Sinto-me na Graça – Day 2

Os vossos vizinhos são como os que eu tinha na Graça, só que com uma janela maior!

Quando voltarem os senhores podem-vos dizer a que horas os fui passear de manhã, à noite, a que horas saí de casa e a que horas cheguei a casa, dizem-me sempre sempre adeusinho!

Notícias: Petzi, a Dominante.

Dizem que os cães se parecem com os donos. A minha é a imagem cuspida e escarrada da dela: teimosa como um jumento, sociável, gosta de brincar mas dar-se que é bom tá quieto, gosta de mandar neles (desgraçados, sucumbem sempre), é pequenina, jeitosinha, maneirinha, cabe debaixo dum braço, e ladra aos cães e cadelas grandes como se fosse maior que eles.
O desgraçado do Mozart já levou umas quantas (muitas tentativas) de mordidelas no cachaço e como passa a vida a dar ao rabo, deduzo que goste!
De vez em quando olha pra mim com olhar de “este gajo já parava, não? Será que não percebe uma directa?!” e lá os separo pra ver se dormem e descansam um bocado. Ele na cozinha, ela na sala, sim, que a Madame alapa-se no sofá. Mas depois dão-lhe os remorsos e vem dormir pra frente da cancela, estica-se no chão e até ronca.
E eu vou-me habituando (NOT) a acordar cedo, não porque o Mozart resmungue, mas porque esta gaja chata me acorda às 7 e meia da manhã porque quer brincar!


PS: Caros Donos, continua tudo inteiro, não houve mais “baixas” pra lá da caixa de treats. Também vos confesso que a culpa não foi só dele, porque quando cheguei à cozinha depois de tomar banho, os artistas estavam no terraço, a minha toda cagada de terra e ele a tentar enfiar a língua dentro do diminuto espaço que conseguiu fazer. A cara de felicidade deles valeu a caixinha!

Mozart qual Beethoven – Day 1


Isto hoje foi uma aventura daquelas.

Como tenho amigos que são muito boas pessoas e cuidam da minha Petzi como eu mesma (ou melhor) sempre que eu vou passear (à razão de aí uma vez por mês, remember?), assim que eles pediram uma dog-sitter pro Mozart (o cão-zinho) deles, eu ofereci-me pra recompensar a generosidade e pronto, lá foram eles todos contentes de férias… PRA AUSTRÁLIA!!!

Deixei de lado a IMENSA vontade de me enfiar também no avião-zinho com eles, e dei comigo a tomar conta dum cão a sério.

Um CÃO mesmo, daqueles que quando ladra atroa uma casa, que precisa de passear 2 a 3 vezes ao dia (não é como a minha que têm até penico dentro de casa), que é um dooooce de criatura, mas como diz a Dona Ceres, ainda um adolescente e cheio de energia.

Como o Mozart não podia ir pra minha casa, eu e Petzi Maria pusemos pés e patas ao caminho, e cá estamos. Com a ajuda do Manual da Casa mais detalhado que já vi (até tem fotos dos botões das máquinas de lavar, secar, etc, e que hoje já me valeu uma sopa de alho francês na bela da Bimby que tá de comer e chorar por mais) chegamos, “aterramos”, vimos e sobrevivemos!

Durante duas semanas vou estar mesmo pertinho da praia de Haia. E com isto quero dizer que, se o bom tempo continuar, sábado vou acordar pra deixar os cães esfarelarem-se todos na areia, com apenas CINCO minutos a pé de caminho. Aliás, estas semanas cheiro o mar todos os dias, duas vezes ao dia.
Isso é a parte do copo meio-cheio.
A parte do meio-vazio reduz-se mesmo apenas à dimensão mais que humana dos cagalhões do Mozart que eu tenho de apanhar do chão.

E como a diferença horária é imensa (mais dez horas), vou pondo aqui uma foto do Senhor Mozart todos os dias pros Donos verem que afinal, eu até consigo tomar conta dum cão-zarrão!

PS: O vosso vizinho hoje pregou-me um caguefe de todo o tamanho! O Senhor veio cá devolver o caixote do papel (vêm como sou obediente?) e tinha chaves do portão de trás e … vocês esqueceram-se de me dizer! Pra mais o homem fala quase tanto como eu, mas debita em holandês. Vá lá que percebi uma parte, mas ao resto respondi como se tivesse a falar com um mouco! Foi dos nervos, mas correu muito bem, ele já percebeu quem sou, que vou cá tar, e que não falo corno de holandês mas que sorrio muito e agradeço muito! Tudo em cima, portanto! Beijos!

Adolescência, onde vais tu!

Hoje tive uma surpresa quando cheguei ao meu facebook.

– Tinham-me identificado numa foto. Até aqui normal.

– Eu tinha 15 anos!

(wow! Quem é que guarda fotos há 18 anos?)

– Eu tenho a merda do soutien à vista porque pelos vistos a blusa era transparente e eu nunca soube!

(WTF??!?!?! O que vale é que o soutien é todo XPTO e dos bons, e pronto, também não se vê nada que não se visse se eu estivesse de bikini – e não, antes que perguntem, NÃO vou publicar!)

Além desta pérola que me fez chorar a rir, encontrei fotos de amigos que não vejo há muitos, muitos anos.

Que saudades meu Deus. E que época! Que cabelos! Que roupas! Que…
Que saudades…

Eu andei num Colégio que tinha Internato para rapazes. Eram 400 internos na altura. O Colégio nesse então tinha perto de mil alunos.
Dos 400, muitos eram filhos de emigrantes e só iam a casa nas férias. Os outros eram os alunos que tinham sido expulsos das escolas todas em redor e do seminário por serem…umas pestes.

Ao ser a mais baixinha das meninas, sempre sorridente e de resposta (muito) afiada e pronta, não recuando facilmente perante as parvoíces deles, sendo eu a única rapariga que ficava pra lanchar depois das aulas, quando eles já estavam todos no “salão” a estudar, fechados, sem contacto com o exterior, sendo eu a que escondia os pães com manteiga do lanche debaixo da camisola pra lhos dar cá fora, sendo eu a protectora dos rebeldes e a que, como estava sempre nas boas graças do Padre Marques, ia sempre pedir ao Senhor Padre que os perdoasse, que não os expulsasse, que eu tomava conta deles! Passei de uma gaija qualquer, a “mascote”.
Quando eu andei no liceu não era a “Miss Popular”, mas era com toda a certeza a “Miss Mascote”. Todos tomavam conta de mim, ninguém me tentava sequer chatear porque eu tinha um grupo de 5 “manos” a proteger-me. No mínimo. Se não estavam eles, estavam sempre outros.
Todos os filhos de emigrantes em França queriam ser “zulus”. Ser Zulu era todo um estilo que tinha a ver com andar de fato de treino, com boné, o símbolo de “peace” ao pescoço, ter um…ai, como é que se chama aquela cena que se põe nos 4 dedos e serve pra partir a boca e os dentes ao pessoal? não me lembro, adiante, se andavam de ganga tinham todos calças MUITO largas, com o cós quase nos joelhos.
Qual o nível de semelhança com a realidade actual?! Hum… Pois é!
Bom, o certo é que eu tinha 5 amigos com quem andava sempre, o Miguel (por quem fui apaixonada dos 13 aos 16. Levei 2 anos a declarar-me e levei uma tampa! Saudades…), o Toni (na foto), o Tó (na foto), o Alex (se leres as bacoradas da net e me contactares, prometo que te dou um abraço tão forte como o último!) e o Fraguinha (Vive na Suiça. Disse-me que se eu quisesse um tecto falso XPTO que me fazia um desconto! Sim, desconto. Grátis não!) .
Nesta foto estão então apenas dois deles. Um é Professor onde outrora foi aluno e o outro…tem paradeiro incerto…

Apelando à blogosfera e ao facto do mundo ser um bidé, se por milagre alguém reconhecer o Tó e souber onde ele anda, que mo “devolva” por favor, ficar-lhes-ia eternamente agradecida. Mesmo.
Este dia foi um BOM DIA.

Há sempre boas e EXCELENTES NOTÍCIAS!


Isto no seguimento (not) de que não sou uma pessoa romântica, vai correr muito bem pros comments, mas adiante!

Ora “atonces”, a modos que, a coisa passou-se assim: corria o ano de 1998 e eis que Sofs Maria ganha uma bolsa pra ir fazer Erasmus pra Valladolid city. Quando lá chega encontra outra Tuga. Na primeira semana insultamo-nos de puta pra baixo. Foi ódio à primeira vista. Achava-mos que a outra era absolutamente insuportável, uma betinha nojente e arrogante. Ao fim da primeira semana decidimos ter a nossa primeira conversa porque havia mais gente à volta e parecia mal (not).
Eis pois que ganho uma das minhas melhores Amigas de por vida. Desde o dia 25 de Outubro de 1998 até hoje, a M. fez parte da minha vida e eu da dela. Já nos zangamos, já fizemos as pazes, já berramos uma com a outra, já choramos de felicidade abraçadas, já nos voltamos a insultar, e já voltamos a dizer continuamente uma à outra que nos adoramos. Estilo casamento, tem sido, na saúde, na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe.
No decorrer desse maravilhoso ano de Erasmus ela conheceu a sua meia-dose, um Italiano (baixinho pra condizer connosco – quando ele ler isto vai-me bater).
Uma das mais gratas recordações que temos as duas foi do dia em que, depois duma festa temática de Portugal que nós as duas organizamos, lhe pedimos que trouxesse a mochila da M. até à residência onde vivíamos as duas.
Mas em Valladolid tava um frio do car***, de tal modo, que quando a encomenda chegou ao nosso quarto, despachamos o mensageiro em 3 tempos, corremos ao quarto do Gigo pra pedir um saca-rolhas, despachamos o Gigo, metemo-nos no quarto nós, e UMA GELADA GARRAFA DE ALVARINHO SOALHEIRO. Eram 8 da noite, mas ainda não tínhamos jantado, logo, ao segundo copo já estávamos…alteradas, vá. Como tínhamos que “bajar al comedor a cenar” decidimos tentar disfarçar a bebedeira e vá de comer tostas com chouriço (que também vinha na mochila). Não surtiu muito efeito. A cena acabou comigo e com ela a tentar andar em linha recta seguindo as linhas da tijoleira no chão. NOT.
Quando o R. descobriu que na mochila ia vinho Alvarinho, quase que o namoro dos dois vai pro maneta e eu levo na tromba. Afinal tinhamo-lo deixado de fora, e isso não se faz a quem de nós tanto gosta!
Passado o eramus, a M. e o R. tentam continuar o namoro, mas a malta é jovem, intempestiva, e tal, e pronto, a coisa não correu bem e acabou-se a história, mas continuamos todos amigos.
Ele continuou no entanto a dizer que ela era a mulher da vida dele, e 10 anos passados conseguiu finalmente voltar a Portugal com o consentimento da M. (que dizia sempre que ele vivia no passado e era tolinho, que ela era agora a mulher da vida dele! Se ele já não era o homem da vida dela, que mania a dele! Que melga! Que gajo insistente!)
Tinham passado aí uns …. 10 minutos depois de ele sair do avião quando caíram novamente nos braços um do outro, e já na sanidade mental dos 30 e picos, decidem que são:

– parvos, por ter desperdiçado 10 anos.

– que sim, são a mulher e o homem da vida um do outro.

– CASAR.

E eu dei comigo histérica de contente, feliz de sorriso de orelha a orelha, porque afinal, o amor vence, e é poderosa, e a história deles continua a fazer-me acreditar que sim, há almas gémeas. Pelo menos, as deles.

PARABÉNS AMIGA!!! AUGURI CARIÑO MIO!!!

As cenas do próximo capítulo dar-se-ão quando eu emborrachar noivo e noiva no dia do casório em registo civil e capela incógnita no meio do Alentejo ou da Calábria, com Alvarinho, pois então!

Conversa de todAs as Expats 2 a 3 dias antes de embarcarem rumo a Portugal

Já marquei a depilação, a manicure, pedicure, cabeleireiro, e a limpeza de pele! Adoro a “minha” esteticista!

Sempre que vamos a PT fazemos uma espécie de “extreme make over” e vimos de lá mais “lavadinhas”.

Não é que cá (ou no País onde estamos seja ele qual for) não haja as ditas, mas entre os preços aberrantes, a falta de qualidade do serviço e a capacidade de barbárie das esteticistas, as “nossas” são indispensáveis, estejamos nós no cú do mundo!
Abençoadas sejam as esteticistas e cabeleireiras do nosso Portugalinho que nos deixam mais bonitas que nunca e recuperam a nossa feminilidade e beleza naturais!

Cortinas

Obrigada a todos os que me ajudaram a escolher as ditas cujas, que me deram ideias pra como contornar os problemas de uma janela que não podia perfurar, coladinha à parede na qual não cabia um varão, enfim, 30 mil peripécias que levaram a uma escolha mais completa e, a meu ver, muito bem feita, e que me deixou muito contentinha!
Agora falta a colcha de quilt/patchwork que a Lua de Algodão está a fazer aqui pra menina Andorinha! Vai ficar linda linda, e o meu quarto ficará então: completo!
Sinto-me bem nesta casa tão bonita.
Detalhes:

1) calhas/rails colados ao tecto em vez do varão
2) ganchos pequeninos colocados nas cortinas
3) muito cansaço derivado de ser meia dose de gente e ter andado pendurada numa cadeira pra conseguir chegar ao topo.

Depois de passar a ferro, fazer a bainha, colocar os ganchos e pendurar, estou arrenbentadinha. Mas valeu a pena!





Winter Blues


Eu sei que não tenho escrito os posts animados habituais, mas tou com Winter Blues. É a pseudo-depressão derivada do tempo e do céu cinzentos. Nesta altura questiono sempre o que raio faço eu na Holanda. Eu sei que estou no sítio certo, à hora certa, que sou uma abençoada porque tenho um emprego de que gosto, colegas de trabalho bestiais (mesmo!), uma qualidade de vida que dá inveja a qualquer mortal, que tenho a minha Petzi a preencher-me os dias e a dormir acurrucada a mim à noite, que tenho uma casa perfeita, com amigos bem perto, com cortinas novas (sim, porei aqui o update assim que acabar de as pendurar, a minha casa tá AINDA mais gira), que tenho uns Pais magníficos e com saúde, um irmão que voltou das cinzas porque está apaixonado e feliz e simpático como nunca, que tenho os meus amigos com quem falo horas ao telefone (mesmo quando vou a conduzir debaixo de chuva e a falar incansavelmente sobre a Candeia, ao ponto de enjoar as passageiras. Sorry girls…) e que em cada palavra mostram o quanto gostam de mim, sei que tenho viagens magníficas marcadas e que tenho…tudo, tudo o que podia desejar.
Mas no Inverno, não há hipótese. A Holanda continua ora chuvosa, ora branca, ora fria, ora a graus negativos, ora triste, ora tristonha, e eu sofro da depressão psicológica de que são alvo os nórdicos.
Por isso este ano deixei-me de merdas, e em Fevereiro, mesmo que também esteja a chover, vou a Portugal ver os meus Pais.
Vou chegar ao cabeleireiro da minha Mãe, ser ultrapassada pelas 10 clientes que entram depois de mim e que me moem o juízo com as perguntas de sempre (invariavelmente passo-me com o “quando voltas?” “não tens saudades?” “a Mãezinha tem tantas saudades suas, que raio faz a menina na Holanda?”), pintar o cabelo, fazer madeixas e ficar pendurada hora e meia na descoloração porque entraram mais 3 clientes e elas têm sempre prioridade, pegar-me com o meu Pai e o meu irmão porque não esperaram por mim pra almoçar, sair com o cabelo meio molhado pro restaurante do Centro Comercial e fazer-lhes companhia, voltar ao cabeleireiro e aguentar mais 2 horas de tintas e perguntas chatas e zarpar rumo às lojas e aos cafés onde me encontro com amigos e faço compras idiotas, só porque sim, só porque tudo isto é casa. And I miss home.
Quando voltar, estou pronta pra mais dois meses. Mas agora, deixem-me estar assim, com o meu winter blues. Já só faltam 3 dias.