PS: Eu JURO que não sou fã do FCP.
Sonhei
É que não é qualquer nabo que sabe fazer um filme. Mafia, Camorra, Martin Scorcese.
O filme Gomorra não é igualzinho, igualzinho ao livro, nem é isso que se espera. Até porque se fosse seria tremendamente complicado de seguir ou entender.
No entanto, as partes que foram subtraídas aquando da realização do filme não alteram a qualidade do livro brilhante de Roberto Saviano. E a montagem que foi realizada melhora ainda mais a percepção da Camorra como o verdadeiro cancro de Itália.
Isto sim é um filme bem adaptado. O Roberto Saviano é que é muito mais giro na vida real que no filme…mas não se pode ter tudo, não é?
Não é que eu seja muito fã de carequinhas, muito pelo contrário, mas um sorriso bonito e uns olhos verdes serão SEMPRE um sorriso bonito e uns magníficos olhos verdes.
Como dar cabo dum bom livro e conseguir um filme de m*
Eu gosto de ler. Eu gosto mesmo muito de ler. Não sou fã do Dan Brown, li o Código da Vinci mas fiquei-me por aí durante largos tempos porque acho que há quem escreva o mesmo estilo que ele, mas com o dobro da qualidade. Aqui há uns tempos vi o Anjos e Demónios em edição de bolso no aeroporto. Estava a morrer de tédio, o avião atrasado, e decidi que mal não devia fazer.
Tenho de confessar que gostei muito do livro. Mesmo muito. É muito melhor que o Código Da Vinci, muito mais elaborado, mais bem escrito, o enredo prende e não é de todo previsível.
Os Senhores de Holywood decidiram fazer uns cobres. Toca de passar o livro pra tela. Acho muito bem. O que acho mesmo mal é que tenham cortado mais de metade do livro, que dos melhores diálogos só se tenha salvado UM, que não haja praticamente ligação ao Centro de Ciência que é o “outro lado da moeda”, que tenham salvado uns dos Prefiriti e alterado completamente o final e deixado raspas, sim, RASPAS ao Edward Norton.
Resultado final: um filme muito mau. Fiquei revoltada, não há direito.
Comprem o livro!
Sinusite
Se alguém me souber dizer como é que se reduz os efeitos de dores de cabeça provocados pela sinusite eu agradecia de coração.
É preciso desligar o aquecimento?
O que é que provoca isto?
Como é que posso debelar as dores?
Agradecida.
A neve
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
(…)
Augusto Gil, Luar de Janeiro
Sinceramente, cá pra mim o amigo Augusto dava-lhe forte na pastilha.
Prefiro neve a chuva, dizia eu no tempo em que era inocente e ainda não tinha visto os holandeses a conduzir.
Sempre que neva fico limitada e não posso ir muito mais longe que ao bairro seguinte porque só posso andar a penantes. Carro nem pensar, bicla, esquece.
Ela bate leve, bate, lá isso bate. A gaita é que bate o dia inteiro.
É lindo!
É, é, é muito bonito, mas já chegava não?
E céu azul e calorzinho bom, que tal? ah? Ah?
Rais parta a neve!
Settling for Mr. Good Enough
Os Americanos são seres muito estranhos neste tipo de temática…realmente há coisas que nunca vou ser capaz de entender…
O tipo falava como o Austin Power?!?!?! wtf!
Enfim, do you settle when your 40?
(Isto é o que dá as minhas amigas lerem os meus posts e depois me mandarem cenas fixes destas pro mail que é pra eu continuar a ter buéréré de ideias de coisas porreiras pra postar!)
Eu viciada me confesso.
Não acho que seja uma pessoa romântica
Já fui, hoje não me considero uma pessoa romântica.
Já não vou a um hotel e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não entro num restaurante e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não viajo e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não ponho uma mesa bonita e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não me enrosco no sofá a ver um filme e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não acordo sozinha e penso: isto seria giro mas era a dois!
Continuo a gostar de ver aqueles filmes de pastelada romântica, mas será que isso faz de mim romântica?
Ou será que é porque há muito, mesmo muito tempo que não me apaixono a sério?
Os meus ex-boyfriends e os meus ex-flings perseguem-me com ideias de ir aqui e ali e mando-os pastar continuamente. Afinal, se são exs é por alguma coisa. Mas eles não entendem. E eu também não tenho vontade de fazer seja o que for só porque seria romântico ser a dois. E continuam a ser exs.
Nunca fui de coraçõezinhos e ursinhos de peluche ou baby talk. Sempre fui meiga, mas sempre detestei meladices. Sou capaz de ser um doce, mas sem “filmes”, pragmática.
Nunca vivi com um homem, talvez por isso, ao estar habituada a viver sozinha, não sinta falta de acordar a dois, jantar a dois, fazer programas a dois.
Eu durmo, janto, viajo e enrosco-me no sofá sozinha, e gosto. Gosto mesmo. A única coisa que me faz falta é a minha cadela. Com ela gosto de acordar de manhã, gosto de viajar, gosto de ver televisão e filmes e enroscar-me no sofá.
Quisás porque é pequenina, e não ocupa espaço, quisás porque não fala e como tal não me aborrece nos dias em que estou chateada ou irritada. A resposta dela a qualquer coisa que eu faça é sempre uma lambidela no nariz.
Sinto falta de um homem quando tenho que carregar malas, mudar de casa, ir ao supermercado (sempre ajudam a carregar os sacos) ou quando tenho problemas com o carro. E claro, de dar “beijinhos profundos”, como diz uma amiga, que eu também sou humana, não é!
Mas há os amigos que me preenchem e com quem viajo e passeio. E os exs que servem pro que servem. Todos me dão o meu espaço.
Sinto-me bem assim.
Talvez por isso o S. Valentim não me chateie e já não vá a jantares de solteiros, ou pragueje contra a publicidade cheia de manhas pra vender mais um par de boxers ou lugares em hotéis e restaurantes.
Pensando bem, acho que só me sinto realmente bem assim desde que vivo fora de Portugal.
Corrijam-me se estiver errada, mas no nosso rectângulo parece que há os casais e os solteiros, não necessariamente uma mistura.
Quando somos convidados pra jantar perguntam sempre: trazes alguém?
Quando se faz uma passagem d’ano, é composta por não sei quantos casais que se junta pra a fazerem em conjunto. Se fores solteiro até podes ir com a malta, mas na altura da distribuição dos quartos é bom que estejas já muito bêbado e te habitues à ideia que aquele sofá a sorrir-te na sala vai ser o teu melhor amigo.
Aqui há uns tempos falava com uma grande amiga que me veio visitar e ela concordava. A vida social dela parecia que só existia quando estava em casal. Por isso é que não se recorda muito bem de quando é que esteve solteira mais de 2 meses.
Pensem lá bem, os que estão em casal, quantas amigas solteiras é que convidaram lá pra casa desde que estão casada(o)s? E falo das amigas que conheceram depois de estarem casadas ou juntas, não é das amigas de infância ou de liceu ou faculdade. Amigas solteiríssimas da silva, boas amigas, boas pessoas, mas que…não têm namorado (ohhhhhh) e como tal…pois é, não dá lá muito jeito…se pelo menos ela tivesse namorado! E assim que têm um, é um rodopio de jantarinhos e eventos, porque agora já podem ir a quatro.
Fora do rectângulo, sejam portugueses ou de outra nacionalidade, nunca mais tive questões desse género. Será isto fruto de educação, religião, ou que realmente acho que é: sociedade?
Em Janeiro, quando estava sentadinha no cabeleireiro da minha Mãe, “mandei-me ao ar” com uma senhora que é, pronto, amiga vamos, da família. Dei-lhe os Parabéns pelo segundo bebé da filha com quem cresci, e ela mandou-me uma palmadinha nas costas, fez um sorriso entre o triste e o “que peninha” e disse: Estás a ficar p’ra trás, tens de te despachar. Um dia destes já não podes.
Só me faltou bater na mulher. Nunca gostei dela mesmo. Era a minha oportunidade! A minha Mãe não me deixou. Que peninha.
Ao meu lado estava uma filha duma amiga da minha Mãe. A Catarina é da minha idade, é médica, solteira da silva como eu, e vive sozinha sem cães ou gatos. Muito calmamente disse-me: tens que entender que na altura delas (as nossas Mães e tal senhora, pois tá claro) o objectivo final da mulher era casar e ter filhos. Hoje em dia já não é assim, e elas não conseguem compreender.
Eu não sei se é sociedade, se é cultural, se é assim em todos os países e eu é que acho que deveria ser diferente, o que eu sei é que me sinto muito bem assim. E por isso mesmo acho óptimo que se celebre o dia de S. Valentim, e que quem queira se empenhe em tornar esse dia especial. E acho muito bem que as pessoas andem apaixonadas e a ver corações e estrelinhas por todos os lados. Fico contente por elas, a sério.
Façam-me só um favorzinho: não me contem os vossos planos. Really. Não pensem que não vos quero ouvir porque tenho dor de cotovelo ou por amargura. Eu gosto mesmo muito de ser solteira, por isso, pelo amor de Deus, não me tentem arranjar amiguinhos ou caldinhos pra ver a “solteirice me passa”.
Eu só não sou romântica.
Cenas que me ultrapassam
Quanto mais mazinhas somos p’ra um homem (neste caso, projecto de homem), mais eles nos perseguem. Se eu não sou especialmente simpática com alguém, não é porque me sinta atraída, é porque realmente não gostei da pessoa. Porque é que as pessoas insistem em achar que quem as maltrata é porque gosta delas?!




