Oh man, Deus ouviu as minhas preces!

E não é que o Tó me encontrou? Ao fim de 20 anos, oh man, estou tão contente!

“Tanto que eu pedi… Apelando à blogosfera e ao facto do mundo ser um bidé, se por milagre alguém reconhecer o Tó e souber onde ele anda, que mo “devolva” por favor, ficar-lhes-ia eternamente agradecida. Mesmo.”

E como não sei a quem ficar agradecida, fico ao Universo! :))

Ca ganda final de dia!

O Clube dos Artigos

Eu gosto muito de ler a Cup of Jo, e a Swiss Miss, que são bloggers a sério e cujas páginas proporcionam mais entretenimento que qualquer revista que por aí ande.
Falam e abordam de tudo e todas as sextas-feiras fazem o “friday link pack”, com coisas que viram por aí pela internet, e descubro verdadeiras maravilhas que de outro modo me passariam ao lado, principalmente design, decoração e livros.
Aqui há uns tempos li no Cup of Jo, que a Joanna Goddard fazia umas reuniões de amigas chamadas: Article Club. Não é um clube de leitura, mas sim um clube de … artigos de opinião, que ajuda a passar o inverno.

“But we’ll read articles. We’d all read the same story—from, say, The New Yorker or Elle—and chat over wine and snacks. It would be fascinating, timely and a much easier commitment than a book club (because, honestly, who ever finishes the book on time?). And it would make the winter feel fun.”

Mas a parte do texto que me chamou realmente a atenção foi aquela em que ela explica que este tipo de encontros aproxima as pessoas, e as torna mais íntimas, que as ajuda a conhecerem-se.
Vai daí não fui de modas, e convidei algumas “artistas”, e quatro miúdas juntaram-se para chá e bolinhos, vinho e queijo, numa quarta-feira à noite.
Falamos de tudo menos do artigo, confesso, mas atendendo a que o artigo era sobre fazer amigos depois dos 30, como todas tínhamos mais de 30 (Joana, cale-se que apenas 2 meses faltavam) acho que o tema foi superado por não fazer muito sentido, umas vezes que estávamos reunidas 4 pessoas, das quais 3 só se conheceram depois dos 30. E eu gosto muito das outras duas, e tenho-as como minhas amigas, no verdadeiro sentido da palavra.
Por isso falamos de política, de religião, de quem somos, do que gostamos, de livros, de filmes, de séries, foi mesmo conversa como as cerejas, puxar um tema e a seguir vir outro.
Como a disponibilidade não é muita, combinados um encontro de dois em dois meses, e no próximo já vamos ter “um artista convidado”, o primeiro moçoilo a juntar-se a nós, e que acho que vai gostar muito deste grupo.
Thank you Joanna for giving us the best idea of this winter time!

Viajar como quem nasce…

(este texto não é da minha autoria, mas sim da MJL. Mas quis e pedi para publicar porque acho que vão gostar muito de cada palavra. Obrigada à autora por exprimir-se de modo tão claro sobre o que é ser-se sentimento quando se viaja)

…viajar em modo adagio, como quem se deixa nascer para outra realidade, sem juízos de valor, como a atitude das crianças que entram neste mundo, de repente, sem guia turístico ou outro, a abrir os olhos, os ouvidos, a tatear, a captar…Nunca ficamos iguais depois de uma viagem em que o pensamento se exercite a ficar numa atitude de receptividade, de compreensão , de descoberta, de conexão.
É criançar , é ter vivências desmedidas, sentir sem limites de pensamento, como se os sentidos fossem mais de cinco, e um sexto, um sétimo sentido nos arrastasse para além do descritível pelas palavras sensoriais .
As crianças captam, ouvem, expandem a cada minuto, a cada olhar, a cada abrir e fechar de olhos.
Extravasar os limites da fronteira que é a nossa pele , o nosso corpo, e captar o que vibra, o que vive,o que não podemos classificar nem julgar.
Nós vamos sendo condicionados na maneira de olhar, de ouvir, de tocar, de expressão … aprendemos códigos de comportamento, sempre sujeitos à interpretação num espaço e numa comunidade. Morremos aos poucos por inação , por atilhos a prender movimentos, pensamentos. Copiamos , comparamos, não criamos…Deixamos de ser crianças.

Quando viajamos sem preocupações de grandes informações prévias a descoberta interpela-nos mais a nu, sem estarmos nem na defensiva nem na comparação. É bom olhar e ver como as crianças, sem imaginar antes…O quê? O que sente quem nos olha? Temos uma barreira física dentro da qual nos movemos e nos introduz antes de falarmos. Linguagem não verbal .

Sentir não é comparar. Sentir tem as portas dos sentidos e as outras para entreabrir e esperar o que surge. Sentir é expectante. Nascemos de novo, pois quando entramos neste mundo temos o mais difícil exercício de adaptação ao desconhecido de toda a nossa vida. A superar para viver. E viver será sempre superar. Se flutuamos não vivemos, estamos sem sentidos de olhos abertos.
O absoluto e o relativo…Porque é absoluto o que conhecemos e relativo o que é desconhecido?

Viajar relativiza-nos. Recoloca-nos perante nós próprios. O absoluto passa a ser o relativo…É tudo absolutamente relativo. Segurança? No equilíbrio do momento. Quanto mais arrisco mais momentos seguros sinto. Obrigo-me a encarar a fragilidade do momento e a segurá-la para não cair…
As paredes entaipam, limitam, fazem-nos retroceder porque não deixam avançar. Quem não avança recua.

Ir é sempre um futuro …Para onde vais? Para o futuro… nada mais do que isso. 

Dezembro 2013

Sequelas

Tenho alguns amigos de quem sei que vou ser amiga até ser velhinha. Principalmente as minhas antigas colegas de casa, sem desprimor pros outros, mas a Marta, a Mafalda e a Tininha são como se fossem minhas irmãs.

O regresso foi também feito por elas, porque as quero acompanhar, aos novos desafios delas, sejam eles mudanças de filosofias de vida ou filhotes e maridos.
Sinto o mesmo que quando leio um livro e adoro os personagens e de repente o autor cria uma sequela. Tenho saudades destes personagens, quero saber o que lhes aconteceu, acompanhar o dia-a-dia deles, saber como lidam com as alegrias e com as contrariedades.
Regressar é então como ler a sequela.
E tal como nos livros, perdi 6 anos de aventuras. Não é possível ler mais que a sinapse destes, por isso há um esforço para poder ler a continuidade sem ter de saber os ínfimos detalhes, esforço esse que começou pelo facto de ter feito de tudo para viver o mais próximo possível delas. A Mafi vive em Coimbra, a Tininha em Mafra, mas vivo a 500 metros da Martinha. Foi condição sinequonone (escreve-se assim?) para a escolha da casa nova em Lisboa.
Tenho visitado a Marta, seu dedicado e amoroso esposo (de quem gosto a pacotes) e filhotas de quem já gosto como sobrinhas verdadeiras, o mais possível, digamos que mais ou menos de 15 em 15 dias me convido pra jantar, e não há uma única vez que não me sinta em casa.
Mas hoje foi a primeira vez que voltei a estar sozinha com a Marta e durante duas horas pusemos a conversa em dia, não sobre o porquê de eu ter voltado ou sobre como eu me sinto, não sobre como se portam as miúdas, mas sobre o dia de hoje, como é que correu o trabalho, sobre o futuro e coisas novas que fazemos, falamos sobre HOJE.
E de repente voltei a sentir-me como quando já vamos a meio do livro, e voltamos a estar embrenhados na nova história, coisa que só acontece quando o autor deixou de repisar no passado.
A questão que se levanta é: quanto tempo é que levamos a voltar a entrar na rotina dos outros, daqueles que deixamos pra trás quando fomos pra fora? Quão importantes são as pessoas que cá ficaram não é algo que se discuta sequer! Mas estarão eles preparados ora nos receber?
Nós estamos preparados para voltar e egoistas como somos, achamos que a vida só se passou pra nós, só nós é que tivemos emoções diárias provocadas por desafios constantes como encontrar casa, aprender um novo idioma, encontrar novos caminhos profissionais, enfim. Mas, e é óbvio, a vida de todos muda a uma velocidade estonteante, nós  como pessoas mudamos imenso, todos nós, não só a de alguns.
Então e agora regressados, começamos novamente! Mas qual o ponto de partida? O da há 20 anos ou o de há 6 anos atrás? Estaca zero? Queremos ler a sequela ou reler o livro antigo? E eles?
Estaremos nós, os que regressamos, preparados para deixar os livros antigos na prateleira? E eles?
Quanto tempo leva a cada um de nós, aos que fomos e aos que ficaram, para querer  ler uma sequela? 
Eu hoje descobri que, é, efectivamente, um enorme privilégio ter uma biblioteca cheia de livros encadernados em pele, mas eu adoro sequelas, e sabe-me mesmo muito bem deixar de reviver passados e ler sinapses aproveitando, e bem, o livro que tenho nas mãos, acabadinho de comprar, a cheirar a papel novo e por folhear. E sorte a minha, também eles querem. Mas nem sempre é assim, e eu tenho de me preparar psicologicamente pra isso. É um esforço de ambas as partes, não depende só de mim. E se hoje correu muito bem, dias haverá em que não será assim. E eu vou ter de me conformar, porque afinal quem decidiu partir fui eu, não foram eles. 
Nunca tinha pensado nisto.

Açores, Abril de 2013 – by Joana Fernandes

Tá aqui tudo: http://cafesnopateo.wordpress.com/2014/01/07/acores-2-o-pilar-da-bretanha/

Além de eu estar estupidamente feia nessa foto, acabei de ver pela primeira vez o trajecto que efectivamente fizemos e wow! São muitos anos a virar frangos! Até porque quem lê este texto ainda pode ficar com a impressão que nós entramos em pânico em qualquer uma das situações e nem por segundos nós stressamos, foi sempre tudo muito, mesmo muito fácil e a rir! Olhem que tá tão bem escrito que se a minha Mãezinha lê isto dá-lhe um colapso :)))

Porque há que procurar o melhor nas pequenas coisas

Lindo de morrer este poema.
Para ler inteirinho.

He visto el inicio de un viaje

He visto el mar,
paisajes únicos,
gaviotas planear,
rocas,
cortados,
plantas de todos los colores,
he visto arena,
huellas,
olas que vienen y van,
he visto niños,
familias,
amigas,
amigos,
partidos de fútbol,
pelotas de rugby,
de bádminton,
padres jugando con los hijos,
niños felices haciendo castillos en la playa,
he visto solteros morenazos esperando ser cazados,
he visto gordos y gordas felices,
viejos y viejas de la mano, abrazados.
he visto gente corriendo,
sonriendo,
familias gritando,
parasoles,
sombrillas,
paravientos,
baños de diseño,
chiringuitos de madera,
baños públicos,
y mierdas en los caminos.
he visto camisetas rojas,
familias enteras de amarillo.
he visto parejas,
bicicletas,
gente con sudaderas,
y gente casi desnuda.
he visto rubios tatuados,
he visto pictogramas en las paredes,
mensajes de amor,
de olvido.
he visto huellas que se las lleva el viento,
el mar.
pisadas que van y que vienen,
pero no te he visto a ti,
ni a mi.
he visto un tipejo con bañador ajustado, mochila, sombrero y toalla.
he visto como se bañaban niños y niñas,
he visto hormigas,
escarabajos,
familias de pescadores,
familias mayores.
he visto amaneceres increíbles,
y he visto que no podía cenar sólo.
he visto tiendas,
construcciones nuevas,
negros trabajando sin parar.
mis pies descalzos por las rocas.
he visto parapentes,
piraguas,
hamacas,
sombreros,
gorras,
chicas sólo de negro.
he visto gimnastas entrenando en posturas inverosímiles.
he visto patatas fritas,
comida,
bebida.
he visto gente con cubos de erizos,
arena con cáscaras de naranja.
he visto mierda verde y oscura.
he visto grutas,
escondrijos,
cangrejos muertos,
cigarrillos,
castillos de arena,
casa de monjas,
y casas de putas.
he visto el móvil por si recibía alguna contestación.
he visto las flores más bonitas,
las nubes más rápidas,
las más tristes,
pero no te he visto a ti,
ni a mi.
he visto soledad,
tristeza,
tiempo robado.
he visto crustáceos entre rocas milenarias,
he visto piedras,
palos,
perros jugando,
y perros durmiendo.
he visto furgonetas con parejas en acantilados.
he visto autobuses que se iban
y toallas solitarias,
diques,
puertos,
miradores,
grupos de alemanes,
de franceses,
de portugueses,
de españoles que hablan alto, que no dicen demasiado.
he visto comprar un “frango no churrasco” para llevar.
he visto coches con tiendas.
he visto amaneceres únicos.
y ver la 01.03 en el reloj.
he visto tanto y nada (…)
viento que viene y va.
he visto botes de agua,
sudaderas,
pantalones cortos,
vigilantes esperando ser mirados,
tíos abiertos de piernas esperando ser vistos.
he visto al niño,
he visto al hombre,
al que no sabe que hacer con su libertad.
he visto lo mirado,
lo perdido.
he visto por qué hay canciones que no querías oír.
he visto libros,
papeles,
ropa roja,
ropa tendida,
ropa mojada,
conchas,
piedrecitas,
musgo,
y las olas del mar,
y gente mojándose a las 9 de la mañana,
y gente con traje, tabla y arpón.
he visto mandíbulas cerradas,
ojos que no pueden más.
he visto como la voz no salía,
o como te dejaba marchar,
he visto gotas de lluvia,
y deseo de marchar.
he visto mensajes de ayuda sin contestar.
he visto amistades.
cariños y gotas a punto de escapar.
he visto el calor.
he visto barbas,
marineros,
y amigos con los que estar.
he visto dolor y tristeza.
he visto fotos que recordar.
he visto viajes.
he visto noches en blanco,
y noche que rememorar.
he visto noches con ordenadores,
y noches durmiendo sólo.
he visto las horas pasar.
he visto libros,
revistas,
he visto mapas,
rutas por explorar.
he visto regalos,
gente que te invita a tomar.
he visto noches de fiesta sin fiesta.
he visto días sin siesta,
y sueños cuando no han de estar.
he visto que he perdido tu aroma.
he visto como mi pelo se convertía en un manojo de pelos sucios,
he visto tu cuerpo desnudo,
arreglándose para estar.
he visto tus ojos.
he visto tus dedos,
tus labios,
tu ombligo,
tus pies.
te he despejado el pelo de la cara,
pero también te he visto marchar.
he visto papeleras,
papeles higiénicos,
niños llorar,
palas,
castillos,
trincheras.
he visto pasar las horas
y ningún mensaje llegar,
juncos,
palmeras,
árboles japoneses,
niños corretear,
mujeres de blanco impoluto,
familias indias con niñas encremadas de blanco impoluto.
he visto negros esperando una oportunidad,
amigos,
amigas,
hermanos,
padres e hijos,
hijas de la mano de sus madres mayores,
o como un niño le ayudaba a andar a su abuela.
he visto grúas,
edificios,
castillos y palacios,
plazas de diseño,
pulseras,
rameras.
he visto como mi corazón me dolía.
he visto niños con cestas,
abuelas con cubos,
viejos en moto,
gente pasear.
he visto como mi padre recuperaba a su padre
mientras dejaba a su madre marchar.
he visto niños recogiendo piedras,
camisas a rayas,
hippies redimidos,
anoréxicas,
y gordas a punto de explotar.
niños chutando contra porterías imaginarias,
gorros y gorras,
gordos y gordas en paz.
he visto que no he comido,
he visto que algo no me deja en paz.
he visto silencios.
nubes marchar.
he visto libros que nunca quiero empezar.
he visto un montón de cosas que nada importan ya.
he visto tipejos sin pasta,
apuntes ilegibles,
gente que se quiere bañar,
pero no te he visto a ti,
ni tampoco a mi.
he visto futuros inciertos.
he visto noches esperándote
y amigos que no me han dicho “na”.
he visto caravanas,
mujeres en bragas,
nadadores,
y un frío que me recorre ya.
he visto a él y a ti,
me he visto a mi.
he visto que muchas de las cosas que le dabas importancia,
ninguna tenía ya.
he visto estómagos destrozados.
rodillas que no me dejaban en paz.
avionetas,
aviones,
amigos que lo han pasado mal.
he visto mi felicidad continuada,
he visto viajes increíbles,
he visto paseos increíbles,
caricias.
he visto sillas acumular,
y trayectorias por comenzar,
he visto huellas de espacios comunes.
he visto que todo comenzó ya.
he visto rupturas.
primeros amores,
y pasillos de facultad,
amigos perdidos,
y amistades de verdad.
he visto mierda flotando,
y juntarnos a “rajar”.
he visto molinos,
hórreos,
o campos de energía solar,
he visto moles de rocas por las que pasear,
he visto que estoy sólo,
he visto que no estoy sólo.
he visto vidas por recuperar,
salidas,
viajes,
y vidas por cambiar.
he visto trabajo y noches sin parar,
y becas y justificaciones,
y mierdas que no nos dejan parar.
he visto que ya no preocupa el futuro,
he visto viajes futuros sólo,
y viajes contigo.
he visto películas,
canciones,
exposiciones.
he visto dolores de espalda,
y cenas preparadas ya.
he visto esperarte.
he visto desearte,
he visto chuparte,
sentirte,
he visto como me iba ya.
he visto demasiadas veces que no quería pero que ella sí.
he visto tristeza,
he visto tu pereza.
he visto mañanas de besos.
he visto parejas jugando a las palas,
a las damas,
partidas de cartas,
trenes en los que jugar.
chicas ajustándose el bañador,
y chicos sin parar de tocársela,
y nubes que vienen y van.
he visto viajes,
trajes,
y ropa que se ha de tirar.
regalos, compras que nunca se han de usar.
he visto coches para uno,
y acompañantes mochilas,
acompañantes sombreros,
acompañantes bolsos y bolsas,
acompañantes imaginarios.
y pendientes en la tripa,
y pendientes en los labios,
y pezones duros como escarpias,
y sexos que no quieren bajar.
y llamadas que no llegan ya.
he visto a un padre decir a su hijo,
“esto es un cañón que va a disparar contra el hotel”,
he visto puentes rojos,
grandes cadenas.
he visto tejados vallados,
puestas de sol sobre miles de azoteas.
he visto mimos,
mujeres con rastas,
colgados,
“hareKrishnas”,
faldas a cuadros,
relojes,
torres,
iglesias,
grúas,
edificios demasiado altos,
edificios caídos,
tejados a lo “versalles”,
y azulejos portugueses,
gafas “wayfarer” rojas,
y venta ambulante,
puestos de chocos,
sardinas,
peixe espada,
peixes,
chimeneas olorosas,
cruces,
ángeles,
santos,
antenas,
bares,
fábricas,
acantilados.
me he visto a mi mismo deambular sólo.
pero no te he visto a ti.
he visto campanarios,
iglesias,
curas,
chimeneas,
contraventanas,
hippies,
pintores de brocha gorda,
pueblos perdidos,
calles vacías,
suelos adoquinados,
lluvia rápida,
nubes muy rápidas,
turistas,
avionetas,
miles de carteles de “vende-se”,
fincas rústicas,
chalets de todas las índoles,
casas amarillas,
casas rojas,
un perro atropellado,
un puerco-espín,
un gato,
creo que he visto estrellarse un pájaro contra el coche.
he visto servicios convertidos en jungla.
he visto concentraciones de auto-caravanas,
puertos llenos de yates,
chinos y chinas,
indios con plumas,
negros,
africanos con túnicas,
con rastas,
parejas vestidas con la misma tela roja estampada,
he visto como robar wifi en el centro,
he visto miradas,
y esquivas,
esquinas,
calles empedradas,
cortadas,
caminos sin fin.
he visto perderse al GPS,
y sin embargo llegar al fin.
he visto millones de personas agrupadas en un plaza con vistas al mar,
he visto a un niño fumar,
mochilas,
pañuelos,
ponchos,
yembés,
pitas,
piedras.
he visto lofts,
y casas abandonas,
pueblos abandonados,
vendedores de cerveza,
de discos, películas, gafas, tiritas, encendedores, lotería.
jerséis marrones con círculos azules menos uno.
he visto mujeres afeitadas,
y peluquines amarillos,
zapatillas horteras.
he visto cúpulas,
crápulas,
caraduras.
he visto palomas,
gaviotas,
gafotas,
andaluces,
la ciudad llena de luces,
la oscuridad,
los paseos nocturnos,
los arrecifes […],
las nubes marchar,
he visto libertad y mi soledad,
sombreros de brujo,
becquers o cervantes,
pedos tonificantes.
he visto murallas,
casas recubiertas de verde,
farolas,
quioscos,
torna-vientos,
cigüeñas,
viejos con bastones,
saludos con puños,
manos que se rozan,
cabezas que se apoyan,
calzoncillos a rayas,
y japoneses bebiendo cerveza,
portátiles,
trajes,
guitarras.
he visto ventanas rojas,
azules,
blancas,
farolas,
callejuelas,
pinos,
verjas,
coches de todos los colores,
concentración de minis,
minis-camioneta,
coches trincheras,
calles empedradas,
portones azules,
boinas,
pies descalzos,
paraguas,
enredaderas,
rincones maravillosos.
he visto increíbles árboles destrozar el suelo que lo sustentan,
personas presumir de sus viajes,
de sus vidas.
miradas mágicas,
instalaciones increíbles,
invisibles,
construcciones,
suelos levantados,
camionetas,
camiones,
sillones abandonados,
sillas tiradas,
esculturas de madera,
andamios,
tendederos,
“ruas”.
he visto como entrevistaban a curas,
o cómo pedían dinero en varios idiomas,
he visto mapas de portugal,
guías,
tendederos,
viejos asomados a las ventanas,
retretes en el suelo.
y personas solteras-solitarias deseando hablar.
uñas pintadas de azul,
teteras japonesas para tes de sobremesa,
colas para restaurantes,
para museos,
para cajeros.
he visto como llegaba el primero al museo,
he visto como todos dormían,
como estaba todo cerrado.
a ti hace tiempo que no te veo,
y a él tampoco.
he visto llover y amanecer,
saltar y correr,
cubrirse y descubrirse,
llorar y reír,
sentir y padecer.
he visto casados y amargados,
y parejas de enamorados.
familias multicolor,
pantallas multicolor,
y póster multicolor,
combos,
turbinas,
motores,
tornillos más grandes que mi brazo.
montañas de carbón,
de tierra,
de excavaciones,
grúas,
tractores,
ganaderos y perdedores,
golosinas de colores,
pasteles,
troqueles,
e incluso doseles.
he visto tantas cosas.
pero tú ya no estabas, tú te habías ido.
he visto parejas susurrarse,
gritarse,
mirarse y no tratarse.
he visto escritores,
pintores,
colectores.
he visto nada,
no podía ver nada,
ha veces hasta consigo ver y disfrutar,
hasta consigo comer, ser y estar,
a veces hasta te veo.
cerca muy cerca,
pero luego te vas.




mario gutiérrez cru 13 abril 09
 http://mariogutierrezcru.blogspot.pt/2009/04/he-visto-el-inicio-de-un-viaje.html

A vida lá fora – parte II

Já agora uma adenda, este fim de semana estive num casamento e tirei várias fotos com amigos, sempre na palhaçada, e cada uma delas foi tirada com um fito especial: mandá-las à Tuxa, que não pode estar presente porque agora vive onde Judas largou as botas, e estava cheia de pena por não poder estar presente. Só não veio porque não deu mesmo, mesmo. Mas eu sabia que era muito importante pra ela poder cá estar, e sei acima de tudo o quanto custa não poder estar presente.
A tecnologia é algo maravilhoso quando usado da forma correcta.
A Tuxa pode estar um bocadinho connosco, saber que não nos esquecemos dela, ver uns vídeos feitos pra ela e receber beijos de todos.
Eu sei que ela ficou muito feliz, e que I’ve made her day, e isso não tem preço.
Viva o whatsapp! E viva a Tuxa 😉
No entanto não publiquei uma única foto das que lhe mandei, e olhem que estão bem giras. Mandei-as às pessoas que estão comigo nas mesmas, e se quiserem, se gostarem, podem publicá-las.
Mas o momento era dos que lá estavamos, e dos que queriam muito mas não podiam estar de todo, e para isso pode-se, em vez de exteriorizar pro mundo todo, fazer um mimo e um agrado e mandar por mensagem pessoal às pessoas um momento especial. Todos participamos, noivos inclusive, e em vez de exercermos narcisismo, exercemos altruísmo.