-as bem. Não sou perfeita, nem pouco mais ou menos, mas gosto dos meus princípios e dos meus valores e gosto de os poder hastear qual bandeira. E isso veio com o tempo e com as ditas atitudes. Tenho algumas ideias que já foram postas em prática (Viagem pela Europa:check! Filipinas here I go, check! Ter bué da cães: check! Mudar-me pra Amesterdão: check!) por isso não há assim nada de muito novo para aplicar a partir dos 35….Talvez por isso mesmo este ano seja um ano especial. Já está tudo decidido, não tenho que me preocupar, só tenho que fazer como diz o meu amigo Fred: don’t fight it. O meu lema para os meus 35 anos.

Cê cridita?

Interior de Minas Gerais. Mulher grávida de oito meses  na porta da cozinha, olhava o tempo e procurava um jeito de começar uma prosa com o marido, que descansava numa rede:
         ― Ô bem? Cê cridita in Deus?
         ― Ora, si criditu…. craro!
         ― Intão, si é da vontadi de Deus, nesse crima seco danado  e Ele queresse fazê chuvê dirrepente, chuvia?
         ―  Uai, muié. Si é da vontadi de Deus, chuvia na mema hora….
         ― Si é da vontadi de Deus, o dia pudia virá noiti num  minutim?
         ― Ora, si é da vontadi de Deus, virava sim…. pru que  não?
         ― Si é da vontadi de Deus, seno nóis dois branquelo azedo desse jeito, nosso fio pudia nascê pretim … quasi azurzin… qui nem cumpadi Totoin?
         ― Uai, sô… Si fosse da vontadi de Deus nosso fio nascê  pritim qui nem cumpadi Totoin, nascia…  Mai qui ocê ia tomá uma surra de virá os zóio, arriá no chão e inté fazê xixi pelas pernas, cê…..ia, ah! si ia!