Venham-nos buscar, levem-nos pro quentinho da vossa casa II

A Maria Sanches escreveu-me no início de Janeiro.

Pertence a uma Associação de Protecção de Animais e da Natureza que se desmantelou quando todos decidiram emigrar e deixar Vila Pouca de Aguiar para trás em busca de dias melhores.

E agora a Maria tem em casa mais de 20 cães que precisam de um lar urgentemente e de alguém que os ame.

Se quiserem adoptar ou conhecerem alguém que queira adoptar, Português ou Estrangeiro, por favor entrem em contacto comigo e com a Maria pelos emails:

sofia.andorinhaquevoa@gmail.com

sanchespuri@gmail.com

Telemóvel da Maria: +351 917546771

Também se agradece informações e ligações a associações de animais na Holanda e na Alemanha (e já agora, no resto do mundo também, que eu sei que há pessoas a lerem isto na China) que estejam disponíveis para entregarem e colocarem os animais da Maria nestes Países.

Se for preciso madrinha de vôo, isto é, alguém que acompanhe e pague a viagem dos animais de Portugal até à Holanda, eu voluntario-me pro fazer sempre que estes animais sejam entregues a pessoas fidedignas e respeitadoras.

Fotos dos animais para adopção:

A Tina e a Fusca:

Give and take – Adam Grant – food for thoughts – leitura obrigatória

Aqui há uns tempos li um artigo no linkedin que expunha a teoria de Adam Grant no livro Give and Take.

Chamou-me a atenção porque dividia as pessoas em 3 tipos:

– Givers
– Takers
– Matchers

Eu gosto muito de psicologia e sociologia e automaticamente consegui relacionar a teoria com as pessoas que me rodeia, seja pessoalmente, seja no local de trabalho.
Define-me claramente como uma Giver, mesmo sem fazer o teste no site. Depois de fazer o assessment tive a certeza, mas há ali uma percentagem dos três tipos:

A explicação é dada pelo próprio Adam Grant da seguinte forma:

Adam Grant: You could anchor this at two extremes: the takers and the givers. The takers are people who, when they walk into an interaction with another person, are trying to get as much as possible from that person and contribute as little as they can in return, thinking that’s the shortest and most direct path to achieving their own goals.
At the other end of the spectrum, we have this strange breed of people that I call “givers.” It’s not about donating money or volunteering necessarily, but looking to help others by making an introduction, giving advice, providing mentoring or sharing knowledge, without any strings attached. These givers actually prefer to be on the contributing end of an interaction. Very few of us are purely takers or purely givers. Most of us hover somewhere in between. That brings us to the third group of people, who are matchers. A matcher is somebody who tries to maintain an even balance of give and take. If I help you, I expect you to help me in return. [They] keep score of exchanges, so that everything is fair and really just.

É fabuloso ver como se adapta a tudo na nossa vida, não só nas organizações a que pertencemos ou para as quais trabalhamos, mas nas relações humanas e sentimentais. Li este artigo na sequência dos anteriores e foi como se algo me iluminasse o cérebro de repente, e em segundos eu consegui perceber porque é que há pessoas de quem eu gosto tanto e outras que passo a não suportar:

In order to understand where you fit in and how to best navigate your relationships with others, here’s a summary of the 3 styles of romantic partners.
3 Styles of Romantic Partners
Givers are people whose primary motivation is to take care of others, to make sure others are well, and to contribute to others and society. In a relationship, these are people who are always thinking about gifts for their partner, who take their partners’ interests into consideration, and who are always thinking “What else can I do for you?” They’re pretty awesome. As Grant mentions in his book—everyone likes having givers around because they are always happy to contribute and thinking of others. They understand the relationship as an opportunity to give and take care.
Givers often end up thinking there is something wrong with them when they are unhappy in a relationship. They are the ones who think they are not lovable or good enough because they take personal responsibility for making the relationship work (rather than blaming their partners). They can end up burned out and exhausted, from continuously giving at their own cost if they do not receive the support they need from the relationship.
Matchers tend to keep a balance sheet in a relationship. When matchers give they do so with an expectation of getting something in return.  When they receive something, they feel like they have to give something back. Matchers are the ones who are keeping tabs, and view relationships as somewhat like a commercial transaction.They are the ones who are most likely to say something like:  “I did this for you, but you didn’t do that for me” or “You paid for this, so I’ll pay for that.”  
Takers are just that…takers. They usually treat people well only if and when those people can help them reach their goals. Interestingly, Grant points out that they often appear as the most charming and charismatic people on the surface. They know how to work the crowd and seduce, but under the surface they are actually motivated by self-interest. You can recognize a taker by how poorly they treat people that they believe are of no use to them. You know you’re in a relationship with a taker when you feel sucked dry for all you have (whether it’s money, affection, time etc.). Once the taker has everything they want from you, you may be relegated to the “unimportant” sphere of their life. Their primary focus is themselves.

Deixo-vos este “food for thoughts”, sigam os links, investiguem a teoria, façam o assessment, tirem daí as vossas ilações.
Eu pessoalmente descobri que não suporto takers, que tenho uma enorme dificuldade em lidar com eles. E se bem que consigo gerir mais ou menos as minhas relações com os matchers dada a presença da teoria “gato escaldado, de água fria tem medo”, descobri que ou os matchers que conheço evoluem para givers, ou ao fim de um determinado tempo canso-me, e embora não os elimine da minha vida como elimino claramente os takers, os matchers não se mantém muito tempo nas minhas relações mais próximas.

Para mim um taker é um egoísta e egocêntrico, e são pessoas cujo sentido de amizade não se coaduna com o meu porque sinto que me sugam e que fazem de mim otária. E se bem que eu não costumo dar para receber algo em troca daquela pessoa, alguém que está continuamente a sugar o meu tempo e a minha energia sem dar algo em troca a outros (não necessariamente a mim), é alguém que não me interessa minimamente como pessoa. Talvez daí advenham e se expliquem aqueles 27 e 20% de taker e matcher, porque eu não sou perfeita, nem muito menos tão boa pessoa que chegue a ser otária. E reajo sempre que acho que alguém estar a abusar da minha boa vontade.

Remato com mais um excerto de um dos artigos que li, e que explica em grande qualidade o motivo pelo qual costumo conseguir o impossível a que me proponho e sou uma pessoa irritantemente feliz:

Even if givers don’t exceed the accomplishments of takers and matchers, their success takes on a different quality. Instead of cutting other people down on the way to the top, they pursue their personal goals in ways that lift other people up, earning friends, not enemies. So when givers do ascend, it isn’t lonely at the top.

Food for thoughts my dear readers, a lot of food for thoughts!

Venham-nos buscar, levem-nos pro quentinho da vossa casa I

A Maria Sanches escreveu-me no início de Janeiro.
Pertence a uma Associação de Protecção de Animais e da Natureza que se desmantelou quando todos decidiram emigrar e deixar Vila Pouca de Aguiar para trás em busca de dias melhores.
E agora a Maria tem em casa mais de 20 cães que precisam de um lar urgentemente e de alguém que os ame.
Se quiserem adoptar ou conhecerem alguém que queira adoptar, Português ou Estrangeiro, por favor entrem em contacto comigo e com a Maria pelos emails:
sofia.andorinhaquevoa@gmail.com
sanchespuri@gmail.com
Telemóvel da Maria: +351 917546771
Também se agradece informações e ligações a associações de animais na Holanda e na Alemanha (e já agora, no resto do mundo também, que eu sei que há pessoas a lerem isto na China) que estejam disponíveis para entregarem e colocarem os animais da Maria nestes Países.
Se for preciso madrinha de vôo, isto é, alguém que acompanhe e pague a viagem dos animais de Portugal até à Holanda, eu voluntario-me pro fazer sempre que estes animais sejam entregues a pessoas fidedignas e respeitadoras.

Fotos dos animais para adopção:

Nome: Linda

A  Licínia:



Que é feito da ternura?

Nesta conferência do TED, Yann Dall’Aglio, que infelizmente é Francês, explica duma forma interessante que todos desejamos ser desejados, que não somos uma sociedade consumista, somos uma sociedade que quer ser amada através daquilo que ostenta qual pavão, para atrair o outro.
A chave para amar e ser amado está na ternura. Uns serão capazes, outros não. Uns serão mais felizes, outros não.
Extremamente interessante este ponto de vista.

Estou viciada no Pinterest!

Pris, vou-te rifar amiga!
Há mais de meio dia que não faço mais nada, isso é droga porque é como ver revistas de decoração, mas gráaaatis!
Posto isto: aceitam-se sugestões de gente pra seguir no Pinterest, o FB pra mim deixou de ter qualquer interesse, eu agora não “liko”, só “pino”!

Há pessoas que nascem assim. Há outras que não :)

Acabei agora uma chamada de facetime com a minha amiga Tuxa que deu de frosques pro outro lado do mundo e me deixou aqui neste fuso horário abandonada.
As saudades que eu tinha de falar com ela e de repente tudo se tornar claro, e lógico e sem me sentir minimamente burra (por exemplo, o meu irmão também me dá umas luzes de como fazer uma coisa ou outra, mas chama-me sempre bacoca pelo meio).
Aquela voz da razão que um dia me disse muito calmamente: eu ainda não percebi o que raio estás tu a fazer a viver em Haia quando tens o teu trabalho e os teus amigos (quase) todos em Amesterdão.
É a voz da razão pra mim, enquanto eu sou a voz da razão pra outros.
Este Natal, coitadinha, chamei-lhe tantos nomes por ela estar a ir pra tão longe.
Porque eu precisava de ajuda! Da minha muleta! Daquela pessoa que me diz: Sofia estás a ensarilhar tudo, e a complicar tudo, e isso é tudo muito simples!
E se lhe chamei nomes foi porque sou uma egoísta da merda, porque eu estava às cabeçadas sobre como haveria de fazer a mudança, e ela estava de partida pro quinto cú do mundo, e se eu tinha muita coisa na cabeça, ela então tinha um turbilhão, e só conseguimos falar quando ela estava já na porta de embarque, e obviamente que não deu pra eu dar asas ao meu discurso egocêntrico e egoísta…..”quésse dizê”, eu tentei…. mas ela mandou-me (e com toda a razão) apanhar couves! E eu entre dentes: rais parta pá, agora que eu preciso de ajuda é que tu emigras outra vez?
Êta Sofiazinha, já andavas sozinha, não?
E pronto, lá fui eu organizar-me outra vez, acho que até fiz um bom trabalho, marquei as viagens, marquei as datas pra ir e vir, resolvi não stressar antes de Junho com a casa nova, e vai daí alugo uma casa nova esta semana e pimbas, toda ensarilhada outra vez, mas sempre com ar de quem sabe o que quer! Ah e tal, mudo aqui, mudo ali, e tal…. neste dia, levo isto no carro e tal…
E hoje, depois de finalmente ter assente tudo e de ter respirado fundo, a Tuxa diz-me: tou disponível pra por a treta em dia via facetime, bora.
E eu: é pra já!
E coitadinha, levou comigo uma hora inteirinha, em vez de lhe perguntar como é que lhe corre a vida, estive a perguntar: achas que leve daqui um sofá ou compro um? Achas que faça A, ou faça B?
É vamo lá a ver, eu sou uma gaja muito decidida, mas às vezes preciso duma opinião! Principalmente de alguém tão pragmático e prático e poupadinho como a Tuxa, ou seja, alguém com muito mais juízo que eu.
E vi a luz, e já sei o que vou fazer este fim de semana, tim tim, por tim tim.
Ai Tuxa Maria, a falta que tu me fazes pá!! Tu e a minha Nini, cada uma dum lado diferente do mundo, e eu no meio, qual contra-peso, a balançar as saudades que tenho vossas.

Pronto, e agora vou ali assinar o contrato da minha casa nova em Lisboa e já volto, sim?
Tá tá!

O sentido prático Holandês no seu melhor

Na semana passada fui à Kliniek Lairesse fazer uma ecografia às varizes.
Foi giro porque a assistente explica como é que a máquina funciona, e eu consegui ver quais os sítios onde tinha varizes: se a imagem fosse azul é porque o sangue estava a correr no sentido correcto. Se a imagem ficasse vermelha, é porque tinha uma variz. Via-se mesmo dentro das veias, foi muito interessante.
Hoje voltei lá pra falar sobre os resultados com o sô Dôtor, e pra mais uns testes.
Pra já estive 40 minutos à espera, sendo que cheguei a horas, o que pra Holanda é algo raríssimo, são mais pontuais que um relógio de cuco.
A seguir o médico começa-me a fazer perguntas, sendo a primeira: de onde é?
– Portugal
– Parlez vous Francais?
– (Ai… qués ver que este gajo é Francês? Não me trata já das pernas!)
– Percebo Francês melhor que Holandês, mas melhor mesmo era em Inglês….
– Francais c’est parfait pour moi.
(ah e tal, porque eu sou bilingue porque tirei o curso na Bélgica e vivi lá dez anos)
O homem falava em Francês, eu a traduzir mentalmente pra Português e a responder-lhe em Inglês. Foram 5 minutos até eu declarar que desistia, lamento muito amigo, mas vai ter que falar em Inglês!
– É saudável?
– Sou senhora, faço exercício quase todos os dias.
– Tem doenças e toma medicamentos? Quais?
 – Sim, alérgica a pó, leite, e mais coisas, tomo anti-histamínicos. E sou poliquística, mas isso não é doença.
– Que sintomas apresenta? Fadiga? Comichão? Inchaço? Caimbras?
– Comichão e Caimbras.
– Tem filhos?
– Não, se tivesse filhos já cá tinha vindo há mais tempo, já tinha as pernas num oito.
Não sei o que deu ao homem, que ele virasse pra mim e diz-me:
– A senhora tem resposta pra tudo! Basta um yes ou no! Vou-lhe perguntar assim: do you fuck?
Escusado será dizer que abri os olhos até à testa e no meio daquela algaraviada percebi porque é que ele perguntou isto desta forma. Sabem aquela anedota do: não fuma, não bebe, não fode, pra que é que vive? Foi mais ou menos isso!
Lá me recuperei da surpresa, e o senhor manda-me tirar a roupa da cinta pra baixo pra me fazer o resto do exame às varizes. Outra maquineta catita e explica finalmente que a perna esquerda tem efectivamente varizes, mas a direita só tem derrames.
– Quanto custa tratar os derrames?
– 100 euros cada perna.
– Quantas vezes?
– No máximo duas vezes, mas costuma ficar resolvido à primeira.
– Ai é? Então siga!
– E as varizes?
– Hoje faz a perna direita com os derrames, daqui a 3 semanas volta cá e faz as varizes.
– Muito certo, sim senhora. Agora é deitar ali de barriga pra baixo? OK.
E aqui a tolinha deitou-se na maca sem perguntar nem pensar como é que ia pra casa……..
Levo mais de 30 picas, levanto-me e começo a ver tudo assim esborratado, parecia que tinha os óculos sujos… limpei, não era dos óculos. Esfreguei os olhos…continuava na mesma… sô Dotor, estou a ver tudo a brilhar…e diz-me o gajo: também vê arco-íris e unicórnios?
aiiiiiiiiii, amigo, eu não consigo ler o papel que me pôs na frente, como é que eu vou conduzir?
Vai ali toma um café, espere 20 minutos e isso já passa. Esse efeito secundário é muito raro!
E assim foi…e passou…e eu vim pra casa a conduzir como se estivesse c’os copos, a ver tudo assim meio desfocado…. passado meia hora de estar em casa, passou-me. Mas agora dói-me a cabeça por ter esforçado a vista.
Isto hoje não tá nada fácil. E o médico ainda me disse que eu podia voltar pra casa de bicicleta! Tenho a perna direita toda enfaixada e o homem disse-me que eu podia pedalar. Não posso tomar banho durante 5 dias, mas posso pedalar! Com a vista neste estado, tinha-me já enfiado num poste. Ele há com cada tolo….
Bem, perna direita: CHECK!
Daqui a 3 semanas levo um voluntário à força comigo, não me apanham a ir lá sozinha, ainda me dá o béri-béri.
Mas vou ficar com as pernas da Naomi Campbell!
E nunca mais tenho que ouvir o Mota Capitão  chamar-me gorda e dizer-me que tenho que ir à filha dele tratar da celulite por 800 pastéis antes de me poder fazer este tratamento.
Eu por 200 fiz a festa, tive uma trip e vou a caminho da segunda, e apesar do médico ser meio parvo, vou muito mais bem servida!
Ou como se diz na minha terra: up yours!